E no fim de oito simulacros de negociação fez-se, finalmente, alguma luz…
A FENPROF arroga-se como a maior Federação de Sindicatos de Professores, pelo que não será possível ignorar os encargos conferidos por esse “título”, nem escamotear ou omitir a respectiva responsabilidade em todo o processo negocial com a Tutela, que se arrasta há vários meses…
A FENPROF declarou em 13 de Abril passado, no seu site oficial, que: “A reunião técnica confirma receios e esclarece que o ME não pretende recuperar qualquer tempo de serviço”…
Estranhamente, a FENPROF parece ter precisado de oito simulacros de negociação para concluir o que já se tinha percebido há muito tempo, aliás logo à saída da primeira “ronda negocial”:
– O Ministério da Educação não tinha, nem tem, qualquer intenção de ceder às principais reivindicações dos Professores…
Dessa conclusão extraída pela FENPROF, inusitadamente tardia, decorrem algumas questões inquietantes:
– A FENPROF teve dificuldades em percepcionar as verdadeiras intenções da Tutela ou essas intenções foram percepcionadas desde o início, mas contornadas até agora, de modo a não “hostilizar” a Tutela?
– A FENPROF está ou não a fazer fretes políticos ao Governo?
– A FENPROF está ou não a ludibriar os seus representados, acalentando neles a (falsa) esperança de que a atitude do Ministério da Educação possa modificar-se para melhor?
– Depois da conclusão retirada pela FENPROF no passado dia 13 de Abril, como compreender a sua permanência num simulacro de negociações que, na verdade, não teve qualquer resultado positivo para os Professores?
– A FENPROF está ou não a justificar a sua própria existência com a presença em simulacros de negociação, que não dignificam nenhum dos intervenientes, acabando por negligenciar, dessa forma, os interesses dos seus supostos representados?
– Afinal, quais são os objectivos da FENPROF e como tenciona alcançá-los?
Todos os Professores, sejam ou não sindicalizados, têm o direito de serem esclarecidos acerca das muitas dúvidas existentes quanto ao papel da FENPROF neste processo negocial…
A FENPROF tem o dever ético e moral de esclarecer cabalmente todas as incertezas, decorrentes da ambiguidade da sua própria acção…
Não basta reclamar o “título” de maior Federação de Sindicatos de Professores, como se isso fosse suficiente para demover a Tutela ou bastasse para merecer e suscitar a confiança dos seus supostos representados…
Até porque parte significativa desses seus supostos representados parece estar francamente cansada e impaciente com o show-off repetitivo, sempre bem encenado, sem que tal conduza a efeitos concretos ou a vitórias materiais…
E foram precisos oito simulacros de negociação para que a FENPROF, finalmente, reconhecesse e assumisse que o Ministério da Educação não pretende a recuperação de qualquer tempo de serviço…
Fez-se, finalmente, alguma luz…
Perante o anterior, fica-se na dúvida se a principal preocupação da FENPROF consiste em corresponder e obedecer aos interesses da Tutela ou aos dos seus associados…
As principais vítimas de tais “excentricidades” serão, naturalmente os Professores, ora “reféns” da Tutela, ora das estruturas sindicais, incapazes de os representar e defender sem reservas e isentos de suspeitas…
Os resultados alcançados por Sindicatos obedientes e previsíveis são os que todos conhecem… A decepção é indisfarçável…
Que raio de país este, onde até os próprios Sindicatos defraudam as legítimas expectativas e os interesses dos seus representados!
(Paula Dias)




24 comentários
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Se não tiverem associados deixam de existir!
Há duas décadas que vemos o resultado do que a Fenprof(e os restantes “100” sindicatos) têm feito pelos professores?! É gente que apenas quer manter o seu lugarzinho fora da sala de aula e esperar pela reforma! Querem lá saber do resto!
São estas as questões/dúvidas que há muito eu coloco a mim mesma! Desde o início se percebeu esta postura/conclusão! Como podemos alcançar algo se aqueles que deveriam defender abnegadamente os interesses dos professores estão(estarão?!), alegadamente, a correr com uma agenda própria? Que cargo pretende almejar MN? Sim, porque este mandato será o último! O Futuro nos dirá!…
Teria ele a coragem, a grandeza, de se associar ao Luís em greve de fome? Não falaria mais alto uma atitude destas do que a “cassete” que ouvimos em cada final de reunião? Isso sim, era atitude de líder, de Dirigente!
