Divulgação

O Movimento de Professores teve como ponto de partida as irregularidades que marcaram o arranque do presente ano letivo, o desrespeito generalizado pelos agentes educativos no passado recente, o flagrante desinvestimento na educação por parte do Ministério da Educação e o Governo do país, e a enorme falta de confiança pelos agentes educativos na tutela. Com esta premissa, os inúmeros professores de vários pontos do país uniram-se de forma espontânea (sem conotações sindicais/partidárias), criando assim uma visível onda nacional de contestação, com a denominação agregadora «Movimento Boicote & Cerco».

O balanço das ações de protesto realizadas entre os dias 13 e 18 de Setembro – em Lisboa, Porto e Coimbra – é extremamente positivo, na medida em que foram atingidos os dois pontos imediatos do conjunto de exigências expressos e entregues ao Ministério da Educação (via DGESTE). Através da abertura de um espaço para a participação de cada professor na defesa da dignidade coletiva, levando a cabo a organização coletiva de ações de protesto a partir da discussão de problemas, apontando estratégias e medidas de resolução, conseguiu-se em primeira instância “(…) o reconhecimento por parte da tutela de que os fortes constrangimentos que recondicionam o início do ano letivo necessitam uma solução urgente e eficaz de forma a resolver os problemas em aberto e que afetam a escola pública.”, o que já se concretizou no pedido de desculpas do Sr. Ministro aos alunos, pais, professores e diretores; “(…) exigimos a anulação e a retirada das listas de ordenação de todas as escolas no âmbito da BCE (Bolsa Cheia de Erros)”, o que será previsível pelo anúncio do Sr. Ministro na elaboração de novas listas de BCE com a correção da fórmula.

Ainda assim, recordamos que existem problemas e constrangimentos imediatos, para os quais ainda não obtivemos resposta:

1º- Inclusão de todos os docentes excluídos ilegalmente pela PACC, exigindo a sua anulação e reposição de todos os docentes anteriormente habilitados para a docência;

2º- Anulação e retirada das listas de ordenação de todas as escolas no âmbito da BCE, passando a existir uma única lista de ordenação, a qual respeite a graduação profissional dos candidatos;

3º- Transferência e inclusão de todos os horários das escolas/agrupamentos TEIP/com Autonomia para Reserva de Recrutamento;

4º- Suspensão transitória dos subcritérios definidos pelas escolas, garantindo a equidade e passando a graduação profissional a ser o «único» critério de ordenação dos candidatos, de forma a permitir uma atempada revisão do diploma de concursos para o próximo ano letivo;

5º- Exigimos que todos os contratos até 31 de Agosto e de caráter permanente sejam sempre anuais. Bem como os colegas que estejam em situação de eminente vinculação não sejam prejudicados pela anormalidade do início do ano letivo;

6º- Redução do número de alunos por turma, a revisão da organização curricular e o reforço do apoio aos alunos com necessidades educativas especiais, entre outros aspetos, os quais serão anunciados mais oportunamente.

Por último, concluindo, neste preciso momento, apesar da aparente “normalidade” produzida pelo pedido de desculpas, por parte do Sr. Ministro Nuno Crato, no dia 18 de Setembro, consideramos imperativo a continuidade da reivindicação – por parte de todos os agentes educativos – de medidas que apontem para a dignificação do estado da escola pública em Portugal.

19 de setembro de 2014,

MPBC

 

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20 comentários

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    • Barradas on 20 de Setembro de 2014 at 14:36
    • Responder

    Fico satisfeito de ver que pela primeira vez quem se preocupa e se digna a mencionar o caso dos professores excluídos do CI/RR injustamente devido a PACC, logo no 1º ponto desta divulgação. Um bem haja para todos aqueles que são solidários para estes professores, só demonstra bom carácter, atitude decente e para quem tem este tipo de integridade merece respeito que a justiça seja feita!

    • hctf on 20 de Setembro de 2014 at 15:08
    • Responder

    Força malta!

    Temos que lutar pelo futuro da escola pública. Espero que
    todos os professores contratados, QZP e QE, se empenhem nesta luta.

