Nas escolas não se vive, funciona-se e nem sempre se sobrevive…
O Governo teima em não divulgar o número real de infecções nas escolas, assim como também não revela o verdadeiro número de encerramentos totais ou parciais. O principal objectivo será, por certo, manter as escolas abertas, mesmo que para isso seja necessário recorrer à manipulação dos dados e, consequentemente, da opinião pública…
Ameniza-se e mascara-se a realidade, recorrendo a “truques” e artimanhas que servem para fazer passar a ideia de que nas escolas reinam a tranquilidade e a normalidade… Mas a normalidade não é isto que estamos a viver, não está tudo bem, nem ficará tudo bem, por muito que se repita e apregoe o famigerado slogan.
A ausência de transparência e de honestidade é notória e evidente, deixando no ar o regresso daquele velho hábito que nos acompanhou durante décadas: a censura.
Censura, na medida em que não se permite o acesso livre a informação que, pela sua importância, deveria ser do domínio público e estar acessível para todos.
Promover a desinformação e a ignorância e querer impor a confiança e a tranquilidade dos concidadãos é algo que só passará pela cabeça de governantes “muito pequeninos”, aspirantes ao caciquismo, eivados por tiques de autoritarismo…
E perante tudo isto o que fazem @s director@s de agrupamentos de escolas? Grande parte deles remete-se ao silêncio, indiciando o estabelecimento de acordos, no mínimo tácitos, em respeito pelos cânones instituídos pelo Governo…
E dentro das escolas? Dentro das escolas vai-se funcionando maquinalmente e quase sempre sob o jugo do conformismo, da apatia e da obediência, porventura mais nefastos do que o próprio covid…
Nas escolas aceita-se praticamente tudo: aceita-se trabalhar a maior parte do dia em espaços físicos que não dão qualquer hipótese de distanciamento social; aceita-se trabalhar mais horas por dia do que as estipuladas no horário legal e não se exige qualquer remuneração por eventuais horas extraordinárias; aceita-se a realização de tarefas burocráticas em catadupa, cuja pertinência e eficácia são quase sempre muito duvidosas; aceita-se a realização de actividades em regime presencial, mesmo quando as mesmas poderiam (e deveriam) ser realizadas a distância; aceita-se, enfim, a obediência e a submissão sem sequer questionar…
A capacidade de adaptação a novas circunstâncias é meritória, no sentido em que nos permite sobreviver, mas apenas isso. E no final de cada dia damo-nos por muito contentes e satisfeitos porque conseguimos sobreviver a mais uma jornada. Mas também corremos o risco sério de não voltar a encontrar a dignidade, aquela que deveria estar acima de qualquer outro valor…
E, sim, existirão escolas onde prevalecem o optimismo e outros sentimentos positivos, como o sentido de pertença e de comunhão e onde a autoridade é exercida de forma sensata, transparente e equilibrada, mas essas serão uma minoria, insuficiente para se poder considerar que o clima actual que se vive nas escolas é saudável e recomendável. Lamenta-se, mas, no geral, nem uma coisa nem outra…
E nesta história não há fortes nem fracos, há apenas sobreviventes…
(Escrito pela Matilde, sem respeitar o último Acordo Ortográfico.)




16 comentários
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Muito obrigado Matilde.
É uma vergonha o que se está a passar em algumas escolas. Estão a levar os profissionais à exaustão, à depressão,. As pessoas estão assoberbadas! Estão a perder a saúde!
Respeitem os horários, não trabalhem além das horas previstas. Conheço 2 casos de colegas que entraram em burn-out e já vinham esgotados do ano anterior.
Isto dava uma greve geral a sério..o que é isto…? Está a ser difícil para todos, eu sei, mas isso não faz com q só se pense em trabalho da escola. E a vida familiar e pessoal fica onde, com esta situação de fragilidade geral?
Parabéns pelo seu texto, Matilde. Revejo-me integralmente em tudo o que diz.
RELATIVAMENTE A FELGUEIRAS, PAÇOS DE FERREIRA E LOUSADA A DECISÃO NÃO FOI O ENCERRAMENTO DE ESCOLAS PORQUE O QUE NÓS QUEREMOS CONTROLAR É UMA DISSEMINAÇÃO DA INFEÇÃO EM TERMOS DE OUTROS CONTEXTOS, não queremos saber da saúde dos professores, quase todos com mais de 50 anos, dos assistentes operacionais, nem das famílias dos alunos. A DISSEMINAÇÃO ESTÁ MUITO ASSOCIADA A OUTROS CONTEXTOS QUE NÃO SÃO ESPECIFICAMENTE O TRABALHO OU A ESCOLA, na escola se o vírus se portar mal, tem uma falta disciplinar, marcada pelos professores que sobreviverem.
