“É a minha vida que está em risco.” Regresso às aulas preocupa professores
Mário Carvalho é professor há 38 anos numa escola EB 2/3 e doente de risco: “Sou diabético e cardíaco mas é a diabetes que me preocupa mais porque é uma doença metabólica e tenho receio das sequelas”, admite.
É professor de Cências da Natureza nos 5.º e 6.º anos e, pelas características da disciplina que leciona, faz experiências com os alunos, lado a lado, uma situação que será impossível praticar no atual contexto. Terá de ser ele mesmo a conduzir o processo, à distância, sem se aproximar muito dos alunos. “Há logo uma limitação que é o facto de não serem os alunos a executar [a experiência], que é uma limitação muito séria.”
Na escola onde leciona considera ser impossível haver distanciamento entre os alunos. Não há espaço suficiente para colocar apenas um estudante por secretária com turmas tão grandes.
Mário Carvalho considera que a mobilidade do próprio professor dentro da sala de aula estará muito limitada. “Isso trará impactos no desempenho didático e pedagógico”, sublinha
Este docente tem 62 anos e lembra que, quando começou a carreira, previa estar reformado aos 61 anos de idade.
Mesmo com a sua situação clinica – ser portador de duas doenças crónicas -, colocar atestado médico será a última opção porque está em causa a redução do seu salário. “Penso que as pessoas terão tendência para sacrificar a sua segurança, apesar do risco que correm”.
Como diabético e cardíaco, Mário Carvalho vai começar o ano com o coração nas mãos e com muito receio. “Claro que tenho receio. Tenho de pensar que é a minha vida que está em risco”, lamenta.
O professor deixa um conselho ao Ministério da Educação: aos professores de risco com mais idade devia ser concedida reforma antecipada. Quanto aos outros, os mais novos, as escolas poderiam arranjar trabalho que não implicasse a interação com muitas pessoas.




7 comentários
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Bom dia. Sou também professora, com 53 anos, de 3.°Ciclo e Secundário, também doente de risco, portadora de 2 doenças incapacitantes da famosa lista, com declaração Multiusos passada pela Junta Médica, mas não me considero ainda incapacitante para o Trabalho e não concordo com a reforma antecipada. Na minha Escola as turmas costumam ser muito grandes, entre 27 a 29 alunos por turma, salas pequenas e muito limitadas ao movimento. Considero que não estão reunidas as condições mínimas para um professor lecionar, tal como são afirmadas pela Tutela, Diretores, Medias Social e todos os que corroboram que tudo vai ficar bem. Cabia ao governo, Tutela terem implementado as condições mínimas em contexto de sala de aula, reduzido as turmas à semelhança do que fazem noutros países. Não o fizeram, mas estabelecem regras impraticáveis na sala de aula e não conseguem arranjar soluções funcionais aplicáveis nos professores de risco. Estou num dilema, sim, pois não quero pôr Atestado Médico e nem falei ou quero falar com os meus médicos sobre este papel, que não corresponde à verdade, mas ao me expor sei que irei correr um risco muito grande, para mim e para a minha família. O que fazer então?!!
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Este Ministerio da Educação não quer saber dos professores e funcionários para nada, isto é, se morrerem eles apenas dizem Temos Pena, paciência.
Estes Xuxialistas da treta comandados por António Bosta apenas querem os “armazens” (leia-se, escolas públicas) abertos e a funcionar……Chama-se a isto a escola-armazem
Estes Xuxialistas da treta comandados por António Bosta apenas querem as enormes “Cantinas Sociais” (leia-se, escolas públicas) abertas e a funcionar para darem as refeições aos filhos dos Desgraçados da vida (filhos de desempregados; filhos de pais com o RSI; filhos de pais com o salario minimo nacional; filhos de presidiários; filhos de prostitutas……Chama-se a isto uma escola-cantina social
Estes Xuxialistas da treta comandados por António Bosta apenas querem estes “Espaços de Entretenimento” (leia-se, escolas públicas) abertos e a funcionar ocupando a catraiada com umas tretas das sexualidade, cidadanias, desporto escolar (leia-se dar uns pontapés numa bola)…….Chama-se a isto uma escola-intretem
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Não meus amigos a Escola Pública é hoje uma Não-Escola. O termo “escola” deve servir apenas para designar o local onde exclusivamente exista ensino e aprendizagem. A “abrilada” e a “javardice” transportou consigo outros significados para a palavra “escola”. Vivam os grandes pedagogos XUXAS da treta!…..
Claro que face a estes novos significados para a palavra “escola” o Ministerio está-se a borrifar para que professores e funcionários fiquem infetados e morram.
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Seria mais que justo a reforma antecipada acima dos 62 anos de idade e neste momento mais para docentes inseridos em grupos de risco. Também tinha no meu plano a reforma aos 61 ou 63 anos não aos 50 e … Estou com 63 anos e com problemas que me fazem recuar desta atividade. O que fazer?
Também concordo. Estou com 64 anos e 9 meses e vou fazer daqui a um mês 40 anos de serviço. Tenho 60%de incapacidade, e cardiaca. Vou trabalhar… Assim?
Tenho lido os relatos dos professores mais velhos, e tenho muita empatia. Temos, entretanto uma necessidade ética de garantir, ao máximo, a igualdade de oportunidades. Graças à escola, hoje tenho a minha casa e o meu espaço no mundo. Sou de família pobre, e sou o único filho que hoje é professor. Acho que temos que dar aos nossos alunos a chance que tivemos. A escola é um espaço de oportunidades que ainda acreditamos. Eu tenho 40 anos, sou professor desde 2002. Sou contratado.
Fala-se aqui nos professores mais velhos, pelos quais tenho todo o respeito, mas e os mais novos que são também de alto risco? Tenho 35 anos, sou diabética tipo 1 desde os 5 anos, doente cardíaca desde os 17 anos e tive um AVC aos 28 anos. Este ano vou ter uma turma de 1°ano com 20 alunos, 2 deles com nee, onde vão existir apenas 12 mesas na sala, o que implica que terão de ficar 2 a 2 e o horário será das 9h às 15h30. Teletrabalho não existe, trabalho de secretariado ou que implique menor contacto ou com algum distanciamento também não há e ventiladores para quando ficarmos sem respirar também não.
Adoro a minha profissão e aquilo que faço mas neste momento estou em pânico sem saber o que escolher: a saude/vida ou o meio de sustentação (que me pode matar) para viver e ter saúde?!
Cláudia estou consigo, a mesma idade, também de alto risco e o desprezo de um Ministério que se está a c* para as nossas vidas.