Proposta final ou desastre final?

 

O Ministério da Educação divulgou, no passado dia 1 de Março, a sua proposta final relativa ao novo modelo de Concursos…

Dada a naupatia e a “mareação” sentidas logo no início da leitura, confesso que não tive a “coragem”, nem a disponibilidade mental, necessárias  para analisar detalhadamente as trinta e quatro páginas da referida proposta…

Mas pela “leitura na diagonal” que fiz, e pelas opiniões de terceiros, que entretanto fui lendo e ouvindo, parece que continuamos perante um prodigioso exercício de imaginação e de criatividade ou de um devaneio onírico, de quem, na verdade, nunca teve a intenção de ceder no que quer que fosse, para atender algumas das principais reivindicações dos profissionais de Educação…

A proposta de novos QZP, de Mobilidade Interna e de Vinculação Dinâmica, agora apresentada, permite concluir, de imediato, o seguinte:

– A “casa às costas” e a precariedade são, afinal, para manter.

Para manter será também a desconfiança e o cepticismo dos profissionais de Educação relativamente à actuação da Tutela em todo este processo negocial que, pela proposta final agora conhecida, permite aventar a existência de má-fé, entendida como:

– “Intenção de quem, de forma dissimulada e consciente, pretende causar dano”. (Dicionário Online Priberam de Português)…

Se assim não for, como compreender o teor da proposta final apresentada pelo Ministério da Educação?

Sem qualquer subtileza linguística, das duas uma: ou a referida proposta final não é para levar a sério e, nesse caso, não se compreenderá a sua divulgação; ou se é para levar a sério, fica-se incrédulo e atordoado perante todos os ardis, malvadezas e “espertezas”, aí constantes…

Há, até, nesta proposta final um certo maquiavelismo, absolutamente desrespeitoso, muito próximo do trocista…

Em termos dos seus efeitos práticos, esta proposta final parece ser a negação das declarações do próprio Ministro João Costa, em entrevista concedida à RTP em 3 de Novembro de 2022, onde se comprometeu a combater o problema da “casa às costas”, a aumentar a estabilidade e a reduzir a precariedade na vida dos Professores…

E perante tudo o anterior, resta perguntar:

– É preferível ratificar um mau acordo ou rejeitá-lo integralmente?

Se algum Sindicato legitimar esta proposta final do Ministério da Educação, não poderá deixar de ser considerado como cúmplice e comparsa da iniquidade e da perversidade…

Se se concretizarem todos os agravos constantes nesta proposta final, ficaremos num cenário de catástrofe iminente para todos os profissionais de Educação, rumo ao desastre final…

Urge contrariar, rápida e fortemente, por todas as vias, essa possibilidade…

O Ministro João Costa está a cometer um erro basilar de “cálculo”:

– Em vez de propor medidas justas e leais, como forma de apaziguar a revolta e o mal-estar generalizado dos profissionais de Educação, optou por apresentar uma proposta que contribuirá, ainda mais, para acentuar a aversão relativa à sua figura e para incentivar a resistência e a oposição ao Ministério que tutela…

Será caso para afirmar que João Costa nem para si próprio consegue ser bom…

 

(Paula Dias)

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2023/03/proposta-final-ou-desastre-final/

6 comentários

Passar directamente para o formulário dos comentários,

  1. Subscrevo

    • Somos todos Professores on 3 de Março de 2023 at 12:00
    • Responder

    O cúmulo da prepotência, a arrogância da maioria absoluta e a menoridade intelectual levou-os ao tiro nos pés!
    Ninguém pára quem é honesto, trabalha e esclarece nos momentos em que a democracia corre perigo!
    Há criatividase e massa crítica em acção.
    Estamos a curar a democracia e não paramos.
    Portugal já o percebeu, vocês não?!

    • Advogado do Diabo on 3 de Março de 2023 at 12:13
    • Responder

    Também, deixem-me fazer de advogado do Diabo, por uns instantes: se eu estivesse na pele daquele Sonso, travestido de ministro da Educação, e animado pelo Costa-Chefe, faria mais ou menos o mesmo, por inexistência de oposição sindical verdadeira. Porque há-de o Sonso negociar verdadeiramente alguma coisa, se tem o que quer, que são as Escolas abertas, os alunos a serem alimentados, as aulas que nem importam grande coisa a ideia é ter um poiso onde despejar os putos, mal ou bem a decorrer? Os “serviços mínimos” dão para tudo, e se houver desafio, passa-se ao passo seguinte que é a requisição Civil. E como não está à vista nenhuma hipótese de Desobediência Civil, a desafiar os serviços mínimos e a requisição civil que se lhes seguiria, rindo-nos das faltas injustificadas e dos processos disciplinares a 120 000 professores que demorariam anos até estarem despachados pelo ME, digam-me então porque é que aquele farsolas, havia de negociar, quando domina a situação e os incómodos de ser “perseguido” pelos professores se resolvem com mais segurança e a correr connosco da AR?

    • Jose Oliveira on 3 de Março de 2023 at 12:18
    • Responder

    Infelizmente, é bem verdade. O escuteiro-mor continua fiel à sua antiga estartégia de não só nunca resolver os poblemas, mas pior ainda, opta sempre por criar outros que não existiam antes, para tentar desviar as atenções e atirar serradura aos olhos. É, como já disse, a atitude de fazer crer que se constrói aquilo que se destrói. Não há mais pachorra.

    • Carlos Moreira on 3 de Março de 2023 at 13:12
    • Responder

    A LUTA que se mostrar necessária terá que continuar até ao fim!!

    • Lua e Sol on 4 de Março de 2023 at 3:13
    • Responder

    A LUTA CONTINUARÁ CONTRA ESTES MAQUIAVÉLICOS, CÍNICOS…

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading