2 de Maio de 2016 archive

Sol doirado beijando a pele

 

Sol doirado beijando a pele.
Areia granulada mordiscando os dedos dos pés.
O odor imaculado da maresia fresca poisado no rosto.
E o azul acetinado a desenhar uma linha infinita entre o mar e o céu.
Não me importuna a vizinhança irrequieta dos cães que correm, das bolas que devassam com sofreguidão o espaço, os risos das crianças dos outros, as garotas namoradeiras enlaçando línguas de sonho e de desejo.
É domingo e deixei a sacola de livros em casa. Comigo, apenas uma bagagem pesada: o meu filho adolescente, aborrecido por o ter obrigado a trocar as tecnologias por este lugar suspenso.
Contudo, sucumbe ao enamoramento que o mar nos causa a ambos. Há uma espécie de harmonia absoluta quando quebramos a rotina imparcial dos dias grosseiros.
A dado momento, estamos prestes a abandonar a praia e a regressar a casa. O miúdo aproxima-se do meu ouvido e sussurra delicadamente: “gosto muito de ti, mãe.” Como se todo o seu corpo pequeno, subitamente, se agigantasse sobre o meu dando-me doce colo.1
Lembro-me, agora que o domingo passou, deste pequeno presente que me deixou assombrada.
Temos andado em quase permanente quezília, os dois. Na verdade, parece-me que nos últimos tempos foi crescendo o meu exaspero com as suas pequenas falhas que testam a minha paciência.
Inesperadamente, toca a campainha e regresso, novamente, ao real. As mochilas agitam-se na ansiedade da saída e as passadas aceleradas dos alunos fazem estremecer todo o edifício, soçobrando na minha mesa uma pilha desajeitada de testes.
À minha frente, o Julião sustém-se com as folhas presas na mão. Estão completamente em branco, à exceção do seu nome.
Tem os olhos vermelhos de um silêncio cerrado. Não necessito insistir muito para que a sua verdade aflore os lábios.
No domingo a polícia foi lá a casa. A mãe levou tareia do companheiro e, ele próprio, apanhou quando a tentou proteger.
Abraço-o e encaminho-o para o gabinete da psicóloga. Vejo a porta fechar-se à minha frente e oiço, de novo, as palavras agora ténues de meu filho: “gosto muito de ti, mãe.”
Ontem foi Dia da Mãe, mas nem todas as mães receberam flores.
Algumas, por entre o ódio, receberam o verdadeiro amor de seus filhos.
Esse laço imperfeito e ziguezagueante de amor eterno que nos desfaz, nos ameniza e nos torna mulheres impossíveis.

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Primeira Quinzena de Maio, Data de Publicação das Listas Provisórias

… segundo a DGAE.

Será nesta ou na próxima semana?

Aceitam-se apostas. 🙂

quinzena maio

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Descontos Para a Segurança Social dos Contratados com Horário Incompleto

Já me chegaram vários e-mails dando conta do mesmo assunto deste artigo. Esta não é a primeira vez que a Segurança Social/Agrupamentos de Escolas consideram que os docentes em horários incompletos não têm o mesmo direito que os docentes em horários incompletos para efeitos de descontos para a segurança social. Já o ano passado instalou-se a polémica nos técnicos das AEC na zona de Braga.

Será importante rever esta situação, que nem DGAE, nem ACT sabem esclarecer, pois como se sabe os descontos para a Segurança Social têm implicações directas com o Subsídio de Desemprego e são geralmente estes docentes contratados que precisam de acumular os meses de desconto para terem direito a esse subsídio.

