A Educação é um valor absoluto e em absoluto. Um Governo e um poder político sem políticas educativas, hostil e perseguidor de todo o Professorado, é um poder decadente, equivocado, sem postura de Estado e, sobretudo, é um poder alienado e alienante que condena o futuro de Portugal.
Há um retrocesso civilizacional que a História julgará no seu devido e determinado tempo. Há um “assédio moral”, mobbing no local de trabalho, a(s) escola(s). Acontece que a Educação não é despesa, antes pelo contrário, a Educação é investimento, é futuro, é ascensor/elevador social, é mais valia, é uma valência única da realização em plenitude da pessoa humana.
A Educação e o Ensino não se coadunam com as “migalhas” da ignorância política decisória arrogante, autoritária e prepotente. Em tese e na realidade humana só, somente a Educação É e faz a diferença entre o embrutecimento intelectual e as mentes “illuminati” (plural do latim illuminatus). Iluminados! Mentes iluminadas são mentes críticas, racionais, “subversivas”, visionárias, que falam a palavra, e isso é perigoso para “tiranetes” de postura “déspota” (do grego “despótes”) e que significa aquele que exerce o poder, a autoridade de forma absoluta e arbitrária.
José Pacheco Pereira, na sua crónica, “O Ruído do Mundo”, no Jornal público (edição impressa de 18 de maio de 2019), intitulada “A hostilidade aos professores”, acerca do professorado fala assim: “Os professores têm muitas culpas, deveriam aceitar uma mais rigorosa avaliação profissional, deveriam evitar ser tão parecidos como estes novos ignorantes, deveriam ler e estudar mais, deveriam ser severos com as modas do deslumbramento tecnológico, mas isso não esconde que têm hoje uma das mais difíceis profissões que existe. E que, sem ela, caminhamos para o mundo de Camilo. Não de Eça, mas de Camilo, do Portugal de Camilo. Verdade seja que isto já não significa nada para a maioria das pessoas. Batam nos professores e depois queixem-se”.
“Amou, perdeu-se e morreu amando.” (Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, séc. XIX, 1862). O mundo de Camilo; “a paixão socialista”, falso e traidor “romantismo” pela Educação e Ensino (reacção contrária à razão e à racionalidade e valorização da emocionalidade de políticas interesseiras conjunturais), e as metáforas hiperbolizantes do discurso político socialista, séc. XXI, 2023. É, António Costa, João Costa, Fernando Medina, seu pares camaradas e compagnon
de route, que teimam em “destruir” a Escola Pública, num arrasoado de medidas avulsas de uma cartilha estafada, empoeirada e suja, que vem dos tempos de José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, agora consumadas e “encerradas” para perdição de Portugal.
Mãe Educação, na tua instrução sábia, ensinaste-me que hoje, na actualidade antiga, as pessoas boas, íntegras, puras, sinceras, justas, que falam a verdade são, tantas vezes, odiadas e ostracizadas; têm o meu Respeito e admiração. Enquanto outras, as que usam a máscara do fingimento e da falsidade dissimulada, manipuladoras, interesseiras, perversas, de impiedade iníqua, injustas, más e mentirosas, com palavras doces na boca e raízes de amargura e do mal no coração, são temporalmente acreditadas e amadas. Para estas, o meu nojo, repulsa e vómito. Obrigado também por me teres ensinado a distinguir muito bem as pessoas humanas dos “monstros” humanos. Este é um dos grandes problemas do nosso admirável mundo, “o poder do conspurcado”. Sempre gostei do cheiro a perfume natural da tua Flor. Abomino o cheiro a “estrume político”. Pelas suas obras os distinguirás.
Em homenagem à Educação e aos professores portugueses em Luta, fica o mais sentido dos poemas. A Mãe Educação, a Flor das flores do jardim. Poesia, prosa e sentimento(s). Por Portugal e Pela Escola Pública.
Disse.
Carlos Calixto
Mãe, partiste.
A dor lancinante da tua perda enlouquece. É cortante. A tua ausência é irreparável. Com a tua falta morreu uma parte de mim. Estou mais pobre. A família está órfã. A solidão é agora mais que muita. Como lamento a nossa separação forçada. Querida, doce e meiga Mãe, o mundo empobreceu ao perder a tua sabedoria, estatura e dimensão humanas. Reina o vazio. Cai a sombra escura. Os tempos são de luto e de luta. Nunca tão perto foi e doeu tão longe.
