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Em 2023 as Provas de Aferição Serão Online

O IAVE prevê que as provas de aferição em 2023 sejam realizadas totalmente online e que em 2024 seja universal o sistema de provas finais de ciclo no sistema online. Em 2025 o alargamento da avaliação externa online será feita aos exames finais nacionais do ensino secundário.

Será um bom princípio a passagem da avaliação externa em papel para um sistema online, no entanto, muito ainda é preciso fazer para que as escolas estejam capacitadas para este sistema de avaliação.

Desde o aumento da rede de internet nas escolas, assim como de meios que permitam um simples carregamento dos equipamentos nas salas de aula.

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12 propostas do SIPE para a falta de professores

 

O SIPE apresenta medidas que permitam ultrapassar a falta de professores a curto e a médio prazo. 
1. Permitir, já para este ano letivo, que os Educadores e Professores finalistas dos mestrados educacionais possam concorrer à contratação de escola.

Operacionalização: os estudantes/professores concorrem condicionalmente efetivando-se a candidatura com a apresentação do certificado, em julho.
Neste ano letivo são aproximadamente 1700 os finalistas em educação, número que contribuiria para a redução deste problema no imediato.

2. Estágios profissionalizantes remunerados

Operacionalização: o último ano do estágio deverá contemplar uma forte componente prática, em contexto sala de aula e realizado com turma(s) atribuídas, supervisionadas científico-pedagogicamente, pelos professores responsáveis. O estágio deverá ser remunerado e o tempo de serviço prestado deverá contar para ingresso e progressão na carreira.

 

3. Atribuição de casa e subsídio de deslocação para professores deslocados nas zonas com maior falta de professores, como por exemplo, Lisboa, Setúbal e Algarve, locais cujo custo de vida é muito alto tornando incomportável que um professor se desloque.

Operacionalização: alojamento deverá ser garantido a todos os professores deslocados e suas famílias, se for caso disso, através de parcerias com as câmaras municipais ou de subsídios de residência como é o caso dos juízes. Subsídio de deslocação também terá de ser garantido quando um professor ficar colocado a mais 30 Km da sua área de residência.

 

4. Alteração aos horários de contratação: é incomportável financeiramente um professor deslocar-se para longe da sua área de residência para lecionar um horário de 10 horas, por exemplo.

Operacionalização: os horários a concurso deverão ser completos sob pena de ninguém os aceitar. Caso, a necessidade da escola seja a de um horário incompleto então deverão ser adicionadas horas para apoio aos alunos, trabalho colaborativo e/ou substituições de colegas.

 

5. Vinculação de professores – é urgente terminar com a precariedade docente. A maioria dos professores só conseguem vincular com muitos anos de serviço e após percorrerem várias escolas por todo o país. Durante este percurso, em que auferem sempre o mesmo vencimento são muitos o que desistem devido à instabilidade financeira, pessoal e familiar.

Operacionalização: abertura de um sistema de vinculação extraordinário para todos aqueles que possuam a totalidade de 3 anos de tempo de serviço.

 

6. Terminar com a burocracia nas escolas. Os docentes esgotam-se em tarefas burocráticas as quais implicam horas suplementares de trabalho, e contrariando a essência da profissão.

Operacionalização: simplificação dos processos e plataformas escolares, dedicando o seu tempo ao objetivo da sua profissão, o sucesso do aluno

 

7. Promover o respeito pelo professor não sendo admissível violência contra a classe docente nem indisciplina. A valorização e o respeito pela profissão e figura do professor estão patentes nos Países mais evoluídos ao nível da educação.

Operacionalização: Considerar a agressão ao professor crime público. Considerar por parte da tutela que a violência e a indisciplina têm tolerância zero. Investir em espaços de construção das dimensões de ética, respeito e cidadania.

 

8. Valorização da carreira docente – a atratividade da carreira nomeadamente as condições de trabalho representam um papel fundamental para atrair novos candidatos e manter os atuais professores.

Operacionalização: Melhores vencimentos, abolição das cotas e vagas na progressão na carreira, recuperação do tempo de serviço, reduções pela idade concedida na componente individual de trabalho.

 

9. Investir na formação inicial e formação contínua de professores.

Operacionalização: cursos de formação inicial com forte componente pedagógica e científi- ca sempre com acompanhamento adequado. Atribuição de bolsas aos melhores alunos para a carreira de professor. Proporcionar um plano de formação contínua, ao longo da vida, gratuita, que proporcione a partilha de experiências e atualizações de prática pedagógica.

 

10. Captação dos 10 000 professores especializados que abandonaram a carreira. São professores altamente capacitados preparados para o ensino e nos quais já foram investidos, pela sociedade e pelos próprios, 5 anos de formação.

Operacionalização: atrair estes jovens com uma carreira mais atrativa e estável.

 

11. Concurso de Professores – Um concurso mais adaptado às necessidades dos docentes e à realidade do país.

Operacionalização: A abertura de vagas de quadro de agrupamento, ou quadro de escola, no concurso nacional em função de todas as necessidades manifestadas pelas escolas para horários completos que se verifiquem durante três anos consecutivos;
Respeito pela graduação profissional em todas as fases do concurso;
Possibilidade de os docentes de carreira, anualmente, poderem apresentarem candidatura a todas vagas abertas a concurso, bem como àquelas que resultarem da recuperação automática de vagas;
Disponibilidade, na mobilidade interna de todos os horários, quer completos, quer incompletos;

Diminuição da dimensão da zona territorial de todos os Quadros de Zona Pedagógica.

 

12. Aposentação docente.

Operacionalização: Aposentação, sem penalizações, para os docentes com 40 anos de serviço, independentemente da idade, libertando assim lugares de quadro para as novas gerações de docentes.

 

Porto, 22 de abril de 2022

Pela Direção
Júlia Azevedo (Presidente)

 

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O segredo da vida é que a vaca não dá leite. É você quem tem que tirá-lo

Meus três filhos cresceram com uma ideia que pode até parecer perversa, mas que tem uma natureza pedagógica. Desde que eles eram pequenininhos eu lhes dizia, a cada um em particular, o seguinte: “Quando você fizer doze anos de idade eu vou lhe contar qual é o segredo da vida. Mas, ao ficar sabendo desse segredo, não o conte aos seus irmãos; deixe a hora certa de cada um chegar”. E funcionou, pois todos eles, hoje, têm sucesso, são decentes e têm capacidade de se esforçar e se dedicar.

O André, meu filho mais velho, no dia de seu aniversário, em dezembro, me acordou às 4h da manhã requerendo: “Pai, estou fazendo doze anos. Hoje é o dia em que você vai me contar o segredo da vida”. E eu respondi: “O segredo da vida é que a vaca não dá leite. É você quem tem que tirá-lo”.

Há muitas pessoas que pensam que a vaca dá leite, mas ela não dá. Para dar, é necessário que uma pessoa se levante às 3h30 da manhã, entre no curral, amarre a vaca, segure a teta da vaca e então retire o leite. Se criarmos as novas gerações com a ideia de que vaca dá leite, elas poderão ser medíocres porque aguardarão que as coisas venham até elas. O estudo, a profissão e a competência exigem dedicação, esforço e habilidade.

Às vezes, o seu filho de catorze anos chega até você dizendo: “Pai, não vou fazer faculdade, pois Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg não terminaram a faculdade”. Você, então, deve responder: “Eles largaram Harvard, a melhor universidade do mundo. Um ano em Harvard equivale a trinta em uma ‘uniesquina’ qualquer. Então, primeiramente, você entra em Harvard e depois a larga”. Essa perspectiva é para impedir que as novas gerações e que nós, que temos mais idade, caiamos nesta armadilha que é dizer: “Tudo bem, dá para o gasto”.

É necessário cautela. A mediocridade, na vida, no afeto e na relação, é muito redutora.”

Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas do vídeo: Vaca Não Dá Leite – Mario Sergio Cortella

Confira na íntegra:

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O sistema de ensino: visões e propostas para melhoramento – Francisco Nascimento

O sistema de ensino: visões e propostas para melhoramento

Na escola que vai até ao ensino mínimo obrigatório (12º ano), não aprendemos a preencher o IRS, a gerir o nosso dinheiro, ou sobre os nossos direitos e deveres enquanto cidadãos, mas pelo menos sabemos onde colocar corretamente os advérbios de modo.

Talvez por essa razão tenhamos a “geração mais qualificada de sempre” e não vejamos resultados práticos na evolução do nosso país. Talvez por essa razão sejamos tão desconhecedores sobre a forma como funciona a sociedade em que nos inserimos

Como é possível que não sejamos ensinados na escola sobre a forma como a sociedade funciona, nomeadamente capitalismo, que é, goste-se ou não, o sistema em que vivemos?

Não é plausível que tenhamos 12 anos seguidos de algumas disciplinas e que não tenhamos outras que nos preparariam noutras vertentes importantíssimas da vida, como o cultivo do espiríto crítico, o direito, a política ou a educação financeira.

A minha tese é a de que existem disciplinas que deveriam ser lecionadas de forma obrigatória, e que são até mais importantes na preparação para a futura vida adulta do que algumas que são neste momento ensinadas.

Posto isto, proponho a criação de quatro novas disciplinas com o objetivo de formar adultos mais conhecedores, competentes e capazes de compreender como funcionamos enquanto indivíduos e sociedade:

  • Espírito Crítico – O que é um indivíduo sem capacidade de pôr em questão aquilo que o rodeia? Se não aprendermos a questionar além do que nos é dito, que capacidade de evolução teremos? Para além disso, a forma como, grande parte das vezes, as disciplinas são lecionadas, incita pouco ao espírito crítico, pois as matérias são, com bastante frequência, dadas de forma dogmática e fechada.
  • Educação Financeira – Se não percebermos o dinheiro (a sua origem, o que ele realmente representa e como é criado), e não soubermos criar riqueza e geri-la, como é que podemos aspirar a prosperar no futuro? Em matéria de fiscalidade, por exemplo, uma altíssima percentagem dos finalistas do ensino secundário, para não dizer todos, não fazem a mais pálida ideia de como devem preencher o seu futuro IRS. No entanto, é algo que terão que fazer mais cedo ou mais tarde.
  • Direito – Enquanto cidadãos abrangidos pela Constituição, é imprescindível que saibamos os nossos direitos e deveres, pelo menos os mais elementares. É o mínimo exigível num estado de direito, conceito cujo significado poucos saberão ao acabar o ensino obrigatório nacional.
  • Política – É o que rege a nossa as nossas vidas. Os políticos têm na sua mão parte do nosso futuro coletivo. São eles que escrevem as leis e que as aprovam. São eles que decidem o que é ou não legalmente permitido fazermos, enquanto cidadãos da República. Infelizmente, grande parte dos adolescentes mal sabe o nome do primeiro-ministro.

Posto isto, enfatizo a necessidade imperiosa de a escola ensinar, primeiramente, o que é útil para a vida futura, e só depois aquilo que é supérfluo! Não é aceitável que o – primário, básico e secundário – seja igual ao que era há 100 anos atrás. Simplesmente não faz sentido. A sociedade evoluiu astronomicamente e o ensino tem que evoluir com ela.

Observador

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Liberdade…

 

 

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Não Passarão!

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Porque vale o nosso trabalho qualificado tão pouco? – Luís S. Braga

 

Trabalho digno e bem pago ou fantasias missionárias de motivação? (Reflexões sem nexo sobre um vídeo de uma campanha inglesa de captação de docentes… )
Penso que houve quem me levasse a mal ter repetido em público a frase irónica da minha mãe: “os professores são maltratados, mal vistos, mas têm funerais bonitos”.
Houve até quem dissesse que a frase era deselegante. Não vou defender a elegância da linguagem da minha mãe já falecida. Eu sei como era o seu humor subtil, mas profundo.
E, filha e neta de professores, teve 37 anos de professora, inovadora e reconhecida, para ter autoridade para dizer coisas irónicas sobre a sua vida.
A verdade é que ela teve um funeral bonito. Muita gente nos veio dizer nesse dia a importância que ela teve na sua vida. E que a vida dela teve impacto em milhares de outras vidas.
Mas isso não chega. Ela dizia a piada, mas lutou energicamente, guiada só pela sua cabeça, pela melhoria material da profissão.
Tinha muito a perder, com os custos da luta, quanto mais não seja, porque, só com apoio da minha avó, criou 2 filhos. Mas ninguém nunca teve base para a dizer apática ou pouco empenhada nas lutas do seu tempo.
Antes do funeral dela, já tinha assistido a muitos funerais desses da minha larga parentela de professores. Ainda assisti a mais um, depois do dela, e de amigas muito queridas. (Também há quem critique falar tanto desses antepassados, mas devia calar um facto essencial da minha história de vida, porquê?).
O problema é que precisamos mesmo de explicar, a uma sociedade em que o lucro e o “sucesso” são os valores imediatos, o valor de dedicar a vida a ter impacto de longo prazo nos outros.
E que essa dedicação tem um valor social de investimento coletivo que também é remivel em condições de vida, respeito e remuneração. E não só em reconhecimento e palavras bonitas.
Há quem me diga que falo muito de salários e dinheiro e não falo da “missão”. Quem escolhe ser professor escolhe não ser rico e não ser “bem sucedido”. Mas insisto, não escolhe ser pobre e viver mal.
Como diriam os gurus do setor financeiro:
escolher ser professor é um trade off entre estabilidade, propósito e rendimento. Gente talentosa, que escolha ser docente, até pode prescindir de um rendimento futuro maior, que outras profissões lhe dariam, mas não prescindiu em momento nenhum de ser respeitado na sua dignidade e de ter remuneração, que corresponda ao valor social do que entrega à sociedade.
Se a sociedade quer e precisa de professores talentosos tem de os captar. Ter um funeral bonito (e entendam a mordacidade da minha mãe, por favor) pode ser psicologicamente motivador, mas não paga contas.
Se dizem que a educação vale tanto e é tão importante porque vale o nosso trabalho qualificado tão pouco?

 

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Da falta estrutural de professores: avisos, culpas e soluções

 

Da falta estrutural de professores: avisos, culpas e soluções

Sucedem-se as análises sobre a tragédia anunciada da falta de professores e discutem-se os remedeios. Mas debata-se o estrutural para que se aprenda com os erros. Aliás, se o essencial não mudar, e se a OCDE concluiu que “os professores portugueses são, na Europa, os mais desgastados, os que mais preenchem burocracia inútil e que são vítimas de uma organização de trabalho que os adoece”, rapidamente os novos professores entrarão em exaustão e se arrependerão da escolha profissional.

E ainda como ponto prévio, é finalmente inquestionável que os jovens rejeitam o ensino como profissão. Mas agravou-se, e contrariou expectativas, porque a robotização do ensino supervisionada por super-humanos (em “de volta ao futuro da Educação – quatro cenários da OCDE“) desacelerou com o imperativo, também evidenciado na pandemia, de recolocar o humano comum no centro das preocupações.

Num resumo sistémico, comece-se pela sonoridade dos avisos; e como a não audição persiste, convoque-se Milan Kundera: “a luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento”. E faça-se o que tanto se exigia aos professores: prestação de contas.

O primeiro grito ecoou na histórica manifestação de 8 de Março de 2008 contra a asfixia democrática e a precarização dos professores, numa sociedade convencida pelo discurso anti-professor que incluía uma suposta instrumentalização. Mas em 16 de Abril de 2008, a plataforma de sindicatos assinou um entendimento fatal com o Governo para a testagem das políticas de divisão da carreira e de avaliação. Nessa suspensão do tempo, alterou-se a gestão das escolas – decreto-lei 75/2008 de 22 de Abril – e consolidou-se a tragédia. Quebrou-se a solidariedade em ambiente escolar e sobrepôs-se obsessivamente o individualismo e o utilitarismo ao cooperativo e ao gregário. Percebeu-se, desde logo, que a falta estrutural de professores seria uma questão de tempo.

Apesar de tudo, ainda se fez, em 17 de Junho de 2013, uma dificílima greve aos exames do secundário. Impediu-se que o maior despedimento colectivo da história – 20 mil professores – não duplicasse, mas não se travou o aumento de alunos por turma, a prova de acesso à profissão, a bolsa de contratação pelas escolas e mais agrupamentos. E recorde-se que, enquanto se noticiava um excesso de procura nos professores, precarizava-se a eito. A comunicação social e os governantes, por desconhecimento ou omissão, insistiam, a cada concurso, “nos professores a mais sem a devida explicação: por exemplo, cada candidato, até do quadro, podia apresentar candidaturas a várias disciplinas; ou seja, 40 mil não colocações podiam ser apenas 10 mil pessoas.

Sabemos que as causas da falta de professores incluem as “novas políticas de gestão pública” iniciadas nos EUA e RU (anos 80 do século XX) e lançadas na Europa dez anos depois. Foram aplicadas entre nós na primeira década do milénio e mantêm-se.

Mas houve um contributo de quem não lecciona no ensino não superior; até de professores. Aliás, um técnico da Portugal Telecom, em 2006, indignou-se com o discurso “anti-professor e de alergia à escola” da generalidade dos professores dos serviços centrais do ME. Noutro exemplo que convém ter em conta, assistiu-se a uma tensão entre o discurso de um dirigente escolar que defendeu (no Público de 16 de Abril de 2022) a sobrecarga dos horários com mais turmas, e das turmas com mais alunos, como solução para a falta de professores e as veementes discordâncias sugerindo a atribuição de 1 ou 2 turmas aos dirigentes que não leccionam (serão 2 a 3 milhares).

Por outro lado, um estudo (2022) da Fundação Belmiro de Azevedo concluiu da “falta de experiência na área de cerca de um terço dos formadores dos professores do básico e secundário” o que explicará a infernal tecnocracia didáctica que terá contribuído para a perda de atractividade dessa formação e para o desvario na formação contínua.

Discuta-se então soluções de curto e médio prazos que oxigenem a atmosfera:

1. Eliminar as cotas e as vagas na avaliação e abrir um concurso extraordinário;

2. Considerar sempre como horários completos as colocações com 14 ou mais horas e o tempo de serviço para a segurança social dos professores contratados;

3. As habilitações, a profissionalização, o acesso aos quadros e a estrutura da carreira devem recuar para algo semelhante ao que acontecia há duas décadas;

4. Incluir os horários com 6 ou mais horas nos concursos por mobilidade interna, regressar à recuperação do tempo de serviço e eliminar a componente não lectiva a partir dos 55 anos de idade;

5. Concretizar, até 2030 e como avaliação da municipalização, 18 alunos por turma no pré-escolar e no primeiro ciclo, 20 nos 2º e 3º ciclos e 22 no secundário;

6. Recuperar, dos seguintes modos, a gestão democrática de proximidade a pensar também na descentralização:

a. um conselho geral por concelho, em vez de um por agrupamento ou escola, e uma agência municipal, em rede com as escolas, para os assuntos administrativos;

b. um conselho directivo (não apenas executivo e eleito como o que existiu até 2009) e um pedagógico em cada escola com 2º e 3º ciclos e ensino secundário;

c. um delegado escolar concelhio, sediado no município, eleito pelas escolas do pré-escolar e do 1º ciclo, um coordenador eleito em cada uma e um conselho pedagógico concelhio destes níveis de ensino.

Por fim, o primeiro-ministro declarou que o que conta é a redução de 13% para 5,6% no grupo dos 18 aos 24 anos inscrito no IEFP. É óbvio que é fundamental reduzir o abandono escolar, mas não é o único indicador que importa. Aliás, o ministro da Educação declarou (5 de Abril de 2022) que “as escolas devem ser laboratórios de democracia e oficinas de paz”; acrescente-se um para todos: alunos e profissionais da educação. É que, e como se comprova, a escola é, há década e meia, um laboratório de exclusão dos professores. É, portanto, crucial que se cuide dos que existem, também para que quem testa a possibilidade não se confronte com um clima de desconfiança, insanidade e arbitrariedade, e entre não só em regime de fuga como desaconselhe o exercício.

 

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Os normais estúpidos do Estado Novo – João Costa

 

Deve o povo aprender a ler? Será vantajoso ou prejudicial para o Estado ter trabalhadores e camponeses que saibam ler? Sejamos claros, o bem da sociedade determina que o saber do povo não exceda o necessário ao exercício das suas funções quando basta colocar os olhos uma vez, e uma vez só, fora da rotina diária para jamais voltar a dedicar-se corajosa e pacientemente ao seu dever.
Estas palavras não são minhas mas antes uma introdução, e nesta introdução a súmula, ao modo de pensar das classes dirigentes em pleno Estado Novo.
“Ensinar o povo a ler? Para ler o quê?”, perguntava-se António Ferro, Director do Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo de António Salazar e responsável pela ortodoxia pedagógica deste Portugal. Afinal, a educação não faz ninguém feliz e a inteligência é um veneno.
A pergunta, ignóbil, tem uma resposta clara: para podermos ler vezes e vezes sem conta e muitos anos mais tarde sobre estas e outras barbaridades. Para que não mais regressemos a estes tempos.
Deve o povo aprender? Sim, mas apenas em função das necessidades do Estado. Até porque “os trabalhadores e as criadas de servir quando entregues a si mesmos, coitados, têm muita dificuldade em pensar”.
E porque o povo tem muita dificuldade em pensar, divida-se a população da seguinte maneira: 8% são ineducáveis, ou seja não se pode fazer nada por eles; 15% são normais estúpidos, sendo preciso muito trabalho para conseguir deles alguma coisa de vez em quando; 60% têm inteligência média e só 2% são notáveis.
Faltam-me as palavras para descrever a arrogância, a sobranceria, a altivez e presunção, para não dizer o enfado de quem assim nos olha, como se fosse seu, e era, o direito divino da taxonomia e Lineu às voltas no túmulo.
Se juntarmos 25% da população entre ineducáveis e normais estúpidos à diminuta vontade política vigente, facilmente compreendemos o porquê da instrução por demais básica salazarista: 3 anos para as raparigas e 4 anos para os rapazes.
Construiu-se assim uma sociedade temente e ignorante, para sempre pouco instruída, crente e facilmente manipulável e pouco ou nada interessada em questionar as perpétuas elites dirigentes.
A revolução? Foi feita por autodidactas cujas casas estão forradas de livros de alto a baixo, bibliotecas inteiras erguidas longe dos olhares dos bufos e da polícia política e tantas vezes à custa da liberdade e da vida apenas porque se quer ler e ler, meus caros, aprender, interrogar, apontar, ler é um sarilho.
E se hoje podemos ler, não devemos ler. Entorpecidos entre futebóis, a indignação cacofónica dos telejornais e a ilusão das redes sociais, passamos pela vida a gastar as pontas dos dedos nos ecrãs e em 12 anos de escola não houve um professor que me falasse de Abril.
Parece que nos esquecemos: de Abril e de ler. E quando assim é, o perigo de outros tempos está sempre à espreita.
Em nome da liberdade, neste 25 de Abril, 48 anos depois da Ditadura mas ainda tão perto da Ditadura, peguem num livro, abram um livro, partilhem, mostrem um livro aos outros em redor e leiam.
Por Abril.

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Espelho meu… Alguém quer ser professor como eu? – Bruno Gomes

 

É urgente cativar jovens para a carreira docente pois corremos o sério risco de muito em breve não termos professores. Para tal, é necessário reconhecer e motivar os que por cá estão. Quanto antes.