Agora conversa, já nos basta a dos políticos!… e já não há paciência!
a FENPROF defende:
– A manutenção dos atuais quadros (QA, QE e QZP), sendo dessa forma respeitado o disposto no
ECD, por se tratar de um estatuto específico de um setor profissional;
– A redução da área geográfica dos atuais QZP para os 23 que existiam até à entrada em vigor da
Portaria n.º 156-B/2013, de 19 de abril, e não para as áreas das comunidades intermunicipais que,
em alguns casos, chegam a dividir distritos por três e quatro entidades diferentes;
– A transição dos quais QZP para os futuros, de menor dimensão, respeitando as preferências
dos docentes, ordenados de acordo com o critério da graduação profissional;
– A manutenção do mecanismo de Mobilidade Interna, tanto para a distribuição dos docentes
dentro dos QZP, como para aproximação à residência, sempre que houver lugares a preencher defendendo, ainda, que todos os docentes dos quadros sejam ordenados numa só prioridade e de
acordo com o critério da graduação profissional;
– A revisão da designada norma “travão” para passar a abranger os docentes com, pelo menos,
3 anos (1095 dias) de serviço docente obrigatório e que tenham celebrado com o ME contratos
anuais (completos e incompletos e considerando-se anuais todos os que, com termo a 31 de agosto,
resultem de colocação obtida até 31 de dezembro) e sucessivos ao longo dos 3 últimos anos
escolares;
– A abertura de concursos externos extraordinários para os próximos 2 anos escolares que
permitam vincular, respetivamente, os docentes contratados a termo com 10 ou mais e 5 ou mais
anos de serviço (desde que, em ambos os casos, os docentes cumpram as condições de tempo de
serviço para estarem ordenados na atual 2.ª prioridade do concurso externo);
– A abertura de novos lugares de quadro nas escolas ou agrupamentos sempre que se verifique
o recurso, por um período de 3 anos consecutivos, a um número de docentes que exceda a sua
dotação;
– Que a extinção de lugares só aconteça quando o seu titular se aposentar ou for transferido,
por concurso interno, para outro lugar de quadro da sua preferência;
– A realização anual do concurso interno, a par do externo;
– A prioridade à colocação de docentes que já integram os quadros nas vagas que forem
colocadas a concurso, o que significa dar prioridade ao concurso interno e, dentro deste, assegurar
que os docentes são todos ordenados numa só prioridade, de acordo com a respetiva graduação
profissional;
– A consagração de um regime de Mobilidade por Doença, a integrar o futuro diploma de
concurso e que garanta a deslocação de todos os que, comprovadamente, tiverem doenças
incapacitantes ou acompanhem familiares diretos nessas condições.
Estas são as posições, as primeiras de rejeição e as seguintes de proposição, que a FENPROF
apresenta, tendo em conta o que já se conhece das intenções dos responsáveis do Ministério da
Educação, segundo o que manifestaram nas duas reuniões que se realizaram. Todavia, a FENPROF
pretende ir mais além na revisão do atual regime de concursos, tendo, para o efeito, apresentado,
na reunião realizada com o ME a 22 de setembro de 2022, um documento que contempla não só os
pressupostos para essa revisão, como propostas que os concretizam, devidamente fundamentadas,
o qual se considera aqui integralmente reproduzido.
Face à rejeição generalizada das intenções manifestadas pelos responsáveis do Ministério da
Educação, a FENPROF aguarda, com expetativa, uma proposta global de revisão do regime de
concursos que seja, efetivamente, promotora de estabilidade e combata, de facto, a precariedade e
a instabilidade, neste caso não só de emprego, mas profissional, pessoal e de vida dos docentes.
Lisboa, 17 de novembro de 2022
O Secretariado Nacional da FENPROF
Mas que relambório é este, datado de há 5 meses e completamente desvinculado da realidade?
