Testemunho sobre as provas de aferição do 2°ano

Sou mãe de uma criança que frequenta o 2° ano, que não irá fazer as provas de aferição de português+estudo do meio e matemática+estudo do meio.
As provas de aferição neste ano de escolaridade já são questionáveis, mas no formato que pretendem este ano, para mim, são uma aberração!
Estamos a falar de crianças que ainda estão a aprender a escrever com fluidez de forma manuscrita. Estamos a falar de crianças a quem ‘exigimos’ cuidado com a caligrafia para que seja legível. A quem pedimos que transcrevam seja por palavras, gráficos ou imagens resoluções de problemas…
E de repente cortamos as bases do que pedimos no primeiro e segundo ano para fazer provas de “aflição” no computador?
Onde está a maiúscula? Como faço o sinal de pontuação? Como apago o erro ali em cima?
São perguntas que não se fazem esperar!
E onde está a possibilidade de deixar as crianças extrapolar o seu raciocínio no “demonstra como chegaste a esse valor…”?
Como é possível pedir a crianças que não têm TIC na escola que escrevam um texto, quando cada uma delas o faz carácter a carácter, demorando vários segundos para encontrar o seguinte?
E não raras vezes pressiona demasiado a tecla ‘delete’ e lá se foi a frase que tinha demorado largos minutos para ser escrita!
Por tudo isto e por muito mais, porque com estas provas de “aflição” não se afere nada, nem são justas para quem e o que estão a tentar aferir, eu digo não!
Nesse dia a minha filha não vai à escola! Vai brincar com os avós que ganha mais!
(Mãe e educadora de infância)

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/04/testemunho-sobre-as-provas-de-afericao-do-2ano/

1 comentário

    • monike on 24 de Abril de 2023 at 14:26
    • Responder

    Professores e pais contra provas de aferição digitais. Já há apelos à “abstenção em massa”

    A obrigatoriedade de as provas de aferição do Ensino Básico serem todas em formato digital está a gerar polémica entre pais e professores. Já há apelos à “abstenção em massa” e alguns docentes a apresentar declarações de “escusa de responsabilidade”.

    Há professores a pedir aos directores das escolas que não realizem as provas de aferição digitais, ameaçando com a apresentação de declarações de “escusa de responsabilidade” no caso de avançarem.
    As provas de aferição não contam para a nota, destinando-se a alunos dos 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade. Vão realizar-se entre Maio e Junho próximos.
    Mas o professor Paulo Guinote, autor do blogue O Meu Quintal, considera que não estão reunidas “as condições indispensáveis para que essas provas decorram com normalidade e de modo a que os alunos tenham um desempenho correspondente às aprendizagens desenvolvidas na disciplina“.

    Guinote fala em “pseudo-aferições” e nota que as provas vão “aferir tudo menos as competências ou conhecimentos dos alunos nas disciplinas envolvidas”. O professor acrescenta que “é um disparate” que “se avoluma quanto mais novos e menor formação digital têm”.
    “Estas provas só prejudicam uma verdadeira recuperação das aprendizagens, provocando uma perturbação inútil e indesejada ao longo de quase todo o 3º período”, acrescenta Guinote, frisando que “não têm a devida preparação e deveriam manter-se mais um par de anos em papel, com uma progressão prudente e voluntária para o formato digital”.

    Só interessam aos “defensores do costismo”
    Também o professor do primeiro ciclo Alberto Veronesi, do blogue VozProf, avança com a “escusa de responsabilidade”, realçando que “fazer as provas de aferição em suporte digital é um verdadeiro absurdo”. O docente refere-se a notícias que notam que os alunos do 2º ano são “demasiado novos para provas em computador”.

    “As actuais provas de aferição têm apenas significado para o IAVE [Instituto de Avaliação Educativa] e alguns defensores do costismo que “à força” querem impingir esta cretinice que é o digital a substituir aquilo que deveriam ser as boas práticas, sobretudo a este nível de ensino”, atira ainda Veronesi.
    O professor ainda acusa o Ministério da Educação de “fazer das crianças cobaias de experimentalismos bacocos que visam simplesmente provar o sucesso, mascarado, de que o digital está a “dar cartas””.

    Apelo à “abstenção em massa” dos pais
    Em declarações ao Público, Veronesi fala em reuniões que teve com pais, notando que alguns lhe disseram que “estavam seriamente a pensar não trazer os miúdos no dia das provas“.
    E a psicóloga Tânia Correia, que tem um filho no 2º ano, já lançou um apelo à “abstenção em massa” às provas de aferição deste ano de ensino.
    Assim, alguns professores estão a pressionar os directores das escolas, com o respaldo do apoio dos pais, para a não realização das provas em formato digital.
    Até porque existem também preocupações com questões logísticas, nomeadamente em termos da disponibilidade de computadores suficientes e dos professores de Tecnologias de Informação e Comunicação necessários para assegurar apoio aos alunos.
    O presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, diz ao Público que não conhece nenhum caso de directores de escolas que estejam a recusar a realização das provas, ou a ponderar fazê-lo. “Para já não estamos a pensar nisso”, assegura.
    Apesar disso, Filinto Lima assume que é contra as provas em formato digital, mas nota que deve ser o Ministério da Educação a decidir se as mantém, ou não, no próximo ano lectivo.

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading