Sobre a alegação de que se “fechou” o Terreiro do Paço

Sobre a alegação de que se “fechou” o Terreiro do Paço

 

Na sequência de um post publicado ontem aqui e que só hoje vi, alegando que no final da Manifestação deste sábado não se esperou no Terreiro do Paço por todos os colegas que nela vinham, gostaria de dar o meu testemunho factual.

Nos cartazes convocadores da Manifestação sempre constou as 15h para o seu início. Foi em função dessa hora que se organizaram os autocarros, mas há sempre alguns que param para almoçar ou por qualquer outra razão podem chegar com algum atraso. Também o pessoal de Lisboa que era o 1º Distrito a desfilar, por ter sido o 1º a iniciar a Greve por Distritos, só chega em pleno passado um “bocadinho”…

Não tomei nota da hora exata em que a marcha arrancou, mas nós, os 9 presidentes das entidades promotoras, às 15h já estávamos a agarrar na faixa que abriu o desfile, faltavam os Bombos à nossa frente que, entretanto formaram; vieram de seguida uma série de canais televisivos, rádios, imensos fotógrafos e muitos jornalistas de outros meios de comunicação colocar questões aos organizadores, fazer perguntas, ouvir as respostas e arrancámos de seguida, deviam ser 15h20m ou 15h30m, o habitual nestas situações.

“Descemos a Av. da Liberdade, amplas praças e ruas sempre ladeados por milhares de pessoas que saudavam a enorme Marcha. Finalmente, a faixa da frente “Em defesa da Profissão Docente” deu entrada no Terreiro do Paço e estacionou junto ao palco, por nós contratado para o efeito.

Depois de muitas dezenas de milhares de colegas terem chegado e permanecido no “Terreiro dos Professores”, com palavras de ordem, animação de palco por dirigentes dos vários sindicatos convocantes e atuação de agrupamentos musicais escolares, esperámos VÁRIAS HORAS (até voltámos a chamar ao palco um grupo musical de uma escola de T. Vedras) pela chegada dos muitos milhares de colegas que ainda se encontravam em marcha.

Entretanto, ANOITECEU e quando começou a chuva (que depois parou), nós que estávamos no palco a adiar as 9 intervenções, víamos recrusceder a deslocação de milhares de colegas, muitos deles com bandeiras dos diversos sindicatos, em direção aos autocarros fretados, metro, barcos e comboios.

Foi só após toda esta factualidade que a PRÓ-ORDEM usou da palavra aos microfones, bem como, os presidentes das restantes organizações sindicais promotoras desta iniciativa. Aliás, comecei por referir na minha intervenção que tínhamos estado ali a adiar as intervenções finais, fazendo um compasso de espera (foi esta expressão que usei, está gravado) para que TODOS os colegas chegassem, mas dadas as circunstâncias não podíamos adiar mais.

O “problema” é que uma manifestação com cerca de 150 mil  pessoas leva largas horas a chegar ao local da concentração e quando chegam os últimos os primeiros já se cansaram de esperar, querem ouvir rapidamente os discursos dos organizadores e regressarem a suas casas: nestas circunstâncias, não há uma solução óptima…

Todavia, o mais importante é que foi a maior manifestação desde o primeiro 1º de Maio de 1974, participaram nela, por exemplo, os colegas André (do STOP e do MAS), os colegas Gabriel Mithá Ribeiro (Deputado do Chega) e TODOS os que nela quiseram participar.

Filipe do Paulo, Presidente da PRÓ-ORDEM

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13 comentários

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    • Jorge Marques on 14 de Fevereiro de 2023 at 20:32
    • Responder

    O seu último parágrafo diz tudo da sua intenção e, sobretudo, da sua incompreensão sobre o que aconteceu. Não há qualquer justificação para que se tenha encerrado uma manifestação antes da chegada de muitos milhares, tudo o resto é conversa. Ninguém crítica quem tinha de ir para os autocarros,, ninguém está preocupado com os discursos, tão só chegar a um Terreiro do Paço com um palco a ser desmontado e o tremendo desrespeito que isso significa. De resto, quero tanto saber do partido do André Pestana como o seu e certamente pouco me importa se um racista e xenófobo esteve presente. Que tristeza.