Espelho meu… Alguém quer ser professor como eu?

Sou professor há 20 anos. Com 17 anos, sabia bem o que não queria ser “quando fosse grande”. Não queria estar fechado num escritório, não queria trabalhar sozinho, isolado. Sabia que queria envolver-me com pessoas, ajudá-las, fazer parte de um processo coletivo mas não sabia como concretizá-lo numa profissão. Na indecisão típica de um adolescente e depois de ter ficado perto de entrar em Medicina, a hipótese de ser professor afigurou-se como bastante apelativa. Os professores tinham estatuto social, ouvia-se dizer que terminavam as carreiras com bons ordenados e que tinham horários flexíveis.

Juntei o meu gosto pelo desporto ao desejo de trabalhar com jovens e licenciei-me em Educação Física e Desporto.

Hoje, tal como eu na sua idade, o meu filho mais velho, perto dos 17 anos, não sabe em que área trabalhar no futuro mas sabe bem o que não quer. Não quer ser professor. Nem ele, nem o seu grupo de amigos. Leciono no ensino secundário e são muito poucos os alunos que hoje em dia ponderam ser docentes.

O que mudou nestes 20 anos? O que se alterou na imagem da profissão ou do ensino para tornar a profissão tão pouco atrativa?

Há 20 anos, havia livros de ponto. Havia quadros com giz e apagador. Havia presidentes de conselhos diretivos que eram eleitos pelos seus pares. Havia disciplinas que, mesmo não sendo iguais, não eram tão diferentes como hoje. Os donuts estavam na moda e usar sapatilhas brancas era foleiro. Havia alunas que tinham a menstruação três vezes por mês e por tão preocupante condicionante não podiam realizar as aulas de Educação Física. Havia explicações mas não esgotadas como nos nossos dias. Há 20 anos não existiam agrupamentos, nem PIT (Plano Individual de Transição), nem DAC (Domínios de Autonomia Curricular), nem MAIA (Monitorização, Acompanhamento e Investigação Pedagógica).

Havia telemóvel mas o seu único propósito era… telefonar e enviar sms. Havia professores nas escolas (pasme-se!) com menos de 30 anos. Muitos por sinal.

O que mudou 20 anos depois? Hoje em dia, há diretores, conselhos gerais e cada vez mais politiquice nas escolas. As alunas diminuíram os episódios da súbita e repetida enfermidade. Os livros de ponto são uma espécie em vias de extinção. As burocracias multiplicaram-se exponencialmente. Os telemóveis de modo ocasional ainda são utilizados para telefonar e enviar mensagens.

Há 20 anos, não existia a desilusão e a desmotivação que hoje reina na classe docente. Expetativas de carreiras defraudadas, progressões atropeladas, instabilidade nas colocações, conteúdos programáticos extensos ajuizados por exames nacionais que definem o ritmo mecanizado das escolas. No meu caso concreto, estive 16 anos retido no 1º escalão de uma carreira com 10 escalões apesar de sempre ter tido boas avaliações. Quantos colegas são contratados há mais de 25-30 anos? Milhares. E se todos os anos exercem a sua função numa escola é porque são necessários ao sistema de ensino. E o que dizer da instabilidade de todos aqueles que continuam, ano após ano, a mudar de escola, de cidade, de região, interrompendo as suas vidas familiares sem qualquer tipo de apoio logístico?

A sociedade é hoje muito diferente do que era há 20 anos. É essencial que o sistema de ensino se adapte e acompanhe a realidade. É necessário reconhecer e motivar a classe docente. Ir ao encontro das motivações dos alunos. Envolver os professores na descoberta de novos caminhos que sirvam as necessidades atuais dos jovens.

Os professores são os agentes educativos que podem conduzir a uma mudança de alguns paradigmas. É necessário incentivar projetos que são uma resposta irreverente e inovadora para que atividades não meramente curriculares e as ditas curriculares, possam coexistir, simultaneamente, num sistema de ensino que formate menos e humanize mais. É muito importante modificar o conceito e a conceção atual. Uma educação menos reativa e mais proativa, uma educação com menos rótulos, menos etiquetas e com mais singularidade e pluralidade. Uma educação menos distintiva e mais diferenciadora, pois habitamos um mundo que padece de aceitação da diferença e exagera na distinção da igualdade. Um todo onde se abata a exclusividade e se semeie a inclusão. Num sistema de ensino que se preocupe menos com a chegada e se foque mais na viagem. Um modelo que diferencie a igualdade e que distinga a diferença. Que dê competências emocionais e criativas e não apenas competências curriculares e programáticas.

A importância da educação, diz muito sobre as prioridades de um país. Não é possível tornar a escola um lugar central de transformação social e de preparação para o futuro, com professores desiludidos, cansados e tristes.

O que têm feito os sucessivos governos em relação aos professores? Como diz uma colega: “Burocratizou-se, descredibilizou-se e desrespeitou-se” aqueles que estão sempre prontos a ir à luta, em prol dos alunos, numa missão cheia de romantismo e ideais.

Muito poucos professores desistem. A grande maioria da classe é responsável, equilibrada e correta. Aliás, tenho a certeza de que muitos vão muito mais além do que o que lhes é pedido. Talvez esteja aí outra das questões a refletir. É que com mais ou menos pancada, mais ou menos desiludidos, mais ou menos motivados, vamos todos fazendo o nosso trabalho com um sentido de responsabilidade apurado e, na maioria das situações, bem feito…

É urgente cativar jovens para a carreira docente pois corremos o sério risco de, muito em breve, não termos professores. Para tal, é necessário reconhecer e motivar os que por cá estão. O quanto antes…

Professor de Educação Física.

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Medidas anti-covid nas escolas vão ser levantadas

 

Ainda durante este período lectivo as escolas vão receber um documento orientador sobre as medidas de combate à propagação da covid-19 que podem ser levantadas.

Medidas anti-covid ainda em vigor nas escolas serão levantadas neste ano lectivo

 

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Do enquadramento legal para a obrigatoriedade da utilização de máscaras em escolas

Lei que obriga à utilização de máscaras nas escolas caducou, como garantiu Isabel Moreira? – Polígrafo

(…)Paulo Graça não tem dúvidas quanto à caducidade da Lei 88/2021 (ou seja, Isabel Moreira está certa no que toca a este ponto), mas também sublinha que, de facto, para todos os efeitos está em vigor o Decreto-Lei n.º 104/2021, que prevê, entre outros cenários, a obrigatoriedade da utilização de máscaras em estabelecimentos escolares. Conclusão do jurista: “É obrigatório o uso da máscara nas escolas, atendendo à alínea c) do Artigo n.º 13-B.”Em suma, apesar de Isabel Moreira ter razão sobre a caducidade da lei que invocou, a verdade é que outra norma atualmente em vigor esvazia o seu argumento. Logo, há enquadramento legal para a obrigatoriedade da utilização de máscaras em escolas.

 

A “linha de raciocínio legal” acima, datado de 17 de abril de 2022, foi atualizado pelo:

Decreto-Lei n.º 30-E/2022. Estabelece medidas excecionais e temporárias no âmbito da pandemia da doença COVID-19

(COVID-19. MEDIDAS EXCECIONAIS E TEMPORÁRIAS. Uso de máscara ou viseira. Formulário de localização de passageiros)

Altera o artigo 13.º-B do Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março, na sua redação atual, que estabelece medidas excecionais e temporárias relativas à situação epidemiológica do novo coronavírus – COVID-19.

Revoga as alíneas a) a e) do n.º 1 e o n.º 11 do artigo 13.º-B do Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março, na sua redação atual; e o Decreto-Lei n.º 105-A/2021, de 30 de novembro.

O presente diploma entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.

DR 78, 1º Suplemento, Série I, 21 de abril de 2022.

