Os professores andaram, durante anos, a encher a sua capacidade de resiliência perante sucessivas injustiças e a serem vilipendiados no seu profissionalismo por diversos governos.
Perante o estado limite de toda uma classe que já não aguenta mais, como é que o ministro da Educação pretende resolver a falta de professores e a instabilidade constante de um corpo docente que nunca sabe onde irá lecionar no dia de «amanhã»?
Com uma proposta de concursos terrível e insultuosa para tantos profissionais que andam há décadas a correr as escolas do país, atirando-os definitivamente para longe das suas residências sem esperança de poderem regressar às suas famílias.
Com esta panela de pressão, pronta a explodir, o ministro opta pelo decretar de serviços mínimos, fechando a válvula de escape e, com a inflexibilidade de alterar as propostas de negociação, ateia-lhe ainda mais lume.
E a consequência é mais do que óbvia – a panela vai explodir.
E no dia em que isso acontecer, João Costa e António Costa, terão de se justificar perante os portugueses pelo que irá acontecer devido ao tratamento de terrorismo psicológico que estão a causar a uma classe que está a ser continuamente torturada por atitudes altamente desrespeitadoras e cujas reivindicações estão a ser completamente ignoradas.
Que não se atrevam a continuar a pressionar e a subestimar os professores pois, para defender uma escola pública de qualidade e a dignidade das suas vidas, estão dispostos a tudo. Desta vez, ninguém os conseguirá parar enquanto não forem tratados com a justiça que merecem.
Carlos Santos