A Cidadania não é facultativa

 

A Cidadania não é facultativa

O que é doutrinação ideológica? Educar para a diminuição da violência doméstica? Educar para o respeito pela sexualidade do outro? Educar para uma consciência sobre o nosso papel na sustentabilidade do planeta?

Há notícias sobre um “despacho do secretário de Estado que manda chumbar dois alunos”. Este despacho, de acordo com o que se lê, é vingança de um marxista cultural, uma tentativa gramsciana de doutrinação numa ideologia.

 

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16 comentários

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    • zabka on 3 de Setembro de 2020 at 10:27
    • Responder

    Não simpatizo com o Sec de Estado, mas tem toda a razão neste caso.
    É lamentável que uma corja com intenções pouco disfarçadas esteja a usar duas crianças como teste para um assalto ao direito à educação. O Sr “Famílias Numerosas” e o seu advogado do Chega sabem muito bem o que estão a fazer ao seguir a estratégia dos tarados neo-pentecostais Brasileiros e Americanos. A Cidadania é um pretexto para começar o ataque à Ciência. Usando argumentos da treta (“ideologia de género” por exemplo) tentam criar confusão e semear a discórdia numa “Culture War” à portuguesa.
    Também não me admira nada a lista de idiotas úteis que subscreveram o “manifesto”, uma cambada de ressabiados neoliberais e ultra-conservadores que, como a história demonstra, dão sempre a mão à extrema-direita.
    Portugal ainda não é o Brasil, o ensino não pode ser à la carte conforme as crendices dos papás que não são donos dos filhos.

      • Sílvia on 3 de Setembro de 2020 at 17:31
      • Responder

      Muito bem observado, Zabka! A “Famílias Numerosas” é da Opus Dei (Prelatura ultra conservadora da ICAR).

      • Luluzinha on 3 de Setembro de 2020 at 21:27
      • Responder

      Muito bem! Absolutamente de acordo.

    • Matilde on 3 de Setembro de 2020 at 10:53
    • Responder

    A Cidadania não é facultativa”.

    Pois não, a Cidadania não é facultativa, mas a Disciplina de Cidadania e Desenvolvimento deveria sê-lo…

    O exercício da Cidadania cabe a cada um de nós e a todos nós e não pode deixar de ser defendida e exercida… E é exactamente nesse âmbito que continuo a defender o direito à objecção de consciência no caso em apreço…

    Neste caso, é-me absolutamente indiferente que o pai em questão seja simpatizante do Chega ou do PCTP/MRPP, continuarei e defender esse direito, independentemente de convicções políticas…

    (E, já, agora, abomino todas as ideias defendidas por partidos políticos racistas, xenófobos e anti-democráticos, sejam eles de Esquerda ou de Direita e jamais votarei num partido que as defenda…).

      • Dora on 3 de Setembro de 2020 at 12:08
      • Responder

      “A Cidadania não é facultativa, mas a Disciplina de Cidadania e Desenvolvimento deveria sê-lo…”

      Subscrevo.

      Os conteúdos das várias disciplinas remetem para questões de Cidadania, os projectos de turmas e da escola também. Há isso tudo. E bem.
      A disciplina de Cidadania e Desenvolvimento é uma redundância que sobracarrega a carga horária dos alunos e que não acrescenta em nada, antes pelo contrário.

    • jorge leite on 3 de Setembro de 2020 at 11:08
    • Responder

    Respondendo à pergunta, diria que doutrinação ideológica é dedicar-se a transmitir numa disciplina escolar uma visão muito parcial do mundo e de, simultaneamente, essa disciplina ser obrigatória. O problema não está em que ela ensine coisas como as regras do trânsito, mas em que transmita como regras coisas que não passam de opiniões e pontos de vista ideológicos, com os quais muitos pais não concordam.

    • Fernando, el peligroso de las verdades. O menino estuda o que entende que quer. Mais nada! on 3 de Setembro de 2020 at 11:15
    • Responder

    A cada aluno aquilo que ele quer ter. Mais nada. O aluno é quemanda e faz o seu currículo. Não quer cidadania, muito bem. Outro não quer matemática não tem. Outro não quer…
    Era o que faltava o estado ter um curriculo igual para todos osalunos!
    O menino eamenina estudam e aprendem o que querem, não aquilo que os outros querem que dkeestude ou aprenda. Era o que faltava não ser assim….

