E uma escola para pais? Francisco Pedro

Há pais com aplicações no telemóvel para controlar a posição dos filhos na escola

E uma escola para pais? 

Ainda não estamos na época do Natal, mas quando lá chegarmos já sabemos que vão chover as periódicas mensagens de apelo à solidariedade, aos valores morais, à doação de bens aos mais necessitados. Vão surgir as habituais denúncias de excesso de consumismo e as chamadas de atenção para “as criancinhas que passam fome em África” – este ano, provavelmente, com nuances também para as vítimas das novas guerras mais mediáticas, como as da Ucrânia e da Faixa de Gaza.

Será que todos aceitamos isto como normal? Será que quem tem a responsabilidade de educar se sente bem a transmitir e a alimentar esta aparente normalidade, onde os valores solidários, de cidadania e de respeito parecem ganhar importância apenas em determinada época do ano?

Ou será que o mais importante, antes de ajudar a cimentar estes valores, é equipar as crianças com telemóveis topo de gama, com computadores dotados de potentes placas gráficas para um melhor desempenho nos jogos virtuais; é colocá-las a praticar uma modalidade desportiva, com o válido argumento de que lhe faz bem o exercício físico, mas com o secreto desejo de as verem (e pressionarem) a despontar como um futuro Rolnado, Messi, Nadal ou Federer?

Os testemunhos que vos trazemos esta semana, em dois trabalhos distintos, levam a crer que é a segunda hipótese a prevalecer.

Num dos casos, ficámos a saber que há pais com aplicações no telemóvel para controlar a posição dos filhos na escola, chegando mesmo a questionar a direcção do estabelecimento o porquê do aluno estar sempre ao fundo do recreio.

Noutro, constatámos a existência de conflitos entre encarregados de educação e treinadores de futebol, apenas porque os pais entendiam que deviam ser os seus filhos a envergar a camisola com o número 10, um número associado aos craques, líderes e talentosos jogadores da bola.

Perante estes sinais dos tempos, não seria urgente pensar-se também na criação de uma escola para pais?

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4 comentários

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    • Teresa on 22 de Outubro de 2023 at 12:53
    • Responder

    Os telemóveis dos alunos deveriam ser colocados numa caixa quando entram na sala e mantidos em silêncio. Conheci uma escola de 1o Ceb na cidade onde isso era feito. À saída para o recreio eram dados os telemóveis aos alunos. Na sala eram proibidos telemóveis.
    E penso que deveria ser assim. A escola tem telefone e o contacto com os E. Educação em caso de urgência deveria ser feito por esse telefone fixo. Não vejo necessidade de os alunos até terem telemóveis nos recreios. Com as facilidades do uso dos telemóveis, criámos uma escola “vigiada” por pais e E. Educação.
    É tempo de acabar com isto e que as direções das escolas tomem esta posição. Pois por falta de ” pulso perante os pais e E. E. ” é que acontecem loucuras impensáveis há 20 anos.

    • AP on 22 de Outubro de 2023 at 13:38
    • Responder

    Grande projeto!

    • Carlos Moreira on 22 de Outubro de 2023 at 13:40
    • Responder

    Mas tem que ser uma escola com reguadas e bofetadas!!

    • Luís Miguel da Silva Lopes Cravo on 23 de Outubro de 2023 at 12:02
    • Responder

    Para delegada de turma proponho a senhora da Confap, aquela aluna que é de uma lucidez incomparável…..

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