Tréguas forçadas
No decorrer da próxima semana, a merecida pausa renderá a atividade letiva, apresentando-se assaz oportuna para retemperar as energias na dose precisa, que irá ajudar a enfrentar com redobrado ânimo e motivação a última etapa de um ano intenso, repleto de acontecimentos, mais ou menos imprevisíveis.
Esta paragem, necessária e aconselhável, principalmente no momento presente, será de tréguas na “guerra total” que, há uns meses a esta parte, opõe o ministério da Educação (ME) e professores, representados pelos diversos sindicatos.
A interrupção das hostilidades é urgente e assaz favorável, tendo em conta as reuniões agendadas – a próxima já para o dia 5 do corrente mês. Convicto da existência de uma relativa acalmia na contenda, pelo menos até ao arranque da derradeira fase de trabalhos nas escolas, prenuncio um final de tréguas coincidente com o retomar da vida escolar, atendendo às diversas formas de luta já anunciadas pelos sindicatos dos professores.
Seja como for, as aprendizagens dos alunos, pelo menos até à data, não estão comprometidas nem se poderá falar de (mais) um ano perdido. Aliás, parece-me imensamente injusto associar a luta dos professores a algo prejudicial aos discentes, embora já tenha opinião inversa se convocarmos a instabilidade gerada no quotidiano dos pais e encarregados de educação, pelo menos até à aplicação dos serviços mínimos.
Na verdade, as rotinas das famílias foram colocadas em causa, dado a atipicidade da greve associada à imprevisibilidade da sua duração. Os professores, muito experientes e altamente habilitados, dispõem de estratégias que, caso seja imperioso implementar, suprirão as suas justificadas ausências que, de um modo global, manifestaram-se residuais. Aliás, nos anos de realização de provas finais e exames, os docentes disponibilizam-se, pro bono, a lecionar aulas suplementares para preparação apurada dos seus queridos alunos, esbatendo a natural ansiedade e a pressão que lhes é imposta. Felicito estes briosos profissionais que aliam a sua luta aos interesses de uma juventude capaz de construir um futuro e um país cada vez melhor.
Não creio que qualquer sindicato chegue a acordo com o ME, por questões conceptuais, mas também por sentir que é esta a convicção dos professores que estão diariamente no terreno. Assim sendo, são previsíveis renovados tumultos, com ações musculadas e imprevisíveis, e greves com contornos variados, com repercussões nas aulas e nas avaliações, entre outras que possam surgir no horizonte próximo.
Faço votos que estes dias de celebração da Páscoa sejam de reflexão profunda e iluminada por parte dos envolvidos neste complexo processo negocial, traduzida no propósito de atingir o bem maior daqueles que se dedicam à Educação, elevando as qualidades da Escola Pública, em vez de preferir fragilizá-la e/ou crucificá-la.
Os professores e as equipas diretivas aguardam esta merecida distinção.

13 comentários
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Porque no te callas!?
Faço minhas as suas palavras! 😊
Um texto que nada diz. Inútil.
Melhor que estivesse quieto e calado.
😊
Devia ter vergonha este colega diretor de algumas posições que publicamente assume.
Parece os diretores gerais a afinar pelo diapasão do ministro que os tutela.
Em vez de estar com os seus colegas nas manifs, está a comentar nas televisões. Sic.
Está na hora de ir embora.
Esta é uma época assaz oportuna para os diretores tomarem atitudes que não corroborem a normalização da mentira pegada que se instalou neste país!
Este é que é um artista! Dá uma no cravo, outra na ferradura..
E para quando uma tomada de posição por parte dos diretores?
Cantas bem, mas não me alegras, pah! E continuamos à espera da demissão em Bloco da generalidade dos Diretores de Escolas, embora esperemos deitados que o … já tem calos
A minha reacção:
https://www.publico.pt/2023/04/03/politica/noticia/colocaram-manguito-belem-marcelo-levouo-jardins-palacio-2044845
E que tal a demissão em bloco?
Manguito do Zé Povinho do Bordalo em todos os edifícios da nossa pseudo democracia é que era!
«(…) a merecida pausa renderá a atividade letiva, apresentando-se assaz oportuna para retemperar as energias na dose precisa, que irá ajudar a enfrentar com redobrado ânimo e motivação a última etapa de um ano intenso, (…)».
O autor falha ao omitir o contributo inestimável que terá no redobrado ânimo e motivação, a iminente publicação do novo diploma de concursos.
Uma reflexão profunda e tão iluminada que se encandeia a si própria.
Confrangedor, mas ao mesmo tempo acaba por meter dó.
Os “filintos limas” da educação, que para além de nunca se saber como chegam a estes cargos, eternizam as suas funções num marasmo de nada fazerem pelo bem comum, diga-se, pelo bem das escolas e do ensino. Geram apenas a eternização de uma imagem pessoal, que muito diz para estar bem com todos, e parecer bem na comunicação sicial, mas nada representa como força de mudança e coragem vertical para uma tomada de posição congregadora.
Caro colega Filinto Lima, quantos são os diretores de agrupamento que o conhecem e com quem trabalha diretamente? Quantos foram ouvidos e votaram a dua nomeação? Que reconhecimento e confiança tem entre os diretores, que o legitime a falar como seu líder?
Eu sou professor, não me identifico em nada com este tipo de postura e de estatuto vazios de sentido.
Estou cansado dos “filintos limas” da educação!…
Erros de digitação / as minhas desculpas
“…comunicação social,… ”
“…votaram a sua nomeação?“
Nesta história os professores têm sido sempre tratados como Deuses na terra…
O exemplo para as progressões é sempre de um professor excelente, sem se falar na falta de consequências para os maus. No limite, todos devem chegar ao topo, quando em mais lado nenhum é assim.
Que mesmo em greve estão a ensinar.
Que não há mais atrasos nas aprendizagens porque são muito experientes, sabedores e conscientes.
Que ganham mal, apesar de auferirem – no caso dos que estão nos quadros – rendimentos bem superiores à média nacional ou mesmo a carreiras comparáveis na Administração Pública.
Que devem continuar vinculados a escolas concretas e não a QZP’s de proximidade (como os agora propostos), mesmo que a escola não tenha alunos.
Não estou contra a maioria das reivindicações, mas tudo exige conta, peso, medida e bom senso.