POSIÇÃO SOBRE AS EMISSÕES DAS AULAS DA EDUCAÇÃO ARTÍSTICA E DA EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA NO #ESTUDOEMCASA
ANO 2020/21
A APEVT toma posição sobre as emissões das aulas da Educação Artística e da Educação Tecnológica no #EstudoEmCasa convicta da urgência de medidas para a superação da atual situação.
Assim, para garantir que a sensibilidade estética e artística e o saber científico, técnico e tecnológico, áreas inscritas no Perfil dos Alunos, aconteçam nas escolas para uma educação integral é fundamental promover as melhores práticas e não o contrário, como está a acontecer nas emissões da Educação Artística e da Educação Tecnológica no #EstudoEmCasa, patrocinadas pela tutela.
Efetivamente, esta semana ocorreram as primeiras sessões da Educação Artística na componente de Educação Visual que dececionaram qualquer professor desta área que saiba o que é a Educação Artística e a Educação Visual. Assistimos a uma suposta aula artística que não foi mais que uma sessão de bricolage decorativa sem princípios, linguagens e processos científico-pedagógicos próprios da Educação Visual.
No que se refere ao tempo próprio para a Educação Tecnológica que, por si só, justificava um começo em que ficasse claro aos olhos dos alunos qual o papel formativo da disciplina, infelizmente assistimos a mais uma aula teórica sobre energia com a proposta de decoração de uma caixa. Não se descortina qualquer aprendizagem que suscite as componentes estruturantes e os processos científico-pedagógicos próprios da Educação Tecnológica.
O que vimos foi um modo de trabalho pedagógico centrado em “manualidades” e desfocado do papel formativo das disciplinas, “fazer rolinhos de papel” ou “recortar papéis para decorar caixas ou molduras”, ou a “fazer a técnica do guardanapo”, com a agravante de os alunos pensarem que se tratam de aulas de Educação Visual e Educação Tecnológica.
Neste contexto, é bastante difícil aludir às exigências que a Educação Artística impõe na utilização das linguagens específicas nas várias formas de Arte (Teatro, Música, Dança, Artes Visuais, entre outras) e na procura de estratégias de confluência das diferentes linguagens, uma vez que não se vislumbra nada destes pressupostos na denominada Educação Artística do “EstudoEmCasa”.
É uma desfaçatez utilizar indiscriminadamente designações sem ter em conta os conceitos que as encerram, Educação Artística é uma coisa, Educação Visual outra, Educação Tecnológica outra, Artes Decorativas outra e, etc.
A visibilidade pública e a exemplaridade, obriga a uma exigência e concetualização destas aulas que acentue a compreensão da área artística e tecnológica patente nas orientações curriculares – Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e Aprendizagens Essenciais.
Neste sentido, a APEVT apela para que a tutela tome as medidas necessárias para identificar e procurar uma solução que inverta a atual situação.
No âmbito desta problemática a APEVT renova o apelo para a criação de um Programa de Formação de Professores da área curricular Artística e Tecnológica, 1º 2º e 3º ciclo, de modo a garantir uma educação integral para todos os alunos em todo o território nacional, tal como prevê a Constituição da República Portuguesa.
APEVT, 25 Outubro 2020




4 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
Eu conheço alguns (e algumas) que só ensinam das duas três – Secretariado, Textêis ou Electricidade
Depois admiram-se da Educação Tecnológica ter passado a oferta de escola.
Pois…. Mas não adianta estarmos com palavriado das áreas artísticas quando vamos trabalhar com os alunos a a escola diz que não há material para nada, especialmente nas escolas do 1 ciclo, e é isto que ouvimos”Só temos cartolinas , colas e folhas de fotocópias…” Para se fazer alguma coisa com os alunos, seria preciso material em condições e de qualidade, e isso os alunos não têm, e o prof não irá comprar do bolso dele!!!! Os profs têm por vezes de fazer das tripas, coração mas nem sempre se consegue pôr vezes chegar a determinados conceitos temos de ser menos preconceituosos. É a minha opinião.
O que estes dois colegas disseram é verdade. Porém, é um facto que a maioria dos professores desta área ainda vivem no passado, no currículo do passado, não inovando, nem estruturando metodologias de trabalho de acordo com o currículo mais recente. Em suma, estão agarrados aos trabalhos manuais de há 30 anos atrás.
Quanto aos materiais, é verdade que os recursos materiais que nos disponibilizam são poucos. Porém, pode-se fazer muito com pouco, porque, na realidade, o que mais importa é desenvolver o espírito criativo e inventivo dos alunos, e isso pode ser feito com reutilização de materiais, o que estimula ainda mais o “arranjar soluções” para um determinado problema, baseado numa política de desenvolvimento sustentável e na defesa do ambiente, com redução na utilização dos recursos naturais.
A Educação Tecnológica, do presente e do futuro, terá sempre que passar por estes aspetos: Desenvolver soluções tecnológicas de forma sustentável no sentido de preservar o meio ambiente. E no desenvolvimento dos trabalhos, ter também sempre presente a higiene, saúde e segurança no trabalho…
O resto, é conversa.
Um outro aspeto, bastante importante, que não vi referirem aqui, é: Em tempo de Covid-19, não há orientações do ministério da educação para as disciplinas práticas, nomeadamente (principalmente) para Educação Tecnológica, em que se trabalha com ferramentas, utensílios e materiais… objetos que, durante o ensino presencial, supostamente, não deveriam ser transmissíveis. Então, como é que se consegue trabalhar nestas disciplinas práticas?
Mas quem são estes da APEVT para opinarem? Até parece que mandam alguma coisa! Obedeçam, porque o poder é só para quem pode!