    • Pedro António on 14 de Fevereiro de 2023 at 21:37
    • Responder

    Tudo bem!
    É difícil encaixar 150 mil pessoas em marcha, claro que os últimos nunca irão ser os primeiros.
    Eu próprio saí do Praça do Comércio antes dos discursos terem terminado.
    Nem tudo é contra nós nem tudo é controlável!

    • Paula Dias on 14 de Fevereiro de 2023 at 21:52
    • Responder

    Caro Filipe do Paulo:

    Em nenhum momento do texto aludido por si, da minha autoria, se alega, explicita ou implicitamente, que o Terreiro do Paço tenha sido fechado a qualquer manifestante.

    O Terreiro do Paço estava, obviamente, aberto, mas nas condições por mim descritas, condições essas, que têm sido comprovadas por muitos outros, que também as constactaram.

    Utilizar a expressão “fechou”, ainda que com as devidas aspas, parece-me claramente abusivo, no sentido de poder induzir uma interpretação enviesada daquilo que eu efectivamente escrevi.

    Com o devido respeito, os motivos invocados por si parecem-me destinar-se a “justificar o injustificável” e, com franqueza, em nada mudam aquela que é a minha opinião acerca deste incidente:

    A FENPROF não soube honrar os seus supostos representados, desrespeitou-os de forma flagrante, abdicando da solidariedade que era devida a todos os profissionais de Educação e não apenas a alguns, deixando bem claro que não estava interessada numa verdadeira união sindical.

    Cumprimentos cordiais,

    Paula Dias

    1. Cara Paula Dias,

      Agradeço e retribuo os cumprimentos, mas não a posso tratar por Colega, pois não é professora, mas sim psicóloga.

      Ainda que todas as profissões sejam respeitáveis, o conjunto de sindicatos que organizaram esta manifestação fê-lo sob o lema da Defesa da Profissão DOCENTE.

      Bem sei, que há agora alguns que querem amalgamar tudo, mas dessa forma só a curto prazo e de forma aparente se serviria o Corpo Docente.

      Quanto ao mais, os leitores já tinham o seu ponto de vista sobre a maior manifestação de sempre dos DOCENTES e dispõe agora do meu.
      (estas considerações não são de caráter pessoal, mas sim de caráter político)

        • Filipe do Paulo, PRÓ-ORDEM on 14 de Fevereiro de 2023 at 23:46
        • Responder

        “rectius”, organizou e não organizaram

        • Paula Dias on 15 de Fevereiro de 2023 at 11:20
        • Responder

        Caro Filipe do Paulo:

        Estive na Manifestação do passado Sábado, tal como em muitas outras, em primeiro lugar, enquanto profissional de Educação e cidadã e, em segundo lugar, na condição de Psicóloga.

        Respeito, mas lamento, a sua recusa em me tratar por “colega” e registo, com desagrado, a tentativa implícita de desvalorizar a minha opinião, pelo facto de ser Psicóloga e não Professora, subentendo-se, pelas suas palavras, que uma Psicóloga não deve opinar sobre “os assuntos de Professores”…

        Para mim, ser colega é ser par. E par significa, no caso presente, que temos algo em comum e que nos une, por partilharmos o facto de ambos sermos profissionais de Educação, apesar de, obviamente, também termos funções distintas.

        Portanto, deveríamos, sim, ser colegas, enquanto profissionais de Educação, desejavelmente unidos na luta pelo Respeito e pela Valorização das respectivas funções.

        Por mim, continuarei a vê-lo como colega, mesmo que isso não lhe agrade.

        Lamento, mas o Filipe parece não ter ainda compreendido que a presente luta ultrapassou, há muito, o âmbito restricto da Classe Docente. Além disso, essa visão, sectarista e reducionista, da Educação e dos profissionais de Educação, contraria em absoluto todos os apelos, dos mais variados quadrantes, que têm vindo a ser feitos, no sentido da maior adesão possível à actual contenda.