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“Não gosto da minha cara.” Os adolescentes que não querem deixar cair a máscara

Primeiro veio o medo do vírus invisível, mas também a rejeição das máscaras estranhas e desconfortáveis. Agora que a normalidade está progressivamente de regresso, os sentimentos são ambíguos entre os mais novos: se por um lado o adeus definitivo às máscaras nas escolas traz uma sensação de liberdade, por outro, há receio em voltar a mostrar os rostos na íntegra depois de dois anos de pandemia — em Espanha fala-se até do “síndrome da cara vazia”.

“Eles estão felizes por as coisas estarem finalmente a abrir, mas a relação com a máscara é um pouco estranha”, assinala Ana Ribeiro. A professora de inglês na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Cego do Maio, na Póvoa de Varzim, é também coordenadora do Projeto Eramus daquele agrupamento. “Verifiquei isso no encontro que tivemos há pouco tempo na República Checa onde já não era obrigatório o uso de máscaras e eles tiveram alguma dificuldade em aceitar isso. Alguns puxavam a gola da camisola para cima e tapavam um pouco a cara com os dedos na hora de tirar fotografias“, conta ao Observador. Ribeiro refere-se a alunos que acompanha há três anos e fala de uma passagem da infância para a adolescência em plena pandemia, quando a norma era cobrir o rosto.

Já não é só por medo de apanhar Covid-19 que alguns dos alunos teimam em esconder a cara, até porque a maior parte deles, diz a professora, já antes estiveram infetados. “Não noto que seja tanto o receio da doença, mas sim problemas de autoestima próprios da idade.” Diogo, de 14 anos, encaixa-se nessa descrição quando ao Observador comenta que prefere “andar sempre de máscara” porque se sente “inseguro” ao mostrar o rosto.“Acho que me sinto mais confortável sem a máscara, mas eu não gosto da minha cara”. Rodeado de pessoas desconhecidas opta por ter o rosto coberto, admite, “por causa das inseguranças”. Já na companhia de colegas a realidade é outra, ainda assim, preferia que cobrir ou não a cara na escola fosse uma questão de escolha — Diogo tem o cabelo bastante longo, quase sempre a tapar os olhos, e manteve a máscara durante a entrevista feita ao ar livre, junto ao mar, e ao telefone.

Testemunho semelhante é o da amiga Letícia, de 15 anos, que se sente mais segura a usar a máscara dependendo do local em que está. “Pessoalmente não gostaria de continuar a usá-la, mas às vezes gosto de a ter por saber que as pessoas não conseguem ver as minhas reações, sinto-me protegida.” Acontece sobretudo quando fica “com raiva” e os outros não conseguem ler as suas expressões, mas também quando o acne nas bochechas piora e quando na sala de aula tem de falar perante a turma — nesses dias prefere ter apenas a linha dos olhos a descoberto.

“Verifiquei isso no encontro que tivemos há pouco tempo na República Checa onde já não era obrigatório o uso de máscaras e eles tiveram alguma dificuldade em aceitar isso. Alguns puxavam a gola da camisola para cima e tapavam um pouco a cara com os dedos na hora de tirar fotografias.”
Ana Ribeiro, professora de inglês

A falsa sensação de “proteção e segurança” nas interações sociais e o esconder das imperfeições

No Agrupamento de Escolas do Alto do Lumiar, que reúne alunos dos 3 aos 18 anos, desde o início da pandemia que o desafio foi convencer os mais novos a não pôr de lado a máscara como sinal de rebeldia. Talvez o contrário acontecesse, diz a docente Maria Caldeira, se usá-la fosse considerado “um ato menos lícito”. A recente alteração da lei não será, por isso, um problema.

Prognóstico diferente é o de Rui Cardoso, diretor da Escola EB 2/3 do Viso, em Viseu, que especula que deixar cair a máscara não será, para alguns dos alunos, uma decisão fácil. Quando já era permitido deixar o rosto a descoberto no exterior, “nenhum aluno o fez, continuaram a usá-la como se a regra se mantivesse”. “Eles sentem-se seguros com a máscara”, diz, pelo que não estranha a possibilidade de alguns adolescentes continuarem a andar de rosto tapado sem que o motivo seja o medo do contágio. “É bem capaz de isso acontecer num número residual”, até porque há quem ainda mantenha a distância social por uma questão de conforto.

Alguns adolescentes encontraram na máscara uma sensação de “proteção e segurança” tendo em conta a “exposição” decorrente das interações sociais.

Olhando pelo espelho retrovisor, os jovens tiveram alguma facilidade na adaptação à utilização da máscara logo no início da pandemia. Na generalidade, tendo em conta os dados recolhidos, esta faixa etária exibiu um comportamento “saudável” e serviu “de referência para os outros grupos populacionais”, garante Sofia Ramalho, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP). Mas apesar do arranque otimista, o prolongamento da crise sanitária gerou “consequências a todos os níveis”: não é por isso de estranhar que os adolescentes também tenham encontrado na máscara uma sensação de “proteção e segurança” tendo em conta a “exposição” decorrente das interações sociais.

“As máscaras passaram a ser uma espécie de ansiolítico para questões da relação social. Elas permitem que uma pessoa não se revele na totalidade.”
Sofia Ramalho, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses

“As máscaras passaram a ser uma espécie de ansiolítico para as questões da relação social”, diz a psicóloga. “Elas permitem que uma pessoa não se revele na totalidade”, além de“cobrirem imperfeições” como acne ou aparelhos dentários, por exemplo, e de ocultarem determinadas reações emocionais. Mas não é só uma questão de esconder expressões, é também não conseguir verdadeiramente compreender e interpretar o outro dado que não se tem acesso “a todo o código de linguagem”, o que pode gerar problemas de comunicação, conflitos e discussões, e criar situações de menor empatia.

Neste contexto, Sofia Ramalho destaca dois possíveis perfis de adolescentes mais propensos a encontrar esta falsa segurança através da máscara: um mais inibido, contido, inseguro, ansioso e introspetivo, “que não gosta de se expor”; e aquele que tende a ser “mais agressivo”, que usa a máscara como “uma possibilidade de mascarar expressões de agressividade”. As máscaras podem até funcionar como uma espécie de avatar digital: “A lógica é mais ou menos a mesma. Quanto mais cobrimos o nosso rosto e quanto mais nos afastamos das presenças físicas para aquelas virtuais, mais probabilidade temos de estar a esconder aquilo que é verdadeiro”.

O fenómeno, lembra, não é exclusivo da adolescência, embora ganhe outra importância nesta fase da vida marcada pela “construção da identidade”, o que acontece também através da “dimensão social”. “Isto pode interferir com processos de desenvolvimento e ter um impacto na vida adulta”, uma vez que o adolescente precisa do confronto com o outro nas situações de interação presencial e na negociação de conflitos. “O uso da máscara inibe essa necessidade de nos termos de confrontar socialmente com o outro, o que num primeiro momento pode parecer positivo para o adolescente mas, na verdade, ele não está a fazer a etapa de desenvolvimento natural no sentido de se construir enquanto adulto capaz de resolver problemas e negociar.”

“O uso da máscara inibe essa necessidade de nos termos de confrontar socialmente com o outro, o que num primeiro momento pode parecer positivo para o adolescente mas, na verdade, ele não está a fazer a etapa de desenvolvimento natural no sentido de se construir enquanto adulto capaz de resolver problemas e negociar.”
Sofia Ramalho, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses

Num artigo dedicado ao mesma tema, o norte-americano The New York Times salienta com a falta de máscara pode, em alguns casos, traduzir-se em maior ansiedade, com adolescentes a temerem serem percecionados como menos atraentes e com receio de serem julgados ao fim de dois anos a mostrar metade da cara — afinal, a adolescência sempre foi definida por inseguranças em relação à imagem corporal, mas também por pressões sociais e questões de identidade. Tirar a máscara pode, por isso, ser visto como uma transição social num período em que os jovens são hiperseníveis ao que os outros pensam deles, com a psicóloga clínica Sophia Choukas-Bradley — diretora do Teen and Young Adult Lab, na Universidade de Delaware — a falar numa “audiência imaginária” que faz com que os adolescentes sintam que há um constante holofote sobre eles e as suas falhas.

Assim como tivemos de nos habituar de forma progressiva ao uso de máscara, teremos de nos habituar à falta dela, e os adolescentes “precisam de ter esse espaço” de manobra, acrescenta Sofia Ramalho. Se por um lado é preciso respeitar que não haja vontade em aderir à norma de um dia para o outro, por outro, não se deve fomentar a manutenção da máscara durante muito tempo, aconselha. Perante uma maior dificuldade de adaptação, há sinais a ter em conta: o apoio psicológico pode ser necessário quando em causa estão marcas de maior isolamento e/ou de conflito com os colegas, sintomas de ansiedade, problemas em dormir ou comer, ou ainda perda de interesse no contexto escolar.

Margarida Gaspar de Matos, professora Catedrática da Universidade de Lisboa na Faculdade de Motricidade Humana, fala do “desconforto das relações” dado o distanciamento social e o uso da máscara

Por um lado terei sempre aquele receio, por outro, vou sentir mais liberdade”

Ana Rita, Inês e Avina têm 18 anos e são colegas de turma no 12.º ano. Nenhuma delas usa a máscara na tentativa de esconder imperfeições ou como forma de escudo na interações com os outros, mas, de uma maneira geral, conseguem perceber quem o faça. A primeira diz que se sente segura de máscara e que ainda é “um pouco cedo” para deixá-la cair— na conversa, que aconteceu no dia anterior a ser conhecida a nova medida, previu “ficar com medo” quando a altura chegasse, não só por causa da Covid-19, mas também pelas “outras doenças, como a gripe”. Já Inês imagina-se “livre e verdadeiramente feliz” sem a máscara, mesmo que admita que já deu jeito para esconder uma borbulha “ao pé do nariz ou da boca” ou das vezes em que foi mais expressiva — já aconteceu pensar “Ufa, ainda bem que estou de máscara”. Avina fala em “mixed feelings”: “Por um lado terei sempre aquele receio dos casos de Covid-19 aumentarem, por outro, vou sentir mais liberdade sem ela”.

As repercussões a médio e longo prazo da pandemia na saúde mental dos jovens, tendo em conta as restrições impostas, ainda estão a ser desenhadas e vão depender em grande parte dos ambientes (família, escola e comunidade) “favoráveis e apoiantes”, salienta a psicóloga clínica e da saúde Margarida Gaspar de Matos. A também autora do recente livro “Adolescentes”, da editora Oficina do Livro e com prefácio de Daniel Sampaio, salienta como os adolescentes vítimas de bullying e com sintomas de ansiedade social poderão ter tido “tréguas” durante a época da máscara — são os mesmos que poderão “agora ter de ser acompanhados por um profissional de saúde mental neste regresso”.

“Houve também casos pontuais de adolescentes a referir que a máscara os/as ajudava a expressar a ira, quando se zangavam, explicando que às vezes se irritavam com colegas, pais ou professores e podiam ‘fazer caretas ou deitar a língua de fora’, sem dar nas vistas e sem ter consequências.”
Margarida Gaspar de Matos, professora Catedrática da Universidade de Lisboa na Faculdade de Motricidade Humana

Margarida Gaspar de Matos, professora Catedrática da Universidade de Lisboa na Faculdade de Motricidade Humana, dá conta de “casos pontuais” de adolescentes a referir que a máscara os “ajudava a expressar a ira quando se zangavam, explicando que às vezes se irritavam com colegas, pais ou professores e podiam ‘fazer caretas ou deitar a língua de fora’ sem dar nas vistas e sem ter consequências”. Fala ainda no “desconforto das relações” dado o distanciamento social e as máscaras que dificultam “a comunicação verbal e não verbal” — as exceções serão adolescentes “pouco satisfeitos com a sua anatomia dental, labial ou facial, que em geral encontraram na máscara um ‘escudo’” e outros que sofram de ansiedade social e cuja máscara ofereceu uma sensação de proteção. “Mas são casos atípicos, eventualmente a precisar de apoio psicológico.”

O The New York Times dá conta do fenómeno “mask fishing”, a ideia de que alguém possa estar a esconder falhas faciais debaixo da máscara. Surgiu pela primeira vez nas aplicações de namoro e tornou-se uma tendência do TikTok no final de 2021. Nesta rede social, a hashtag com o mesmo nome acumula cerca de 352 milhões de visualizações, onde se incluem vídeos feitos em contexto escolar em que diferentes alunos são confrontados com a seguinte pergunta: “São mais ou menos atraentes com a máscara?”, o que pode suscitar constrangimento ou humilhação entre os mais novos. O termo surge de “catfishing”, que remete para uma identidade falsa num registo online. Já o Los Angeles Times destaca estudos científicos que mostram que as pessoas são entendidas como sendo mais atraentes quando usam máscaras ao invés de deixar o rosto completamente a descoberto.

As mudanças corporais na adolescência são muitas e muito rápidas, lembra ainda vice-presidente da OPP, pelo que ver o rosto por inteiro de um colega ao fim de dois anos de pandemia pode ser um choque grande e “aumentar a ansiedade da exposição face ao outro”. Afinal, na presença da máscara imaginamos o que está por detrás — a forma como completamos a cara do outro tem que ver com o significado que essa pessoa tem para nós e com o que guardamos dela na nossa memória.

Se Ana Rita comenta que praticamente não conhece os seus professores sem máscara, Inês, que mudou de escola a meio da pandemia, diz que conheceu colegas já com máscara: “Às vezes ainda é difícil imaginar como é a cara deles”. Já Avina fala num sentimento agridoce ao voltar ao ensino presencial por não poder ver o rosto dos amigos e fala de como só semanas depois viu a cara de um colega novo — “Quando finalmente vi o rosto dele apercebi-me que tinha uma ideia completamente diferente de como ele era. Até comentei com ele e rimo-nos.”

Observador

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O primado das Grelhas: uma “praga” difícil de extinguir…

 

A Grelha, essa “luminosa” e prodigiosa invenção, recriada nos últimos tempos, de forma muito imaginativa e inusitadamente obsessiva, atingiu o estatuto de “praga”, incontrolável e difícil de extinguir…

Em cada escola, instalou-se o primado das Grelhas: existem as mais variadas, para tudo e para nada, e em muitos casos o respectivo preenchimento costuma significar flagelo, tortura ou suplício, quer pelo tempo que é necessário despender, quer pela inutilidade prática dessa tarefa…

Comummente, passam-se muitas horas a proceder ao preenchimento de Grelhas em série e até à exaustão, cujas virtudes ou efeitos concretos se desconhecem, apesar dessa actividade assumir quase sempre um carácter obrigatório…

À partida, uma Grelha deverá ser um instrumento de registo de informação, cujo principal objectivo consistirá em sintetizar e, sobretudo, simplificar determinado conjunto de dados…

Ora acontece, muitas vezes, que algumas Grelhas se apresentam com formas e conteúdos tão intricados que dificilmente alguém compreenderá o seu significado ou a finalidade da informação aí constante… Como exemplo paradigmático disso, bastará analisar algumas Grelhas de Avaliação de Alunos, elaboradas à luz do Projecto MAIA, existentes em algumas escolas…

Segundo “estudos” realizados por alguns “especialistas”, que preferem manter o anonimato, a exposição prolongada e excessiva a Grelhas poderá provocar danos ao nível da saúde mental e física, temporários ou irreversíveis, desde logo os seguintes:

– Diplopia ou visão dupla (vulgo “ver a dobrar”), decorrente de passar horas consecutivas a fitar um ecrã. Esta perturbação poderá assumir consequências especialmente dramáticas se, depois de ter estado a preencher Grelhas durante um período significativo de tempo, alguém se deparar com o Director da escola onde trabalha, em particular se esse líder for considerado por si como um ditador ou como um tirano. Nessa circunstância, já bastaria ver um, quanto mais dois;