Só se for para levar a negociação no País das Maravilhas.
Nós vivemos em Portugal, em abril de 2023, onde se instituiu, através de uma ditadura subtil, a captura dos poderes e a mentira como forma de governação.
Querer mascarar esta situação, ou revela incapacidade de resposta às circunstâncias, ou pretende fazer passar-nos a todos por parvos.
A alteração do norma-travão proposta continua a não fazer sentido. Então alguém é colocado com 8h, durante três anos, desde que tenha 1095 dias, vincula?? Nem todos conseguem viver com o salário de 8h, não têm um suporte financeiro por trás que lhes permita fazer isso.
1095 dias, vinculação por lista de graduação e pela existência de vagas (declaradas previamente) , assim, pelo menos, dá-se a oportunidade de as pessoas vincularem de uma forma justa. Caso não haja vagas… Paciência. As empresas também não andam a criar vagas a torto e a direito para entrarem todos para os quadros a qualquer hora. Temos de perceber que não há vagas para todos nós, contratados, com 1095 dias de serviço. É óbvio que há zonas onde é difícil l vincular… E muito mais havia a dizer, mas fico por aqui.
TT ódio. TT falta de luta e sentido de classe. TT escárnio e maldizer. Assim claro que nunca chegaremos a lado nenhum. Tenham juízo e façam por merecer respeito. É por isso que não nos respeitam.
Sou sindicalizado no SPGL há vários anos.
Se a FENPROF deixar que quem esteve doente por mais de 30 dias em 2005/2006 não usufrua da eliminação de vagas aos 5o e 7o escalões, ou quem entrou em 2005/2006 e não apanhou todo o congelamento por 2 dias (começou a 30/08/2005), será uma ignomínia.
Nessa situação DESVICULO-ME IMEDIATAMENTE desse sindicato ou de outro qualquer da FENPROF.
Ou defendem os direitos de TODOS os sindicalizados ou vão bardamerda.
lol umbiguismo no estado mais puro!
Comentário canalha e injusto muito injusto à FENPROF e à Plataforma de Sindicatos.
A FNE que se põe de rabo alçado para a sodomização sem vaselina é que fixe!
A fenprof não tem estado, em algumas ocasiões, à altura dos acontecimentos.
Sem dúvida, e isso deve ser-lhes cobrado, mas o nosso problema não é de todo a menor acertividade da fenprof.
Não devemos, para nosso bem, iludir e descentar o foco do nosso descontentamento.
O nosso problema é o ME e as políticas orçamentais de “contas certas para inglês ver” deste governo e não a luta sindical, e nela a fenprof.
Por favor não nos deixemos dividir, para não nos tornarmos naquilo que odiamos, como bem preveniu o velho Benjamin Farencz.
Perante a escalada vexatória do ME, e ultrapassados que estão os limites da indignidade, os Sindicatos devem abandonar imediatamente as reuniões de negociação, e exigir a demissão do Ministro por incompetência técnica, ausência de idoneidade negocial e desonestidade intelectual.
De seguida, solicitar uma audiência com caráter de urgência ao Presidente da República, para informar da sua recusa em avalizar a miséria moral que institui a mentira como forma de governação.
P.S.
Isto seria óbvio num país onde os Sindicatos fossem respeitáveis, o Presidente da República fosse confiável, a Constituição fosse cumprida e a Ética regesse a vida pública.
Esse teu fel contra a FENPROF é que vai resolver os problemas dos professores!!!!
E podias acrescentar no fim do tei comentário… e as pessoas votassem como deve ser!
Não se trata de nenhum fel contra a FENPROF, mas tão só não querer deixar de ver a realidade do que se vem passando. Os Sindicatos têm-se mostrado incapazes para capitalizar em ganhos negociais a força de um dos maiores movimentos de contestação a que temos assistido nos últimos anos em Portugal.
Pelo contrário, apenas se têm verificado resultados que vêm ainda piorar a situação existente.
Têm agido depois e quando as ações orgânicas alcançam expressão pública.
Como se viu ainda na semana passada, a propósito do diploma de concursos.
