Sou mãe de uma criança que frequenta o 2° ano, que não irá fazer as provas de aferição de português+estudo do meio e matemática+estudo do meio.
As provas de aferição neste ano de escolaridade já são questionáveis, mas no formato que pretendem este ano, para mim, são uma aberração!
Estamos a falar de crianças que ainda estão a aprender a escrever com fluidez de forma manuscrita. Estamos a falar de crianças a quem ‘exigimos’ cuidado com a caligrafia para que seja legível. A quem pedimos que transcrevam seja por palavras, gráficos ou imagens resoluções de problemas…
E de repente cortamos as bases do que pedimos no primeiro e segundo ano para fazer provas de “aflição” no computador?
Onde está a maiúscula? Como faço o sinal de pontuação? Como apago o erro ali em cima?
São perguntas que não se fazem esperar!
E onde está a possibilidade de deixar as crianças extrapolar o seu raciocínio no “demonstra como chegaste a esse valor…”?
Como é possível pedir a crianças que não têm TIC na escola que escrevam um texto, quando cada uma delas o faz carácter a carácter, demorando vários segundos para encontrar o seguinte?
E não raras vezes pressiona demasiado a tecla ‘delete’ e lá se foi a frase que tinha demorado largos minutos para ser escrita!
Por tudo isto e por muito mais, porque com estas provas de “aflição” não se afere nada, nem são justas para quem e o que estão a tentar aferir, eu digo não!
Nesse dia a minha filha não vai à escola! Vai brincar com os avós que ganha mais!
(Mãe e educadora de infância)




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Professores e pais contra provas de aferição digitais. Já há apelos à “abstenção em massa”
A obrigatoriedade de as provas de aferição do Ensino Básico serem todas em formato digital está a gerar polémica entre pais e professores. Já há apelos à “abstenção em massa” e alguns docentes a apresentar declarações de “escusa de responsabilidade”.
Há professores a pedir aos directores das escolas que não realizem as provas de aferição digitais, ameaçando com a apresentação de declarações de “escusa de responsabilidade” no caso de avançarem.
As provas de aferição não contam para a nota, destinando-se a alunos dos 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade. Vão realizar-se entre Maio e Junho próximos.
Mas o professor Paulo Guinote, autor do blogue O Meu Quintal, considera que não estão reunidas “as condições indispensáveis para que essas provas decorram com normalidade e de modo a que os alunos tenham um desempenho correspondente às aprendizagens desenvolvidas na disciplina“.
Guinote fala em “pseudo-aferições” e nota que as provas vão “aferir tudo menos as competências ou conhecimentos dos alunos nas disciplinas envolvidas”. O professor acrescenta que “é um disparate” que “se avoluma quanto mais novos e menor formação digital têm”.
“Estas provas só prejudicam uma verdadeira recuperação das aprendizagens, provocando uma perturbação inútil e indesejada ao longo de quase todo o 3º período”, acrescenta Guinote, frisando que “não têm a devida preparação e deveriam manter-se mais um par de anos em papel, com uma progressão prudente e voluntária para o formato digital”.
Só interessam aos “defensores do costismo”
Também o professor do primeiro ciclo Alberto Veronesi, do blogue VozProf, avança com a “escusa de responsabilidade”, realçando que “fazer as provas de aferição em suporte digital é um verdadeiro absurdo”. O docente refere-se a notícias que notam que os alunos do 2º ano são “demasiado novos para provas em computador”.
“As actuais provas de aferição têm apenas significado para o IAVE [Instituto de Avaliação Educativa] e alguns defensores do costismo que “à força” querem impingir esta cretinice que é o digital a substituir aquilo que deveriam ser as boas práticas, sobretudo a este nível de ensino”, atira ainda Veronesi.
O professor ainda acusa o Ministério da Educação de “fazer das crianças cobaias de experimentalismos bacocos que visam simplesmente provar o sucesso, mascarado, de que o digital está a “dar cartas””.
Apelo à “abstenção em massa” dos pais
Em declarações ao Público, Veronesi fala em reuniões que teve com pais, notando que alguns lhe disseram que “estavam seriamente a pensar não trazer os miúdos no dia das provas“.
E a psicóloga Tânia Correia, que tem um filho no 2º ano, já lançou um apelo à “abstenção em massa” às provas de aferição deste ano de ensino.
Assim, alguns professores estão a pressionar os directores das escolas, com o respaldo do apoio dos pais, para a não realização das provas em formato digital.
Até porque existem também preocupações com questões logísticas, nomeadamente em termos da disponibilidade de computadores suficientes e dos professores de Tecnologias de Informação e Comunicação necessários para assegurar apoio aos alunos.
O presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, diz ao Público que não conhece nenhum caso de directores de escolas que estejam a recusar a realização das provas, ou a ponderar fazê-lo. “Para já não estamos a pensar nisso”, assegura.
Apesar disso, Filinto Lima assume que é contra as provas em formato digital, mas nota que deve ser o Ministério da Educação a decidir se as mantém, ou não, no próximo ano lectivo.