Salário. Salário. Salário. – Luís S. Braga

 

Essa devia ser a reivindicaçâo central dos professores e do setor da educação em geral. Não morder os iscos das outras questões segmentadas, que são importantes, fazem gastar energia, mas não tocam a todos.
Querem unidade? Falem de salários.

De recuperação do valor da carreira, de compensação das perdas da inflação e de reposição proporcional face ao salário mínimo.

Todos trabalhamos para receber salário e temos salário porque trabalhamos. É óbvio, mas temos de tirar a conclusão nas discussões sobre o trabalho.

Os horários incompletos são mais suportáveis se forem melhor pagos. As vagas do 5º e 7º escalão são problema porque prejudicam melhor salário. As horas a mais de trabalho são discussão porque não são voluntárias e não são pagas. A colocação longínqua podia ser aceitável, se paga.

O discurso missionário sobre educação tem de ser combatido com a ideia simples: querem trabalho educacional, façam o que fazem noutras áreas e paguem o valor justo.

Em termos agregados, Portugal gasta menos que a média da UE em educação. Porque os políticos que representam o patrão (o povo português) acham que a educação não deve ser despesa prioritária, embora batam com a mão no peito a falar da sua importância.

Tudo pode ser discutido mas, primeiro, tem de ser discutido o preço justo do trabalho.
Por isso, a discussão do tempo de progressão perdido não deve ser esquecida.

Do PIB português quanto se vai reservar para financiar o futuro, através do justo pagamento a quem escolheu ensinar e ser educador?

Educação são pessoas a trabalhar. São “recursos humanos”. E se acham que recursos gastos em educação são caros, experimentem a ignorância.

E isso é dito simplesmente: quanto vale o nosso trabalho? Quanto nos pagam para dedicar a vida a educar?
Quanto vão gastar os portugueses a financiar uma educação de qualidade? Isso será o nosso salário.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/05/salario-salario-salario-luis-s-braga/

21 comentários

Passar directamente para o formulário dos comentários,

    • Valia a pena pensar nisto… on 21 de Maio de 2022 at 11:04
    • Responder

    Caro, Luís Braga,
    “Querem unidade? Falem de salários”, correto mas absolutamente insuficiente (este Luís “insuficiente” parece uma versão nova…).
    Quere(m) unidade fale(m) de salário, democracia e liberdade. Tudo o que é NEGADO aos professores e às escolas. O ambiente é pidesco e cheiro fétido, não nada para comemorar em cada 25 de abril. Ou será que ficaria/ficará feliz com um Putin no poder desde que você seja bem pago?
    Eu NÃO.

      • Luís Sottomaior Braga on 21 de Maio de 2022 at 14:52
      • Responder

      Eu acho tanta graça a estes comentários torcidos…. Diga ao que vem …. Não use meias palavras… Tenha coragem de não se esconder nas meias palavras e insinuações…..

        • Valia a pena pensar nisto… on 21 de Maio de 2022 at 19:28
        • Responder

        Excelentíssimo, Luís Braga,
        o meu comentário nada tem de “torcido”, nem contém qualquer insinuação, é muito objetivo. Liberdade, democracia e salário, por esta ordem. Se vê nisto algo de “torcido”, então é vossa excelência que terá alguma “agenda escondida”.

      • Marco on 21 de Maio de 2022 at 22:45
      • Responder

      Concordo! É preciso não castigar os professores… obrigá-los a imenso trabalho de casa, Exmo Senhor, esquece-se que os professores têm família. A sua frustração é o salário… más a democracia precisa – se! Ser companheiro dos colegas, perder o mau feitio, como afirmou na TVI, que tem muitos processos em tribunal e que ganha sempre! Lamento que os professores tenham medo de si!