    • raquel on 20 de Setembro de 2014 at 15:32
    • Responder

    hmm….. estou a reconhecer algumas dessas caras. Muitos desses senhores não são/eram da teip de Felgueiras? Alguns já lá tinham criado raízes… Pois é, a BCE veio dar a volta a muita coisa! A volta foi tanta que nem os diretores andam contentes. Pena a BCE não ter sido preparada com antecipação, porque o modelo bem implementado acabava com a festa de serem colocados sempre os mesmos.

      • Arod on 20 de Setembro de 2014 at 19:01
      • Responder

      Concordo!!!

      • jorge on 20 de Setembro de 2014 at 22:40
      • Responder

      Plenamente de acordo. Quando me toca no umbigo,,,

      • Pedro Xavier on 21 de Setembro de 2014 at 21:04
      • Responder

      Raquel, não conheço a situação de cada um dos colegas que participou mas, garantidamente, não há qualquer ligação com a dita escola, nem com qualquer realidade em particular, em nenhum dos quatro dias que, para já, durou a ação de protesto, por isso vai-me desculpar mas a sua suspeição é completamente descabida.

      Aliás, se se quiser ler o documento entregue na DREN na 2ª (dia 15) e publicado, verá que se apela precisamente para a transparência nas reconduções, pois foi sensibilidade comum, sem exceção, pois sabe-se que há diretores que conseguem reconduzir e outros não, com muita prevaricação à mistura:

      “A/C Ministério da Educação

      No dia 15 de Setembro, os professores reunidos em frente à DREN, questionaram os problemas que marcam o arranque anormal do ano letivo 2014/2015 que agora principia. A saber:
      – o impedimento da candidatura aos concursos de recrutamento de milhares de professores, emparticular os colegas profissionalizados para a docência, mas que por força da não realização de uma prova desconexa e injusta (PACC), ou do resultado da mesma, foram afastados do acesso à carreira;

      – a falta de transparência no processo das (não) reconduções de contratos em várias escolas; (…)”

    • benvinda branquinho on 20 de Setembro de 2014 at 15:38
    • Responder

    Quando por volta de 1998 exigiram habilitação profissional para o concurso nacional de professores e excluíram da carreira milhares de professores que estavam no ensino há décadas, com habilitação própria, NINGUÉM se incomodou. Quando as colocações nas escolas começaram a ter critérios à medida do senhor diretor ninguém se importou. Quando dividiram os professores chamando alguns de titulares gostaram muito disso, alguns. Quando criaram nas Universidades cursos que davam habilitação profissional para todos os ofícios , ninguém disse nada . Quando começaram a sair com habilitações profissionais de 21 valores numa escala que ia até 20 , todos acharam normal . E agora que uma vassoura varre tudo a torto e a direito já se importam ? Agora é tarde , colegas. Não há crianças e há poucos jovens.

      • Arod on 20 de Setembro de 2014 at 19:10
      • Responder

      Pois, muitos colegas só sentiram as injustiças agora e fazem disso um grande drama… Julgavam que só acontecia aos outros!

      • bekas510 on 20 de Setembro de 2014 at 19:32
      • Responder

      Benvinda, eu lembro-me de quando a Maria de Lurdes excluiu do concurso esses milhares de professores de que fala, fui uma delas; a muito custo consegui a profissionalização. Para quê? Para 11 anos de serviço contarem metade e ser ultrapassada por milhares de colegas com muito, muito menos tempo de serviço?
      Mas disto nunca ninguém falou ….

    • Zaratrusta on 20 de Setembro de 2014 at 17:20
    • Responder

    Nos países a sério, os políticos assim que erram, pedem desculpa e demitem-se. Em Portugal, um político que erra durante 3 anos, pede desculpa por um dos erros, o que lhe dá autorização para continuar a errar.

    • mpl on 20 de Setembro de 2014 at 18:30
    • Responder

    A BCE tem que ser anulada, não pode haver candidatos que vão ter um ano de serviço e a ultrapassarem os mais graduados por um erro de uma fórmula. O Estado que indemnize estes prof. mas estas lista têm que ser todas eliminadas . Se há erros têm todos que ser eliminados.