    • Luis on 3 de Setembro de 2020 at 11:37
    • Responder

    A disciplina de cidadania lecionada por um professor conservador é dada de uma forma, se for lecionada por um professor radical de esquerda é dada de outra maneira.

    Disciplinas destas não deveriam de ser obrigatórias.
    Ainda mais no o secundário como agora acontece.

    Se alguém leciona matemática , leciona da mesma forma objetiva seja de direita seja de esquerda.

    • Dora on 3 de Setembro de 2020 at 12:12
    • Responder

    “Se alguém leciona matemática , leciona da mesma forma objetiva seja de direita seja de esquerda.”

    Ensinar é mais do que leccionar. Daí que, leccionar matemática pode tornar-se numa oportunidade de cidadania.

      • Rui on 3 de Setembro de 2020 at 12:25
      • Responder

      Daqui a pouco fazes um poema …não?

    • BB on 3 de Setembro de 2020 at 12:56
    • Responder

    Em vez de ensinarem a fazer sexo ensinem a praticar a castidade. Só traz vantagens : evita gravidezes indesejadas, abortos dos prematuros e outras tantas de chatices se o preservativo falhar.
    Eu ensinei Cidadania todos os dias aos meus Alunos : Foi sempre a mesma aula no começo da aula : NÃO SE METAM EM SEXO NEM EM DROGAS PORQUE SÓ PODE TRAZER-VOS CHATICES. Tudo o resto eles já sabiam. Deu resultado.

    • Alecrom on 3 de Setembro de 2020 at 13:28
    • Responder

    Até quando teremos de aturar esta peça?

    Penso que está em “artigo aberto” uma resposta à letra a este…

    https://observador.pt/opiniao/nao-senhor-secretario-de-estado-joao-costa/

    • E@D on 3 de Setembro de 2020 at 16:06
    • Responder

    Pela primeira vez concordo com as afirmações do SE.
    Se assim fosse, abrir-se-ia um precedente e quase todas as raparigas excluíriam a EF ou Mat ou … se fosse uma opção paternal ou pessoal.

    • FrankieAT on 3 de Setembro de 2020 at 17:17
    • Responder

    Para quê o “continuar a ler” se não serve para nada? Convinha ler primeiro o que se partilha e não partilhar por partilhar.

    • KT on 3 de Setembro de 2020 at 22:32
    • Responder

    Serei o único a achar que toda esta ridícula polémica sobre a disciplina de CD se está a tornar uma autêntica ópera bufa (ou telenovela mexicana…), dada a maneira como, tanto os PRÓS como os CONTRAS, discutem acesamente esta disciplina (como se dela dependesse o futuro da Humanidade)?
    Na minha modesta opinião, ninguém sai bem neste “retrato”. E por uma razão simples: no meio de toda esta palhaçada onde é que fica aquela coisa abstrata (que costuma ser muita falada nos programas da manhã, naquela parte final dedicada aos crimes nefandos) que se chama “O SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA”?
    Os pais dos dois garotos de Famalicão pensaram no “superior interesse da criança” quando fizeram esta birra, sabendo que os filhos corriam o risco de reprovar?
    O SE Costa pensou no “superior interesse da criança” quando “exarou” aquele despacho (ou coisa que o valha) que, ao fim e ao cabo, tanto podia querer dizer uma coisa como o seu contrário? Ainda por cima sabendo todos nós a maneira como tantos alunos transitam em certas escolas – mesmo que faltem a todas a disciplinas, se recusem a cumprir as medidas de recuperação e integração e se comportem de maneira mais execranda – ao “abrigo” daquele artigo no Estatuto do Aluno que refere que a retenção é uma situação extraordinária e que deve ser muito bem ponderada.
    Eu não consigo entender a razão de tamanho terror perante questões como a sexualidade, igualdade de género, violência no namoro e orientação sexual. Até parece que, para alguns (100, pelo menos…), só por mencionar estes temas toda a gente se tornará subitamente doida, desavergonhada e depravada e desatará a participar compulsivamente em orgias, parafilias, filmes pornográficos e o catano (esta do catano não tem segundo sentido).
    A meu ver é preferível que uma criança esteja devidamente informada sobre certas realidades (com as quais, mais cedo ou mais tarde, terá de contactar) do que ser mantida numa espécie de casulo protetor que não terá qualquer utilidade prática e até poderá ser contraproducente. A não ser que a razão para o suposto terror que, por exemplo, a menção da orientação sexual e violência doméstica inspiram esteja mais relacionada com o facto de o nº de “alvos legítimos” para certas “sacanices” se estar a tornar cada vez mais reduzido…
    Mas contudo, a meu ver, o SE Costa e aquelas luminárias do ME são os mais culpados, pois – conhecendo perfeitamente a mentalidade (supostamente) “tolerante” do país em que vivem – resolveram introduzir os tais temas fraturantes da sexualidade, igualdade de género, orientação sexual e mais não sei quê, assim sem mais nem ontem e – pior ainda – sem diretivas claras (como já é costume, deixando os conselhos de turma e diretores de escolas com a batata quente nas mãos), só para poderem “deixar a sua marca histórica” e darem uma de modernos e europeístas da CEE.

