O labirinto que aprisiona a classe docente…

 

O corpo docente constitui-se, seguramente, como uma das classes profissionais mais numerosas do País e praticamente todos os seus elementos possuem formação académica de nível superior.

Parece consensual que, nos últimos anos, esta classe profissional é das que mais tem sido desrespeitada, ignorada e menosprezada por sucessivos Governos e não será certamente “heresia” afirmar que, no momento actual, se observa no seio dessa classe um mal-estar e um nível de insatisfação que parecem ser significativos…

 

Os resultados mais perniciosos dessa insatisfação e desse mal-estar parecem estar bem à vista de todos: exaustão emocional e/ou física, distanciamento afectivo, desinvestimento, desilusão/decepção, frustração, desânimo, ansiedade, preocupação, são apenas alguns dos sentimentos negativos mais experimentados por grande parte dos professores…

 

A insatisfação descrita manifesta-se muitas vezes sob a forma de inúmeras queixas e reclamações, sobretudo face a medidas avulso, sem critério, sem planeamento e sem congruência ou validade interna, tomadas pelo Ministério da Educação/Governo, em particular pela figura de um Ministro, cuja escolha resultou de um contundente e dramático “erro de casting”; gestão das escolas de acordo com “sistemas feudais”, assentes no servilismo, fruto da imensurável capacidade inventiva e da perversidade de muitas Direcções de Agrupamentos; Sindicatos de Professores acusados de terem inultrapassáveis “agendas políticas”, umas mais ocultas do que outras, sobrepostas à defesa isenta e apartidária dos interesses dos seus representados. As entidades anteriores costumam, por isso, ser olhadas com reserva e com desconfiança por grande parte dos professores.

Dessa forma, parece ser lícito inferir que, de um modo geral, os professores não confiam nem em quem os tutela, nem em quem, teoricamente, os representa… Restam, então, eles próprios…

Perante o contexto descrito, e restando eles próprios, seria de esperar uma atitude de firmeza, de contestação consequente e de reivindicação objectiva por parte de quem, legitimamente, parece ter motivos para isso…

Paradoxalmente, e contrariamente ao que se esperaria, a classe docente não parece ter conseguido, ao longo dos últimos anos, demonstrar a capacidade de união, necessária para fazer prevalecer os seus intentos e as suas reivindicações… Ao invés disso, no quotidiano das escolas, parecem predominar as atitudes de submissão, de silêncio, de resignação e de acomodação ao ritual… O conformismo parece instalado, sem possibilidade de ser removido…

A dificuldade em sair duma espécie de “zona de conforto” parece evidente: carpir mágoas em surdina pelos corredores da escola, fazer confidências ou “desabafos” em pequenos grupos confiáveis ou “andar, envergonhadamente, a chorar pelos cantos” em atitude de auto-comiseração, parecem ser condutas frequentes e usuais… Parece que falar alto e nos locais próprios pode ser considerado como um “sacrilégio” e como “politicamente incorrecto”, pelo que raramente acontece… E há uma certa hipocrisia nesse tipo de costume que não pode deixar de se assinalar…

Permanecer na “zona de conforto” até pode ser muito apaziguador e securizante por algum tempo, mas também pode originar, a posteriori, uma sensação de vazio, de frustração e de insatisfação, difíceis de suportar, se não se sair dela… Fazer tudo sempre da mesma forma, mas esperar resultados diferentes, não parece plausível nem congruente…

Para uma parte expressiva da classe docente parece que nunca é o tempo nem o lugar de agir. Nunca há um momento certo para encetar protestos visíveis e consequentes, apesar das queixas não desaparecerem e de continuarem a existir motivos inequívocos que as fundamentam… Encontram-se quase sempre justificações para que tudo fique na mesma, acabando por, inevitavelmente, se aceitar todas as imposições endereçadas pela Tutela e pelas Direcções, por mais absurdas ou injustificáveis que as mesmas possam ser…

Parece esperar-se que o “estado das coisas” mude sem o contributo pessoal de cada um, justificando-se a inércia com o recurso a “discursos-álibi” de desresponsabilização e de demissão…

Depois também há aqueles que parecem não se resignar e que teimam em tomar algum tipo de iniciativa, no sentido de tentar alterar ou de contrariar o status quo instituído, mas esses acabam por ser quase sempre “apedrejados” por muitos dos restantes… E é recorrente observar-se uma atitude de exaltação contra quem tenta “agitar as águas” em determinados momentos: uns são acusados de serem comunistas ou radicais de Esquerda, outros de serem salazarentos ou radicais de Direita, outros de serem presunçosos e arrogantes, outros ainda, de serem movidos por desígnios pessoais… Previsivelmente, e nessas circunstâncias, será muito difícil que alguém, alguma vez, consiga obter a aprovação e o consenso por parte dos seus pares…

Por motivos óbvios, a incapacidade de união e de firmeza é o que melhor serve à Tutela e a algumas Direcções, sempre muito hábeis no aproveitamento das vulnerabilidades alheias…

Por tudo o anterior, colocam-se dois cenários: ou não há afinal efectivos motivos para legítimas e genuínas queixas ou contestações, tratando-se, por isso, de um infundado processo de “vitimização colectiva”, o que não parece verdadeiro; ou então algo de profundamente incompreensível se passa na classe docente, enquanto grupo profissional com objectivos e motivações comuns…

Outras classes profissionais, porventura com motivos menos óbvios, muito menos numerosas e supostamente pior preparadas em termos académicos, conseguem conceber meios eficazes de protesto e obter efeitos que lhes são favoráveis…

Recorrendo, por analogia, às alegadas palavras de Júlio César dirigidas aos Lusitanos, serão os professores uma classe profissional que “não se governa nem se deixa governar”?

A classe docente parece estar refém de si própria, presa num labirinto de contradições… Afinal, o que poderá ou conseguirá mobilizar a classe docente?

Honestamente, não sei a resposta a essas perguntas, mas concordo com isto: “há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares“… (Fernando Pessoa).

Sob pena de as queixas ou lamentações deixarem de ser credíveis, não se pode, ad aeternum, continuar com elas sem nada fazer para debelar os motivos que as originam. E cada um deve ser capaz de assumir a sua quota-parte de responsabilidade nessa demanda… A saudável libertação de emoções negativas e reprimidas através da crítica não basta. Quem é maltratado não se pode resignar.

Nota: Nenhuma opinião é mais ou menos válida do que outra, todas podem estar certas ou erradas e todas podem ser alteradas. Mas, e até prova em contrário, esta é a minha neste momento…

(Matilde)

 

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20 comentários

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    • Paulo Pereira on 2 de Fevereiro de 2021 at 17:48
    • Responder

    Sim, sim…
    Estou de acordo com tudo o que está escrito, pois quem é minimamente crítico do actual sistema de coisas não podia deixar de o estar.

    Mas, e daí?
    O que é que “estar de acordo” vai mudar seja o que for do Sistema?

    A culpa é do Ministério e do Ministro? Não me parece… aliás considero mesmo que é o ministro que merecemos.
    A culpa é dos sindicatos? Talvez tenham a sua quota parte de culpa por, ao longo de décadas, ganhar protagonismo à conta da indigência de alguns professores que nem os seus Direitos conhece, tornando-se estes os “novos proletários” que o Marxismo cavalgou desde XIX, e que ironicamente, nos dias de hoje, se converteram em “proletários aburguesados”, seguros do salário que recebem ao fim de cada mês, independentemente de serem dignos de o merecerem (a incompetência é tão bem paga quanto a competência, logo é redundante ser-se competente pois não há qualquer tipo de reconhecimento numa carreira profissional ‘Unicategorial’, em que a ‘antiguidade é um mero posto remuneratório’.

    Resta falar das “bases”. E o que encontramos nas “bases”. Muito egocentrismo, muita ambição de protagonismo, muita maledicência, muito mau carácter, muita mesquinhez, que cilindra por completo todos os restantes profissionais que pretendem dignificar a profissão, levantar a cabeça e ser reconhecidos pelo bom trabalho que fazem.
    Por estar a classe docente inserida numa carreira profissional unicategorial, as hierarquias são artificialmente criadas, porque é bastante compreensível para um profissional ter ambição pessoal. Neste objectivo torna-se legítimo um professor querer assumir o cargo de direcção de uma escola, ou mesmo tomar parte de um Conselho Geral, ou ser titular de uma gestão intermédia.
    Porém, o irónico é que todo o processo ascendente é alicerçado num castelo de cartas. O qual, a prazo, se desmorona, e o ‘director’, ou seja quem for que desfrute de um cargo, cai na dura realidade de retornar ao seu real estatuto: ser professor(zeco).
    Ora como alguns “trepadores” não querem nem têm interesse em retomar a sua prosaica função de professor, adoptam os esquemas mais criativos para se perpetuarem nesses cargos, ora “escolhendo” para coordenadores de Departamento as personagens mais dóceis, ora namoriscando cargos mais altos de alegada “confiança política” ou outro tipo de “confianças”, mais ou menos caninas. De permeio, vão exercendo os seus poderes, muito de acordo com a sua ambição e carácter (bom ou mau).
    Os outros das “bases”, muitos deles lá vão encontrando pequenos poderes para se suplantarem relativamente aos restantes colegas; outros há que simplesmente viram costas a esta teia de egos e acabam por se estar nas tintas para a podridão do sistema, assumindo uma postura cínica, porventura a mais saudável de todas.

    Não há messias neste lamaçal.
    E os poucos que se propuseram a isso, cedo perceberam que não vale a pena procurar problemas junto dos seus pares.

    • pruzidentis on 2 de Fevereiro de 2021 at 18:04
    • Responder

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    ao serviço do populos

    • Lua de Saturno on 2 de Fevereiro de 2021 at 19:48
    • Responder

    Um aspeto a salientar é a Avaliação de Desempenho Docente, em si tendenciosa e subjetiva… Negligenciam-se critérios que envolvam a meritocracia, privilegiando- se o séquito de graxistas e de delatores que mantêm as direções no poder…
    Não há transparência nenhuma… Porque é que as direções não revelam quantas quotas existem ou os nomes de quem teve Muito Bom e Excelente?
    Quem é competente e quem realmente trabalha vê-se ultrapassado por laxistas graxistas…
    Quem se sente injustiçado acaba por se calar com medo de represálias, pois ninguém se quer envolver numa luta desigual sabendo que não terá a mínima hipótese de ser ouvido.
    Perante isto tudo, onde está a motivação para trabalhar?
    Não admira que ninguém queira seguir esta profissão…

    • TE_mecanico on 2 de Fevereiro de 2021 at 20:27
    • Responder

    Que me desculpe se vou atingir susceptibilidades com esta minha opiniao. Desempenho funcoes docentes á 15 anos letivos. Ja passei por muitas salas de professores diferentes. E esta opiniao é resultado de uma analise constante.
    O estado. O ministerio da educaçao faz o que quer com esta classe porque ela é composta por 80 % se mulheres e 20% de homens. Muita mas muita desta gente com formacao superior. Muita tirada em universidades privadas da esquina, outros possuidores de diplomas de cursos que se nao for a dar aulas nao os habilita a mais nada. Pra mim 70 80 % dos docentes que conheço nao os imagino a fazer outra coisa. Assim estao encostadas e encostados a um ordenado que dá pra viver , muitos e muitas em familias monoparentais. Da pra viver e ir de ferias mesmo que á custa disso a tutela faça de NOS gato sapato. Ha tantas profissoes do estado que mal dizemxque param. Teem tudo o que pretendem. Nos não pq?

      • tgv2 on 2 de Fevereiro de 2021 at 22:15
      • Responder

      Fdx! Não tens vergonha de escrever desta maneira?

        • Nuno on 3 de Fevereiro de 2021 at 1:58
        • Responder

        Ele começa por pedir desculpa pela sua opinião “resultado de uma análise constante”, por isso este nosso valente camarada e combatente analista, está desculpado.
        Só me revejo no facto de também ser Técnico Especializado de Mecânica.
        De resto posso acrescentar à sua indignação aspetos que o senhor não referiu:
        Nomeadamente:
        1 – Não estarmos integrados na carreira .
        2 – Não temos grupo de recrutamento semelhante ao da Electrotecnia;
        3 – Não abrirem vagas para nós;
        4 – Manterem a hipocrisia de renovar sucessivamente um contrato temporários na mesma escola quando na verdade somos uma necessidade permanente.

        A luta continua!
        Viva a rebarba, a fuligem e aferrugem!

