Petição exige fim do projecto MAIA, que tem desembocado em grelhas de avaliação, por aluno, que “chegam a ocupar duas a três páginas A4 (na horizontal!)”.
Milhares de professores estão contra multiplicação das grelhas de avaliação
Com cerca de 8400 assinaturas, recolhidas em quatro dias, há mais uma petição lançada por professores que já ganhou direito a ser apreciada em plenário da Assembleia da República. O alvo é agora o chamado projecto MAIA – Monitorização, Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica, que começou a ser aplicado nas escolas em 2019.
“É um projecto que impõe uma metodologia de avaliação que se caracteriza por um número excessivo de avaliações parcelares e que implica a a elaboração de grelhas de observação e de avaliação extremamente extensas e complexas”, confirma Dália Aparício, professora na Escola Secundária de Viriato, em Viseu, que acrescenta uma visão precisa do que tal significa: “O professor tem de estar sistematicamente a avaliar e fazer registos de avaliação. As grelhas de avaliação de final de período são tão extensas que chegam a ocupar 2 a 3 páginas A4 (na horizontal!)”, confirmou ao PÚBLICO.
No último relatório de acompanhamento, elaborado pela equipa responsável pelo projecto, destaca-se que no âmbito dos “grupos focados” que reúnem participantes do projecto, foi destacado que este “estava a ter um impacto francamente positivo a vários níveis da vida pedagógica dos docentes e das escolas” e, sobretudo, que este tinha criado condições para apoiar fundamentadamente a sentida necessidade de que é preciso melhorar as práticas pedagógicas no sistema educativo português.
Dália Aparício contrapõe: tem sido causa de “muito desânimo”. Lembra que o projecto “começou por ser de adesão voluntária por parte das escolas, mas, na verdade, os professores que o põem em prática não o fazem de forma voluntária. Na maioria das escolas, não foram ouvidos. Aplicam o projecto sem acreditar nele. Daí o desânimo.”




6 comentários
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A pseudo pedagogia do facilitismo deste PS da escola e alunos sem exames transformou o professor num fazedor de papéis ridículos e a escola num circo para entreter os discentes… Sócrates deve ter momentos de grande regozijo, afinal o PS embora sem ele segue na integra as que ele instruiu à MLR para implementar na Escola Publica…
E Queremos ser nós, profissionais da educação, a eleger a direção/diretor da escola onde trabalhamos!!!!
(para que não haja “rabos presos” ,destes, pelos EE e passem a tratar e a respeitar os docentes como deve ser e a fazer com que os EE o façam também!!!!(pois o que se passa atualmente nas escolas é inacreditável!…)
– e queremos procedimentos severos para a indisciplina, má educação e comportamentos agressivos verbais e físicos dos alunos para com os professores!!! (e que não seja ao contrário em que o professor é que acaba por ser punido, que é o que se passa atualmente!)
– e queremos uma ADD séria, simples, objetiva, honesta, ao contrário do que se passa atualmente em que é injusta, obscura, imparcial!!
O projeto Maia é a maior estupidez de sempre no ensino.
Não é com medidas idiotas como esta que vamos lá. É com exigência e disciplina! Uma receita tão simples e tão antiga…não sei como pode haver inconsequentes que já se esqueceram dela.
Um dos grandes males do nosso sistema educativo deriva do excesso de académicos, que, a contento do narcisismo da progressão obcessiva da carreira, vão promovendo teses á custa do trabalho dos outros. Como se pudéssemos fazer treino de fogo com munição real – as pessoas com quem os verdadeiros docentes trabalham diariamente.
Não irei subscrever esta petição, dado que me identifico e concordo com estas práticas de avaliação pedagógica. Para que esta dimensão da profissão se altere, muitas das nossas crenças e práticas têm também de ser repensadas, em favor de uma escola que cumpra melhor a sua função: ajudar a aprender. Compreendo algumas das críticas feitas ao Projeto MAIA. Porém, parece-me que os obstáculos a esta necessidade de inovar também na forma como avaliamos estão, principalmente, relacionados com a forma demasiado burocrática como a estamos a encarar e implementar. Por outro lado, acredito que valorizar a Dimensão Pedagógica da Avaliação, nos pode ajudar a voltar a focar a nossa prática naquilo que realmente é mais importante: de forma construtiva, diferenciada, clara e objetiva, ajudar cada aluno, ao seu ritmo, a ultrapassar as dificuldades com que se depara.
Concordar com essa “burrocracia” antipedagógica?!!
Ph@sga-se…