A minha mãe teve momentos difíceis na sua carreira, pessoais e profissionais. E dizia que algumas das pessoas mais solidárias que teve foram as então contínuas.
Cresci na escola para onde a minha mãe me levava quando não tinha onde me deixar. Nos meus 5,6,7 anos passei horas pelos corredores com “senhoras continuas” eu a fazer que varria para me manterem entretido e elas a cuidaram de mim, com solidariedade humana pela mulher com problemas como os delas, mais que por dever. Aliás, não tinham dever nenhum. Era mesmo amizade.
Hoje iniciei o dia a contar os assistentes operacionais, que fazem falta para manter abertas as escolas e jardins de infância do agrupamento em que sou dirigente.
Fecharam, sozinhos e sem conversas da treta professorais, uma EB23, 3 EB1 e um jardim de infância. E nos agrupamentos vizinhos foi na mesma linha.
E, por esse país fora, estão a dar um sinal de dignidade e luta que me envergonha pelo meu grupo profissional. Uma greve que mostra ao governo a falta que faz dar dignidade ao setor público. E que, ao fechar escolas, mostra a falta que elas fazem.
Neste dia em que fecham escolas e mostram a falta que fazem, a descontar um dia de salários mínimos, acredito que a melhor forma de solidariedade não é surfar a greve “deles” para ter um dia livre.
É fazê-la com eles.
Por isso, aderi à greve. Porque ela também devia ser “dos professores” . E porque quando é só nossa não chega a ser.




10 comentários
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Tenho vergonha destes surfistas,demoonstra o carácter do corpo docente que temos.
Sempre entrei em todas as lutas e não foi por isso que deixei que o prati ficasse vazio.
A minha dignidade como ser humano morrerá comigo.
Como dizia frei Tomás
Não ligues ao que ele diz.
Mas dá-lhe forte na cabeça se ele faz
Sr. Luis Braga, PARABÉNS pelo seu texto/testemunho.
Lamento o ensino não ter mais Docentes, Diretores, Não Docentes como o Sr.
Categorias diferentes, mas com objetivos comuns no Ensino!
Deveríamos ser todos, mas todos mesmo…
As greves só fazem sentido quando prejudicam o patronato ou os “clientes”.
Uma greve de funcionários fecha uma escola é eficaz. uma greve de professores não prejudica ninguém e até dá dinheiro extra ao patronato.
Não como gelados com a testa…sorry
Na nossa classe profissional uma greve é um ato sem efeito. Até nas reuniões de avaliação já existem leis que tapam a sua eficácia. Nos exames igual… Com os serviços mínimos.
Abram os olhos e percebam que tem de se reinventar. Sindicalismo há anos 70/ 80 não resulta na nossa classe. Lamento…
Já somos 2. Façam greve, o patrão agradece!
Faz bem mais “estragos” a falta de docentes que já se começa a sentir em algumas zonas e grupos de recrutamento, do q estas greves que são boas é para o Nogueira (o maior trabalhador da classe) mostrar que existe…ele e os restantes sindicatos/partidos.
Temos o que merecemos. Abram os olhos!!
Não sair dos dogmas sindicais dos anos 70 é grave. Tente perceber a sociedade atual e ver como funciona a profissão docente. Aliás é só ver a aderência ás greves por parte dos professores.
Não é mau “pensar” e sair dos dogmas da igreja ops, desculpe dos sindicatos docentes.
Caro colega, Luís!
Parabéns pela sua luta e que também é a minha. Contudo, na prática é assim:
Os colegas que já se encontram no sétimo escalão e seguintes não têm interesse em entrar nesta luta porque já não vão ter mais nenhum obstáculo até chegarem ao último escalão. Em princípio, estes colegas já estão efetivos numa escola e por isso, já têm bons horários, poucas turmas porque muita da componente letiva e não letiva é preenchida com apoios individuais, tutorias, projetos, AOA , etc
Só os colegas em início de carreira e os que ainda não passaram do 6º escalão é que poderão estar disponíveis para participarem nesta luta. Serão os que têm menos tempo de serviço e não estarão efetivos numa escola. A estes colegas são atribuidas as piores turmas ( alunos com comportamentos disruptivos, desinteressados, dificuldades de aprendizagem) e os piores horários. Mas a estes colegas é exigido serem Excelentes e Muito Bons para entrarem nas quotas. São estes colegas que vão ficar anos nas listas à espera de vaga para subirem aos 5º e 7º escalões, pois as quotas são muito poucas para o universo de docentes que há em cada escola.
Infelizmente, e após 29 anos de serviço, constato que os docentes se estão a tornar cada vez mais egoístas, individualistas, insensiveis aos problemas dos outros e em que cada um olha para o seu umbigo.
Hoje uma professora do 1º ciclo disse me que não fazia greve,que lhe fazia falta o dinheiro!De referir que a dita senhora professora está no nono escalão!Para uns tudo,para outros ( contratados) Nadica de nada! Depois querem professores…
Na sua infância, os professores, que tinham menos estudos do que os atuais assistentes operacionais, eram de facto uns privilegiados. Subiam regularmente de escalão e eram respeitados pela sociedade. Por outro lado, a canalha apreendida muito mais e tinha educação.
Não esperava outra coisa de si.
Solidariedade e sororidade são conceitos há muito esquecidos.