– Alterações ao nível do humor, com predomínio da irritabilidade, intolerância e raiva. Quando predomine esse humor negativo, será conveniente evitar todas as interacções sociais não imprescindíveis, de forma a precaver a ocorrência de possíveis conflitos injustificáveis e desnecessários, a não ser que esse estado de alma se dirija ao Director referido no ponto anterior;

– Alterações do sono, com prevalência de insónia, pesadelos nocturnos e narcolepsia (sonolência diurna excessiva). As Grelhas poderão, assim, provocar dificuldade em adormecer e/ou em manter o sono, pesadelos e sono agitado ao longo da noite e muita sonolência e bocejos durante o dia;

– Alterações ao nível do apetite alimentar, podendo verificar-se o aumento da vontade de ingerir alimentos ou, pelo contrário, a respectiva diminuição, dependendo da forma como cada um lida com a ansiedade originada pelas Grelhas e do respectivo metabolismo. Apesar dessa dicotomia, será maior a probabilidade de se verificar o aumento do apetite alimentar. Acredita-se mesmo que o ganho de peso observado nos últimos tempos em alguns profissionais de Educação se deverá, em primeira instância, ao preenchimento de Grelhas;

– Dores de cabeça, enxaquecas e náuseas. Alguma confusão mental e, nos casos mais graves, poderão mesmo ocorrer delírios (crenças incompatíveis com a realidade) e alucinações (percepção alterada da realidade). Os eventuais surtos delirantes e alucinatórios poderão tornar-se particularmente visíveis quando a IGEC visite uma escola, dada a parafernália de Grelhas que costuma ser apresentada nessa ocasião, destinada a mostrar o que não se é ou uma realidade que efectivamente não existe;

– Falar sozinho (solilóquio), depois de uma exposição prolongada a Grelhas, também poderá apresentar-se como um transtorno plausível;

– Possibilidade de desenvolver coprolalia (proferir palavras obscenas e palavrões de forma involuntária). Apesar desta perturbação poder desencadear um certo incómodo em termos sociais, convirá não esquecer que dizer palavrões é considerado por alguns como um indicador de inteligência e de honestidade (Timothy Jay, 2015), portanto “screw it”;

– Compulsão para o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco, café ou outras substâncias potencialmente aditivas, na tentativa de compensar os níveis elevados de frustração originados pelas Grelhas;

– Preencher Grelhas implica passar muito tempo sentado. Nessas circunstâncias, poderão ocorrer dores musculares, algias lombares e cervicais e retenção de líquidos, esta última quase sempre expressa pelo inchaço da barriga, pernas e pés. A obstipação também será plausível, uma vez que a inacção prolongada dificulta os movimentos peristálticos. Será aconselhável a ingestão de muita água, o uso de vestuário e calçado confortáveis e adequados à situação, bem como a paragem de hora a hora, para dar uma volta inteira ao recinto escolar;

– Arritmia cardíaca, com predomínio da ocorrência de taquicardia (ritmo cardíaco acelerado), sobretudo se um colega, sentado ao lado de alguém ocupado com o preenchimento de Grelhas, for perito em “conversa de treta”, constituindo-se como um potencial elemento distractor e desestabilizador. Porque o conceito de “multitasking” não passará afinal de um mito, como defendeu Tim Harford: “fazer duas coisas ao mesmo tempo, é não fazer nenhuma delas“;

– Sobretudo pela ansiedade, stress e fadiga mental e física, causados pelo preenchimento de Grelhas, será expectável que também possa verificar-se a diminuição da libido (inibição dos impulsos sexuais). Inevitavelmente, não haverá oxitocina, estrogénio ou testosterona que resista ao aumento de cortisol, gerado pelo stress. As hormonas são tramadas e não costumam “perdoar” nem procrastinar;

– Ocorrência muito provável de “Formatação do Pensamento”: a capacidade de Pensar poderá ficar reduzida à configuração de uma Folha de Excel e ao “copy and paste” maquinal e automático. A ausência de reflexão e de crítica poderá constituir-se como a consequência mais grave desse modelo de pensamento;

– Muito raramente, o preenchimento excessivo de Grelhas também poderá originar odaxelagnia, traduzida pela vontade de morder ou de ser mordido por alguém…

Em conclusão, o hiperbólico trabalho burocrático, nomeadamente o uso desmedido de Grelhas, poderá fazer muito mal ao corpo e à mente…

Recomenda-se, por isso, o consumo moderado e consciente de Grelhas e, sempre que possível, a respectiva abstinência…

O quotidiano das escolas está infestado por algumas “pragas” difíceis de extinguir, restando parodiar, na medida do possível, com tais afecções…

Alerta-se para a possibilidade de não existirem quaisquer estudos devidamente validados, nem fundamentos científicos, que comprovem a tese dos “especialistas”, que preferem manter-se no anonimato, aqui veiculada…

(Matilde)

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Decide lá se queres mesmo ser professor

 

Imagina que tens quase 64 anos, 42 de vida activa e quase 39 como professor (daqueles que sempre estiveram no activo e a trabalhar muito e com muita qualidade).
Imagina que tens um horário lectivo de 14 horas, um direito que adquiriste pelos teus anos de serviço e pela tua idade.
Imagina que te atribuem um horário com 6 turmas e três níveis, entre 3º ciclo e secundário, 7 tempos num Gabinete com mais ou menos 9 metros quadrados, em conjunto com até 5 pessoas, em tempo de pandemia, sabendo-se que tens problemas de saúde que requerem alguns cuidados.
Imagina que te atribuem tempos para uma turma que afinal te permitem apenas leccionar 2/3 das aulas que é suposto leccionares porque alguém, supostamente, se enganou.
Imagina que depois te propõem leccionares, em serviço extraordinário, embora não pago, as aulas que faltam e que o fazes, em parte, em tempo livre teu, porque tu próprio vês que não sobram alternativas.
Imagina que te dizem que mais nada será marcado para além desse teu esforço mas, mesmo assim, permitem que outros marquem actividades em cima das horas já antes insuficientes e que cada vez tens mais serviço extraordinário, à tua conta, para realizar.
Imagina que te solicitam trabalho, tu envias e requeres feedback, para depois o poderes concluir, mas de que jamais recebes qualquer resposta – e que é esse o padrão habitual.
Imagina, ainda, seres oficialmente informado, ao longo de 4 anos, não teres de realizar acções formação contínua e, de repente, a menos de seis meses da entrega do teu relatório de avaliação de desempenho, te imporem a realização dessa formação.
Imagina que requeres a dispensa para a frequência de uma acção de formação e, parte das horas a que tens direito, serem atribuídas quando a formação já acabou.
E, imagina ainda, apresentares mais 2 requerimentos para efeito da correcção das horas e não teres resposta cabal ou, até, resposta ao que requeres.
E imagina que passas parte da formação em serviço acrescido porque te dizem que vais ficar com tempos livres logo que uma das tuas turmas entre em estágio, fazendo desaparecer o esforço que tu fizeste antecipadamente, para que acontecesse o tal serviço extraordinário à tua conta.

Imagina isto e pensa naquilo que pode ser a forma como és tratado ao fim de 4 décadas desta profissão, apenas porque pensas, és digno, competente e, como tens carácter, não estás disposto a assinar por baixo de todas as facilidades, simplificações e “caridades” que queiram propor-te.

Imagina isto e muito mais. Numa dimensão que nem te passa pela cabeça poderem fazer contigo, onde até usares manga curta no inverno pode ser alvo de matéria disciplinar.

Imagina que és alvo de processos de averiguações e disciplinares, acusado de coisas que não fizeste, sistematicamente arquivados por falta de fundamento, apenas porque não te calas e não aceitas dar cobertura a esquemas e ilegalidades ou, até, por teres tido a ousadia de requerer o cumprimento das leis antitabágicas em espaço escolar e de trabalho.