        Como muito bem saberá, dentro da própria Classe Docente, a perspectiva dominante, ao longo de muitos anos, de cada um olhar apenas para os seus interesses específicos, em vez de se ter em maior consideração o bem comum, foi um dos motivos que também contribuiu para a presente crise e colapso.

        A minha luta pela Educação não é de agora, nem fortuita, já é até bastante antiga. Não sou uma “paraquedista”, que agora aqui “aterrou” por mero acaso, ou de forma “oportunista”, mas sobre isso não devo outras explicações ou justificações.

        De resto, a perspectiva do “orgulhosamente sós”, que parece defender, relativa àquilo que designa por “Defesa da Profissão DOCENTE, apresenta forte probabilidade de conduzir a resultados desastrosos, como a História se encarregou de nos ensinar… Portanto, ir por aí não parece muito sensato…

        Quero acreditar que a sua luta também seja a minha luta, apesar de não ter certezas quanto a isso…

        Cumprimentos cordiais,

        Paula Dias

          • Filipe do Paulo, PRÓ-ORDEM on 15 de Fevereiro de 2023 at 13:04

          Cara Paula Dias
          Ilustre Psicóloga

          Não está em causa o respeito pela Carreira de Psicologia, de Enfermagem ou qualquer outra que até poderão convocar manifestações comuns, mas nas atuais circunstâncias 9 sindicatos de âmbito nacional deliberaram convocar esta manifestação ESPECIFICAMENTE sobre a Defesa da Profissão Docente.

          Foi esse o sentido da faixa que abriu o desfile e foi transportada por quem a organizou esta (e não outra) Manifestação Nacional e “mutatis mutandis” as Palavras de Ordem;

          Nestas não estavam por ex. “Costa está na hora de ires embora”,(também não queremos impedir ninguém de gritar o que lhe vai na alma) pois o seu escopo é almejarmos, pela negociação, as reivindicações dos Professores e Educadores e não por ex. ter como prioridade desgastar o Governo (de turno) ou termos agendas alheias à Classe que defendemos e pela qual pugnamos.

    • Ana Paula Farinha on 14 de Fevereiro de 2023 at 22:14
    • Responder

    Peço desculpa mas, está a mentir.
    Todos estavam organizados segundo as indicações recebidas da plataforma de sindicatos. O distrito de Faro deveria ter entrado em 4°lugar na manifestação
    Não fosse às 15h + -, ter aparecido um dirigente da Fenprof e ter dito que o STOP seria o último a entrar no desfile (não me contaram, eu OUVI.
    Da mesma forma que VI colegas da FENPROF que estavam junto aos colegas que tinham bandeiras do STOP serem tirados daquele local, por um dirigente da Fenprof ).
    Há uma grande diferença entre o que se diz e o que se quer realmente dizer. No sábado, em Lisboa, estavam PROFESSORES, numa luta que é de todos, que ultrapassa qualquer sindicato. Os sindicatos servem para defender os professores e aquilo que eles reivindicam e não os próprios interesses. O mínimo que os dirigentes podiam ter feito, mesmo depois de discursarem, era
    esperar que TODOS os professores que desceram a Avenida, chegassem ao Terreiro do Paço.
    Para além deste vergonhoso incidente ainda constatei que os Agrupamentos do Algarve e não só, que tentaram entrar na Avenida antes das 17h30, foram bloqueados por indivíduos não identificados.
    Para mim foi vergonhoso o que aconteceu. E culpo a Fenprof pelo facto. O Mário Nogueira não está interessado em ouvir discursos contrários à sua forma de querer fazer sindicalismo democrático. Estou à vontade para falar porque já desisti de sindicatos. Vou à luta, e grito pelo que tenho direito e é justo. O meu sindicato são os Professores.

    • fernando on 14 de Fevereiro de 2023 at 22:27
    • Responder

    Foi vergonhoso o que se passou. SE sabiam da quantidade de professores indignados que se deslocaram para a manifestação, teriam começado mais cedo. É ultrajante que o “ultimo Distrito” a sair, na cauda da manifestação tenha sido o STOP. Milhares de professores ainda iam em desfile e a descer a Avenida e o comício tinha já terminado e palco desmontado. Uma falta enorme de respeitos pelos professores mas também demonstra que a plataforma sindical nem está interessada em ter mais um parceiro de negociação. Conclusão, tudo foi feito de forma premeditada com o intuito de colocar de parte professores que decidiram mudar de sindicato e abraçar um outro em quem acreditam mais.