      • Pedro.Rod on 20 de Setembro de 2014 at 19:28
      • Responder

      Na contratação inicial também se verificaram muitos e graves erros e ao que parece os colegas ficarão nas escolas e com um ano de serviço. O Crato está mãos largas, mas acho que a anular era a todos!

    • Carlos Sousa on 20 de Setembro de 2014 at 18:57
    • Responder

    Só há uma coisa não concordo e que é referida no ponto 3. Se os horários da BCE forem para as RR quem ficou (como eu) em horários incompletos na CI não tem qualquer hipótese de completar com outro horário (como consegui fazer o ano passado). Quando concorri não eram essas as regras! Fossem os horários todos para RR desde o início e não teria necessidade (preciso dar de comer aos meus filhos) de arriscar tanto para horários de 11 horas como o que tenho. Devem corrigir-se as injustiças mas não com outras injustiças! E não venham dizer que concorri porque quis, porque o fiz caso contrário, com mais de 300 escolas na BCE, não teria hipótese. Se essas 300 estivessem desde o inicio seria justo e diferente. Assim não! Cada um tem a sua forma de pedir o que é justo mas mudar regras a meio não me parece justo! Saliento que em tudo o resto concordo! Tenho dito!

    • acasqueiro on 20 de Setembro de 2014 at 19:24
    • Responder

    É impressão minha ou os (cerca de 1500) docentes que foram retirados da listas da mobilidade por uma inexistente atribuição de componente letiva (da escola de colocação ou de provimento) estão a ser completamente esquecidos!? Só ouço falar da BCE (e com toda a razão) mas espero que os SINDICATOS não esqueçam as tremendas injustiças (com manipulação de números) que houve na mobilidade interna deste ano.

      • Pois on 20 de Setembro de 2014 at 22:52
      • Responder

      Sabe o que significa “assobiar para o lado”?!?

      • cgomes on 21 de Setembro de 2014 at 11:10
      • Responder

      Já falei nisso várias vezes…

      Aparentemente, o único problema deste concurso é a BCE!

      Parece que os sindicatos andam em propaganda e, seguramente, esperam conseguir mais mediatismo e “novas adesões” com a BCE do que com os outros…

      A manter-se o que tem vindo a acontecer em anos anteriores, a resposta ao RH chegará em janeiro de 2015 e a “justiça” em abril ou maio!!!

      Concordo plenamente que se lute e conteste com toda força a idiotice que é a BCE mas discordo plenamente que se esqueçam os outros!!!

    • caras do costume on 20 de Setembro de 2014 at 23:46
    • Responder

    esta malta só foi lá para a foto… além do pessoal do boicote&cerco nenhuma destas caras esteve lá nos dias anteriores, apareceram para a foto e para contribuir para a fotocópia. bela pose de sofá nos dias anteriores.

      • cadaEscavadelaUmaMinhoca on 21 de Setembro de 2014 at 21:23
      • Responder

      Quanta revolta… Parece que o importante é quem esteve na foto ou nos dias anteriores. Este comentário só pode ser feito por um outsider ou alguém muito distraído que se ausentou num momento em que foi proferida uma frase que torna o torna desadequado.

        • caras do costume on 22 de Setembro de 2014 at 9:34
        • Responder

        Não o importante é aparecer quando é preciso e não depois de a batalha ganha. Pelos visto tu és uma das comentadoras de sofá. Parabéns

    • Manelinho on 22 de Setembro de 2014 at 14:43
    • Responder

    Muita atenção aos imensos horários de Técnicos Especializados, sobretudo em escolas profissionais há lá horários completos anuais que deviam ter sido colocados em grupos de recrutamento e não o foram para meter quem eles querem escolhendo critérios manhosos feitos à medida. Vejam quem foi o candidato selecionado, a que grupo pertence e que lugar ocupa na lista de ordenação dos contratados e já agora verifiquem se o candidato colocado nesse horário não é o mesmo colocado no dito horário o ano passado com o velho sistema de oferta de escola………..RECLAMEM..Com esta treta de Técnicos Especializados vão ultrapassando centenas de colegas do mesmo grupo disciplinar e papando horários completos até 31 de Agosto…………………

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