As propostas não ficam muito longe da apresentada por mim e pelo Alexandre Henriques…
Da redução do número de alunos por turma à concentração dos horários das aulas durante a manhã ou durante a tarde, consoante os anos de escolaridade. Foram várias as hipóteses lançadas sobre a mesa pelos sindicatos e pelos representantes dos directores das escolas nas reuniões que vêm sendo mantidas com o Ministério da Educação para preparar o arranque do ano lectivo 2020/2021. Depois de o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, ter apontado 14 a 17 de Setembro como datas de arranque das aulas, e que as primeiras cinco semanas serão para recuperação das aprendizagens, os directores das escolas defenderam que, na eventualidade de nem todos os alunos poderem voltar às aulas presenciais, a prioridade deve ser dada aos alunos do pré-escolar e do primeiro ciclo do básico.
“Os mais novos foram os mais prejudicados com as aulas à distância. Precisam de muito acompanhamento e atenção e percebemos que, sobretudo no 1.º e no 2.º ano, houve situações de regressão em termos de aprendizagem”, justificou ao PÚBLICO Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE). “São os meninos com menos autonomia e que precisam de estar o mais próximo possível dos professores”, concordou Filinto Lima, da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).
Quanto aos restantes anos lectivos, e admitindo que em Setembro estejamos numa situação de saúde pública semelhante à actual por causa da pandemia, os directores enfatizaram a necessidade de as escolas se prepararem para conciliar aulas presenciais com aulas à distância. “Os alunos poderão eventualmente ir à escola alguns dias por semana ficando outros em casa, de modo a reduzir a presença de muitos alunos na escola em simultâneo”, precisou Manuel Pereira. A concentração dos horários das aulas, em que uns alunos têm aulas das 8h às 13h e os restantes das 13h às 18h, “não sendo ideal, é uma solução antiga que poderá ser recuperada” para responder ao distanciamento ditado pela crise sanitária, ainda segundo o presidente da ANDE.
Em uníssono, os representantes dos dirigentes escolares reivindicaram mais autonomia para as escolas. “Cada escola e cada professor é que sabem em que é que os alunos estão a falhar e se precisarão de quatro, cinco ou seis semanas para recuperar aprendizagens”, justificou Filinto Lima, adiantando que outras das reivindicações foram “o reforço dos créditos horários que dão às escolas e a actualização da portaria que define os rácios de funcionários”, sem o que não será possível garantir mais assistentes operacionais.



11 comentários
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“Em uníssono, os representantes dos dirigentes escolares reivindicaram mais autonomia para as escolas.”
Mais autonomia para quê?
Para preservar e alentar algumas “coutadas”, alguns “quintais” e alguns “feudos”? Para perpetuar a “prestação de vassalagem”?
Esta autonomia não é a desejável “a autonomia das escolas”, enquanto unidades orgânicas. Esta autonomia é a “autonomia dos directores” para exercerem o seu poder de forma ainda mais personalizada e inquestionável…
O estilo de liderança e a prática de muitos directores não deixa margem para qualquer dúvida: se lhes atribuírem mais autonomia, algumas escolas ficarão irremediavelmente entregues ao caciquismo e ao poder discricionário…
A democracia participativa, que praticamente deixou de existir desde a criação da figura do director, foi substituída, em muitos casos, por uma espécie de verdadeiro “culto do ego d@ director@”, assente, quase sempre, no autoritarismo e na autocracia, umas vezes de forma explícita, outras de forma mais velada e hipócrita…
Esse estilo de liderança leva, quase sempre, a um enorme desgaste físico, psicológico e emocional naqueles que se encontram na dependência directa de tais líderes… O conflito entre “prestar vassalagem” e não o fazer nem sempre é fácil de gerir… O mal-estar dentro dessas escolas tende a ser generalizado, apesar de quase nunca ser explicitado. Fala-se (às vezes muito) em surdina e com aqueles que se considera mais confiáveis e vai-se aguentando, de forma a evitar eventuais retaliações ou represálias…
Não sejamos ingénuos, a autonomia pretendida só serve a alguns e não se destina, prioritariamente, ao bem comunitário…
Queria que algum de vós, professores, me confirmasse isto.
No fim de semana passado, um amigo que é professor disse-me que, numa reunião de Conselho Pedagógico em início de junho, a diretora do agrupamento onde leciona defendeu que qualquer aluno que, na Páscoa, tenho 3 ou 10 jamais poderá ser avaliado com 2 ou 9 no final do ano, independentemente do que faça no último período, pois a Páscoa corresponde a 2/3 do ano letivo. Ora, se em 2/3 o aluno é avaliado positivamente, não é o último terço que pode baixar para a negativa. Isto, mesmo que tenha 2 – 3, ou 9 – 10, por exemplo.
Se isto é regra não escrita ou escrita, enquanto pai discordo em absoluto.
confirmo
na minha escola igual
Questionei esse amigo se a regra vigorava apenas este ano, dados os condicionalismos, e ele retorquiu que não, era uma norma para vigorar em qualquer ano.
Estou estupefacto se for assim na generalidade das escolas!
3, 3, 2
ou
10, 10, 9
é algo que nunca vi (e ainda bem).
Mas quer que a/o sua/seu educanda/o
desça de nível/classificação neste 3.º período?
Para quê?
Explique lá a razão da sua estupefação.
Isso não será dor de cotovelo pela avaliação de filhos de outros?
Relativamente à pergunta com que encerra a sua intervenção, parece-me demasiado básica para alguém que é professor e deve olhar para isto com outro olhar. Além disso, quando se pessoaliza a discussão e, como fez, vai buscar a descendência do comentador, desce-se a um nível onde não se deveria situar um educador.
O vosso colega afiançou-me que a situação não tem a ver com este ano letivo em concreto, que é uma regra implementada desde há dois ou três anos.
Os casos que ele me citou não eram os que apresentou: focou especificamente 2 – 3 ou 8 – 10 – 9, por exemplo.
Seja como for, parece-me que não vou retirar nada desta dúvida que introduzi. Deixemos o mundo da Educação portuguesa continuar a circular na mãos dos políticos e especialistas, que o resto da população tem apenas de assistir e sustentar.
Isso mesmo!
Mas faça-o com beato patriotismo de esquerda.
Já agora, e não maço mais, confirme lá se a situação (com a qual discorda em absoluto) reporta ou não a um filho seu.
Caríssimo educador, a situação não se relaciona com nenhum dos meus filhos.
Agora, cresça interiormente e comporte-se como educador que dizer ser.
Caro Roberto,
não explicaste a razão de ser da tua estupefação.
Eu faço-te um desenho (nós, professores, estamos habituados).
A avaliação é um processo contínuo. Ou seja, diz-nos o ponto das competências e conhecimentos atingido pelo aluno.
Atingida a classificação 3 ou 10 no final do 2.º período, quando faltam “meia dúzia” de semanas para o final do ano letivo, é perfeitamente compreensível que só um tsunami poderia justificar uma classificação final de 2 ou 9.
Dedé, também percebeste?
Como professor peço imensa desculpa ao Roberto pela diarreia de posts que o Alecrom escreveu.
Ele não dá mais …é burro e devia ser erradicado da profissão.
Obrigado, Dedé.