A uma só voz… – Carlos Santos

Perante o estado de desânimo total em que se encontram os profissionais de educação, o que faz o ministério que os tutela?
Nada que para o ministério não fosse considerado natural.
Tempos houve em que a palavra “natural” tinha um significado cómodo para uns e doloroso para outros. A escravatura era tão natural para os esclavagistas, como um tormento para os escravos, mas não foi pela injustiça sentida pelos segundos que os primeiros a deixaram de impor. Numa época em que sempre que surgia um escravo a protestar, ou achassem que um trabalhador agrilhoado não rendia o pretendido, amarravam-no a um poste e chicoteavam-no obrigando todos os outros a assistirem para dissuadir mais rebeliões, torná-los ainda mais submissos propiciando o aumento da produtividade. Fizeram-no até ao dia em que os escravos tomaram pelas suas próprias mãos e a uma só voz a sua liberdade.
Ora, de uma forma diferente, mas de metodologia semelhante, sem que o admita abertamente, este executivo pretende maltratar professores que estão doentes, pondo-os a trabalhar em sofrimento longe da sua residência indo contra as recomendações médicas, lançando suspeitas de carácter e honestidade sobre todos, desmoralizando de forma exemplar toda uma classe que já foi tão humilhada. Um ato que serve de aviso a todos os outros.
Não satisfeito com tanto de mal que tem dito e feito em tão pouco tempo, o ministro João Costa, hábil nas palavras expeliu a observação cínica “Os professores foram formados para dar aulas só a bons alunos”, passando mais um atestado de incompetência à classe docente, conotando-a de impreparada e, sobretudo, de preguiçosa.
Esta continua a ser a política preferida, a nauseante política do medo, tão arraigada que está num país com uma longa história de autoritarismo.
Em vez de motivarem os professores para melhorarem o desempenho, continuam com uma certa afeição por denegrir publicamente a sua imagem, a desvalorizar o imenso trabalho que efetuam e a passar a mensagem exemplar de que são uns incapazes e de confiança duvidosa, para os tentar quebrar através do ataque vil à sua já baixa autoestima, para silenciá-los e torná-los mais submissos e resignados.
Longe do vergonhoso período da escravatura, os atos e as palavras na boca do MEC têm funcionado como um chicote no ânimo e na vida dos professores.
Mas só o irão fazer até onde e quando os docentes deixarem; até ao dia em que os professores compreenderem ser absolutamente necessário tomarem pelas suas próprias mãos a liberdade dos seus próprios destinos, lutando a uma só voz pela sua dignidade.
Carlos Santos

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4 comentários

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  1. “…até ao dia em que os professores compreenderem ser absolutamente necessário tomarem pelas suas próprias mãos a liberdade dos seus próprios destinos, lutando a uma só voz pela sua dignidade.”

    Infelizmente,tal não acontecerá ,pelo menos nos anos a médio prazo, pois, o que se vê e sente é que cada docente está por sua conta e risco até à sua reforma. Longe vão os tempos é que a sala dos docentes era um espaço de partilha e amizade.

    • Topoaleguas on 25 de Maio de 2022 at 12:09
    • Responder

    Quase nunca aconteceu. E foi tudo planeado e feito para que a divisão reinasse. Bem planeado por alguém que sabia da poda, uma tal Milú que implementou uma série de procedimentos de avaliação que visam apenas dividir e destruir o gosto pela profissão, para além de cortarem loucamente nos salários dos professores.
    Agora vem esta “pessoa” dizer que esse sistema não se pode aplicar na instituição superior a que preside (foi a recompensa pelos trabalhos prestados, sobretudo dando dinheiro do ministério a amigos do partido).
    Uma vergonha. Um nojo!

    • Topoaleguas on 25 de Maio de 2022 at 12:12
    • Responder

    Dedicado a todos os destroem a Educação nacional.
    https://www.almedina.net/trabalhos-de-merda-uma-teoria-1648633929.html
    Façam um favor ao país. Demitam-se e desapareçam!

  2. Caro colega, Carlos Santos
    Vá ler os comentários de “Desta vez não houve loiça partida” e terá a oportunidade de ler o vernáculo, que não sei se será de professores. Quem vier a este blog, aprecia bem a pouca vergonha da classe, mas continuam a publicar o que estes desocupados execráveis vomitam.
    O Pois, tem razão ninguém se une para nada, é uma causa perdida, o ME e os próprios sindicatos também sabem com quem lidam.
    Vimos aqui ler os artigos e só se lê atrocidades, sempre dos mesmos.
    Continua a ser um espaço de informação, mas não de discussão e até reflexão, para se tomarem medidas.
    Uma pena, lamentável!!!

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