Precisa-se, urgentemente, de novas “pedradas no charco”…
À partida, uma negociação será uma tentativa de entendimento entre várias partes, com o objectivo de se obter um acordo sobre as soluções para um determinado problema…
As “negociações” entre o Ministério da Educação e os Sindicatos continuam sem acordo e sem soluções credíveis e aceitáveis, pelo que todos os problemas se mantêm, sem qualquer resolução à vista…
Na realidade, não têm existido negociações, mas antes previsíveis “solilóquios” e simulacros de negociações, com o Ministério da Educação, muitas vezes, a “falar consigo próprio” e a apresentar sucessivas propostas inquinadas pela injustiça e pela iniquidade…
O Ministério da Educação saberá, muito bem, que as suas propostas apresentam um carácter perverso e desleal, por potenciarem os conflitos no seio da Classe Docente, mas isso não o impede de as apresentar, nem de as mesmas serem ratificadas em sede de Conselho de Ministros…
Tem-se assistido a uma visão deprimente da dita “negociação”, com os Sindicatos a mostrarem-se naturalmente agastados com os respectivos resultados e o Ministério a perorar que tem transigido em algumas reivindicações, tentando, dessa forma, iludir a “opinião pública”…
O Ministério da Educação parece estar interessado em arrastar as “negociações”, sem que pareça existir a genuína intenção de ceder no que quer que seja, levando os Sindicatos à humilhação constrangedora de terem que “mendigar por graças” que nunca obterão…
A sujeição a esta estratégia ardilosa do Ministério da Educação não dignifica nenhum dos intervenientes neste processo, nem é admissível numa suposta Democracia…
Por tudo o anterior, as possibilidades de entendimento com o Ministério da Educação parecem cada vez mais remotas…
Se no desfecho das “negociações” forem para prevalecer a vontade e as pretensões do Ministério da Educação, como até agora tem sucedido, que pertinência e utilidade poderão ter as próximas reuniões?
Os Sindicatos estarão dispostos a continuar a sujeitar-se ao papel de obedientes parceiros sociais, postos ao serviço de sucessivos simulacros de negociações?
A comparência futura dos Sindicatos em reuniões que, na realidade, não deverão passar de simulacros de negociações ajudará o Ministério da Educação a dissimular a sua própria intransigência e propiciará a legitimação e o “branqueamento” das decisões que vierem a ser tomadas pela Tutela, mesmo as mais injustas e iníquas, pelo menos em termos de opinião pública…
E isso não será desejável, nem aconselhável…
A continuidade dessa comparência dos Sindicatos justifica-se ou faz sentido, tendo em conta tais contrariedades?
Com toda a franqueza, para o Ministério da Educação não parece que faça grande diferença se os Sindicatos aceitam, ou não, voltar a sentar-se à mesa das “negociações”, uma vez que, e à luz do comportamento já observado, as decisões da Tutela acabarão por ser tomadas de forma unilateral…
Mas para os próprios Sindicatos talvez faça alguma diferença: se recusassem comparecer em novas rondas negociais demonstrariam, cabalmente, que não estariam dispostos a aceitar uma noção de “diálogo” completamente desvirtuada e deturpada, nem a abdicar da dignidade e do respeito que lhes são devidos, assim como aos seus representados…
A dignidade e o respeito não podem estar sujeitos a qualquer negociação e muito menos a simulacros de negociação…
Quem quer continuar a sujeitar-se a uma situação absurda, que está viciada desde o início, aceitando fazer parte dela?
Muitas vezes, não há progresso, nem renovação, sem rupturas, sem desacomodações e sem desobediência…
O tempo das “lutas” obedientes e previsíveis foi, definitivamente, ultrapassado…
Nas condições actuais, e sem outras alternativas disponibilizadas pelo Ministério da Educação, este é o tempo de rupturas, de desacomodação e de desobediência, sem as quais dificilmente haverá progresso, renovação e reposição da justiça e da equidade…
Se não for agora, quando será?
Enquanto o “sistema” continuar a funcionar, dentro de cada escola, sem grandes constrangimentos ou perturbações, que força de negociação e que efeitos concretos poderão gerar as actuais reivindicações?
