Os professores fizeram, nos últimos 6 meses, um dos maiores movimentos sociais de que o país tem memória.
Ele tem raízes atrás, mas intensificou-se nos últimos meses.
Houve greves, com efeito visivel, em diferentes modelos, manifestações em Lisboa, frente aos órgãos de soberania e no Terreiro do Paço, greves e manifestações locais, distritais, regionais, vigílias, petições, acampamentos, idas a Bruxelas.
O resultado dessa ação cidadã parece ter sido desvalorizado pela atitude pouco aberta e autocrática do Governo.
O governo tenta impor (falta o presidente concordar) uma lei de concursos muito má. Fez uma proposta de recuperação do tempo, pornográfica e ofensiva a quem trabalha, e adotou a tática, acolitado pelo Presidente, de “arregaçar as calças e deixar passar a enxurrada” e “esperar que eles se cansem”.
MAS ISTO É A NOSSA VIDA NÃO É O CURRÍCULO DE BOYS….
O que estamos a decidir pode ser a diferença entre uma vida confortável e a pobreza, em especial na 3ª idade, em que o bloqueio da questão dos 6 anos pode ser a diferença entre uma velhice remediada ou ser um reformado pobre.
Perante a imoral indiferença política do governo, que ignora o protesto democrático ordeiro e sonoro e se refugia na sua, meramente formal, maioria absoluta há que procurar novos caminhos.
Ou manter o que se tem feito sem mais. E o resultado tem sido o que é. Porque o governo deu em tirano e ignora a dimensão do protesto popular.
A LEGITIMIDADE POLÍTICA DO GOVERNO PARA CONTINUAR A TRATAR ASSIM OS PROFESSORES É POUCA OU NENHUMA
Um governo que pratica uma governação injusta e foi eleito com menos de 50% (41%) com uma abstenção na casa dos 49% acha que haver milhares de pessoas na rua, como nunca se viu, todos os dias, não interessa e podem ser ignorados.
73 % dos portugueses concordam connosco, mas o governo continua a manipular a verdade contra essa sensibilidade popular generalizada.
Contra a politica injusta de um governo, que prefere discutir trocos, em vez de pensar o futuro do país, podem-se fazer mais dias de greve e repetir manifestações.
A VIA DA DESOBEDIÊNCIA CIVIL
Mas há uma realidade que tem de ser encarada.
Há que usar outros meios. O recurso à via violenta está-nos vedado, como professores e cidadãos de um estado de direito. É inconcebível que professores cheguem a ponderar sequer partir coisas ou ser vândalos.
Há assim que trilhar o outro rumo, o da desobediência civil não violenta.
E aí há 2 caminhos: as ações de tipo coletivo (boicotes, recusa de serviço, etc) que exigem grande organização, tempo de preparação e disciplina (é um paradoxo, só aparente, a desobediência ter de ser disciplinada) ou as ações individuais, que só dependem da vontade do indivíduo que as vai realizar com algum apoio (ex: auto imolacão pelo fogo ou a mais usada, por razões óbvias, greve de fome nas suas diversas variantes).
Como não penso queimar-me, já perceberam o caminho que vou seguir.
Sei que vou ser muito criticado de muitos ângulos. Vou ficar exposto e isso vai suscitar reações. Mas a greve de fome é isso mesmo: um indivíduo sózinho enfrenta os argumentos do poder com a força da sua resistência individual.
Eu sinto que tenho o dever de dar este passo: não tenho filhos, sou saudável e relativamente jovem, consigo dar a visibilidade necessária ao ato, tenho apoio alargado e generoso de familiares e de amigos na minha terra e fora.
Até tenho gordura corporal a mais, o que, se não houver outras complicações, permite prolongar a duração.
Tenho o apoio da minha escola, que sirvo como dirigente e cujo diretor alinharia comigo se tivesse saúde (quando me virem no ato de jejuar, pensem sempre que estamos ali os 2, amigos desde a adolescência).
Lidera-se pelo exemplo e nesta greve está o sentimento da maioria esmagadora da minha escola.
O caderno reivindicativo é bem conhecido e falaremos dele nos próximos dias.
Começo segunda feira às 24 horas.
É um ato individual, a que outros se poderão juntar, apoiado por colegas e amigos (que se organizam para me ajudar e não me deixar só).
Criado no ativismo de direitos humanos a apoiar à distância pessoas que fazem coisas destas contra tiranias, nunca pensei que chegasse a ser lógico fazê-lo contra o governo da democracia criada pelo 25 de Abril. O que me possa acontecer e obviamente não desejo será sempre responsabilidade do Ministro, do Primeiro Ministro e do Presidente da República.
Governem bem e com políticas justas e não é preciso fazer coisas destas.