          • Nuno on 3 de Fevereiro de 2021 at 2:01

          * contrato temporário
          * a ferrugem

          A culpa é do teclado

    • Lua de Saturno on 2 de Fevereiro de 2021 at 20:34
    • Responder

    Isto sem falar do mobbing e das perseguições… Se temos o azar de desagradar alguėm com poder na escola (outro tema de discussão poderia ser a origem destes poderes), o compadrio tenta desacreditar o nosso trabalho através de sabotagens e de boatos maldosos…
    Pouco adianta mudar de escola, visto que estas informações passam de uma escola para a outra… Demais a mais, se o professor perseguido tiver algum filho a estudar na escola pública, este também acaba por ter problemas e por ser perseguido.
    Estou a falar de gente ressabiada, mesquinha e vingativa…
    Como é que pessoas com um perfil destes podem ser responsáveis pela formação de outros seres humanos?

      • Esmeralda cow on 2 de Fevereiro de 2021 at 22:26
      • Responder

      Por acaso não estarás a referir-te a uma DC da E.S. D Duarte (Coimbra)? Nunca vi tamanha cambada de lambedores de botas como naquele sítio, 99% atirariam-se da ponte se aquela medíocre sopeira-nova-rica os mandasse fazer isso. A definição enciclopédica de «mobbing», influenciando alunos EE funcionários e professores, achincalhando difamando e conspirando contra quem não lhe lambe as botas, até alunos põe a gravar aulas de professores e tudo com conhecimento de outras lobas da matilha. Até pessoas aparentemente com alguma «cabeça» lhe lambem as botas, é nojento.

      • esmeraldo on 2 de Fevereiro de 2021 at 22:30
      • Responder

      Se eu não soubesse que não é caso único no país, diria que passaste pela ES D Duarte (Coimbra) e tiveste o prazer de ser «coordenado» pela DC dos cursos profissionais de Informática, a infame sopeira-nova-rica Esmeralda. Um caso de estudo em mobbing, que devia vir nos livros…

    • Lua de Saturno on 2 de Fevereiro de 2021 at 21:02
    • Responder

    Dicas para se dar bem na carreira docente:
    – ser hipócrita;
    – ser graxista;
    – ser venenoso e espalhar boatos;
    – ter estômago para suportar afrontas e humilhações;
    – ter estômago para sorrirmos a determinadas pessoas;
    – ser delator (algumas direções protegem os delatores…Porque será?)

    MERITOCRACIA: ZERO!
    O lema é :dividir para reinar!!

    • Rui Manuel Fernandes Ferreira on 2 de Fevereiro de 2021 at 21:27
    • Responder

    Revejo-me, integralmente, na preocupação.
    O conformismo tem múltiplas causas. O esquema foi muito bem montado desde 2008. Com medidas que lesam a educação a ser implementadas a magote é muito difícil de responder assertivamente, a avaliação kafkiana do desempenho, o modelo de gestão, a burocracia que neutraliza e asfixia a produção intelectual, a banalização da indisciplina, o afrouxamento da exigência académica, a visão da escola como empresa e o aluno como um cliente, são alguns exemplos. Fazendo uma analogia, se num discurso que envolva 10 ideias uma delas for um disparate, a plateia logo a trata de escrutinar, mas se forem 10 disparates muito dificilmente se terá espaço para as denunciar.
    Vejamos o exemplo, para mim, paradigmático, que assola a classe docente, o modelo de avaliação. O modelo não serve, é uma aberração. Nenhuma outra revindicação conheceu tal dimensão por parte dos professores. Uma década depois continua igual, primeiro adormecida (carreiras congeladas) e, mais recentemente, a evoluir para a indignação. É claro que, num regime democrático e de estado de direito, depois de implementado, resta-nos a sua concretização e o seu cumprimento. Mas pode-se lutar. Deve-se lutar, em cada nível de decisão. Nenhuma luta poderá vingar se os mesmos colegas que se manifestaram contra a medida são agora os que conseguem diferenciar prestações docentes com o instrumento. O ridículo é promovido a bizarro quando a diferença se situa na centésima. Isto não é luta. A isto chama-se legitimação do modelo. Quem o fez, fê-lo muito bem. Encontra-se implementado e legitimado. O que nos dirão quem nos vê: viram como era resistência corporativa e má-fé!

    • Falcão on 2 de Fevereiro de 2021 at 21:29
    • Responder

    Muito bem, Matilde. A radiografia é perfeita, o doente não se quer tratar, e reage sempre que alguém o confronta com isso. Não podia estar mais de acordo! E não vejo grande saída.
    E ficam 3 entidades a bater palmas:
    o governo
    as grandes centrais sindicais
    os diretores
    Olha que belo ramalhete!