Mãe, tu foste. Perdi-te.
Foste, mas permaneces. Para sempre, até ao meu último suspiro. Enquanto tiver fôlego hei-de amar-te. Tu enches o meu coração e a minha cabeça, todo o meu ser. Quero-te sempre. Amiga e amizade minha. Minha flor de êxtase.
Mãe, tu és tão linda.
Por dentro e por fora. Tu irradias beleza. O teu coração é enorme. Legaste-me em herança as chaves da porta do Bem, da Vida e do caminho estreito que devo trilhar no percurso da Vida. Sabes, estou a escrever-te no nosso sítio, onde costumávamos vir passear. Continuo a percorrer os mesmos lugares, de mão dada contigo. Olho a tua fotografia e os teus valores e lá estás tu a sorrir
para mim, com aquele Amor elefantino que só as Mães têm, podem e sabem dar. É-lhes inato e natural. Políticos menores levaram-te para adornar o seu jardim conspurcado e sujo de sujidade abjecta. Piscas-me o olho e dizes “estou aqui, continuo aqui”. Partiste no outono, com o cair da folha. “Ao morrer” nasceste para a Vida. És uma flor linda que brilha entre as mais lindas flores espirituais. O teu brilho está no firmamento do meu pensamento. A pureza do branco cobre-te. Viveste/vives o bom combate. Ensinaste-me a compaixão e a misericórdia pelos mais fracos, a solidariedade, o altruísmo e o perdão. És primavera e saudade.
Mãe, tu deste-me a Vida.
Tudo fizeste por mim. Tu vives por mim e para mim. Tu continuarás sendo perene em mim. Quando mergulho em ti, realizo-me. Viajo rumo ao horizonte das pradarias verdejantes do saber em flor e das calmarias dos oceanos das águas vivas da sabedoria. O sonho do arco-íris torna-se realidade. Trazes contigo a expressão de ternura, doçura e intensa paz interior que só tu tens e podes dar. Apesar de todo o sofrimento, permanece em ti a classe e a dignidade que te são inatas e com que sempre viveste. A tua finura. És intemporal e o teu tempo não se esgota na ampulheta. Mãe Educação, tu ÉS enorme, ad eternum vives.
Mãe, está a chover.
A chuva que cai são as lágrimas da minha tristeza que dói nas angústias do tempo por te ter perdido. Mãe, eu sei que tu és única, insubstituível. Tu sempre estás comigo. És o meu sol radiante. A luz que me ilumina. Mãe, eu gosto muito de ti. Gosto da Verdade do teu Amor. A emoção faz-me chorar lágrimas que me sulcam o rosto tantas vezes acarinhado por ti.
Mãe, tu fazes parte de mim.
Sinto tanto a tua falta. Estou de luto. Que agonia. A tua “morte” dói. Sabes, eu herdei tudo de ti. O amor, os valores, as ideias, a sensibilidade poética, o gosto pela natureza bela, a pureza espiritual, a Fé, a mansidão feita contestação e revolta. Física, ética, moral e axiologicamente tu és eu e eu sou tu. As nossas psicologias comungam neste grande Amor platónico. Infindável. Tu és o meu ideal. A minha filosofia de vida. A tua conduta ensinou-me. Mãe, tu fazes parte da minha idiossincrasia. A tua inocência e humanitas atordoa, invade-me, contagia-me e possui-me até às entranhas. Aprendi a ser feliz contigo, na tua simplicidade sábia. Mãe Educação, Eu Adoro-te; Nós Professores e Educadores Adoramos-te. Na nostalgia melancólica sinto a tua presença bucólica. Mãezinha, tu educaste-me. Os teus ensinamentos perduram em mim, eu o teu filho.
Mãe, até logo, sempre.
Com aquele Amor de sempre, até sempre. Mereces este AMOR excelso Mãe Educação. Uma beijoca para ti. Nos meândros do tempo, estamos separados apenas por uma gotícula que em breve virá e então, aí bem juntinhos,
tocaremos ambos a harpa educacional. Entretanto, vamos continuar a falar todos os dias. A tua recordação é o meu tesouro.