#grevedefome #professores #professoresemluta #escolas #educacao #DesobedienciaCivil #greve #manifestacoes #liberdade #democracia #justiça #simbolismo #luta #guillermofarinas #costaomínimo #governo #maioria absoluta




16 comentários
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Luís Braga. Discordo em imensos argumentos que por este mundo virtual esgrimas. Ou seja não sou teu fã. Mas tenho de te dizer isto.
Não faças greve de fome. Só te irás destruir.
Este governo é especialista em “fazer-se de morto” e de encontrar gestores de imagem que irão fazer parecer essa tua greve em loucura esquizofrenica pessoal.
Esquece lá isso.
Olha a via jurídica através de grandes escritórios de advogados reputados tem mais eficácia.
Não faça isso. Preserve a sua saúde. A sua vida é mais preciosa que estas reinvidaicaçōes.
Luís, entendo-te.
Convicçőes, são concicções.
Estes sabujos asquerosos e vis que se aproveitam de nós não têm respeito por ninguém e não nos deixam viver com a dignidade que merecemos.
Talvez me junte a ti!
A greve de fome não é uma boa opção, de todo.
Não nos esqueçamos que, para cada medida que o ME possa tomar, poderá haver quem não esteja de acordo…mas também há quem esteja. E, por exemplo, no novo diploma dos concursos, apesar de algumas falhas, é, na minha opnião um bom avanço.
Decisões radicais sem consensos nunca são boas opções.
Meu caro,
Mas um bom avanço em quê, em direçcão ao abismo?
É um diploma que só piora o que já estava em vigor, recuando 20 anos em matéria de Concursos. Está minado de incongruências e irregularidades.
Pretende tão só, e de maneira atamancada, fugir à última hora ao Tribunal Europeu de Justiça após a intimação de Julho passado, e tapar os buracos abertos da falta de professores, adivinhada há mais de uma década, promovendo a definitiva proletarização e precarização da classe docente.
É uma Lei coerciva e que castiga.
O Conselho de Directores faz dos professores caixeiros-viajantes.
A vinculação dinâmica é apresentada como uma oferenda generosa, como se fosse algo que a lei não exigisse há anos.
Atira definitivamente milhares de professores, contra a sua vontade, para longe das suas residências sem uma remuneração justa e sem esperança de poderem regressar às suas famílias: agudiza-se a desmotivação e o desinteresse pelo que é ser-se professor.
Acrescerão graves problemas sociais (da desestruturação das famílias aos idosos a quem faltarão os cuidadores).
Melhor que greves de fome, é inundar os Tribunais de processos contra o governo, praticar o “quiet quitting”, executar o horário e nem mais um minuto, e logo após os Tribunais declararem os serviços mínimos ilegais, nem que seja em Outubro, declarar a greve total por tempo indeterminado. A sua atitude de força, está condenada ao fracasso. O governo e a sua parafernália de assessores de imagem, fazedores de opinião arregimentados e comunicação social cúmplice, não tardarão a dizer “que lamentam, mas não podem desviar-se do rumo traçado e que o País não só necessita como exige”, começarão uma lega-lenga a dizer o “quanto já cederam” e no fim, apresentam-no como fanático doido a precisar de psiquiatra. Esqueça.
Na minha região costuma-se dizer ” Albarda-se o burro à vontade do dono”. Portanto, vamos, também, fazer serviços mínimos, cumpra-se, apenas, o horário na integra.
Deixe passar alguns dias para refletir com maior ponderação sobre esse assunto.
Caros Colegas,
A decisão que o nosso colega Luís Braga, tomou de certeza que resulta de muita reflexão.
É uma decisão que só está ao alcance de muito poucos, que reflete a sua forma de estar e a forma como há muito defende a Escola Pública e as questões da Educação.
Todas as outras formas de luta, não se extinguem na ação do colega Luís Braga.
Todos individualmente, podemos e devemos fazer a nossa parte nesta luta.
Bem hajas, Luís pela tua coragem e determinação.
Concordo, em pleno com o colega João Afonso. E acho triste que venham para aqui desmotivar o colega Luís a fazer o que ele entende, com a sua convicção, ser o correto e que no futuro sentirá que tudo fez pela causa em que acredita. Pena é não haver muitos “Luíses”, neste país, que tenham convicções e que sigam em frente com elas. É por isso, que não existe uma verdadeira democracia em Portugal. Pena também que haja colegas que venham para aqui defender um diploma de concurso que nada tem de bom.
Não sei de facto como é possível vir defender um diploma que só piora o que já estava em vigor, recuando 20 anos em matéria de Concursos. Está minado de incongruências e irregularidades.
Parece-me que ou não leram ou se deixaram cilindrar completamente pela alienante e diabólica máquina de Propaganda do Governo.
É um Concurso injusto onde impera a arbitrariedade e a discricionariedade.
