Nuno Crato responde a João Costa: culpa é do fim dos exames e da flexibilização
O ex-ministro da Educação acusa o secretário de Estado Adjunto da Educação, João Costa, de lhe ter dirigido “acusações irresponsáveis e falsas”. A culpa de os resultados terem piorado a Matemática, defende Nuno Crato, é do fim dos exames no 4.º ano, “da flexibilização curricular e da natureza vaga das aprendizagens essenciais”.
O relatório TIMSS (Trends in International Mathematics and Science Study), divulgado esta terça-feira em Paris, que analisa o desempenho dos alunos do 4.º e 8.º anos a Matemática e Ciências. Os resultados dos alunos portugueses do 1.º ciclo desceram 16 pontos (de 541 alcançados em 2015 para 525 conseguidos em 2019) – uma quebra signficativa, que interrompe uma evolução positiva desde 1995 a 2015. Numa sessão de apresentação dos resultados, o secretário de Estado da Educação, João Costa, atribuiu a responsabilidade da descida às medidas aplicadas por Nuno Crato.
“É evidente que a opção pelo currículo e metas muito exigentes fez baixar níveis de desempenho superiores”, defendeu João Costa. Nuno Crato contra-atacou. Numa declaração escrita enviada ao JN, esta terça-feira, considerou ser “lamentável que a análise [aos resultados] seja evitada e substituída por acusações irresponsáveis e falsas por parte desta equipa ministerial”.
“As Metas Curriculares, que estavam em vigor em 2015 e pelas quais foram preparados os alunos então avaliados, não sofreram alterações até hoje. O que mudou foi a avaliação, ou a falta dela, e foi a “flexibilidade curricular” e a natureza vaga das “aprendizagens essenciais” que aboliram as prioridades curriculares e geraram um discurso e prática de menor ambição, menosprezando as Metas e reduzindo em muito o seu impacto positivo”, argumenta o ex-ministro. E passa a culpa: “A reversão do progresso comprovado em 2015 é, certamente, resultado de uma série de medidas entretanto adotadas”.
“Em 2015, os estudantes do 4.º que nos encheram de orgulho tinham feito todo o seu percurso escolar entre 2011 e 2015, numa cultura de exigência, de avaliação e de valorização do conhecimento. Os alunos avaliados pelo TIMSS em 2019 não tiveram esse percurso. É sobre isto que é preciso tirar lições”, lê-se ainda na declaração.
João Costa anunciou a revisão do programa de Matemática e assim das metas em vigor. Sem se comprometer com uma data de entrada em vigor, o secretário de Estado garantiu que a proposta será alvo de discussão pública e será aplicada de forma gradual. O grupo de trabalho criado pelo Governo para avaliar o ensino da disciplina, detetou problemas que decorrem das metas e programas, argumentou.
Nuno Crato começa por sublinhar que ficou “profundamente preocupado” com os resultados. “Não só com a descida, como também com o perverso aumento das desigualdades revelado”. E frisa que depois de uma década de “melhorias contínuas” a descida dos alunos portugueses merece ser “seriamente analisada”.
“A avaliação externa no 4.º ano, que vinha desde 2001 com provas de aferição e depois com provas finais em 2014, foi abolida e não foi substituída por nenhuma forma de avaliação externa. A obrigatoriedade de mais horas em Matemática e em Português e da frequência do apoio ao estudo também foi eliminada”, insiste.
No encontro com a Imprensa, João Costa defendeu que a eliminação dos exames do 4.º ano não podiam ser invocados como causa para a redução de exigência porque a evolução dos resultados vem de trás e “antes de 2013 não havia estas provas”.




11 comentários
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https://observador.pt/especiais/matematica-o-timss-2019-e-o-curriculo-nacional-alguns-apontamentos/
“estes dois grupos de alunos, avaliados no seu 4.º ano pelo TIMSS 2015 e pelo TIMSS 2019, fizeram percursos escolares totalmente distintos, nunca se tendo verificado em Portugal uma rutura tão drástica e radical do nosso sistema educativo como no período que separou estas duas edições. Na verdade, mais do que os alunos, foram avaliadas duas conceções inconciliáveis de Currículo e de Escola.
Entre o início dos anos 2000 e 2015 assistiu-se em Portugal a uma melhoria muito significativa do ensino, plasmada em resultados progressivamente melhores nos testes internacionais PISA e TIMSS. Deu-se uma maior atenção à avaliação, com provas de aferição de final de ciclo introduzidas no 4.º ano e no 6.º ano em 2001 e no 9.º ano em 2002, todas elas substituídas posteriormente por exames nacionais. Os documentos curriculares foram sendo melhorados: estabeleceram-se objetivos claros para o ensino e foram elaboradas umas primeiras Metas de Aprendizagem em 2010.
A partir de 2015 rompeu-se com este modelo de ensino organizado e estruturado. O início desta profunda mudança deu-se logo em novembro de 2015, com a aprovação do Projeto de Lei do Bloco de Esquerda que suprimiu os exames finais dos 1.º e 2.º ciclos. É certo que as medidas em Educação têm um certo período de latência até que os seus efeitos se tornem visíveis no terreno. Mas a eliminação abrupta das avaliações finais – inclusive para os alunos do 4.º ano que já tinham iniciado o ano letivo – induziu reconhecidamente nas escolas um clima de relaxamento imediato.
Este relaxamento acentuou-se em 2016, tendo o Ministério da Educação iniciado um processo de desautorização dos documentos curriculares em vigor, transmitindo muito claramente às escolas a ideia de que os programas seriam demasiado extensos, demasiado rígidos e demasiado complexos, e que novas orientações seriam dadas em breve.
Toda esta revisão curricular algo caótica gerou uma grande incerteza junto dos professores quanto ao que devia ser efetivamente lecionado no ensino básico e secundário, tendo vigorado neste período um grande número de documentos oficiais que se excluíam mutuamente: Aprendizagens Essenciais, Programas e Metas Curriculares, Programas anteriores revogados, Perfil do Aluno, e Orientações Curriculares da Direção Geral de Educação.
Foi neste ambiente que os alunos avaliados em 2019 viveram os seus quatro primeiros anos de escola. O que o TIMSS 2019 nos diz, acima de tudo, é que estes alunos, quando comparados com os seus colegas quatro anos mais velhos, adquiriram menos conhecimentos, desenvolveram uma menor capacidade de raciocínio e de resolução de problemas e estarão bem menos preparados para fazer face aos muitos desafios que com toda a certeza os aguardam.
É urgente tirar as conclusões que estes factos impõem.”
E o Crato neste assunto tem toda a razão!
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o Prof. Dr. Nuno Crato tem toda a razão.
É pena os BANDALHOS Xuxalistas liderados por António BOSTA terem feito daquilo a que chamam “ESCOLA” uma LATRINA. Vergonhoso!….Nojo!…..
Tenham Vergonha!…..A “escola” para os pseudo-socialistas é apenas um HOSPICIO onde se albergam os Filhos dos Desgraçados desta Vida. Onde se fornece uma refeição quente. Onde se entretem a pequenada. NOJO!……
É isto a atual “Escola Pública”……Uma Latrina a ceu aberto…….
Eu sei que há filhos de professores que frequentam esta CHOLDRA porque os pais não tem dinheiro para os colocarem em verdadeirass ESCOLAS onde se prepara para a Vida (Escolas de Bandeira – Colegio Inglês; Colegio Frances; Escola Alemã…..ou em Colegios Privados……..).
Este Ministro e este Secretário de Estado são apenas governantesinhos do ASSISTENCIALISMO aos desgraçados…..Mas!….Meus Amigos, isto não se resolve no Ministerio da dita Educação, mas sim no Ministerio da Segurança Social…..Tenham Vergonha!……O cheiro é NAUSEABUNDO…..