 

segurança social

 

 

 

Gostaria de lhe dar conta do que se está a passar com os docentes contratados na escola onde lecciono, pois considero tratar-se de uma ilegalidade revestida até de contornos de malvadez, pois até agora, apesar de muitas diligências, não consigo apurar de onde vieram as orientações para tal aplicação da lei, pelo que passo a explicar  o meu caso:

 

Estou colocada desde setembro num horário temporário de 16 horas letivas  no grupo de recrutamento 200.  Além do trabalho lectivo, sou ainda diretora de turma e dou apoios educativos. Deparei-me com o facto de a escola, ao invés dos 30 dias mensais, como seria expectável, estar a processar-me os descontos na Segurança Social referentes a 11 dias mensais, resultado, segundo a mesma, da aplicação do ponto 4 do artigo 16º do Decreto Regulamentar 1-A/2011 de 3 de janeiro. Ora, considerando que não me enquadro na situação descrita nesse ponto do artigo, leia-se: “nas situações de contrato a termo parcial, de muito curta duração e de contrato intermitente com prestação horária de trabalho, é declarado um dia de trabalho por cada conjunto de seis horas”, porque  não possuo nenhum contrato destas tipologia (contratos de docentes contratados: contratos resolutivos a termo (in)certo); considerando ainda ainda o facto de que a profissão de docente se rege por um estatuto onde poderá ler-se, no ponto 2 do artigo 76º do SUBCAPÍTULO II: “O horário semanal dos docentes integra uma componente lectiva e uma componente não lectiva e desenvolve-se em cinco dias de trabalho”, pedi esclarecimentos à mesma, dado que tenho também um horário distribuído ao longo de toda a semana e ainda que os docentes contratados se enquadrassem no decreto regulamentar acima referido, a escola nem sequer estaria a contabilizar-me o serviço não letivo.

Obtive como resposta de que foram orientações muito explicitas do Centro Distrital de Segurança Social, que considera que os docentes se enquadram no referido ponto do Decreto Regulamentar 1-A/2011. Após contacto com o mesmo Centro distrital de Segurança Social, mais do que uma vez, obtive como resposta de que esses dados eram da inteira responsabilidade da escola e que lhes “parecia” que a mesma não estaria a proceder correctamente.  Contactei a DGAE, que não soube prestar nenhuma informação coerente, referindo que tal fiscalização não era da sua alçada mais sim da ACT. Contactando a ACT, esta afirmou que por tratar-se de um estabelecimento público de ensino tal assunto teria que ser esclarecido junto da DGAE.

De quem será então a responsabilidade?!

É no mínimo caricato que o mesmo decreto regulamentar no artigo 19º refira que, para os trabalhadores domésticos, os dias de trabalho sejam considerados 30 sempre que o mesmo aufira de rendimento superior ao da remuneração mínima e que para os docentes com remunerações assaz superiores sejam apenas como, no meu caso em particular, contabilizados 11 dias por mês.

 

 

Com os melhores cumprimentos e desde já agradecida,

CC

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Pills

Não, não é um novo estudo internacional, é a realidade portuguesa.

 

CRIANÇAS PORTUGUESAS CONSOMEM 5 MILHÕES DE PSICOFÁRMACOS POR ANO

 

pills

 

Um relatório da Direção-Geral de Saúde alerta que as crianças portuguesas estão a consumir demasiados psicofármacos por ano.

Os dados constam do relatório de 2015 sobre a saúde mental em Portugal da Direção-Geral da Saúde e referem-se a tratamentos para a hiperatividade e défice de atenção.

De acordo com a DGS, milhares de crianças até aos 14 anos de idade consumiram mais de cinco milhões de doses de metilfenidato, um psicofármaco usado para tratar a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA). O mais comum destes fármacos é o Ritalina, que chega mesmo a ser conhecido como “a droga da boa nota”.

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Pela Póvoa de Lanhoso

Alunos medeiam conflitos e previnem ‘bullying’

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Os intervalos das aulas na EB2,3 Professor Gonçalo Sampaio, em Póvoa de Lanhoso, são vigiados por “alunos mediadores”, que têm como principais incumbências a gestão de conflitos e a prevenção do ‘bullying’, informou esta segunda-feira fonte daquela escola.

 

Em comunicado enviado à Lusa, a fonte acrescentou que o grupo de jovens mediadores é formado por 20 alunos dos 8.º e 9.º anos de escolaridade, que receberam formação para o exercício daquela função e que estão no terreno desde janeiro.

