Está proibido o Covid nas Escolas
Por Carlos Alberto Correia
Barreiro
Estou tranquilo. O Ministério da Educação deve ter feito sair um Decreto que proíbe, definitivamente, o Covid de entrar nas escolas.
É isso que depreendo, após os anúncios de extensão do estado de contingência a todo o país, da proibição de ajuntamentos de mais de dez pessoas, do máximo de quatro clientes em pastelarias, cafés ou restaurantes, nas proximidades das escolas.
Também me agrada, sobremaneira, a decisão de expurgar os professores do teletrabalho, embora se pense em reativar e alargar ao ensino secundário a tele-escola. Sou, como todos sabem a favor das discriminações e acho bem que todas as classes profissionais possam ter acesso ao teletrabalho e os calões dos professores, de grupos de risco, se quiserem tomar precauções – para eles, no pensamento(?) do Ministério verdadeiramente excessivas – deem faltas, metam baixa, percam remuneração. Está correto! Como todos sabemos trabalham pouco e ganham bem.
Depois do trabalho insano do Governo em reduzir o número de alunos por turma, para cumprir o estatuído sobre distanciação pela Direção-Geral de Saúde; do aumento exponencial de pessoal auxiliar para fazer frente ao acréscimo de trabalho trazido pelas necessárias e contínuas higienizações; dos milhares de testes prévios feitos a alunos, professores e restantes funcionários, é muito má vontade dos docentes pretenderem defender a sua saúde, as suas vidas e de familiares. Quem se julgam eles?
Apesar do número de infetados estar a aumentar diariamente, de sabermos que muitas escolas ou partes delas irão encerrar nos próximos tempos para contenção epidémica, devemos estar tranquilos. O Ministério, ao arrepio das normas que diz recomendar, fará nelas absolutamente o contrário, na certeza de que, as precauções definidas para todo o país, serão ali desnecessárias, quer por as escolas serem, por sua natureza imunes a tais minudências, quer porque o Ministério, como disse no princípio já fez certamente sair o decreto a proibir o Covid de lá entrar. Se algum aluno aparecer contaminado terá sido seguramente por não ter tomado as devidas precauções em casa, no café, nos transportes ou porque, vá-se lá saber porquê, fugindo â regre de distanciamento nos recreios, de forma inesperada o quebraram para cumprimentar amigos ou respirar um pouco melhor, sem o cheiro a desinfetante da máscara.
Sejamos sérios. A epidemia está a crescer. As escolas não foram preparadas para esta situação excecional; o Ministério, cujo ministro é uma constante ausência, confia desabaladamente em Nossa Senhora de Fátima para proteger as inocentes criancinhas. Ao contrário do que poderão pensar, julgo necessário o retorno a aulas presenciais. No entanto, volto a cingir-me às diretivas governamentais e da DGS, não me parece que tais medidas tenham sido, ou venham, a ser implementadas nas escolas. Numa espécie de tudo ao molho e fé em Deus, mandam-se os alunos, professores e restante pessoal para a fogueira e logo se vê no que dará.
Depois, se tudo correr mal, como é muito possível, tomaremos as medidas adequadas, culparemos as direções, lamentaremos profundamente as vítimas e estaremos livres duma série de professores envelhecidos e doente a preços módicos. Além disso, nesta altura, mesmo que diminuíssemos o número de infetados já não vinha a tempo de salvar o Turismo.
Carlos Alberto Correia




8 comentários
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Quem é “ Carlos Alberto Correia”?
É urgente calar pessoas como o autor deste artigo. Trabalho que terá de ser ser feito em articulação, e de forma integrada, com uma política de criação de campos de formatação da mente para estes mija fora do penico.
O Carlos Alberto Correia é alguém a quem. possivelmente, não é permitido divulgar o que escreve no JN. Ao contrário do paspalho do artigo anterior que de milagres… sabe muito!
Isto é tudo surreal, ando para aqui a gritar aos 7 ventos desde o princípio de agosto, mantive a minha esperança de que as medidas corretas iam ser tomadas, mas já não nos resta mais tempo.
Nunca imaginei que a atividade mais sensível de todas, para assegurar que a pandemia se mantenha sob controle, fosse abordada com tanta incompetência, conluio, negligência, hipocrisia e mentira.
Mas quem ganha com esta abordagem?
Para mim é cristal clear que o preço a pagar por esta abordagem vai ser muito superior do que se procedessem a alguns investimentos extra, juntamente com uma séria de medidas que não exigiam nenhum investimento, mas apenas seriedade e competência.
🙁
Sejamos realistas: mesmo que morram uns quantos professores, não vem daí mal nenhum para mundo, bem pelo contrário. Com efeito, o PIB será melhorado pelo negócio das funerárias e também haverá um decréscimo das despesas em salários e reformas. Além disso, todos os que não professam poderão ir descansados para os seus trabalhos e deixar os seus rebentos guardados nas escolas pejadas de setas por todo o lado e em cujas ameias estão imponentes gigantes preparados para despejar azeite a ferver por cima de qualquer palavra que se atreva a colocar em causa a segurança das fortalezas erigidas por tão nobres senhores.
Só se os pais estiverem distraídos.
Não considero que a disseminação descontrolada do vírus sirva o interesse de ninguém, nem de nenhum setor.
Desconhecia que o meu simplérrimo artigo tivesse sido publicado neste Blogue. Ao Editor os meus agradecimentos.
Quando escrevo faço-o para, expondo as minhas ideias de forma mais séria ou irónica, abrir espaço de pensamento, troca de ideias, permuta de diferentes visões sobre o mundo. Enfim, defeito de quem tenta manter uma atitude aberta, democrática e igualitária com os seus conterrâneos, amigos ou desconhecidos.
Ao ler os vários comentários, aqui inscritos, parece-me ter conseguido tal desígnio. O meu obrigado a quantos, a favor ou contra, deram algum do seu tempo, primeiro a ler o texto, depois a comentá-lo.
Que fique claro que a minha tolerância não vai até aos caminhos trilhados por alguém que assina como “Alecrom”. Na subtileza cavalar dos seus desígnios ressalta como imperioso calar-me e, presumo, calar também quem ouse afastar-se da formatação que parece defender. Se este cavalheiro quis fazer ironia, passou ao lado! Se estiver a falar a sério apenas me fará soltar uma grande gargalhada. Não se meta em trabalhos impossíveis, nem se entregue a sonhos irrealizáveis. Citando Manuel Alegre “a mim ninguém me cala”! Se não lhe agradam as minhas ideias, ou talvez a forma como as expresso, tem uma boa solução: não me leia. Se discordar, tudo bem! O pensamento único é tirano com quem não me dou. Mas “formatar-me”, pôr-me a “mijar” dentro do penico? Não é tarefa para si ou para as suas forças, ilustre desconhecido, mesmo, volto a sublinhar. utilizando a finura e subtileza de linguagem que, a serem demonstrativas da sua capacidade intelectual, me deixam abismado com o esforço sobre-humano que deve ter feito para aprender algumas letras.