Relatos de EE Que Não Vão Enviar os Filhos para as Provas de Aferição

Ao longo do dia de hoje chegaram-me inúmeros relatos de Encarregados de Educação que optaram por não enviar os filhos à escola para a realização das Provas de Aferição.

Como as provas de aferição não têm qualquer influência nos resultados dos alunos e em muitos casos os pais sabem que para os seus filhos estas provas são mais um momento de perturbação na rotina escolar dos seus filhos, é normal que cada vez mais pais optem por esta solução.

Os relatos que me chegaram estão perfeitamente identificados e como tal deixo-os tal como me chegaram.

 

Sou mãe, encarregada de educação e professora.
Tenho uma filha a frequentar o 5 ano e não vai fazer nenhuma das Provas.
Comuniquei isso na reunião de entrega das avaliações do segundo período e esclareci os restantes pais para a inutilidade das mesmas.
Ao dispor
Anabela Sousa
O meu filho não vai fazer porque este ME desconsidera, de uma forma aberrante, os professores.
Acrescento que estas provas de aferição em formato digital sem haver um acompanhamento sério prévio com tempo e com várias sessões de experimentação, (como por exemplo fichas realizadas nesses moldes) só vai criar stress desnecessário! Coisas feitas em cima do joelho só para mostrar serviço não correm bem! Ou seja, estes alunos estão a ser usados como cobaias, para o ME atingir os seus objetivos, quem nem se sabe bem quais são! Qual o motivo disto ser tudo feito à pressa? Os fins não justificam os meios! Para além disso, independentemente das PA serem ou não em papel, para quem servem? Visto não terem qualquer peso na avaliação final e os alunos já terem um ano letivo em cima, onde já foram avaliados de forma contínua, para que sujeita-los a isto? Miúdo que já estão cansados, saturados, a precisar de descansar!
Ruth Sá
Quando nos apercebemos, cá em casa, de que efetivamente as Provas de Aferição deste ano iriam ser feitas por computador, ponderamos o assunto, e avisamos a Professora de que o nosso filho (que frequenta o 2.º ano) não iria participar.
Não porque temessemos os feitos da ansiedade ou qualquer stress adicional, mas porque não vemos qualquer benefício ou utilidade em aferir conhecimentos de crianças tão pequenas via computador.
Mais, fizemo-lo antecipadamente, já para tentar evitar o que entendemos como todas as perdas associadas à preparação deste novo modelo de Provas…
1) não queremos que ele desperdice minutos da aula a ser treinado para escrever num computador (ao invés, preferimos que treine a caligrafia);
2) não queremos que ele nos peça o computador para treinar com o teclado em casa, com receio de fazer má figura (antes corra e brinque livremente lá fora);
3)  e não queremos que a Escola desperdice tempo, energia e recursos em organizar algo que não serve minimamente alunos tão novos (seria tão melhor organizarem atividades e visitas de estudo!);
Já foi constrangedor ter de explicar ao meu filho o quão importante é aprender a ler e a escrever bem, apesar de existirem vídeos tutoriais para ensinar coisas, o Google permitir pesquisas por voz e já existirem programas de computador que escrevem automaticamente como se fosse um ditado (tudo argumentos dele…)
E vem agora o Ministério da Educação colocar crianças de 7 anos a responder por computador, colocando em causa os nosso argumentos?
Com que fundamento? (Se até as neurociências o refutam..)
Assim, enquanto pais e encarregados de educação, recusamo-nos a colaborar com estas Provas
Vemo-las apenas como uma forma camuflada de condicionar e incentivar à aprendizagem e avaliação de míudos via computador. (Talvez para mitigar uma futura falta de Professores quem sabe…)
E eles terão mais do que tempo para isso.
Olívia e Carlos Santos
A minha filha começou a mostrar muita ansiedade pela realização das PA digitais. Penso que se fossem em suporte papel ela iria encará-las como um teste de avaliação. Neste momento, quando se fala do assunto começa logo a dizer que o computador pode falhar, que ela pode não conseguir responder a tempo… como tal, a decisão foi tomada: não irá à escola nestes dias!
Não acho pertinente a realização destas provas e acima de tudo devo zelar pelo bem-estar da minha filha, já que o Estado não pensa no que sentem crianças do 2° ano perante estas situações.
Vanessa Monteiro
A minha filha anda no 5 ano e ainda não lhe foi atribuído computador. Por este facto e, por considerar que uma prova de aferição sem os alunos durante todo ano letivo não fazerem qualquer exercício em formato digital nas disciplinas a avaliar, a minha filha não irá realizar as ditas provas
Um abraço,
Eduarda Adriano
As minhas filhas não vão comparecer nas Provas de 5 e 8 ano. Enquanto mãe não concordo e como Professora é melhor nem dizer o que me vai na alma!
Obrigada
Eduarda Ribeiro

 

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4 comentários

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    • Contestar on 24 de Abril de 2023 at 18:46
    • Responder

    Mais que esperar pelos EE, trata-se aqui de continuar a ser ovelhas, ou começar a ser leões. refiro-me obviamente a seguir o exemplo dos 3000 peticionários que estão dispostos a ignorar os serviços mínimos e a fazer greve na mesma e que se lixem as consequências: os “serviços mínimos” foram marcados por colégios arbitrais tendenciosos e convocados por uma parte interessada, e que NÃO são um Tribunal, embora se auto apelidem disso, e aliás podem sempre ser contestados num Tribunal a sério cuja hierarquia é obviamente superior. É aqui que devem entrar em força os departamentos jurídicos dos sindicatos. Não é só receber quotas

    • Lecas on 24 de Abril de 2023 at 19:18
    • Responder

    Fazer greve e depois nas escolas fazer as tretas do costume, grelhas, provas de aferição, projetinho , viagens estudo ,etc… É ridiculo.
    Façam greve mas tb Boicotem estas tretas nas escolas

    • zabka on 24 de Abril de 2023 at 20:47
    • Responder

    As provas de aferição em modo digital no 2º ano são uma idiotice completa e não tem nada a ver com @s menin@s que têm “ansiedade” a metro.
    Quanto aos peticionários armados em médicos/enfermeiros muitos desses, incluindo um dos grandes mentores, são fãzocas dos exames a torto e a direito no básico (incluindo 1º e 2 º ciclos) como instituiu o seboso Crato (se calhar é fetiche dos sebosos).

    • Mário Lima on 25 de Abril de 2023 at 13:02
    • Responder

    Além de não terem efeito na avaliação (porque é que o ME não volta a adotar os “testes intermédios”, que aferem, mas também têm efeitos na avaliação dos alunos?), as provas de aferição digitais vão provocar que o foco dos alunos seja a questão instrumental (domínio técnico), em detrimento das aprendizagens essenciais.

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