Uma lâmpada que não emite luz não serve para nada…
Ainda não passaram dois meses desde o início das aulas na Escola Pública e, neste momento, o ambiente geral parece ser, mais ou menos, este:

(Roubado do Pinterest-Brasil, de autor desconhecido).
O entusiasmo inicial, típico do recomeço das aulas, vai dando lugar à instalação progressiva de uma certa letargia entorpecedora, difícil de combater e de contrariar…
O cansaço vê-se e sente-se…
A desmotivação vê-se e sente-se…
Para muitos, todos os dias parecem “Segundas-Feiras”…
Sobretudo nos últimos dois anos, o cansaço e a desmotivação parecem ter aumentado exponencialmente, acumulando-se e apoderando-se de muitos Alunos e profissionais de Educação…
E começa a ser muito difícil reverter esse mal-estar, traduzido por um quase permanente “enjoo de escola”, algumas vezes expresso sob a forma de intolerância, frustração ou desânimo…
Estar “enjoado de escola” é estar saturado de escola, é estar assoberbado e asfixiado com os problemas intermináveis da escola…
O trabalho insano, os procedimentos e as tarefas replicam-se, repetem-se num círculo vicioso, num movimento ininterrupto, praticamente impossível de quebrar, sem consciência, sem senso e sem pensamento crítico, sem fim à vista e, muitas vezes, sem um propósito claro ou definido…
O “frenesim” do excesso de estímulos e os vícios de funcionamento anulam qualquer réstia de serenidade e de silêncio, imprescindíveis à reflexão individual ou colectiva…
Age-se, frequentemente, em modo de “piloto automático”, o mais importante é cumprir todas as ordens, mesmo as mais estapafúrdias…
Quem nunca se sentiu “enjoado de escola” que atire a primeira pedra…
Os Psicólogos também não estão isentos de se sentirem “enjoados de escola”, cansados e desmotivados… Contrariamente a alguns mitos e crenças utópicas, os Psicólogos não são criaturas “assépticas”, a quem está vedada a expressão de sentimentos, emoções ou estados de alma…
Os Psicólogos também choram, também riem, também se indignam, não são sempre serenos e tranquilos, também se irritam e também se enfurecem, e até vociferam impropérios, apesar de, por vezes, subsistir a ideia de que “o Psicólogo não é gente, é estado de espírito” (afirmação roubada da Internet, de autor desconhecido)…
Os Psicólogos não têm que ter a paciência de um Santo, nem aspirar à perfeição de um Anjo… Em suma, os Psicólogos também são gente…
Em forma de anedota, e em tom jocoso, o resumo da vida profissional de um Psicólogo talvez possa ser ilustrado desta forma:
– Quantos Psicólogos são necessários para mudar uma lâmpada?
– Apenas um, mas a lâmpada tem que querer mudar…
Nas escolas, há, frequentemente, “lâmpadas que não querem mudar”…
Agora, um pouco mais a sério e em jeito de “paleio” de Psicólogo:
– Não nos esqueçamos que o Humor beneficia a Saúde Mental, na medida em que nos permite lidar melhor com experiências negativas e até com situações de vida eventualmente traumáticas…
Sejam Alunos, Professores ou Psicólogos, rir faz bem à Saúde Mental, assim como ter a capacidade de gracejar com a própria “desgraça”…
(Evidentemente que também estou a antecipar a minha defesa, antes que me caia em cima o “Carmo e a Trindade”)…
À luz do que acontece com muitos dos que passam a maior parte do seu dia nas escolas, neste momento, haverá também, nesse contexto, muitos Psicólogos à beira da exaustão, sobretudo pelas inúmeras solicitações que lhes são endereçadas…
Como pano de fundo de tudo o anterior, temos uma Tutela que, de forma reiterada, não encara a realidade, que a nega ou que a tenta mascarar ostensivamente…
Uma Tutela que teima em passar a mensagem enganadora de que nas escolas tudo está bem e que tudo funciona sem perturbações, nunca se preocupará com a melhoria das condições aí existentes…
Uma Tutela que ignora o estado real em que se encontram os Alunos e as suas aprendizagens e que despreza os aspectos motivacionais que impedem o apaziguamento dos profissionais de Educação, nunca contribuirá para o sucesso e para o bem-estar de uns e de outros, nem para a satisfação de determinadas pretensões…
A actual Tutela parece uma lâmpada fundida, estragada, que não emite qualquer luz, enroscada num casquilho carcomido, que ninguém consegue mudar sem partir…
E uma lâmpada que não emite luz não serve para nada…
Paradoxalmente, a própria Tutela constitui-se como o principal foco de insanáveis disfunções, plausivelmente assentes em crenças incompatíveis com a realidade e em percepções alteradas da realidade, que dificultam a produtividade no ambiente de trabalho e que contribuem fortemente para o aumento do stress diário em contexto escolar…
“É difícil imaginar uma maneira mais perigosa de tomar decisões do que deixá-las nas mãos de pessoas que não pagam o preço por estarem erradas.” (Thomas Sowell)…
Decisões erradas e péssimos exemplos institucionais há em catadupa, quem paga por tais desvarios?