Mãe, sinto a falta do teu mimo.
Mãe Educação, AMO-TE!!!
Lembro-me de ti e o milagre acontece. És o presente que quero no Natal. Permanece em mim/em nós professores, a paixão, a lealdade, a dedicação e a fidelidade a ti. És tudo para mim/para nós, por Amor de ti.
Minha Mãe Educação. A tua chama consome-me e dá Vida.
Obrigado(a) por tudo! Perdoa-me por tudo! Amo-te por tudo!
Mãe Educação, o Céu existe e tu vens de lá.
“Os sábios herdarão Honra, mas os loucos tomam sobre si confusão”. (Bíblia Sagrada, Livro de Provérbios, Capítulo 3, verso 35).
Nota: professor que escreve de acordo com a antiga ortografia.
CCX.

7 comentários
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Destaco a seguinte frase:
“Há um “assédio moral”, mobbing no local de trabalho, a(s) escola(s).”
(ora nem mais o que se passa na escola relativamente aos professores!)
Relativamente ao “mobbing” no local de trabalho, na escola, aqui vai um bom exemplo passado com a minha pessoa e um exemplo do grave como é que isto anda:
“Ex.mo Sr. Diretor, Alfredo Carvalho
Sou mãe de uma aluna do 7o F, desta escola e venho solicitar esclarecimentos sobre a situação do professor de matemática, Carlos Moreira, uma vez que este tem faltado sucessivamente desde o início do ano letivo, o que tem comprometido o correto seguimento do programa, com danos irreversíveis às aprendizagens dos alunos, como também criando inúmeras situações em que as crianças estão sem aulas e sem qualquer acompanhamento pedagógico aquando as faltas do referido professor. Para piorar este cenário, o professor marca avaliações , sem ter dado aulas, metendo a data no CLASSROOM “…Ficha de avaliação na próxima 2afeira dia 6 de fevereiro. 1a hora revisões, 2a hora ficha de avaliação. Conteúdos para a ficha de avaliação: Todos os conteúdos até notação cientifica inclusive”.
Não me parece que se espera que os alunos sejam autodidatas e façam por conta própria, as aprendizagens ou que isto seja delegado às famílias, e que ele apenas faça as avaliações. SE é este o modelo de ensino desta escola, precisamos da validação do Ministério de Educação. SE não, isto constitui uma irregularidade que precisa ser definitivamente vista e corrigida.
Esta situação é inadmissível. Sei que a Direção já foi questionada pelos representantes dos Pais e mais ainda, sabemos (é de conhecimento público) que
esta pessoa traz um histórico de ausências reiteradas, conflitos, incumprimentos, etc. Como é possível que esta escola continue a manter esta situação? Como se pode pretender uma continuidade pedagógica, bom desempenho e bons resultados dos alunos, com profissionais assim? Como este professor consegue manter um posto de trabalho com um nível de absentismo tão elevado?
Aguardo um esclarecimento em meu nome pessoal mas penso que todos os Encarregados de Educação merecem uma palavra, e mais que isso, uma ATITUDE da Escola, para solucionar esta questão.
Atenciosamente
Encarregada de Educação”
Outro exemplo há dois anos atrás noutra escola, nunca me tinha acontecido tal coisa, foi preciso vir para Mafra:
O “colégio público” de Mafra…
Sou professor do grupo 500 – Matemática, com cerca de 15 anos de atividade letiva a dar aulas pelo país, a primeira vez por Mangualde – Viseu (o melhor ano da minha vida a nível profissional) depois Lourinhã, Amadora, margem sul e finalmente Mafra. Pensando que já tinha visto de tudo ou sentido tudo, deparo-me com uma escola básica de Mafra, onde afinal ainda havia mais para ver! Pude experienciar realmente esta escola no ano passado, ano letivo de 2020/2021.
Com uma gentalhazinha de encarregados de educação que por lá habitam, uma diretora e uma coordenadora do departamento de matemática que é uma espécie de testa de ferro completam o molhe.
