As Escolas e as 2ª e 3ª Vagas
“A reabertura das escolas foi uma das decisões mais relevantes para a 2ª vaga pandémica na Europa e na América do Norte“, é uma evidência científica recente (09/12/2020) relatada pela epidemiologista australiana Zoe Hyde (também exerce na Austrália, o que evita desvalorizações por suposta parcialidade, e é Research Officer na Faculty of Health and Medical Sciences da UWA Medical School). Lê “nesta ligação” o estudo muito bem documentado onde cheguei através do blogue Escola Portuguesa.
O estudo apresenta as seguintes conclusões (saliento nove):
- As escolas são locais de risco elevado porque têm espaços fechados e aglomeram pessoas;
- Os riscos aumentam sem distanciamento físico, sem ventilação de espaços, sem higienização de equipamentos e sem uso de máscaras;
- Turmas mais pequenas e ensino semi-presencial são medidas eficazes para tornar a frequência das escolas mais seguras;
- As crianças não são menos susceptíveis aos contágios;
- As crianças não têm menor capacidade de transmissão do que os adultos;
- É difícil detectar a infecção nos mais jovens porque muitos permanecem assintomáticos e, intencionalmente ou não, fazem-se menos testes a esses grupos etários;
- Os estudos mais aprofundados demonstraram que, devido à forma como a doença evolui nos organismos dos mais novos, é mais frequente a ocorrência de falsos negativos. As crianças transportam o vírus e transmitem-no sem que seja detectado pelos testes de antigénio (os mais habituais);
- Quando existe transmissão comunitária do vírus, e se fazem rastreios sistemáticos nas escolas, regista-se a existência de surtos activos com a propagação do vírus entre elementos da comunidade escolar;
- Já se sabe que quando o número de casos atinge, na comunidade, valores alarmantes, o confinamento da população escolar é uma das medidas mais eficazes para, a curto prazo, reduzir a propagação.
No centro da Europa, há regiões com mais capacidade financeira que usaram turmas mais pequenas (meia-turma presencial) na 2ª vaga e que optarão por ensino online associado a turnos ou desdobramentos a partir de Janeiro e com o início das aulas agendado para o fim da primeira quinzena desse mês. Na Alemanha, essa discussão escolar é também nuclear. As restantes regiões europeias, principalmente as mais pobres e com escolas, e turmas, numerosas, devem informar e rastrear com rigor se não quiserem (não puderem ou não as deixarem) aplicar as mesmas soluções. Devem usar toda a informação obtida, com o objectivo de que as crianças e os jovens não continuem a infectar, nas comunidades, grupos etários mais idosos e originem surtos que aumentam os internamentos hospitalares.
Para além disso, espera-se que não se repitam, tal a importância, e as consequências, da má informação, os seguintes números e conclusões: as escolas registam apenas 3% dos locais de contágio (esses números salientavam os tais 61% em habitações e festejos familiares) e as escolas massificadas são seguras. Como nos recordamos, uma ou duas semanas depois destes dados revelaram-se números muito diferentes: “desconhecem-se 81% dos locais de contágio, a pandemia galopou na população em idade escolar e é nesse grupo etário que existe o maior número de infectados”. Já agora, a tão propalada envelhecida classe de professores lecciona com mil e um cuidados, e por sua exclusiva conta, e reconhece que, definitiva e objectivamente, este não é um país para professores; nem para os outros profissionais da educação. A escola continua na primeira linha da guarda das crianças e jovens, mas mantém-se na terceira linha das prioridades organizacionais dos governos.
No que verdadeiramente conta na crise pandémica, e para além da muito positiva ajuda europeia às falências e ao desemprego, as mortes aumentaram muito na 2ª vaga (em Portugal duplicaram ou triplicaram) e teme-se, apesar da esperança na vacina, que os números subam ainda mais numa previsível 3ª vaga que acontecerá pela 1ª vez em pleno inverno.




2 comentários
À terceira será de vez?
Este estudo vem comprovar a inoperância destes governantes mentirosos, acéfalos e negligentes. Não seria preciso um especialista para saber interpretar a curva de novos casos, a qual demonstrou um abrupto e exponencial crescimento dos casos de infeção duas semanas após o início do ano letivo. Não sou especialista, mas verifiquei logo o que se estava a passar, e alertei as pessoas que frequentam este blog, quase diariamente, com estatísticas, retiradas do boletim da DGS. E, para falar a verdade, logo no início do ano letivo, mesmo sem olhar a gráficos, bastaria frequentar uma escola para verificar que não foram asseguradas as mínimas condições de segurança dentro das escolas e sinalizá-las como antros de propagação da Covid-19.
E, agora, desenganem-se aqueles que novamente se deixam enganar pelas recorrentes mentiras das entidades governamentais, porque estes querem, novamente, fazer passar a mensagem de que o número de infeções baixou com as medidas que aplicaram no estado de emergência… basta ir novamente ao boletim da DGS… O que fizeram, ao fazerem estas duas pontes, foi com o intuito de reduzirem significativamente o número de testes (de uma média de 40.000 diários para 30.000), para conseguirem um abaixamento imediato da curva, porque o efeito de fechar as escolas nestes 4 + 4 dias só se irá sentir 2 a 3 semanas depois. Quando houver a interrupção letiva, passadas 2 a 3 semanas, aí sim, poderá verificar-se uma diminuição real. Mas, entretanto, os antros de contaminação irão reabrir, sendo que, lá para dia 20 de janeiro, a curva irá, novamente, começar a crescer, abruptamente e exponencialmente, deixando, novamente, os hospitais na rotura, alastrando a doença e a morte, provavelmente, com níveis ainda mais devastadores.