Uma Lei coerciva e que castiga, promove a definitiva proletarização e precarização da classe docente. Destruirá milhares de famílias, acarretando inúmeros problemas sociais a acrescentar aos que já existem.
Colega Luís não faça isso!. Lembre se da sua saúde. Nunca mais será a mesma. Deixa sequelas. Apesar de novo há de chegar a velho e doente.Quer acrescentar mais essas?
Olhe que o SNS não o vai tratar. Se houver ainda nessa altura…
Compreendo a sua atitude ética mas não faça mal a si próprio. A culpa não é sua se o 1o ministro não é pessoa de bem e o PS não respeita o poder que lhe demos nas urnas.
O governo revelou se atrapalhado e até desonesto nas atitudes que toma.
Temos que o penalizar nas urnas e encontrar uma alternativa válida.
A luta deve continuar a ser de grupo, como tem sido. E não individual .
O problema é coletivo. É lamentável que alguns colegas não percebam!
Há professores e educadores que nem um dia de greve fizeram e não foram a uma única manifestação, preferindo descansar com a família.
Também se está a imolar por esses. Reflita nisso.
Não merecem o seu ato!
Há outras formas de luta que a nossa criatividade em conjunto vai encontrar. Acredite nisso.
No meu entendimento, os sacrifícios e o prejuízos devem ser sentidos por quem nos maltrata. Eu, desde o primeiro prolongamento da idade de aposentação, nunca mais votei em quaisquer eleições, inclusive nos órgãos escolares. O 25 de Abril de 1974 não se fez com votos, fez-se nas ruas e nos quartéis porque o sistema político estava a pisar os calos aos militares. Revolução já! Pode ser que desta vez seja feita em casa e nas escolas pelos professores. Pela minha parte, por ser professor cumpridor há 43 anos, fiquei maluco.
No meu entendimento, os sacrifícios e os prejuízos devem ser sentidos por quem nos maltrata. Eu, desde o primeiro prolongamento da idade de aposentação, nunca mais votei em quaisquer eleições, inclusive nos órgãos escolares. O 25 de Abril de 1974 não se fez com votos, fez-se nas ruas e nos quartéis porque o sistema político estava a pisar os calos aos militares. Revolução já! Pode ser que desta vez seja feita em casa e nas escolas pelos professores. Pela minha parte, por ser professor cumpridor há 43 anos, fiquei maluco.
Boa noite caríssimo Luís!
não o conheço pessoalmente, mas partilho desta sua opinião.
Parece-me bem que pense como um grande estadista ” … não perguntes o que o País pode fazer por ti, mas antes o que tu podes fazer pelo País”. Acredite que já o fazemos!
Presume que tenha já ponderado muito bem a situação e na pior das situações se morrer fica na História e dos fracos não reza a História.
Antes de chegar a este ponto porque não enveredar por uma greve por tempo indeterminado e no caso dos tais serviços mínimos apresentar atestado médico?
Porque não fazer uma sondagem e ver quem estaria disposto a tal feito?
De qualquer forma estarei sempre do seu lado!
Quanto aos comentários, quem não dá o nome não merece ser professor, não deve ser levado a sério!
Obrigado!
Caríssimo João Santos,
Todos temos o direito de exprimir a nossa opinião em liberdade porque apesar da ditadura subtil à qual vimos sendo submetidos, ainda vivemos num regime democrático.
Ao exprimir a nossa opinião podemos fazê-lo a título individual ou em nome de um grupo ou coletivo.
Podemos publicar o nosso comentário com o nosso nome, com as suas iniciais ou com um pseudónimo.
Tal prende-se com direitos, liberdades e garantias, como o direito à privacidade, que cada um exerce consoante o nível de exposição pública que vê como adequado.
Quem é João Santos para se arrogar no direito de validar comentários, apoucando gratuitamente colegas a quem aponta o dedo censório ao emitir juízos de valor quanto a pessoas que não conhece?
Fê-lo há semanas atrás a mim individualmente, e volta a fazê-lo agora generalizando.
Em Liberdade e Democracia não existem cartilhas, mas uma vasta panóplia de formas de viver e atuar que sabem respeitar-se mutuamente.
A não que João Santos pretenda organizar um ficheiro com os dados individuais de todos os que enviam os seus comentários. A ser assim deverá especificar como pretende o nome ( nome próprio e apelido, nome próprio e dois apelidos – pai e mãe – , dois apelidos, ou nome completo).
Interessa-lhe o Nº de cartão de cidadão e AE/EnA onde exerce funções ou é dispensável?
Cumprimentos
É admirável existir gente como o colega num país habitado por comodistas, acomodados, acobardados e conformados.
Eu continuo com um travo amargo na boca devido à inação (ou pouca ação) das direções, que têm um tremendo poder nas mãos para fazer uma diferença significativa neste processo.