    • Helena Tomé on 6 de Setembro de 2020 at 12:32
    • Responder

    A disciplina de Cidadania é pior do que uma anedota. Com uma anedota, rimo-nos. Com Cidadania, indignamo-nos. No ano letivo 2019-20, dentro das opções que alguém na minha escola fez. vi-me a dar empreendedorismo. Tendo experiência na matéria, numa aula daria todas as explicações aos alunos sobre o assunto, mas o que aconteceria nas 10 aulas seguintes? Assim, não lhes expliquei o que era o empreendedorismo e fizeram pesquisa, aquela pesquisa que os miúdos fazem e que todos sabemos que: 1 como não sabem nada sobre o assunto, não sabem o que procurar; 2 encontrando por acaso o primeiro site com informação, copiam as primeiras linhas; 3 esquecendo-se que a produção brasileira excede a portuguesa, não só porque eles são mais de 200 milhões e nós nem a 10 milhões chegamos, não reparam que os primeiros 20 ou mais links são brasileiros e dão um erro em cada frase, por vezes 10 erros por linha ou erros em todas as linhas. Alguns, espertos, sabem que há trabalhos feitos por alunos portugueses e copiam-nos. Esses alunos também não sabem o que é o empreendedorismo, pelo que a Terra deu várias rotações ao seu eixo e estamos no mesmo sítio de partida.
    Sou professora de História e tive de dar saúde. Magnífico. Os alunos já sabem desde o 1º ano que têm de manter algumas regras de higiene e havia muitas informações sobre o Covid. Assim, os alunos repetiram o que já sabiam desde a pré-escola e juntaram o que ouviam nos corredores sobre o Covid. Foi assim, Cidadania.
    Claro que lhes podia ter transmitir algumas coisas novas sobre saúde, mas, como Cidadania estava minada desde o início, foi a saúde que tivemos.
    Houve outro tema, opcional, media. E pronto. O tema estava autoavaliado.
    Como não suporto powerpoints imbecis, mas não tinha tempo para mais uma disciplina, deixei-os fazer os powerpoints, Mas sofri o meu pedaço ao ver os meus alunos a estagnar e a absorver as informações comuns que já tinham. É por isso que sou contra Cidadania. Há matérioas que os alunos deviam aprender, como de História, Geografia, Ciências, Física e Química, Educação Visual, mas não, estávamos ali naquela sala como quem estava enfiada num buraco porque das duas, uma, ou a disciplina não presta para nada ou a disciplina não deve existir. É evidente que o que deve ser dito nas aulas de Cidadania não se pode dizer porque, dentro dos temas escolhidos, afloram-se assuntos que não são adequados a miúdos de, neste caso, 7º ano. Nem eles aceitam informações novas sobre assuntos que já sabem. Assim, se sabem que devem lavar os dentes, não conseguem perceber que os devem lavar sempre que comem e não apenas de manhã e à noite. Ou só depois do almoço e do jantar. Nem percebem que não têm cáries porque a rede de água pública tem flúor, nem percebem que o flúor não é muito saudável. Assim, repetindo o que já sabiam, nada conseguem aprender que vá contra o que a família e os professores primários lhes ensinaram, que era básico porque eles eram muito novos. E estagnam. Cidadania revelou que há ideias feitas e que uma vez na cabeça dos jovens, ninguém consegue tirar-lhes aquelas ideias feitas, mínimas porque eram muito novos. O currículo do ensino básico tem de mudar, evidentemente. E, depois, falaremos de Cidadania.

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