As “soluções” apresentadas, por alguns “bem iluminados”, no sentido de colmatar a actual carência de Professores, foram dadas a conhecer pela Revista Visão em 5 de Maio de 2022…
Perante tais “soluções”, nomeadamente as apresentadas por Maria Emília Brederode Santos (Presidente do Conselho Nacional de Educação) e por Marçal Grilo (Antigo Ministro da Educação), não pode deixar de se ficar incrédulo e estupefacto, perdendo-se, por completo, a esperança de que algo possa mudar para melhor…
Os dois anteriores protagonistas, com responsabilidades reconhecidas na área da Educação, apresentaram como as suas melhores “soluções” para obviar à actual falta de Professores:
– O aumento provisório do número de alunos por turma (Maria Emília Brederode Santos, Presidente do Conselho Nacional de Educação);
– A criação de incentivos para que os Professores reformados voltem ao activo (Maria Emília Brederode Santos, Presidente do Conselho Nacional de Educação);
– A avaliação sobre o excesso (ou não) de burocracia a que os Professores estão sujeitos (Maria Emília Brederode Santos, Presidente do Conselho Nacional de Educação);
– Que a contratação de Professores seja mais da responsabilidade das escolas, obedecendo a critérios definidos pelas próprias (Marçal Grilo, antigo Ministro da Educação)…
E o que se pode afirmar, em termos gerais, sobre as mencionadas “soluções”? No mínimo, que as mesmas denotam desconhecimento acerca da realidade das escolas ou que a percepção que se tem delas se encontra enviesada e fantasiada…
Em termos mais concretos, as “soluções” apresentadas pelos dois signatários anteriormente referidos não podem deixar de suscitar algumas questões:
Um Estudo denominado “Organização Escolar: as turmas”, apresentado em 2016 pelo Conselho Nacional de Educação, então presidido por David Justino, parece contrariar a “solução” que se refere ao aumento de alunos por turma, agora apresentada pela sua actual Presidente (Maria Emília Brederode Santos)…
Entre outros, esse Estudo afirma que as turmas de maior dimensão estão correlacionadas com o menor tempo gasto no processo de ensino-aprendizagem e com o maior tempo despendido em manter a ordem na sala de aula; apresentam uma maior proporção de alunos com problemas de disciplina, o que prejudica o tempo disponível para actividades de ensino-aprendizagem; o tempo que os Professores podem disponibilizar ao nível do apoio/acompanhamento mais individualizado de alunos, nomeadamente através de pedagogias diferenciadas, também é lesado pelo aumento de alunos por turma…
– Tendo em consideração esses constrangimentos, com implicações particularmente gravosas e expectáveis ao nível da gestão de sala de aula, alguém acredita que o aumento do número de alunos por turma possa ser visto como um factor de sedução para atrair eventuais candidatos ao ingresso na Classe Docente?
– Ou que esse aumento de alunos por turma contribua para a satisfação dos Professores que se encontram no activo, atenuando a exaustão física e psicológica assumida pela maioria?
– Ou que o referido aumento seja benéfico para os próprios alunos?
– Ou essa “solução” tem afinal como principal objectivo mitigar, de forma absolutamente artificial e falaciosa, a falta de professores?
– Alguém acreditará que os Professores jubilados aceitem regressar ao activo, depois de terem “comido o pão que o diabo amassou” para conseguir chegar à aposentação? Que incentivos lhes proporia Maria Brederode Santos?
– Maria Brederode Santos não dá como adquirido que os Professores estejam efectivamente sujeitos a uma carga insana de tarefas burocráticas… A prova disso é que considera que deve ser feita uma avaliação sobre se existe ou não excesso de burocracia…
Não se percebe bem se essa afirmação revela um profundo desconhecimento acerca dos moldes em que o trabalho dos Professores se desenrola actualmente em cada escola ou se estaremos perante uma tentativa (mal disfarçada) de negação do problema…
– Confiará, Marçal Grilo, que a maioria das escolas consiga realizar Concursos para a contratação de Professores com a devida isenção e rigor, sem cair na tentação de se deixar contaminar por “amiguismos” ou por outros factores estranhos e anómalos?
Só por distração ou por absurdo se poderá considerar que as “soluções” anteriores sejam viáveis e eficazes para fazer face à insuficiência de Professores e contribuir para a sua erradicação…
Ao longo dos últimos anos, o Ministério da Educação, incapaz de prever e de assumir as evidências da crescente carência de Professores, preferiu escamotear o problema, atirando-o “para baixo do tapete”, numa atitude displicente, bem ilustrada pela expressão espanhola: “no pasa nada”…
Não sendo já possível continuar a ignorar esse imbróglio, dada a proporção que o mesmo entretanto atingiu, o Ministério da Educação assumiu agora essa incontornável realidade, parecendo estar disposto a tudo para o remendar ou remediar…
A recente, e precipitada, alteração das regras dos Concursos de Reserva de Recrutamento é disso um exemplo, sobretudo pelas injustiças e iniquidades introduzidas pelas novas directrizes…
E já não restarão grandes dúvidas de que a “factura” da incompetência, da inépcia e dos erros cometidos pela Tutela será remetida a terceiros, com a maior das desfaçatezes…
O actual Ministro da Educação ainda não demonstrou cabalmente se estará ou não disposto a melhorar as condições existentes na Carreira Docente, nomeadamente providenciar alterações nos mecanismos de progressão na mesma, de forma a torná-la mais atractiva em termos salariais…
O que parece haver neste momento, por parte do Ministro, é um conjunto de (supostas) boas intenções que só se tornarão em (hipotéticas) boas soluções quando se passar das palavras aos actos… Aguardam-se os actos…
Até lá, ficamo-nos pelas “soluções” que têm vindo a ser divulgadas e em relação às quais só se poderá afirmar: “Sopa!”… Como diria a Mafalda (Quino), em jeito de palavrão…
(Matilde)




11 comentários
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Azeite e alho
Dá pouco trabalho
Idiotas do C…alho!
