É mesmo necessário desinfetar as escolas?

 

É mesmo necessário desinfetar as escolas?

Apesar das imagens impactantes dos homens vestidos de branco que, sobretudo durante os dois meses de confinamento, andaram a desinfetar vilas e cidades por todo o país, existem dúvidas sobre a eficácia deste tipo de desinfeção, feita com pulverização, não só porque, de acordo com os epidemiologistas, o contacto humano com o vírus a partir de superfícies infetadas é relativamente limitado, mas sobretudo porque o recurso em larga escala à dispersão de desinfetante à base de lixívia pode ter um impacto negativo na saúde de quem o inala.

Logo em março, a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, afirmou: “Não há nenhuma evidência científica de que estas desinfeções sejam eficazes. Não é prioritário ter trabalhadores a desinfetar ruas. O que vai travar a covid-19 é estarmos distantes uns dos outros.”

Em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmava que “a pulverização ou fumigação de espaços exteriores, como ruas ou mercados, não é recomendada para destruir o novo coronavírus ou outros agentes patogénicos porque é inativada pela sujidade”.

Além disso, a OMS avisava ainda que esta medida, “mesmo feita no exterior, pode ser perigosa para a saúde humana”, e recomendava que “em caso algum devem ser pulverizadas pessoas” porque “não reduz a capacidade de um infetado propagar o vírus por gotículas ou contacto”. Pulverizar cloro ou outros produtos químicos tóxicos sobre as pessoas pode causar irritações dos olhos e da pele, broncoespasmos e problemas gastrointestinais, alerta a organização.

Por tudo isto, a entidade mundial para a saúde pública não recomendava “a aplicação sistemática de desinfetantes em superfícies por pulverização ou fumigação nos espaços interiores”. “Se for preciso aplicar desinfetantes, convém fazê-lo com um pano ou um toalhete embebido de desinfetante.”

Desta forma, a desinfeção – tal como está a ser feita em várias escolas – não é uma das medidas previstas na diretiva sobre “Limpeza e desinfeção das superfícies em ambiente escolar no contexto da pandemia de covid-19”, publicada em maio pela Direção Geral da Saúde (DGS) em conjunto com as Forças Armadas e a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE). Este documento refere apenas a necessidade de fazer uma “desinfeção húmida”, com uma solução de hipoclorito de sódio (lixívia).

 

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5 comentários

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    • Alecrom on 11 de Setembro de 2020 at 22:51
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    Muitos deveriam desinfetar a boca.

    Eu já o faço, lol.

    A luta obriga-me a alguma promiscuidade dialética.

    • Prof Possível (aka Maria Indignada) on 12 de Setembro de 2020 at 2:35
    • Responder

    A maioria da limpeza/desinfecção que é feita amadoramente tem muito pouca eficácia.

    Mas é muito boa para irritar as vias respiratórias, e fragilizar o nosso sistema respiratório e orgãos diversos, como o fígado, se enquanto as superfícies estão a ser limpas e a secar, houver por lá humanos a respirar esses vapores (minimizado se se usar máscara).

    Por outro lado a fabulosa OMS também é uma pérola a dar instruções.

    Já existem estudos há alguns meses com a baixa de atividade (capacidade de contágio) produzida no vírus por diversas substâncias, em diferentes concentrações.

    A esmagadora maioria delas, exceto uma honrosa exceção, necessita de alguns minutos (1 a 4) para ter uma eficácia razoável.

    Por isso, essa de usar toalhetes que espalham pouco desinfectante que se evapora em pouco tempo, tem uma eficácia quase nula.

    Mas palavra de honra, esta gente é toda estúpida, não sabe ler, não pesquisa informação em papers científicos, não cruza informação e resta-nos então ser geridos por uma cambada de anormais, ou a anormal sou eu?

    • O Velha § Negra on 12 de Setembro de 2020 at 7:00
    • Responder

    Eu vou levar lexívia em spray e um pano a ver se ilemina rapidamente o covona rírus 19.

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