Como estamos em Portugal, aquele país onde é praticamente impossível que algum Governante se responsabilize, ou seja responsabilizado, pelos actos que pratica, e em particular pelos erros cometidos, adivinha-se a resposta à pergunta anterior:
– Como não existirão culpados, a insensatez poderá continuar…
– Outros sofrerão as consequências da insensatez alheia, todos os dias, em cada escola…
A Escola não é isto. A Escola não pode ser isto.
(Paula Dias)



10 comentários
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muito bom. obrigado.
Estou ansioso pela reforma e espero na próxima reencarnação ter uma profissão normal, que não implique ser um palhaço destinado a ser supliciado por adolescentes. Tenho muito desgosto em ser professor, muita vergonha e muito nojo de mim mesmo.
“Então porque é que foste para essa profissão?”. Pela mesma razão que outras pessoas falharam redondamente as suas vocações.
Não está só, a maioria é «palhaço à força» ensinar a quem não quer e a falta de respeito na sociedade reflete-se na sala de aula. Os valores, princípios e seriedade estão-se a perder vivemos numa sociedade « fastfood e fasttudo» deita fora e pelo meio o gozo reinante. Cada vez, será mais complicado ensinar.
Aqueles nossos colegas que estão a ser sistematicamente agredidos em Rabo de Peixe, por exemplo, ilustram bem a indiferença da tutela e a naturalidade com que a violência sobre professores, funcionários e alunos é aceite hoje em dia. Apreciei muito o seu comentário. Votos de força, a mesma que eu preciso para aguentar até à reforma.
Tenho saudades de quando era feliz na escola. Ia para lá com prazer. Trabalhava sem problemas de horas. Envolvia me em projetos. Conversava e partilhava coisas com os colegas.
Isso foi tudo antes do consulado romano de Maria de Lurdes Rodrigues.
Há já 20 anos. Já nem me lembro do gosto.
Bruxa. Devias ser julgada nos tribunais portugueses por assédio político em relação aos professores e psicólogos.Levada ao tribunal europeu dos direitos humanos por crimes políticos/ abusos em relação a uma classe trabalhadora com um estatuto próprio várias vezes atropelado.
Assassina!
Lembram-se daquele professor de Música numa escola da zona de Cascais que se atirou da ponte sobre o Tejo? E de um menino chamado Leandro, que se atirou de uma ponte no Norte? Maria de Lurdes, Lemos, Pedreira, Sócrates, Costa, mais aquela bruxa que processou o Fernando Charrua por ter feito uma piada com o Sócrates, e muitos dessa seita, têm a responsabilidade por esses suicídios. E ainda há professores que votam PS…
Essa bovina foi condenada em tribunal, mas continua a fazer o que quer!
É presidente do IISCTE, cargo que, para ela, é tacho.
E nós é que nos tramámos.
Fez leis que lá se recusa a aplicar, porque diz que não são adequadas.
Devia era levar com um barrote!
Cara Paula Dias!….
A escola é isso. Exactamente. E só o é porque os professores deixaram que o fosse. Lamento.
Nenhuma complacência ou compaixão por quem se limita, há décadas, a obedecer. Apenas. A obedecer.
Acho que o amigo Cravo está a desabafar, a ser demasiado simplista.
Desde que a gestão das escolas mudou os processos disciplinares chovem.
Já experimentou um?
Experimente desobedecer e vai ver!
Esta esquecido dos processos disciplinares recentes por causa da desobediência de vários professores a fazer as provas de aferição; o processo colocado ao nosso colega Luís Sottomayor, a diretora que permitiu que os professores colocassem uma faixa na escola, etc etc.
Quer que lhe conte mais?
Há professores com sentido crítico e desobedientes por boss razões.
Não nos desmereça.
Vivemos uma ditadura nas escolas, desde que uma certa sinistra bovina fez sair a legislação dos diretores.