    • Mais um on 15 de Fevereiro de 2023 at 10:49
    • Responder

    E pronto.
    Vão ser os sindicatos a matar isto.
    O ME só tem que aguentar mais um bocado, que os sindicalistas resolvem-lhe o problema!!!
    E os professores nem em 30 anos recuperam disto.

    Eu não sou, de modo algum, simpatizante do STOP nem das suas posições ideológicas. MAS foram eles que arrancaram com este movimento. Por mim, iam na frente da manifestação. E quanto mais se vê os outros a tomar medidas deste tipo, mais eu, e acredito que outros, me indigno com os sindicatos “antigos”.

    O Nogueira está sempre a dizer que os professores sabem pensar e o ME não pode fazer de nós burros. É preciso que o Nogueira também não o faça! Eu não confundo o populismo e extremismo do STOP com a promoção deste “movimento de professores”. Os objetivos deles são deles, eu adiro com os meus. Eu não grito que o Costa vá para a rua, mas estou lá no meio a gritar pelo que quero. MAS o STOP arrancou isto (se calhar com uma aldrabice, mas paciência), os outros colaram-se (e ainda bem), e agora fazem de conta que são os donos disto tudo. E os professores perdem!

    Faço por fim um apelo ao STOP para que não entre nesta briga e birra infantil dos sindicatos, e que retire o pré-aviso de greve para os dias 2 e 3 de março. Se os serviços mínimos se mantiverem, não vamos poder fazer a greve e ir às manifestações. E isso será matar isto tudo de vez!

    Tenham bom senso e lutem pelos professores (e já agora, pelos PROFESSORES, que é para isso que os sindicatos existem. Pela Educação quem tem que lutar é o Governo, os partidos políticos, os EE, a sociedade em geral).

    • Paula Dias on 15 de Fevereiro de 2023 at 18:32
    • Responder

    Caro Filipe do Paulo,
    Ilustre Colega,
    Ilustre Professor:

    (Sim, eu sei, que este “gracejo” era perfeitamente dispensável, mas uma “Ilustre Psicóloga” também tem o direito de “cair em algumas tentações”, seguindo o exemplo do Ilustre Colega e Professor)…

    Depois de tantas palavras, ainda não vi da sua parte qualquer reconhecimento de que no passado Sábado foram cometidos alguns atropelos anti-democráticos, que “ESPECIFICAMENTE” colocaram em causa a “Defesa da Profissão Docente”, por não terem acautelado a efectiva união dessa classe profissional.

    Parto do princípio de que não terá outros argumentos, além dos que já apresentou, e esses, sinceramente, reitero que não me convenceram.

    Quanto às “agendas alheias à classe”, concordo que devem ser banidas da presente luta e, em particular, do processo de negociação em curso, assim o consigam demonstrar todas as partes envolvidas…

    O eventual apego a “agendas alheias à classe”, quer sejam partidárias, sindicais, ou outras, impedirá a defesa integral da Classe Docente, sem qualquer dúvida ou reserva.

    Veremos se as acções dos vários intervenientes no processo de negociação são ou não coerentes e consonantes com as suas próprias palavras… Aguardemos.

    Da minha parte, encerrando este assunto, cordialmente,

    Paula Dias

    • Filipe do Paulo, PRÓ-ORDEM on 16 de Fevereiro de 2023 at 12:30
    • Responder

    Caríssima Paula

    Só agora li, pois ontem tivemos mais uma longa reunião com o Ministro para negociação da revisão do Regime Jurídico dos Concursos de Professores.
    Desejo o melhor para um estatuto de carreira de Psicólogos e serei solidário.

    Com estima
    Filipe

    • Filipe Artur on 17 de Fevereiro de 2023 at 0:22
    • Responder

    Não bastava já o MEC ser mentiroso ainda temos “colegas” que também o são.

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