        • Filipa on 22 de Maio de 2022 at 8:29
        • Responder

        Não conheço o dr. Braga, mas parece muito “popular” entre os colegas …
        Conheço, no entanto, muitos assim.
        Pelos estudos serão mesmo a esmagadora maioria.
        https://capasjornais.pt/Capa-Jornal-Publico-dia-12-Agosto-2018-9909.html

    • Márcia on 21 de Maio de 2022 at 11:10
    • Responder

    Concordo plenamente!

    • maria on 21 de Maio de 2022 at 11:37
    • Responder

    Salários
    Nas negociações, estão “em cima da mesa ” duas propostas:

    Proposta 1 – diferenciação de carreiras e salários, conforme: a) o nível de ensino; b) o “conteúdo funcional” de cada disciplina . (lembram os negociadores que nestas duas “variáveis” já existe diferenciação no que respeita ao tipo, exigência científica, duração etc. das habilitações académicas exigidas em cada daquelas alíneas).

    Proposta 2 – Carreira e tabela salarial IGUAL para todos – da creche à Universidade. ( Somos todos iguais, trabalhamos todos para o mesmo – argumentam os acérrimos defensores desta proposta) .

    • Eunice on 21 de Maio de 2022 at 12:07
    • Responder

    Professora de português, licenciada numa universidade, há 22 anos. Contratada há 3 na mesma escola TEIP, mas o sistema continua a afirmar que não precisa de mim. Com níveis distintos, cuja exigência intelectual e emocioal é avassaladora. Diretora de turma, professora PLA, português lingua de acolhimento, à noite, sem.por isso receber nem mais um centimo. Sou totalmente a favor de uma distinção de salários, deixemo-nos de hipocrisias.

      • Maria on 21 de Maio de 2022 at 21:55
      • Responder

      Concordo plenamente! Os professores do 1ºciclo devem receber muito mais do que os outros! Pois ensinam, os outros “dão” aulas!…. É como dizem: “com o trabalho dos outros posso eu bem”… Ah! Sou professora de português, matemática, ciências, expressões, licenciada há 24 anos numa ESE.

        • Maria do Mar on 21 de Maio de 2022 at 22:36
        • Responder

        Maria a outra Maria vem cá sempre com a mesma lengalenga…
        Se na realidade querem fazer distinção entre ciclos comecem logo pelas horas efetivas de aulas com os alunos.
        A definição de hora em Portugal para uns é de 60 minutos e para outros apenas 45.
        Depois alguns trabalham 5 dias por semana sem dias de folga nem redução de horário enquanto outros não…
        Feitas as contas alguém está a ser nitidamente prejudicado.
        Na lógica das ditas disciplinas “importantes” qual vale mais? A aula de Filosofia da prof. Maria que ensina os seus alunos a ver o mundo por diferentes perspetivas ou a aula de geometria descritiva do prof. Afonso que ajuda a ver o mundo pela perspetiva cavaleira? Ou será aula de História do prof. Casimiro para nos ensinar os erros do passado que não devemos repetir no presente/futuro.
        Tudo isto é tão ou mais importante do que ensinar um aluno as primeiras letras, ensiná-lo a ser um cidadão às direitas, que distingue bem do mal, o certo do errado?
        25 anos de serviço e ainda conheço muita gente cheia de teias de aranha na cabeça que acha que ainda trabalha em liceus e que os outros são subalternos. Gente que pergunta aos professores que o sistema insiste em não contratar definitivamente se são colegas ou contratados. Na realidade são verdadeiros professores, já quem lhes pergunta tenho muitas dúvidas.

    • Pedro on 21 de Maio de 2022 at 12:11
    • Responder

    o dobro ainda seria pouco para aturar esta merda

  1. Caro LSM – várias vezes estivemos em desacordo. Desta vez, subscrevo. E na verdade , com melhores salários tudo se resolveria, e com horários completos para contratados e maior estabilidade para estes e entrarem na carreira já que são necessários. Parece que ninguém pensa nisso.
    Quanto à MPD, seria curioso saber a sua opinião se agora acha fantástica a alternativa que estão a “oferecer”. ERS

      • Maria on 21 de Maio de 2022 at 22:48
      • Responder

      Subscrevo!

