AI ESTES MALDITOS PROFESSORES!

 

Nunca gostei da escola. Não ouvia uma única palavra do que os professores diziam. Os livros dos grandes escritores portugueses lia-os nas férias, só depois de ser avaliado pelo meu desconhecimento acerca deles.

Tudo o que a escola mandasse fazer recusava instintivamente. Quando os meus pais me apresentavam os docentes liceais amigos deles retribuía-lhes o cerimonial com o proverbial “não gosto de professores”.

Nesse tempo os homens e mulheres que ensinavam as matérias escolares eram geralmente destituídos de qualquer lampejo de vida que ultrapassasse os temas incluídos nos manuais. Sabiam declinar nomes latinos, preencher os quadros negros com equações numéricas, diferenciar a dureza das rochas ou dividir as orações nos Lusíadas, mas nada mais mais do que isso.

O sistema não se preocupava com duas coisas fundamentais: a pedagogia enquanto estratégia de melhor ensinar e a diferenciação possível da personalidade e história de vida dos alunos.

O resultado só podia ser mau.

Escrevo este arrazoado de memórias a propósito da falta de candidatos a professores. Fartei-me de avisar os políticos, líderes de opinião e jornalistas do mal que andavam a fazer à educação desde 2005. Ninguém ligou.

O que aí vem é assustador. Os futuros professores serão outra vez licenciados nas matérias que vão ensinar e só. Para além de nem sequer serem portugueses — a maioria virá do Brasil e dos países africanos de expressão portuguesa.

Estou a exagerar?! Então analisem o que neste momento está a acontecer no Reino Unido.

O miúdo que se senta no fundo da sala de aulas e olha perdido a paisagem que as janelas deixam adivinhar está outra vez excluído do sistema. Mas isso não é tão preocupante assim. Os teóricos da educação e das finanças facilmente encontrarão tabelas de progressão nos resultados escolares.

Francisco Barros e Barros

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5 comentários

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  1. Jogar playstation é mais fixe!

    • Mª Rosa on 8 de Maio de 2022 at 20:33
    • Responder

    Sou professora desde 1996. Sou licenciada em mais do que um grupo de recrutamento. Tirei um Mestrado na Universidade do Minho em Sociologia da Educação e Politicas Educativas. Ao longo da minha carreira fiz várias formações, em várias áreas. No ano transato fiz formação em Português de Língua Não Materna. Pelos Agrupamentos que passei nunca os meus conhecimentos foram aproveitados pelos senhores diretores. Trabalho no 1º Ciclo e professores com o 5º ano antigo e o Magistério Primário, mais um complemento de formação (para chegar ao 10º escalão) são solicitados pelos senhores diretores para determinadas funções e eu nunca fui!.. Porque será? … Estou no 4º escalão e fui ultrapassada por milhares de professores. Temos uma ação no tribunal que nunca mais tem fim!… É difícil ser professor!…. Adora o que faço!… O fruto do meu trabalho satisfaz-me ao longo do ano letivo!… Fui muito mal tratada ao longo da minha carreira!… Vou ser prejudicada para o resto da minha vida, porque estou quase na aposentação!… E fui prejudicada, por quem?…. A carreira de professor está mal estruturada! Deram poderes a quem não deviam!…. Para alguns as quotas são sempre desculpas!… Trabalhei noutras áreas profissionais, mas ser professor era a minha vocação!… Ainda vou pedir esmola na minha velhice derivado ao escalão que me encontro. Fomos abandonados!….

    • Mário Rodrigues on 8 de Maio de 2022 at 20:35
    • Responder

    Facilmente arranjam professores cubanos, brasileiros, etc., a 400 ou 500 euros! O plano do Ministério está a funcionar!…

      • Prof Possível (aka Maria Indignada) on 8 de Maio de 2022 at 21:51
      • Responder

      Só se for para darem aulas online a partir de Cuba e do Brasil, pois com 400-500 euros nem se governam a viver num quarto partilhado.

    • Betmate on 13 de Maio de 2022 at 15:29
    • Responder

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