Personalidades com tanto mérito e apresentam tais soluções? Será que os governantes PS bichanaram-lhes nos ouvidos estas soluções, de tão económicas que são, para cumprirem obrigações, quiçá contratuais? Para isso paguem-me que eu vou para lá apresentar soluções ineficazes e que servem apenas para encher , ao menos saberia que os meus impostos pagariam o salário a quem o merece, eu.
Não se iludam, nada de bom virá para o ensino, estes governantes já demonstraram isso. Ensino melhorado sem investimento é como fazer omeletes sem partir os ovos.
Há claramente um desfasamento entre quem está nos gabinetes e aqueles que estão em campo.
Os que estão nos gabinetes não conhecem a realidade das escolas, nem mesmo o Sr. Ministro que dizem ter percorrido todos os Agrupamentos, mas o mais próximo que lá tivemos foi o ministro das infraestruturas inaugurar uma obra paga maioritariamente pela câmara.
Nas escolas trabalha-se com pouco e tenta-se fazer muito.
Há, infelizmente, muita gente alienada da realidade, sobretudo no que toca aos seus deveres e no respeito que não tem aos professores que por não terem vínculo com o ME que são, muitas vezes, menorizados.
País dos tachos e dos boys é o que dá.
Dois cromos que toda a vida tiveram a vidinha feita e lá longe, nos seus gabinetes climatizados, mandam postas de pescada para que o universo jornalista publique.
Jornalismo robótico e amorfo não questiona e limita-se a publicar tipo algoritmo para notícias.
Estamos entregue à bicharada.
Será que estes tipos/as sabem que turmas com 20 selvagens lá dentro não se aguentam, quanto mais com 35?
Ninguém fala punir severamente a indisciplina, que é o que verdadeiramente leva muitos de nós a meter baixa ou a desistir da profissão!
Farto de ouvir falar nos meninos como se estivessem ávidos de conhecimentos e os professores uns incapazes de os ensinar e, por isso, toca a inventar estratégias enfadonhas, inúteis e falas!
Deixem os professores resolver os seus problemas, que são eles que andam “lá” !!!
Tal como na saúde o objetivo é entregar tudo aos privados, assim resolve-se o problema da escola pública.
Exato, como já ando a dizer há vários anos.
Tal e qual como no sector da saúde.
Saúde e educação são negócios muito apetecíveis.
Sugiro que deleguem nas escolas a contratação urgente de professores já reformados!
Irão dar aulas à turmas com mais alunos, dada a experiência .
Estarão atentos e darão resposta a todas as comunicações que lhes são dirigidas, por todos os canais e a qualquer dia da semana enquanto registam tudo de forma sistemática e em duplicado, com muito rigor e coerência.
No final apresentarão um relatório de reflexão crítica sobre o seu desempenho, para poderem ser convenientemente avaliados.
Com vista ao estudo científico que o ME irá fazer sobre o eventual excesso de burocracia poderão, ou não, inclui a sua opinião fundamentada sobre o assunto.
Falta referir que serão pagos evidentemente pelo primeiro escalão. Também era o que mais faltava! Já se sabe que tempos de serviço, há-os para todos os gostos … Agora, os anteriormente privilegiados e agora reformados continuarem a receber pelo 10º e os discriminados que entretanto também se reformam (ou não) continuarem a receber sum salário de m**, já me parece uma abuso,
Brada aos céus que “Maria Brederode Santos não dá como adquirido que os Professores estejam efectivamente sujeitos a uma carga insana de tarefas burocráticas… A prova disso é que considera que deve ser feita uma avaliação sobre se existe ou não excesso de burocracia…” esta Senhora tal como outros que dão sugestões que não lembraria ao Diabo… a Srª sempre que a ouço, não acho que tenha opinião sustentada e credível, parece que está sempre noutro planeta que não este. Não me convence… Quem sugere tais medidas, seja qual for o cargo que desempenhe, deverá estar doente ou desconhece e não quer conhecer a verdadeira realidade! Será melhor estarem calados!!! Bem quando a MILÚ que tão maltratou a classe docente disse ainda há poucos dias na TV1 ” …não sei nem quero saber…” a propósito dos problemas na Educação, estamos conversados, meus amigos!!
Eu não sou menos do que estes cromos.
Por isso, também vou “arrotar a minha posta de pescada” (politicamente incorreta, q.b.): ENCOSTEM ESTES CROMOS A UMA PAREDE E FOGO À VONTADE!!!!
A estes desgovernantes antigos, nem se deveria dar a oportunidade de fazer qualquer comentário.
Pelas propostas feitas, chega-se mesmo à conclusão, sem qualquer dúvida, da origem do problema que se vive, relativamente á falta de professores.
Lamentável…
Seria muito bom, que estas personalidades lessem estes comentários, para tentarem refletir sobre as suas propostas.