    • Atento on 2 de Fevereiro de 2021 at 21:35
    • Responder

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    Por aquilo que aqui pude ler, tudo isto é um NOJO, uma PODRIDÃO, um PANTANO.

    Mesmo assim vejo as Peruas e os Perus bastante emperuados devido ao tratamento por Stôras e Stôres…..tadinhos, muitas delas e deles, se não fosse o ensino iam era limpar cagadeiras, porque nada mais sabem fazer e ninguem os quer (nem dados).

    Julgo que este professorado está demasiadamente bem pago para aquilo que realmente vale.

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    • Cérbero on 3 de Fevereiro de 2021 at 1:49
    • Responder

    Só há uma maneira de “motivar” o pessoal docente: acabar com os concursos de colocação de professores!
    Cada escola escolhe os seus funcionários e o diretor é responsabilizado pelas escolhas que faz. As coisas correm mal, o Sr Diretor vem para a rua, nem mais!
    Vejamos, os concursos denominam-se de “mobilidade”. A sério? Que raio de mobilidade é essa em que um professor com mais de 20 anos de serviço não consegue efetivar na escola da sua área de residência? Só podem estar a gozar comigo! Este profissional andou pelo menos 20 anos a ser enganado e sê-lo-á por ainda mais uma década, pelo menos, devido ao avançar da idade da reforma.
    O leitor poderá achar que a seleção dos candidatos será feita tendo em conta as “amizades” e não o pelo “valor” do professor. Tendo em conta o que foi em cima dito sobre a escola ES D. Duarte (Coimbra) já é isso o que se passa. Como? O mal estar ente os não alinhados é tal que eles (os que podem, nem todos!) mudam de escola assim que puderem. Outra coisa, por que razão os concursos ocorrem apenas de 4 em anos e com 3 níveis de preferência? Pois é muito justo, sem dúvida!
    Há muitos exemplo de “amiguismo”. Eu conheço vários!
    Outro fator: a idade é um posto! Por mais incompetente que seja um professor “velho”, estará sempre à frente do professor “novo” e muito mais competente. Como é que a “área de conforto” não haveria de se formar?
    Ao mesmo tempo que as escolas passariam a selecionar os “seus” professores, o ME teria que reforçar a Inspeção Geral de Educação de modo a ter 2 a 3 mil inspetores. Estes fariam uma vigilância permanente e in loco. Uma escola não tem tamanho crítico para criar “áreas de conforto”. Vejam-se os colégios.
    As regras de seleção seriam definidas pelo ME e o diretor teria a capacidade de despedir o docente. Os colégios funcionam assim e, que eu saiba, não têm os professores “desmotivados”. Outra coisa importante e que ninguém fala é o currículo académico do candidato e as ações de formação que deveria frequentar. É inadmissível que um professor com doutoramento (na área científica e não na trampa das ciências de educação, que de ciência não têm nada! ) não passe logo à frente do professor mais velho, que só está à frente por ser mais velho e não por ser mais competente. A idade traz sabedoria, mas o currículo académico traz indubitavelmente muito mais e, com certeza, mais competência. Por exemplo, quando surgem dúvidas na correção dos exames nacionais, os professores procuram (ou deveriam procurar) um especialista na área e não os palermas das ciências de educação, que tornam os exames cada vez mais imbecis! Aliás, muitas das dúvidas derivam da aplicação de novas metodologias impostas por essa gente, Como os professores não tem currículo académico próprio, não tem argumentos para contrariar aquilo que todos já sabemos que é estúpido!
    Eu sei que para a esmagadora maioria dos 100 mil professores, o que acabei de dizer é um ultraje. Talvez, porque eles se sentem “confortáveis” com o “statu quo” (“status” está errado! informem-se!) e eu não.
    Obviamente que o ME não olha a estes tópicos de forma séria, porque não quer ter oposição interna. Uma manada amorfa e “desmotivada” é sempre melhor! São sempre mais 100 mil votos a favor da escola pública no dia das eleições….
    Posso até concluir que afinal o estado de espírito entre estes professores “frustrados” mas “confortáveis” está em sintonia com o ME de qualquer governo!