Que motivos há-de ter o Ministério da Educação para ceder às pretensões dos profissionais de Educação, se os próprios mantiverem o “sistema” a funcionar, de forma mais ou menos habitual e regular, em cada escola?
No momento actual, existem muitas iniciativas em curso e as formas da presente luta têm-se diversificado, mas dentro de cada escola tudo vai decorrendo de acordo com a “normalidade” esperada pelo Ministério da Educação…
Até quando?

(Imagem roubada da Internet, de autor desconhecido).
Já se percebeu que este Governo continuará a hostilizar os professores e a agir de forma absolutamente intransigente, ao mesmo tempo que tem convivido muito bem com todas as formas de luta até agora encetadas…
As declarações proferidas pelo 1º Ministro António Costa na entrevista concedida à SIC em 30 de Março passado, ilustram, nitidamente, essa inflexibilidade e essa obstinação…
Portanto, esperar que o actual Governo seja acometido por uma “epifania”, capaz de o demover dos seus perniciosos objectivos, não passará de uma quimera ou de um “pensamento mágico”…
À medida que o tempo passa, e que não se obtêm resultados concretos, maior será a probabilidade de a presente luta se dissipar, ou de cair numa rotina que, dificilmente, originará os resultados pretendidos…
Precisa-se, urgentemente, de novas “pedradas no charco”…
A “pedrada” dada pelo STOP foi fundamental e decisiva para se iniciarem os actuais protestos e teve o mérito inegável de ter conseguido dar voz, audível e visível, às inquietações e ao mal-estar dos profissionais de Educação, mas já não bastará para que esta luta consiga obter os efeitos práticos desejados…
Perante a arrogância e a má-fé que têm vindo a ser demonstradas pelo presente Governo, será imprescindível que todos assumam a sua quota-parte de responsabilidade pelas soluções de problemas, que exerçam com audácia os seus Direitos de Cidadania e que estejam dispostos a levar a presente luta até onde ela tiver que ir, para se alcançarem os desígnios que a motivaram…
Só estaremos condenados à tirania e à obediência, se permitirmos que uma e outra nos dominem…
(Paula Dias)




5 comentários
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O STOP foi a pedrada no charco que se impunha, mas perdeu gás, não se defendeu devidamente quando apareceram os serviços minimos, não mudou de estratégia quando era evidente que a greve estava destruída e a “especialidade” do STOP, agora são “convívios”: manifs, acampamentos, cordoes humanos, vigilias. Falam numa nova iniciativa a partir de 16 de Abril. Espero que seja a sério. Da Fenprof nada se espera a não ser “lutinhas” previsiveis e fofas. O que eles apresentam como greve e “luta” para o 3º período, é uma piada de mau gosto, um mero faz-de-conta. No resto, se nem há coragem na classe docente para fazer as greves em vigor (serviço extraordinário, atividades não-letivas, reuniões, tudo o que não esteja no horário) menos capacidade haverá para uma desobediência civil bem organizada. Infelizmente para o Professorado, denoto grande pessimismo em relação ao desfecho desta Luta.
A colega Paula pensa e escreve muito bem. Dou lhe os meus parabéns por este texto e por todos os que tem escrito.👏👏👏
É uma mais valia para o blogue!
Também acho!
Por mim a LUTA continuará até onde for preciso!
Isto é o que dá ter cerca de “vinte sindicatos” acomodados aos seus lugares e pouco preocupados em defender verdadeiramente quem representam!!
(se calhar uma ordem dos professores acabava com esta fantochada toda)
É verdade que a Paula Dias escreve bem, por isso lhe sugiro. Que ral uma carta aberta a todos os sindicatos, assinada por nós (wuem estivesse de acordo) a pedir um posicionamento claro relativamente às greves. Os docentes querem fazer greve a sério, daquelas que fazem moça pois sabemos que é necessário para obter resultados ..se estes sindicatos desistiram, temos de arranjar um novo e verdadeiro sindicato de professores, o que não existe de facto….ao.STOP, aplica-se o velho ditado a montanha pariu um rato ( com muita pena minha)