Sempre Fui Crítico da Opção 45/90 Minutos

Em primeiro lugar pelo excesso de tempo que uma aula pode durar, geralmente a opção por tempos de 45 minutos levam a que os blocos de aulas sejam de 90 minutos. Depois porque os horários neste formato obrigam a que existam tempos excedentes que devem ser geridos internamente pelas escolas, o que muitas vezes não facilita a organização anual do horário  dos professores e dos alunos.

Demasiado tempo a ouvir o professor

 

Aulas de 90 minutos são criticadas por docentes e sociólogos, assim como o longo horário de trabalho dos pais. Conheça as principais diferenças entre o ensino em Portugal, Espanha e França.

Portugal é um dos países da Europa em que há aulas com maior duração. Na maior parte das escolas, nomeadamente no ensino básico, os conhecidos 90 minutos por aula, que à partida serviriam para proporcionar aos alunos um momento essencial de aprendizagem, acabam por se transformar num verdadeiro pesadelo. E é por isso que há professores que já optaram por aliviar a carga horária, adotando uma estratégia mais eficaz que se afasta completamente do simples facto de debitar matéria durante largos minutos. Ao SOL, Rui Correia, professor do ensino básico e secundário, sublinhou que, para os seus alunos, há apenas «15 minutos de atenção máxima» antes de se dedicarem a questões mais didáticas, realçando que ainda existe muito a ideia de que um professor, ao entrar numa sala de aulas, tem apenas de cumprir determinados programas e conteúdos.

«Estar 90 minutos com atenção máxima parece-me um bocado irrealista. Nesse sentido, o que há a fazer, julgo eu, é entender-se que tem de haver espaço para uma certa descontração na sala de aula. Quando estamos a lecionar, é bom perceber se a mensagem está a passar ou não. Fala-se muito desta questão do regime presencial, mas considero que, às vezes, é mais uma aula de corpo presente do que uma aula em regime presencial. Nem sempre o regime presencial é o mais benéfico, porque nos traz pouco retorno em relação àquilo que deve ser feito», começou por dizer, admitindo a importância da «escrita» e também dos «jogos de computador» no que toca à parte mais lúdica.

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10 comentários

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    • Rosinha on 5 de Dezembro de 2020 at 18:13
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    50 minutos é o ideal, principalmente paras disciplinas teóricas

      • Alecrom on 6 de Dezembro de 2020 at 14:34
      • Responder

      Para todas as disciplinas.

      Os 45/90 foram uma ideia tão absurda como a dos semestres no básico e no secundário.

      Trata-se de mudar por mudar.

    • Manuel Alberto on 5 de Dezembro de 2020 at 18:49
    • Responder

    Não concordo: parece-me irreal pensar que há diferenças percetíveis entre aulas de 45m para aulas de 50m. Por outro lado, nada impede que as direções possam dividir os 90 minutos em 45 de PT e 45 de Ing, no entanto, 50 minutos nunca são 50 minutos, pois mesmo que os professores cheguem a horas, os alunos precisam de tempo para chegar e, principalmente, de se estabelecerem e entrarem em modo de trabalho.
    Concordo que 90 minutos de aulas essencialmente teóricas são um exagero, mas nada impede de existirem aulas mais práticas de 90 minutos como FQ, Matemática, Bio ou CN (com laboratórios) e divisões desses 90 minutos em tempos de 45 em aulas mais teóricas diminuindo as perdas no início de cada tempo intermédio e melhorando o tempo útil de aula.
    Há ainda um outro elemento: as aulas de 50 minutos propiciam intervalos menores, diminuindo a qualidade dos mesmos pois precisam de tempo para o bar/comer, deslocarem-se ao WC, voltar à sala de aula e a uma postura de trabalho.

    • Rui Manuel Fernandes Ferreira on 5 de Dezembro de 2020 at 20:36
    • Responder

    O colega Rui Correia “admite a importância dos jogos de computador” em sala de aula, porquanto momentos de uma certa descontração.
    É também por estas que o ensino está como está. Tenham paciência! E vergonha!

    • Marta on 5 de Dezembro de 2020 at 22:25
    • Responder

    Concordo plenamente. As escolas que têm aulas de 45/90 têm mais indisciplina . 90 minutos sem intervalos é demasiado e não é prático para os professores sair de uma aula de 45 e ir diretamente para outra a correr, onde já vão chegar atrasados e onde vão interromper outro professor. Depois cria confusão nos horários pois as 22 horas letivas referem-se a tempos de 50 minutos e não de 45.
    As aulas devem ser de 50 minutos e depois um pequeno intervalo, nem que seja 5 minutos.

    • Roberto Paulo on 6 de Dezembro de 2020 at 0:37
    • Responder

    A escola do meu filho mais novo funciona com os 50 minutos. Antes da pandemia, os intervalos eram de 10 minutos e um de 15 ou 20; agora são de 5.

    Antes, as aulas eram de 90 minutos. Felizmente, tiveram a lucidez de alterar,

    • Duilio Coelho on 6 de Dezembro de 2020 at 6:36
    • Responder

    Pois no 1°ciclo pode ser uma manhã e uma tarde sempre com os alunos. Basta um dia de chuva ou frio extremo..
    https://duilios.wordpress.com/2020/12/06/jose-carlos-campos-monodocencia-ou-pluridocencia/

    • Zaratrusta on 6 de Dezembro de 2020 at 10:10
    • Responder

    Na minha escolinha as aulas são de 50 min. Como não há intervalos, temos blocos de 100 min. É isto que estão a defender?

    • Joaquim Pereira on 6 de Dezembro de 2020 at 11:59
    • Responder

    Mas quem disse que´numa aula o professor fala 50 ou 90 minutos?
    Sabem qual é a média em Portugal para uma turma estar em situação de aprendizagem?
    Quanto tempo é necessário para aulas de cariz experimental, práticas e artísticas?
    Sabemos todos que o tempo médio de atenção não ultrapassa os 15 minutos. Mas uma aula não é um congresso, faz-se muito mais do que ouvir o professor ou quem quer que seja.
    O problema não está no tempo, está na gestão do tempo.
    Cumprimentos.

    • JJM on 6 de Dezembro de 2020 at 13:27
    • Responder

    A argumentação do texto sugere hiperbolicamente aulas de 15 minutos, tempo em que os alunos estariam focados. Contudo, como já foi dito, uma aula de 90 minutos não implica um foco numa exposição de um orador durante 90 minutos. Na entrada e colocação em modo de trabalho por parte do docente e dos alunos, questões paralelas, harmonização de atitudes e comportamentos, verificação de instrumentos de trabalho, assiduidade etc consomem-se muitos minutos. No trabalho de aula propriamente dito, poderá haver alguma exposição, que somados os minutos ao todo não passarão dos 10/15 minutos. Os restantes são para as atividades relacionadas coms os conteúdos e que constituem o processo ensino/aprendizagem. Os alunos passam a maior parte do tempo com a possibilidade de realizar atividades de aprendizagem, sucedendo muitas vezes preferirem e solicitarem ainda mais tempo de exposição.

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