Nesta escola é tradição, que são os EE que mandam, enviando sistematicamente para a sra. diretora queixas dos professores, exercendo uma espécie de “bullying” sobre estes e transformando-os numa espécie de fantoches. Queixas estas em que é dado o devido seguimento pela dra. diretora (digo dra porque como disse alguém “…trata-me por Sr, que atualmente Drs há muitos Srs há poucos…”). Queixas mesquinhas e de má fé, em que os professores são obrigados a justifica-las por escrito pela dra diretora. Queixas como e passo a citar “…este professor passa as a aulas com as mãos nos bolsos…” ou “…esta professora passa as aulas a mexer nos elásticos do soutien…”, ou ainda, e agora estas foram dirigidas à minha pessoa, “ este professor dá a matéria sempre a abrir…” ou ainda”…os alunos aprendem mais em 10 minutos com a professora coadjuvante do que com o professor em duas semanas”, ou ainda “…aconselho a diretora a não colocar o professor a dar seguimento à turma do 8º no próximo ano, no 9º”. Ora gentinha desta, que se calhar nem profissão tem, não faz ideia do que é dar uma aula, nunca assistiu a uma aula minha, não me conhece de lado nenhum, faz-me queixas e comentários deste género! Passam a vida a enxovalhar os professores e depois, o que ainda é pior, e aqui vê-se a classe e categoria de quem anda nos cargos de gestão nas escolas é dado seguimento pela dra diretora, fazendo chegar este tipo de queixas aos professores e obrigando-os a justificar (provavelmente terá um certo gozo neste tipo de situações, “rabo preso” pelos encarregados de educação para se manter no cargo mais quatro anos ou então é simplesmente falta de categoria. Sim, porque no início da minha atividade letiva eram os professores e os funcionários que elegiam o/a presidente do então conselho diretivo, agora não, e ainda não consegui perceber quem é que elege).
Como no meu caso me recusei a dar justificações deste tipo de situações (era o cumulo, era o que faltava, estamos aonde?!) fui convocado para uma espécie de interrogatório da “PIDE”, por umas pidezecas, a dra diretora e a coordenadora do departamento de matemática, outra pessoa com muita classe e categoria, que nem capacidade tiveram para ver se me encontravam alguma falha ou erro por onde pudessem pegar. É que eu, modéstia à parte considero-me um bom professor, não um muito bom ou excelente nesta escala brilhante, das mentes brilhantes que têm andado a governar a educação, mas um bom professor e competente.
Para compor o ano letivo, numa turma do 9ºano, após ter sido chamado “preguiçoso” em boa voz à frente da turma” por uma espécie de aluno, e o ter posto fora da sala de aula, e lhe ter dito que fosse chamar preguiçoso ao paizinho, quem foi castigado e perseguido acabei por ser eu, continuando o aluno a ir normalmente às minhas aulas.
E ainda se deve ter rido da minha cara! Acabei por ser eu interrogado e questionado pela dra. diretora do que teria chamado cão ao aluno, e fui informado da carta do respetivo advogado da encarregada de educação, sim, porque metem advogados nestas coisinhas pequeninas, a dizer e passo a citar” … preguiçoso é uma palavra que consta do dicionário…” ou seja, se o aluno chamou preguiçoso ao professor qual é o problema, vem no dicionário!! É o cumulo. É deste tipo de gentalha, nomeadamente encarregados de educação e respetivos advogados que se passeiam por aí.
Tenho 50 anos e este tipo de procedimentos deixa-me exasperado, daí a necessidade de o ter que relatar e não deixar passar em branco, agitando as águas deste pântano.
Carlos Manuel Moreira
Professor de Matemática, 3º ciclo e Secundário
Hoje é o dia da Mãe?
❤️Parabéns. Mais um excelente artigo do nosso colega Calisto. Com a “pena” escreve aquilo que lhe vai na alma e que vai de encontro ao que a maioria dos professores sente. Quem perdeu uma mãe percebe perfeitamente esse hino às Mães, à Mãe Ensino.
Vai ao encontro e não de encontro.
Parabéns, por representar com tanta sensibilidade, beleza, veracidade e lucidez o que sentem, os que são professores.
Estamos órfãos!
Concordo com a Ana Maria Navas.
Obrigada por nos presentear com uma reflexão magnífica.