    • TE-mecanico on 21 de Maio de 2022 at 14:14
    • Responder

    É verdade. A ckasse professorinha tem que se unir. E nao esperemos que sejam as storinhas do 8.9.10 escalao que vao lutar por nos. Essa gente esta de barriga cheira. Moram a 2 passos de casa. Teem horarios reduzidos. E ainda dizem ter um lugar marcado na salas de profesdores. Sao muitas vezes os q andam com os firetores ao colo. Nesta profissao outro probblema, q convem ao governo, sao esses diretores. A maioria deles nem pra professores servem. Se poderem estao sempre a estragar a vida aos subalternos. VALORIZACAO DOS SALARIOS SIM. MAS DO LIQUIDO. O INLIQUIDO É UMA RATOEIRA.

    • dremler gomes on 21 de Maio de 2022 at 15:28
    • Responder

    CARO DOUTOR BRAGA;
    Vou acompanhando por aqui os posts e no caso deste , tenho que concordar com o DR.
    Apenas gostava que além de tudo que considerou no post , nao tivesse uma adenda destas:
    – eleição do diretor ( não aprecio o termo , visto ser um termo que me recorda a PIDE-ou a DGS , e que seja uma eleição por sufrágio universal direto , e não por um consílio de personas imaculadas , e escrevo isto tendo já sido eleito para tal consilio que rapidamente pedi a exoneração .
    Não acha vossa excelencia que era uma medida excelente ?
    – outra medida que penso ser importante :
    que a lei fosse clara ; em que todos os membros da SAAD, CONSELHOS PEDAGÓGICO , AVALIADORES INTERNOS E OU EXTERNOS fossem responsabilizados cível e criminalmente pelos atos praticados no caso de serem danosos e com fundamentações que nem a Deus lembra.
    De resto como escrevi estou 100% de acordo com vossa exclencia.
    P.s. alguém aqui escreveu que o DR não falou na MPD está enganado esse colega , o (a)colega desconhece que todos os docentes MPD que foram colocados na escola ABELHEIRA tem 35 h de serviço.
    quem não leciona turmas logo trabalhava as 35h e MUITO BEM.
    Tavez por isso tivessem deixado de concorrer para a dita escola.
    RESPEITOS CUMPRIMENTOS

      • Abelhão on 21 de Maio de 2022 at 17:47
      • Responder

      Na escola ABELHEIRA quem não leciona turmas trabalha as 35h e MUITO BEM

      35 horas sempre cronometradas ao micro segundo?

        • Luís Sottomaior Braga on 21 de Maio de 2022 at 18:48
        • Responder

        Trabalha 35 horas quem não tem componente letiva ou não aceita a que há.

        E a cronometragem é com relógio de sol…..

          • Abelhão on 21 de Maio de 2022 at 19:51

          Esperemos que a cronometragem não seja antes feita com o relógio do Rei Sol!

          • ERS on 21 de Maio de 2022 at 20:53

          por lei serão 28 ou 29 tempos pois continuam a ser professores e a terem horários por minutos.
          depois, quem está por mpd por si, e não por familiares tem mesmo direito a não ter que ter componente lectiva – como os directores não confiam e não têm acesso a saber quem é o quê, exigem mais um relatório médico que são obrigados a aceitar se reitera que a pessoa não está em condições de dar aulas. basta ir à dren ou o que agora lhe é equivalente e falar com o Dr Sérgio Afonso.
          De resto, ter outras funções está na lei, seja dar apoios, tutorias, biblioteca ( a trabalhar a sério), ajunto da direcção, verificar atas, o que seja.

    • dremler gomes on 21 de Maio de 2022 at 15:39
    • Responder

    p.s
    em caso de algum docente querer contraditorio nao tem problema estou ao dispor
    [email protected]
    ou 919979096.
    respeitosamente

    • Fonseca on 21 de Maio de 2022 at 19:15
    • Responder

    queres dinheiro vai ao totta

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading