Uma profissão não recomendada a jovens
Custa a crer que a carreira menos atrativa do país possa ser a de professor, especialmente nos dias de hoje, em que os alunos cada vez estudam mais. Segundo a Organização para o Crescimento e Desenvolvimento Económico (OCDE), o ensino superior em Portugal “está a tornar-se tão comum como o ensino secundário ou o ensino pós-secundário não superior entre as pessoas com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos”. É inegável por isso a importância dos ensinos Básico e Secundário (de qualidade) na formação destas novas gerações – e ter professores desiludidos com a profissão compromete este pilar de sustentação.
Os resultados da última Consulta Nacional online a docentes dos Ensinos Básico e Secundário, promovida pela Federação Nacional de Educadores (FNE) junto de 2138 profissionais, revelam que 95% dos professores dizem ter expectativas de carreira pouco ou nada atrativas. Comparando com o ano passado, há mais professores descontentes com a remuneração (97,1% este ano, face aos 96,7% do ano passado), queixando-se que não está ao nível do desempenho de funções. A degradação da profissão, aos olhos de quem a pratica, é notória e preocupante. E não falamos apenas da questão salarial que, uma vez mais pegando nos dados mais recente da OCDE, entre 2015 e 2022, a média dos salários reais dos professores do Secundário caiu 1%, contrariando os 4% de crescimento médio dos países da organização. É também preocupante o futuro da profissão, atendendo à urgente necessidade de renovação. Só entre janeiro e setembro deste ano, passaram à reforma 2207 docentes, um número que deverá chegar aos 3500 no final do ano, segundo notícias recentes com base na análise de dados da Caixa Geral de Aposentações. Ora, se o número de professores que passaram à reforma em 2020 foi de 155 e em 2019 de 128, assim se vê a preocupante aceleração.
Este ano, parece ter havido um sinal positivo com o aumento do número de alunos que escolheram em primeiro lugar cursos universitários que dão acesso à carreira docente. Mas ainda é cedo para tirar ilações quanto ao seu futuro, atendendo a um presente que os professores dizem ser pouco risonho. No mesmo inquérito da FNE, 84,1% dos educadores e professores inquiridos (menos 2,3% do que no ano passado) não aconselham os jovens a seguir a profissão. Uma pesada e frustrante constatação destes profissionais, que se espera que sejam uma fonte de inspiração das novas gerações, dentro da sala de aulas e fora, numa sociedade que valoriza o ensino.
Subdiretor do Diário de Notícias




7 comentários
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Quando alguém tem uma licenciatura via Ensino, Mestrado via Ensino e ainda continua contratado porque tem pouco tempo de serviço e não entra nas “mal” ditas regras de concurso, e ao lado, temos muitos com licenciaturas em diversas áreas sem nunca terem tido uma única disciplina na área de Ensino já se encontram efetivos tal um milagre conseguiram acumular tanto tempo de serviço sabes lá como para serem “elegíveis” para efetivar e já estão nos quadros a rirem-se dos outros pois o ME em vez de valorizar as qualificações dos indivíduos valoriza o tempo de serviço para os efetivar, tudo isto diz muito sobre o caos e a inépcia do Sistema Educativo neste país.
Uma escrita feita por um douturado? Nem sequer um ponto final… metralhadora escrita.
José Saramago foi prémio Nobel e tu? Bla bla bla é mesmo só bla bla bla…
O seu comentário é revelador de que, muito provavelmente, nunca leu José Saramago.
Para se ser profesor é necessário ter-se amor e paixão… o mal é q a maioria é professor por causa do horário de trabalho, as férias e as regalias sociais, para não falar no status quo (e não ponho ponto final pq ñ me apetece)
Por causa do horário de trabalho?
Férias?
Regalias sociais?
Mas de que fala?
O horário de trabalho real é de 16 horas / dia.
Férias? Interrompidas a belo prazer do ministério e do júri nacional de exames.
Regalias sociais? Mas quais regalias sociais?
Parece-me que deve estar a referir-se a outro país.
É por causa de todas essas regalias todas que há falta deles. Tanto burrinho por aí que não sabe aproveitar tanto benefício…tá ts
De facto, há coisas difíceis de entender.