 

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Os números da Educação no seu município

10 Anos | Indicadores de Norte Conjuntura. Uma boa consulta dos indicadores por município.

(clicar na imagem) In JN

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Procedimento concursal para reserva de recrutamento de docentes do ensino português no estrangeiro para o cargo de leitor ao nível do ensino superior

3ª manifestação de interesse

Informam-se os candidatos em reserva de recrutamento para o cargo de leitor que dispõem de 5 dias úteis, contados a partir de 29 de abril de 2016 até ao dia 5 de maio de 2016.

(clicar na imagem)

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Arruaceiros… eu não chegaria a tanto…

… mas quem o afirma não sou eu… “Ventos dos novos tempos…”

 

CM1

CM2

in JN 01/05/2016

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Opinião – António Ribeiro Ferreira – “Um ministro com orelhas de burro”

Não tenho costume de comentar opiniões, sejam elas de que forem, mas tenho que referir que esta opinião sofre de uma certa falta de visão. Não vejo onde estará o mal em reunir com os sindicatos trimestralmente, pode até ser um passo importante se for feito de forma séria. É a democracia participativa a funcionar. Sei que isso assusta muita gente, esperemos que não assuste o Tiago cedo de mais. Em relação a outros pontos focados em baixo continuo expectante pelo resultado final, ainda não sei no que isto vai dar, ou melhor, ainda não vi…

 

Mário Nogueira e companhia vão avaliar o ministro da Educação de três em três meses. A geringonça pode ser uma desgraça para o país, mas ninguém lhe tira o mérito de pôr os portugueses a rir às gargalhadas. Bem haja

São de facto tempos novos. Bons ou maus, depende das opiniões. Mas há um elogio que se deve fazer aos rapazes e raparigas da geringonça que governa este país. São tão engraçadinhos e engraçadinhas que fazem rir o mais sisudo cidadão. E neste aspeto, o Presidente da República, que anda a dar afetos pelo país, tem toda a razão.

O ambiente de austeridade e crispação dos últimos quatro anos está a dissipar-se rapidamente para dar lugar à risada salutar de quem já não se importa muito com o presente e deixou há muito de pensar no futuro. Há muitas anedotas no parlamento, no governo e na administração pública.

E, como não podia deixar de ser, as anedotas fazem questão de aparecer muitas vezes em público para mostrar ao povo os seus números de humor. O caso mais evidente, para já, foi escolhido pelo sempre sorridente António Costa para tomar conta da Educação. E o jovem cientista do Minho não se fez rogado ao desafio e começou com o pé esquerdo as suas funções na 5 de Outubro.

Engoliu sem água o fim dos exames do 4.o ano decretado pela esquerda antes de ser ministro e completou o brilhante trabalho com o fim dos restantes exames no secundário. Falou vagamente em provas de aferição já este ano que rapidamente passaram a facultativas depois de uma intervenção salvadora do senhor Presidente da República. O jovem cientista feito ministro dissertou então sobre a matéria do alto da sua ignorância: “É importante não treinar para os exames e isso é altamente pernicioso e até nocivo.

O que estava a acontecer é que a escola se estava moldar ao processo de exames. Isso é altamente pernicioso e é algo que não queremos fazer.” Depois destas tiradas hilariantes e talvez aconselhado a descansar pelo seu padrinho Costa, o jovem cientista do Minho andava fora dos radares, com tantos planos de estabilidade, documentos secretos e grandes reformas nacionais, quando subitamente decidiu dar sinais de vida com um hilariante e espetacular anúncio: “Os sindicatos pediram e Tiago Brandão Rodrigues aceitou.

A partir de agora, o Ministério da Educação e sindicatos dos professores vão reunir trimestralmente para avaliação das políticas em curso e debate sobre medidas a tomar. Ou seja, a cada três meses, as organizações que representam os professores vão ter a oportunidade de avaliar o trabalho do ministério. Para a tutela, trata-se do valorizar o diálogo próximo e regular com os seus parceiros.”

