A Ponte de Amarante, hoje como ontem, um símbolo de heróica resistência

A comunidade educativa de Amarante, hoje (dia 17), a partir das 18 horas e noite dentro, irá “conquistar” esta emblemática ponte com uma marcha/vigília em defesa da escola pública. Envergando vestes negras e, nas mãos, velas acesas, assim expressarão, pacificamente, a sua revolta contra um governo que é, decididamente, inimigo dos professores e dos demais profissionais das escolas. Até o Estado Novo protegia a família. Nunca os professores foram obrigados a concorrer para todo o país. Ao contrário, os professores de hoje são obrigados a concorrer para todo o país e a aceitar escolas a centenas de quilómetros de casa. Onde fica a proteção à família que deveria ser um dos grandes trunfos da Democracia? De resto, os mais jovens professores nem sequer podem constituir família. Deste jeito, o governo quer construir o futuro com quem? Com seres sem alma, sem personalidade, sem honra, sem direitos? Pôr em causa os direitos e a estabilidade dos professores é acabar com a esperança numa educação que construa um país melhor. É desistir definitivamente do futuro.
Quanto à Ponte de Amarante, é bom recordar, representa a memória do heroísmo dos amarantinos que ali resistiram, durante dias e dias, nos intensos combates das segundas invasões francesas. Aos soldados comandados pelo brigadeiro Silveira, juntou-se uma multidão de populares, gente da vila e do campo, que acorreu com as armas que tinha para impedir a tomada da Ponte pelas tropas invasoras. No primeiro combate perderam-na. No seguinte, recuperaram-na, com o sacrifício de muitas vidas. Queiramos que a resistência dos professores, com tantos sacrifícios já sofridos, permita, finalmente, recuperar a paz e a esperança de que a Educação em Portugal tanto carece.
Alexandre Parafita




2 comentários
Enfim, mais uma vigília. Estou convencida que esta encenação irá comover imenso a tutela! Continuem com cordões humanos, acampamentos e performances circenses. Os resultados serão enormes.
Com estes “convívios” e com a insistência numa greve destruída por serviços minimos que consideramos ilegais, mas que enquanto os Tribunais não o disserem, são “legais”, não vamos lá. Que tal substituir esta greve que se tornou quase inútil, por greve por tempo indeterminado às reuniões, serviços extraordinários, atividades não-letivas e a tudo o que não está marcado no horário, levando de imediato a Tribunal todos os capatazes, perdão, “diretores” que venham com ameaças e bullying? O colégio arbitral ficava a ver navios e faziam-se muitos mais estragos – as escolas vivem do trabalho que não aparece nos horários – que com uma greve altamente condicionada por serviços mínimos. Pode retomar-se a greve às atividades letivas quando os Tribunais disserem que os serviços minimos são ilegais. Insistir no que se está a fazer, é dar murros em ponta de faca.