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Este secretário Costa é perigoso e criminoso.
Então os alunos andaram 4 anos com ele (2015 a 2019) e os culpados são o Crato e o Passos, que se foram embora há mais de 4 anos?
Esse gajo SE será bandido? É desonesto intelectualmente nesta matéria. Hoje, neste regime, qualquer mal formado e educado, pode ser governante.
Nuno Crato, neste aspeto, tem toda a razão.
Fernando, el peligroso de las verdades e (Desa)Atento: Como vocês desvalorizam tanto os professores “primários”, que imporância têm estes resultados? Segundo a vossa opinião, o 1.º ciclo é de somenos importância por isso não se preocupem, quando estes alunos chegarem aos outros ciclos tudo se resolve com os “xalentes” profs. que lá há.
(Que me desculpem os restantes colegas)
António, não é nada do que estás a dizer. Não troques as coisas para o teu belo prazer.
Mas qual é a ligação dos resultados baixarem e a carreira única?
Até deveria ser o contrário não. Mas se mesmo com ela a coisa não dá…
Não mistures alhos com bugalhos nem tomates com laranjas. Tanto mais que os tomates já andam maduros.
Mas havia dúvidas? Agora que foi criada a vaca de ouro da flexibilização curricular, aumenta-se o facilitismo ao mesmo tempo que incha o hematoma burocrático das escolas… Fazem-se grelhas e mais grelhinhas infinitas e complicadas, perdem-se horas e mais horas a inventar articulações artificiais por causa desta nova ideologia educativa de esquerda. A única coisa que surpreende é a surpresa com os resultados.
“Não fui eu, foi aquele menino!” A sério???
Simplesmente risível…
Desculpem, mas, alguém que comentou aqui é docente? Quando são alterados os programas curriculares, é impossível começar a aplicá-los no dia seguinte. Há sempre algum tempo de transição, necessário para ler, compreender, assimilar, adaptar procedimentos.
Para além disso:
– a 10 de Janeiro de 2012, Nuno Crato pretendia “definir metas curriculares objectivas no 1.º ciclo do Ensino Básico já no próximo ano lectivo”, logo as crianças que fizeram o 1.º ano em 2011/2012 , aprenderam de acordo com os documentos em vigor na altura;
– “As metas curriculares de Português e Matemática (…) entraram em vigor em 2012/2013” mas, na prática, a sua aplicação plena exigiu algum tempo de adaptação.
Assim, os alunos que tiveram bons resultados em 2015 não aprenderam totalmente com as metas curriculares do ministro Nuno Crato, em particular, o 1.º ano de escolaridade, que a tantos níveis é da maior importância.
Do mesmo modo, os conhecimentos dos alunos que agora foram avaliados resultam de uma mistura de metas curriculares e aprendizagens esseciais. A culpa maior será talvez de tanta mudança a galope de governos ansiosos…
(resultados de uma pesquisa rápida, muito mais se poderá averiguar com uma pesquisa aprofundada)
cumprimentos
Fontes:
https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/nuno-crato-quer-metas-curriculares-ja-no-proximo-ano-lectivo
https://www.publico.pt/2015/04/23/sociedade/noticia/mais-de-cinco-mil-ja-disseram-nao-as-metas-curriculares-do-1-ciclo-1693420
O que é visível no ambiente escolar é que há desvalorização da avaliação, e do conhecimento, ao mesmo tempo que a flexibilidade curricular é pouco incisiva e por isso com pouco efeito prático. sou favorável ao regreso dos exames, que valorizam o processo avaliativo e não aumentam as taxas de reprovação, diversificação de instrumentos de avaliação, avaliação do processo e não só do resultado e programas concretos (regreso das metas).
É simples, os alunos entendem mas os adultos complicam. e quando o confronto ideológico chega à educação
“está a barraca armada”.