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4 de Maio de 2022 archive

Provas de Aferição 2º Ano | hipocrisias ou pretextos?

Provas de Aferição 2º Ano | hipocrisias ou pretextos?

Na sequência das Provas de Aferição (PA) já aplicadas ( Educação Física + Educação Artística) para os alunos do 2º ano, do 1.º Ciclo, é possível, em função do que já é publicamente conhecido, gizar um um punhado despretensioso, mas esclarecido, de reflexões em forma de contributo pedagógico para um  futuro mais sensato e compatível com a realidade.

 

PECADO ORIGINAL: As Provas de Aferição já aplicadas parecem derivar de um pecado original: nos últimos dois anos, o mundo e a vida terão passado por momentos marcados pela normalidade. Parece fingir-se que não houve pandemia. Aparenta-se exigir-se de crianças, que foram sujeitas a confinamentos em momentos cruciais do seu desenvolvimento, algo para além do expectável. Na verdade, a petizada foi obrigada a confinar-se, pelo menos, duas vezes: uma no último ano do ensino pré-escolar + outra no primeiro ano de escolaridade. Por bondade, já nem me socorro dos confinamentos ditados por determinação de Direção-Geral da Saúde, que se terá deixado engolir por um frenesim de consecutivas alterações, que também não terá conhecido limites, nem acréscimo de recursos para compensação dos infetados (de alunos ou docentes).

A Prova de Aferição de Educação Física.A primeira grande hipocrisia! – assinalaria o mais cáustico. Alunos matriculados em escolas sem infraestruturas ou equipamentos, são obrigadas a deslocarem-se para outra(s) escola(s), uma realidade integralmente inóspita, porque as suas escolas não reunirão as condições impostas pelo Ministério da Educação para a realização da Prova concebida pela (própria) tutela: espaço coberto, com área mínima de 80 metros quadrados, com uma parede lisa e livre de obstáculos numa área de 2,5 m de altura por 3 m de largura. Sem contemplação, essas crianças – para quem grande parte das aulas de Educação Física, durante o inverno, são asseguradas em salas de aula sem condições – estão a ser confrontadas com exercícios em espaldares e em plintos. Poder-se-á, em boa consciência, falar de igualdade e de justiça? Como se já não bastassem as assimetrias no modo como cada agregado familiar foi obrigado a viver os sucessivos confinamentos e isolamentos profiláticos, parece assomar-se, em 2022, a intenção de submeter os mais inocentes a humilhações tão cruéis quanto desnecessárias.

A Prova de Aferição de Educação Artística. Sobre guiões, por uma questão de higiene e sanidade intelectuais, faço questão de não os adjetivar. No entanto, urge apelar ao bom senso, exigindo, pelo menos, que as tarefas propostas sejam exequíveis no tempo inicialmente estipulado, evitando cair no cinismo de alertar que as provas só estarão concluídas quando todos os alunos forem avaliados. De resto, é premente devolver ao 1.º Ciclo o conhecimento e a sensibilidade quem sabe da poda. Especialistas de gabinete poderão não ser garante suficiente de equilíbrio e razoabilidade. Assim, de pouco valerá convidar os alunos a “farfalhar” ou a construir um boneco com “barriga de balão” até porque,neste último caso, haverá sempre quem pergunte: “um balão cheio ou vazio?!” Como nota de rodapé, chega-se ao ponto de pedir-se que os alunos estejam numerados, ressalvando-se que «o número deverá ter dimensão suficiente para possibilitar uma possibilitar uma boa leitura por parte dos professores classificadores.» Será que o Ministério da Educação não terá recursos e meios para normalizar, cedendo, esta identificação sem sobrecarregar os professorzecos titulares de turma a este grau de pormenor?

Sobre a Diferenciação Pedagógica.Matam-se os professores, recorrendo a ousados – mas pouco valorados – exercícios que garantam a diferenciação pedagógica para alunos com medidas universais, medidas seletivas e medidas adicionais e, no momento da Provas de Aferição, todos parecem metidos no mesmo saco, sem direito a adaptações dimensionadas e proporcionadas à especificidade inserta no seu RTP (Relatório Técnico-Pedagógico). Será que, no Ministério da Educação, o conceito de diferenciação pedagógica (só) foi criado para a (rasa) arraia-miúda implementar? Afinal, de quem deveria vir o exemplo? Ou a diferenciação pedagógica, para a tutela, resumir-se-á à leitura de enunciados e à concessão de tempo suplementar para a realização das provas?

A grande questão. Estas provas, concebidas nestes exatos termos, serão um excesso ocasional ou terão sido concebidas para terraplanar o terreno para ulteriores medidas draconianas? Se as Provas de Aferição de Educação Física e de Educação Artística se revelam esta …, as de Português e de Matemática, em junho próximo, adivinham-se um mimo!

Processo pesado e hiperburocratizado.Seria de esperar que, numa atmosfera de economia digital, o processo de preparação e de implementação destas PA não se revelasse esta desagradável e mui penosa surpresa. Pesado. Hiperburocratrizado. Extenuante. Um dia destes, será preciso ir a Coimbra cursar uma qualquer variante para estar habilitad@ a cumprir com todas as minudências requeridas.

Da revolta e da indignação. No exercício da minha Liberdade de pensamento e de expressão, confesso-me revoltado e indignado. Pelas crianças. Pelas famílias. Neste particular, não conto, infelizmente, ser acompanhado pelos sindicatos de professores e pelas associações representativas dos Pais e dos Encarregados de Educação. Mas é, com Liberdade, que entendo: várias linhas vermelhas foram, estranha e desnecessariamente, ultrapassadas.

 

José Manuel Alho

 

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O que anda a ser dito da MPD

Tudo o que corre por aí sobre as mudanças na MPD é pura especulação.

Na reunião do ME com os sindicatos não foram adiantados pormenores, nas reuniões com os diretores ficou tudo no ar.

Andam por aí  umas almas penadas, sem nada que fazer, a assustar o pessoal docente.

Certezas? Só dia 18 de maio. Fixem a data e não inventem.

 

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A Pró-Ordem REQUEREU INTERVENÇÃO URGENTE DE ANTÓNIO COSTA

Na sequência da Nota Informativa da DGAE, relativa à Reserva de Recrutamento no 32, de 29 de abril – a qual, embora aparentemente bem intencionada, se arrisca a ciar múltiplas situações iniquas no seio dos professores contratados e das escolas – que materialmente coloca em crise as regras concursais plasmadas no D.L. no 132 (facto que obrigaria a prévio procedimento negocial com as respetivas associações sindicais), a Pró-Ordem, através da Federação Portuguesa de Professores de que faz parte, requereu hoje uma reunião com caráter de urgência ao Gabinete de Sua Excelência o Senhor Primeiro Ministro, Dr. António Luís Santos da Costa, de modo, a pessoalmente, solicitarmos a sua intervenção urgente junto do Ministério da Educação, verbi gratia para:
– A necessidade do cabal cumprimento do Princípio da Igualdade, vertido v.g. no artigo 13.o da CRP (Constituição da República Portuguesa) e no artigo 6.o do CPA (Código do Procedimento Administrativo) e desta forma;
– Salvaguardar de forma JUSTA todos os docentes que já haviam sido colocados anteriormente com contratos temporários atualmente em execução.

Lisboa, 3 de abril de 2022
Pela Direção Nacional O Presidente da Direção Filipe do Paulo

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Partir pratos: “prova de vida” ou reivindicação genuína?

 Mário Nogueira, líder do maior Sindicato de Professores, resolveu, agora, partir alguns pratos, no sentido literal do termo, sacando de uma estratégia comunicacional inovadora e bem conseguida, no sentido em que, recorrendo ao concreto e às imagens visuais, conseguiu ilustrar bem o caos em que se encontra a Carreira Docente e transmitir eficazmente a mensagem pretendida…

 Portanto, e quanto à estratégia recentemente utilizada, concorde-se ou não com a mesma, parece ter surtido os efeitos desejados…

Impõem-se, contudo, algumas questões:

Ninguém, por certo, acreditará que Mário Nogueira, agora, e só agora, tenha sido acometido por uma espécie de “epifania” ou por “um rasgo de clarividência”, que lhe permitiu fazer a exposição conhecida de todos…

O actual Estatuto da Carreira Docente encontra-se em vigor desde 2012 e os principais problemas agora ilustrados por Mário Nogueira ancoram nesse Estatuto há cerca de 10 anos…

– Porque esperou, Mário Nogueira, tanto tempo para ilustrar de forma tão clara os principais problemas que afectam a Carreira Docente?

– Durante os últimos 6 anos, em que o País foi governado pela Geringonça, suportada pelo PS, BE e PCP, por onde andaram a clarividência e as competências comunicacionais de Mário Nogueira, agora à vista de todos?

Os Sindicatos, independentemente da sua natureza, são imprescindíveis em qualquer regime democrático, mas não podem tornar-se reféns de determinadas “agendas políticas” ou deixar que a sua acção seja norteada e dominada por “fretes políticos”, sob pena de perderem a credibilidade e a aceitação que, naturalmente, deveriam suscitar por parte dos seus representados…

O pior que pode acontecer a um Sindicato é deixar de ser visto como legítimo representante de uma classe ou grupo profissional, pelos próprios membros dessa corporação…

No que se refere à actuação dos maiores Sindicatos de Professores ao longo dos últimos 6 anos, fica-se com a sensação de que ou “hibernaram” ou sucumbiram à tentação dos “fretes políticos”…

É inevitável ficar-se com a impressão de que a Fenprof e Mário Nogueira, desde sempre conotados com o PCP, não ousaram confrontar as políticas educativas emanadas pela Geringonça, de forma clarividente e eficaz, sobretudo por o PCP ter sido um dos Partidos Políticos que a suportou…

Ao longo desses 6 anos assistiram-se a várias rondas negociais entre os principais Sindicatos de Professores e o Ministério da Educação, sem que as mesmas tenham gerado efeitos práticos relevantes, apesar de durante esse tempo se ter estado perante um Governo sem maioria absoluta e, por isso, menos forte e mais permeável a reivindicações, pelo menos em termos teóricos…

Infere-se que, ou os Sindicatos não foram capazes de fazer prevalecer os interesses dos seus representados, ou que essas supostas negociações se alicerçaram, afinal, em “coreografias bem encenadas”, dominadas por uma espécie de “pactos de não-agressão” face às políticas educativas da Tutela, pelo menos em termos tácitos…

Se foi assim, não pode deixar de se afirmar o descrédito suscitado por tais encenações, desde logo por se fazer de conta que se reclamava e reivindicava, quando na realidade não se pretendia encetar quaisquer acções efectivamente consequentes ou de ruptura…

Os principais Sindicatos, agora mais do que nunca, precisam desesperadamente de justificar a própria existência e de “fazer prova de vida”, uma vez que, nos últimos anos, se tem vindo a acentuar a descrença dos Professores nessas estruturas representativas da sua Classe Profissional…

A legislatura dos próximos 4 anos será dominada pela maioria absoluta de um Partido Político, pelo que não se antevê grande margem de manobra para aceitar significativas reivindicações sindicais…

Ao que tudo indica, Mário Nogueira, por certo plenamente consciente disso, terá optado por se antecipar a essa inevitabilidade, apresentando a respectiva “prova de vida”, na tentativa de assegurar a própria sobrevivência…

Resta saber se aquilo a que se assistiu deva ser considerado como a mera representação simbólica de uma “prova de vida” ou se significará o início de uma reivindicação genuína que, a concretizar-se, não deixará de pecar por tardia…

Mário Nogueira soube explicar bem o diagnóstico do problema, faltará também saber se agora está ou não disposto a, metaforicamente “partir a loiça”, coisa que não soube ou não quis fazer ao longo dos últimos 6 anos, apesar de todos os motivos já então existentes… 

Partir pratos em termos literais não é a mesma coisa que “partir a loiça” em termos metafóricos…

(Matilde)

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