Assinado: A vossa Martinha
(conferencia da DGS)
QQ dia aparecemos na EuroNews como o milagre português nas escolas.
Interessa ao governo, manipulando a imprensa, divulgar o que pretende. Os surtos são sempre das reuniões com familiares , amigos… etc, etc e então das escolas? Não são a maior malha de contactos, a maior cadeia de transmissão? Está tudo caladinho… interessa… que lá trabalha que se proteja— treta , treta.
Matilde, obrigada por expressares de forma tão clara o que vai na alma de muitos nós.
Considero que estamos a ter um abnegação tremenda quando caminhamos todos os dias a cruzar o portão da nossa escola.
Não porque vamos estar mais expostos do que quem cuida dos infetados na linha da frente.
Mas porque sabemos como fomos dolorosamente desprezados.
A nossa segurança nunca constou de equação alguma.
Temos 3 máscaras na mão.
E dezenas de aluno junto a nós em ambiente fechado várias horas por dia, semana após semana.
Muitos deles ausentes subitamente das nossa aulas, por alguns dias, outros por semanas, uns contaminados confirmados, outros numa quarentena sem sabermos algum pormenor da mesma.
O veredicto para nós, semana após semana tem sido sempre o mesmo: contacto de baixo risco, tudo na mesma.
Temos 3 máscaras na mão. É a nossa linha de defesa.
Os infetados des(aparecem) à nossa frente incessantemente, mas somos, e seremos sempre, contactos de baixo risco, dia após dia.
O milagre das 3 máscaras.
Desculpa lá mas as máscaras que tens na mão são do pior para proteção, esquece lá essas máscaras.
São máscaras nível 3 e no mínimo deveriam ser nível 2.
Estava a ser irónica. 🙂
E a expor de forma sátira o que a tutela e demais tentam difundir.
—————-“O Milagre das 3 máscaras nas escolas portuguesas.”—————-
Eu percebi a ironia.
Quero é tb que todos percebam a merrdaa de máscaras que nós deram.
Pior era impossível, no meu caso, abri a embalagem, coloquei, e encostei no fundo de uma gaveta até hoje.
Nem sequer é uma nível 3 minimamente adaptável morfologicamente, e são enormes os buracos com que ficamos nas bochechas quando as usamos, por muito que se tenta variar a posição ou o comprimento dos elásticos.
A maioria dos alunos e funcionários também não as usam, nem os membros da direção, claro.
Mas os alunos mais modestos continuam a usá-las, o melhor que conseguem.
Mas mesmo os que trazem máscaras doutro fornecedor, os buracos nas bochechas estão presentes em cerca de 50% dos alunos.
Eu uso p2 compradas por mim, obviamente, mas estou com imensas dificuldades em conseguir trabalhar, e a sensação de desmaio e falta de ar é recorrente. Tenho tentado reduzir a quantidade de tempo a falar, mas mesmo assim estou com tremendas dificuldades.
Subscrevo esta publicação, na íntegra.
STAYAWAY costa; STAYAWAY temido; STAYAWAY graça; STAYAWAY tiago… com minúsculas, porque são uns mentirosos, negligentes e assassinos da saúde pública e dos portugueses.
Para aqueles que não sabem o significado: Stay away = Fiquem longe… bem longe do governo de Portugal. Não queremos mais estes mentirosos, negligentes e assassinos da saúde pública e dos portugueses.
Sinceramente, já passei por diversas fases ao longo deste processo, desde o princípio de agosto, quando comecei a participar neste fórum, devido precisamente à total inércia que estava verificar no preparação do arranque do ano letivo.
Como me têm conseguido consternar mais e mais, algo que considerava impossível tão intensa já era a minha indignação, ultimamente só me apetece insultá-los. À tutela, e a todos os que apadrinham a sua estratégia.
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Meus amigos!
Afinal quem é que votou na ESQUERDALHA (PS, PCP, BE, PAN) ??????……… Foram vocês!…..muito bem….agora aguentem…….
É evidente que vivemos num Pantano…….vivemos num psedo-xuxalismo da desigualdade e da pobreza……..
Olhem para os indicadores económicos, sociais, sanitários…..e rapidamente percebem onde vivem.
CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….CHEGA!……CHEGA!…………CHEGA!……….
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Atento,
Não consigo perceber a sua abordagem.
Com certeza não é promover o partido CHEGA, pois o efeito é precisamente o oposto, caso seja essa a sua intenção, na minha opinião.
Se pudesse continuar a participar sem essa tentativa reiterada de encetar uma campanha, poderíamo-nos centrar no essencial, e cada um será livre de tomar as decisões políticas que entender, quando formos de novo chamados às urnas.
Antecipadamente grata. 🙂
Mais claro era impossível. Obrigada pela lucidez. Só não percebe quem não quer.