      • Lua de Saturno on 3 de Fevereiro de 2021 at 15:34
      • Responder

      Isso seria dar mais poder a diretores corruptos… Os colégios já possuem uma dinâmica interna à qual as pessoas se habituaram e adaptaram há muito tempo… Agora um diretor de uma escola oficial passar a ter poderes a 100%…
      Issoo seria um erro grave e um incentivo ao aumento da corrupção… Os diretores e as suas gamelas que se julgam “donas da escola” teriam plenos poderes para fazerem o que lhes desse na real gana. O diretor de uma escola seria como o Henrique Vlll de Inglaterra… Esse, quando queria ver-se livre das suas rainhas, mandava cortar-lhes a cabeça…
      Deus nos valha!! Se isso acontecer, mais vale ir dar aulas num colégio conceituado do que numa escola oficial contaminada pela corrupção…

        • Cérbero on 3 de Fevereiro de 2021 at 16:14
        • Responder

        A senhora faz lembrar aquela pessoa que pede socorro porque o seu prédio está a a arder. Os bombeiros pedem para a pessoa saltar da janela para a rede que eles fizeram e ela responde: “Não vou saltar porque posso partir uma perna!”.

          • Lua de Saturno on 3 de Fevereiro de 2021 at 19:14

          Eu posso partir é as duas pernas… Caso saiba, eu tenho duas pernas, graças a Deus… Sou bípede, não quadrúpede…

    • Lua de Saturno on 3 de Fevereiro de 2021 at 12:41
    • Responder

    Pelo que eu li aqui, isto está a ser um autêntico lavar de roupa suja… As pessoas servem-se das redes sociais para carpir as mágoas, mas não se passa disto. Alguns nem sequer se identificam porque receiam represálias… Não os censuro… A podridão é tanta que as pessoas limitam-se a tentar sobreviver no meio deste lodo todo…
    Cada um sobrevive à sua maneira. Os que aprendem a compactuar com este sistema e se deixam corromper são, infelizmente, os que ficam numa situação mais confortável… Aceitam dar facadas nas costas dos outros a troco de proteção e de regalias..
    Estes comentários são um claro sinal de que as coisas não andam nada bem e que este sistema não funciona, mas nada se faz para o mudar. As pessoas são desunidas e cada um olha apenas para o seu umbigo… Estudam os outros e aproveitam – se das suas fragilidades para criar a dinâmica do bode expiatório, para ser esse a arcar com as culpas… Assim a incompetência do pessoal da panelinha passa desapercebida… Se uma pessoa tenta defender-se, essa atitude é toda como uma afronta e o que se defende passa por mau da fita, sendo o alvo destas víboras, pois a única coisa que sabem fazer é espalhar boatos e sabotar o trabalho dos outros. Se uma pessoa não “cair no goto” desta gente, por mais competente que seja, acaba sempre por ser prejudicado.
    A festa desta gente deveria acabar, mas ninguém faz nada. Não vejo ninguém a fazer nada para mudar as coisas.

    • Lua de Saturno on 3 de Fevereiro de 2021 at 13:28
    • Responder

    E quem quer chegar – se à frente para mudar isto? As pessoas ficam sempre à espera que apareça um lorpa que se chegue até à linha da frente… Assim ficam confortáveis, protegidos e não sofrem elas as represálias, mas sim, o lorpa que dá a cara… Esta foi a estratégia usada pelos ingleses na Batalha de La Lys durante a 1ª Guerra Mundial… Colocaram os portugueses na linha da frente para não serem eles os bombardeados.
    Durante a Revolução do 25 de Abril de 1974, era ínfimo o número de pessoas que partilhavam o ideal de construir uma nação melhor para todos. A maioria era constituída por vira-casacas que decidiram “mudar de ideais” para continuarem a roubar o país… Esta corrupção não começou agora, já vem muito de trás…
    É muito triste quando é o justo a pagar pelo pecador… A classe docente tem muitas fragilidades e cometeram-se muitos erros no passado, consequência de uma ditadura que permaneceu muitos anos no poder. Essa ditadura sempre menosprezou o ensino e a instrução, pois o isolamento cultural era uma mais valia para a manipulação…
    Sim, fez-se a revolução e, depois disso, Portugal recebeu muita ajuda europeia… Houve bastante tempo e bastantes recursos para alfabetizar a população, mas, volvidos 25 anos após a Revolução, contínuamos ainda imersos num obscurantismo medieval…
    Portugal continua a atravessar um dos períodos mais negros da sua história…

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