Para a geringonça, os alunos não devem ser avaliados para evitar ansiedades perniciosas, os professores não devem ser avaliados porque isso não se faz aos membros dos sindicatos de Mário Nogueira e companhia, as escolas não devem ser avaliadas porque isso não se faz à escola pública, mas o ministro da Educação deve ser avaliado pelos sindicalistas. O anúncio não dá muitos pormenores sobre o modelo de avaliação, se mete prova escrita e oral, e muito menos adianta quais serão os castigos a aplicar ao ministro em caso de avaliação negativa.

O avaliador Nogueira fez caixinha sobre a matéria, mas é sempre possível imaginar Tiago Brandão Rodrigues a levar umas boas reguadas, umas palmadas bem dadas, ou a ser obrigado a levar orelhas de burro para as reuniões do Conselho de Ministros. E Mário Nogueira, que não é pera doce e vem de uma escola em que a autoridade e a obediência cega não são palavras vãs, já lançou um primeiro aviso ao jovem cientista do Minho. Na abertura do congresso de professores, o homem forte da 5 de Outubro puxou da régua em jeito de ameaça: “O ministro da Educação parece hesitante no caminho, talvez apertado pelos comentários da direita e condicionado pelo ex–ministro (de Cavaco, claro) que agora preside ao Conselho Nacional de Educação. Do atual Conselho Nacional de Educação sopram grãos de areia para a engrenagem da mudança.”

É isso, Tiago Brandão Rodrigues. Ou expulsa rapidamente David Justino ou vai mesmo passar pela vergonha de andar com orelhas de burro. Com a Fenprof não se brinca.

Jornal i

 

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“A cor da pele conta para os resultados dos alunos”

É uma ideia que me repugna. Uma criança é uma criança, ponto. Um ser humano é um ser humano, ponto.

Estes estudos que plasmam conclusões destas, no meu entender, pecam por não serem abrangentes ao nível das variáveis.

“… as escolas discriminam os alunos em função da cor da pele”, porque não em função da religião ou da “raça”?

 

Constituição da República Portuguesa

ARTIGO 41.º
(Liberdade de consciência, religião e culto)
1. A liberdade de consciência, religião e culto é inviolável.
2. Ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isento de obrigações ou deveres cívicos por causa das suas convicções ou prática religiosa.
3. As igrejas e comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto.
4. É garantida a liberdade de ensino de qualquer religião praticado no âmbito da respectiva confissão, bem como a utilização de meios de comunicação
social próprios para o prosseguimento das suas actividades.
5. d reconhecido o direito à objecção de consciência, ficando os objectores obrigados à prestação de serviço não armado com duração idêntica à do serviço militar obrigatório.
ARTIGO 42.º
(Liberdade de criação cultural)
1. A livre a criação intelectual, artística e científica.
2. Esta liberdade compreende o direito à invenção, produção e divulgação da obra científica, literária ou artística, incluindo a protecção legal dos direitos de autor.
ARTIGO 43.º
(Liberdade de aprender e ensinar)
1. É garantida a liberdade de aprender e ensinar.
2. O Estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas.
3. O ensino público não será confessional.

 

Estatuto do Aluno e Ética Escolar

Artigo 7.º

Direitos do aluno 1

O aluno tem direito a:

a) Ser tratado com respeito e correção por qualquer membro da comunidade educativa, não podendo, em caso algum, ser discriminado em razão da origem étnica, saúde, sexo, orientação sexual, idade, identidade de género, condição económica, cultural ou social ou convicções políticas, ideológicas, filosóficas ou religiosas;

 

… mas os estudos valem o que valem, como alguém dizia…

 

Em entrevista ao Expresso, o investigador do ISCTE e coautor de um estudo sobre os estudantes afrodescendentes no sistema educativo português, Pedro Abrantes, assegura que as escolas discriminam os alunos em função da cor da pele – e diz que os professores têm de ser educados para não segregar. Os estudantes oriundos dos PALOP chegam a chumbar quase duas vezes mais do que os restantes e são mais encaminhados para o ensino profissional. Como se o sistema escolar e os cursos orientados para o prosseguimento de estudos lhes dissessem “o vosso lugar não é aqui”

(clicar na imagem) in Expresso by Christiana Martins   & Joana Pereira Bastos 

quadro

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