Depois de serem noticiados os apelos de docentes à Presidência no sentido da não promulgação do diploma, os Sindicatos (que tinham dado o assunto por encerrado e o facto consumado) vêm então anunciar que pretendem fazer uma exposição ao Presidente.
As declarações de MN à saída das negociações têm sido absolutamente patéticas e erráticas, mostrando uma absoluta ausência de estratégia negocial.
Na negociação e na luta sindical não é suficiente elencar boas propostas (que não ponho em dúvida que existem), é preciso saber adequá-las, apresentá-las e defendê-las de acordo com as circunstâncias de cada momento e com os interlocutores que temos à nossa frente.
Não tenho dúvida que a FENPROF e MN em particular, têm responsabilidades na quase irremediável desvalorização da profissão docente, e no que se fez de dramático na Educação a partir dos governos de José Sócrates, de quem António Costa foi braço direito.
Aqui chegados, seria preciso mesmo coragem, daquela que vai além de procissões das velas, e dos epifenómenos com prazo mais menos determinado ou horário feito de maneira a perturbar pouco as rotinas. E acima de tudo saber ler a realidade.
Os sindicatos,o unico objectivo é ,não fazer nada e enganar os professores e não só. Vemos o exemplo de alguns quantos dias trabalham num ano!!!!..Quantos dias leccionam. ZERO.Vao mas é trabalhar.
Quem é esta autora desta “crónica “????
Será mais uma das colegas que nunca leu os documentos dos sindicatos, incluindo o célebre “memorando”, nunca foi a reuniões sindicais, “descontar” para o sindicato ” nunca na vida”.
Sempre disse, que os sindicatos eram “alarmistas”.
Desses conheço eu muitos…
Podemos criticar o trabalho dos sindicatos (criticar até nem é difícil), eu também não acho que estejam a fazer o melhor trabalho já há muito tempo. Mas neste caso, não sejamos ingénuos – o Ministro da Educação nunca quis negociar nada de nada, no sentido em que negociar implica ceder em ambos os lados. Talvez tenha de se pensar numa estratégia que, não prejudicando os docentes, seja efetivamente mais eficaz.
Concordo plenamente com o comentário da colega Paula Dias sobre o papel da Fenprof em todo este processo de ” negociação “. E o que fazem mais 8 sindicatos escondidos atrás da Fenprof, sem voz e sem propostas alternativas? Qual o seu papel? Afinal quem representam?
Infelizmente deixaram-se “comprar” e para nosso desagrado assistimos a que se tornaram sequiosos de poder e de protagonismo. Como é que a sociedade nos hás-de respeitar com representantes como estes e entre outros? Haja paciência!!!
Ja deixei a Fenprof há vinte anos…. tudo dito
Todos sabemos que a fenprof sempre fez “panelinha” com o governo, enganando os professores e nunca foi capaz de tomar una posição radical. Também nunca percebi porque nunca se quiseram aliar ao stop, quando a luta estava no seu auge. Sempre se percebeu que o objetivo do governo nas negociações era “zero”. O que o ministério pretendeu foi que, com o passar do tempo os profesorres fossem enfraquecendo a luta e é o que está a acontecer.
É para rir este comentário?!
Não dá vontade de rir!
Olhemos para o presente e futuro.No meu ponto de vista, não se devia levar um saco enorme de pedidos (que são todos importantíssimos , mas dá azo à dispersão e a atribuirem- nos restos para enganar a fome).É fundamental a situação concursal e a recuperação do tempo de serviço que se pretende esquecido.
Alguém acha que a norma travão vai melhorar a vida dos contratados? Não me parece!
Quem não está efetivo com 20 e tal anos de serviço , não arriscou ir para longe ou vem do privado.Será que pretende fazê-lo agora?
Vamos exigir que se criem vagas onde não há? Se as criarem, arrica-se a mobilidade.É preciso ponderar bem o que se pretende.
Respeito a posição de toda a gente.A verdade é que todos temos razão, mas não devemos perder a razão e pôr-nos ainda mais na precariedade!
TT ódio. TT falta de luta e sentido de classe. TT escárnio e maldizer. Assim claro que nunca chegaremos a lado nenhum. Tenham juízo e façam por merecer respeito. É por isso que não nos respeitam.