Os profissionais de Educação aceitam “arrumar as botas”?
Confesso que senti vergonha alheia e confrangimento pelas declarações de Mário Nogueira à saída do sétimo simulacro de negociações com o Ministério da Educação…
As declarações de Mário Nogueira, basicamente, resumiram-se a isto:
– A negociação ganha porque não ficou fechada e haverá, ao que tudo indica, mais três oportunidades para pressionar o Governo…
Em resposta a tais declarações, eu diria que:
– Não se pode ganhar uma coisa que, na realidade, nunca existiu, ou seja, negociação;
– Os Sindicatos terão, plausivelmente, mais três oportunidades para continuarem a fazer tristes figuras…
Sem reservas, neste momento, é de tristes figuras que se trata…
– Depois de sete simulacros de negociações, entre os Sindicatos e o Ministério, o que se alcançou, em termos das pretensões dos profissionais de Educação, foi nada, nada e nada;
– Nas circunstâncias anteriores, afirmar que foi um ganho ou uma conquista conseguir, pelo menos, mais duas rondas negociais, denotará, no mínimo, falta de seriedade nas palavras, alheamento da realidade, um certo masoquismo e uma enorme capacidade para mascarar “inconseguimentos”…
Perante a desonestidade, a má-fé, a perversidade e a arrogância, amplamente demonstradas pelo actual Ministério da Educação, se os Sindicatos da Educação defenderem realmente os interesses dos seus representados, neste momento, só poderá existir um caminho:
– Abandonar, de imediato, os simulacros de negociações;
– Decretar formas de luta que, efectivamente, impeçam o “sistema” de continuar a funcionar com a “normalidade” desejada pelo Ministério da Educação…
Pelas declarações de Mário Nogueira infere-se que não existe da parte da FENPROF qualquer intenção de ruptura ou de desobediência perante o Ministério da Educação…
Expectavelmente, a “luta” continuará obediente e previsível, contribuindo, dessa forma, para a aceitação e prorrogação da injustiça, da iniquidade e da intransigência das medidas propostas pelo Ministério da Educação…
A hostilização aos Professores, por parte da Tutela, parece ter permissão sindical para continuar…
Pelas suas palavras e acções, o maior Sindicato da Educação parece ter-se constituído como um dos aliados da Tutela…
Chega mesmo a parecer que, para a FENPROF, o mais desejável seria que se esquecesse a luta, “que todos voltassem para casa”, fazendo de conta que não se passou nada, e que se aceitassem cumprir as directivas do Governo…
Os profissionais de Educação aceitam “arrumar as botas” e fazer de conta que a luta não existiu?
Os profissionais de Educação sentem-se bem representados por “negociadores” que se têm mostrado incapazes de capitalizar a força da união alcançada nos últimos tempos?
(Paula Dias)




11 comentários
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a maior vitória do nozes foi dizer que o outro só fazia asneiras Sim é verdade mas estava feliz. O outro é o trotkista
Porque há-de o ministro negociar seja o que for, se as Escolas estão abertas, as aulas e as notas estão a ser dadas, os alunos estão a ser recebidos e alimentados, até continuam iniciativas extra-aula que deviam ter sido abandonadas mas continuam, em resumo, negociar para quê se o sistema está a funcionar o o conhecido Mário “derrotas” Nogueira está a lançar a luta fofinha e previsível do costume, e o STOP que era o “perigoso”, está reduzido a “convívios” (Marchinhas, acampamentos, vigílias, cordões humanos e outras fofuras como estas em que os “sitores” ficam tão bem nas fotos dos blogues e redes sociais que até parece mesmo a luta da Fenprof)?
Podem sempre acabar como nas últimas, com o Governo a fazer o que quer e os sindicatos contentes porque vão reunir relativamente a outras matérias.
Traçam linhas vermelhas,o governo ignora-as todas e está tudo bem, desde que se dê o rebuçado de outra matéria qualquer.
Paulo Raimundo: Encontro do PCP com a Plataforma de Sindicatos de Professores
Essa é que é essa! O Mário não quer actuar a doer parando as escolas.
É um colaboracionista costista.
Mário Nogueira faz o que sempre fez: negociar para o PCP. O Nogueira é um peão do PCP e a separação dos sindicatos nas mesas de negociação serve perfeitamente os seus interesses. No fim vai parecer que foi o Nogueira que conseguiu alguma coisa, quando todos sabemos que esteve longos anos parado para não estragar a geringonça e a classe docente sempre a afundar. Como se apercebeu que os mais velhos se desvincularam da Fenprof por perceberem o logro de terem de esperar até aos 67 anos pela aposentação agora vem com a cantiga dos monodocentes deixarem de dar aulas aos 60 anos. Ficam na escola a fazer o quê? Burocracia? Será isso? O Nogueira saiu-nos pior que a encomenda. Bem nos tramou, foi a classe profissional que mais pazada levou. Maldita geringonça! Se eles dessem aulas, a aposentação nunca teria ido parar aos 67 anos, mas como toda a vida fizeram Carreira a socializar! Lindo… olha que bela democracia, a Lei refere que os dirigentes sindicais deverão ter uma redução parcial à componente letiva e eles junta a redução de 4 e metem um sem componente letiva. É lindo saber estas coisas. É por isso que cada vez têm mais sócios.
Este Nogueira faz o que sempre fez: negociar para o PCP. E a separação de sindicatos das mesas de negociação visa dar a entender que é ele que consegue alguma coisa.
Com tanta negociação e tanta palhaçada os sindicatos estão se a esquecer de quem está no décimo escalão ou perto de atingi lo e a quem também foram sonegados 6A6M23D. Não ouvi ainda nenhuma defesa desses docentes, uma negociação que antecipe a aposentação. É proibido estar quase ou no topo da carreira??
Pois, se acontecer o que estou a pensar, porque com o tempo que cá ando, já vi esse filme, deixo imediatamente de ser sindicalizada e arranjo forma de diariamente fazer a minha “ greve”!!
Mas professores não arrumam as botas!
Vamos lutar até ser reposta a democracia!
Quem ensina tem essa obrigação social.
Já sem mesmo sem paciência para ouvir estes sindicalistas!
Uma carreira docente que já foi tão forte! Não sei como nos deixamos chegar aqui! O meu sonho, ai o meu sonho é ver o dia em que irei mesmo arrumar as “trochas” e de vez, para uma reforma bem penalizada quase no meio da carreira. Fui bem maltratado pelas cotas, mas que fiquem lá com elas. Agora já de nada me servem. Estou a um ano da reforma. Só se me deixassem sair antes ou me devolvessem o dinheiro que me chularam desde o tempo da Lurdinhas Rodrigues. Que se tramem todos os poderosos dos cumes. A começar por esse Nogueirinha de meia tigela. Quando poderei deitar a minha cabeça na almofada e sem pensar na escola e nas tantas injustiças que continuam a grassar? Anseio por esse dia. Saudades, não levo. Como posso levar saudades de uma “escola” e chefias que continuam a maltratar os docentes como se fossem os maiores criminosos? É triste pensar-se assim. Mas não levarei saudades.
É a hora dos sócios, da Fenprof e afins, repensarem a continuação ou não de sócio! Há vinte anos que o desempenho destes “100” sindicatos tem sido o mesmo!! (à espera da reforma, um lugarzinho fora da sala de aula, e não fazendo nada pelos professores que representam )