Sábado
Os alunos estão a escrever pior? São vários os colegas que confirmam nesta peça da CNN e eu acrescentaria que estão a perceber muito pior qualquer pequeno texto ou instrução escrita ou mesmo oral, se não for explicadinha às migalhinhas. Cada vez mais, é necessário entrar em detalhes que há uma década eram desnecessários para que os alunos de 5º-6º ano (a minha “clientela”) entendam o que se pretende com algo como “preenche o quadro seguinte com um território do Império Português no século XVIII” (atenção que não é de memória, pois antes vem um mapa com os nomes) ou “de todos os territórios assinalados no mapa, do qual vinham mais riquezas para Portugal?”
…

5 comentários
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Tudo verdade!
Mais grave: Trabalho, fora do Sistema, com alunos de Secundário (SÓ!). Tenho, constantemente, dúvidas destas, ipsis verbis:
1. “Analisar como?”
2. “Mas como é que eu relaciono?”
3. “Como é que avalio?”
4. “Mas comentar é o quê?”
5. “Justificar como?”
6. “O que é pertinente? O que é sucinto? O que é globalmente?”
7.”O que é um juízo crítico? Mas eu concordo, stôr! Comk é que vou falar mal?”
Parte disto (e substancial!) é culpa da actual fornada dos professores de Português, sobretudo de secundário. Parecem todos saídos da mesma fábrica e com o mesmo chip. Chego a duvidar se têm espinha dorsal e personalidade. Os alunos queixam-se que passam a vida a dar gramática, mas pouco ou nada lêem, entendem ou interpretam. Dir-nos-íamos em Linguística Portuguesa e não em Português! Um destes dias, uma das melhores alunas con quem trabalho e que é sistematicamente prejudicada por esta mecanização e estupidificação do ensino do Português (para não falar das cruzinhas de que os professores de Português usam e abusam en abundância) perguntava – me se era decorar regras de gramática que a tornaria boa aluna a Português?….
Estes miúdos com quem trabalho, esmagadoramente, deixaram de gostar de Português, porque deixaram de ler, analisar obras, interpretar e outras coisas que eu, GRAÇAS A TODOS OS DEUSES, me me fez apaixonar por esta língua “que é a minha pátria”.
É vergonhoso o serviço que estes professores prestam ao país!
Com que então “(…) e outras coisas que eu, GRAÇAS D TODOS OS DUESES, me fez (…)”
Com que então “(…) e outras coisas que eu, GRAÇAS D TODOS OS DUESES, me fez (…)”
No seu lugar, primeiro pensaria bem nas palavras antes de as escrever.
A maioria dos colegas de Português do Ensino Básico e Secundário, são colegas “da velha guarda”. Logo, não é “atual fornada”.
Todos os que conheci e conheço atualmente bem tentam, mas quando o sistema não ajuda e não lhes permite trabalhar a linguística, como.o senhor deseja.
Se os alunos deixaram de ler, analisar obras, interpretar informação não foi, não é e nem será culpa destes docentes. Mas, sim do sistema dos últimos 15 anos e dos pais que não perdem tempo com os seus filhos, ao lerem e interpretarem um livro em conjunto.
Não sou docente de Português, não foi a minha primeira língua de aprendizagem, mas tal como o senhor (e todos os docentes de Português de todos os níveis de ensino) transmitimos a importância da leitura. Eu gosto imenso de ler e incuto isso na minha filha, que também gosta de ler e ter a sua estante cheia de livros (apesar de ter somente 4 anos).
Quantos pais da “atual fornada”, como refere, faz isso?
Quem trabalha no público, sabe bem que por mais que se “puxe” pelos alunos e se faça o pino, a via do facilitismo que o sistema educativo atual, DL 55, nos impôs levou a que as pessoas não saibam ler e muito menos escrever.
E prepare-se, que daqui por uns anitos, no secundário vão haver alunos que para além de não saberem interpretar, também não saberão ler nem escrever literalmente.
“vão haver alunos”…
Bravo!
Vê-se que aprendeu muito bem a escrever português…