Imagina isto, mas acredita que a realidade é muito pior do que aquilo que a tua imaginação pode conceber.
Porque até podes ter um acidente no regresso do teu trabalho, comunicares isso ao teu superior máximo do serviço e ele não ter a competência necessária para conhecer os seus deveres e não particiar isso como acidente profissional, apesar de toda a legislação vigente.

Depois, decide lá se queres mesmo ser professor.

 

Retirado do Facebook

 

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Hoje foi o 1.º Dia Sem Máscara nas Escolas, desde Março de 2020

Reparei que no dia de hoje, 1.º dia sem máscara obrigatória nas escolas, muitos alunos e professores ainda não tiveram coragem de a largar.

Talvez porque as primeiras páginas dos jornais de hoje, que foram feitas antes da publicação da legislação, levassem alunos e professores a pensar que só seria possível abolir as máscaras na próxima terça-feira.

Mesmo ficando claro que a máscara hoje já não seria obrigatória muitos mantiveram o seu uso ao longo de todo o dia.

E os leitores do blogue como se sentiram neste primeiro dia na escola, sentido-se livres para não a usarem?

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Lista Colorida – RR31

Lista Colorida com colocados e retirados da RR31.

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218 Contratados na RR31

Foram colocados 218 contratados na reserva de Recrutamento 31, distribuídos do seguinte modo:

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Procedimentos concursais – Subdiretor EPE

 

 

 

 

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Procedimentos concursais – Diretor EPE

Abertura de concursos para os cargos de diretores da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) e da Escola Portuguesa Ruy Cinatti – Centro de Ensino e Língua Portuguesa em Timor-Leste (EPRC-CELP).

Aviso n.º. 8434/2022 – Diário da República n.º. 79, 2.ª série, de 22 de abril

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Reserva de recrutamento n.º 31

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 31.ª Reserva de Recrutamento 2021/2022.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de terça-feira dia 26 de abril, até às 23:59 horas de quarta-feira dia 27 de abril de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 31

Listas – Reserva de recrutamento n.º 31

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Tirem as Vossas Conclusões

Palavras para quê?

Basta uma: antro.

Ministros, professores e ex-alunos. Afinal, quantas e quais as ligações do PS ao ISCTE? – CNN Portugal

 

Nesta República das Bananas existe sempre um buraco na lei, uma prescrição a preceito, uma falta de memória que dá na moleirinha no momento certo ou uma amnésia das fortes, é uma alegria…

 

Expresso | Vazio na lei das incompatibilidades protege João Leão no ISCTE

 

Expresso | Organização da Transparência pede investigação a caso João Leão. Se promoção no ISCTE “não foi uma recompensa pelos benefícios, parece”

 

Zeca Afonso – Os Vampiros “Eles Comem Tudo”

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Concurso de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança – Vagas

Aplicação disponível para as escolas de 22 de abril a 3 de maio de 2022 (18:00 horas de Portugal continental).

SIGRHE
Manual de Instruções – Concurso do ensino artístico especializado – Vagas 2022/2023

 

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Alívio das máscaras é já esta sexta-feira. Diploma publicado em DR

 

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS

Estabelece medidas excecionais e temporárias no âmbito da pandemia da doença COVID-19

 

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Se um mosquito incomoda muita gente…

 

A Fenprof reclama dos professores que estiveram no debate da RTP, na terça-feira, porquê?

Sou professor, conjunturalmente estou subdiretor. Quando falo em público ou privado falo com a minha voz livre de profissional com 50 anos de idade, 27 de trabalho, que correu 17 escolas, esteve 7 anos anos num TEIP, está no 4º escalão. Guiado pela minha cabeça.

Não alego nem quero representar 50 mil pessoas e não preciso de o provar (o que será difícil, porque alguém acredita que a Fenprof representa quase metade dos professores?).

Da longa arenga, de leitura difícil, da Fenprof sobre o debate de 3ª feira na RTP, em que Mário Nogueira se lamuria por não ter lá estado (o que mostra que até à Fenprof achou importante o que lá se disse), registo a frase que se destacou na minha leitura: “os demais eram representantes de si próprios, condição que não se altera por serem dinamizadores de blogues.”

É verdade. Fui representar-me a mim próprio. Convidaram-me. Falei.

A questão é: os professores que lá estiveram, que dão aulas e estão na escola todos os dias, disseram coisas erradas ou inoportuna para a Fenprof se ir queixar?

E se em vez de se queixarem da voz que é dada a outros professores se dedicassem ao que realmente interessa.

Luís Sottomaior Braga

 

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Esclarecimento sobre o fim do uso obrigatório de máscara nas escolas

 

A partir da semana que vem, e não amanhã, será na terça-feira, deixa de ser obrigatório o uso obrigatório de máscaras nas escolas. O que não quer dizer que quem o quiser fazer não possa ou não deva por alguma razão que julgue válida.
Este é um momento há muito desejado, mas que não dispensa a vigilância de sintomas e uma atenção responsável e redobrada.

 

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A desresponsabilização política dos crimes de uma guerra gelada…

 

 

 

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Presidente da República promulga redução da obrigação de máscaras

 

O Presidente da República promulgou o diploma do Governo, recebido esta tarde, que procede à alteração ao Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março, na sua redação atual, que estabelece medidas excecionais e temporárias no âmbito da pandemia da doença COVID-19, reduzindo designadamente a obrigatoriedade do uso de máscaras.

 

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Onde permanece a obrigatoriedade de uso de máscara?

Limita-se a obrigatoriedade do uso de máscara apenas aos locais caracterizados pela especial vulnerabilidade das pessoas que os frequentam (estabelecimentos e serviços de saúde, estruturas residenciais, de acolhimento ou serviços de apoio domiciliário para populações vulneráveis ou pessoas idosas, bem como unidades de cuidados continuados) e aos locais caraterizados pela utilização intensiva (transportes coletivos de passageiros, incluindo o transporte aéreo, transporte de passageiros em táxi ou TVDE).

Ou seja, voltamos à normalidade escolar. Logo veremos a reação da comunidade escolar…

 

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Uso de máscara deixa de ser obrigatório nas escolas

Conselho de Ministros reuniu-se esta quinta-feira para aprovar medidas, apesar de o país “não estar no patamar ideal”. Entrada em vigor depende de Belém.

Uso de máscara deixa de ser obrigatório e também nas escolas

O Conselho de Ministros reuniu-se esta quinta-feira para tomar medidas relativas à Covid-19. A situação de alerta vai manter-se até 5 de maio. A ministra da Saúde diz que a “evolução da situação é positiva” em Portugal e que apesar de “não estarmos no patamar ideal, o caminho permite neste momento alterar o enquadramento que existia” e um deles é o fim do uso de máscaras. As medidas entram em vigor só depois de publicada a resolução do Conselho de Ministros aprovada esta quinta-feira — deve ser publicada esta sexta-feira, mas tratando-se de um decreto ainda terá de ir a promulgação do Presidente da República.

“Estão reunidas as condições para a não obrigatoriedade do uso de máscaras”, diz a ministra anotando que se mantêm apenas para “locais frequentados por pessoas especialmente vulneráveis” (lares e hospitais) e locais com “elevada intensidade de utilização e de difícil de arejamento” — transportes públicos coletivos, mas salas de aulas não. Questionada concretamente sobre a situação das escolas, a ministra repete que apenas são recomendadas nestas duas situações concretas.

Deixa de haver regras para testes de diagnósticos, que passam apenas a acontecer em casos determinados pela DGS e deixa de ser exigido certificado Covid em qualquer das modalidade para as estruturas sociais e de cuidados de saúde. “Regressamos ao contexto de maior normalidade”, resume a ministra.

Em relação à quarta dose de reforço, a ministra fala nas orientações da Agência Europeia do Medicamento e da comissão técnica de vacinação para dizer que o Governo está a avaliar “dentro do quadro de recomendação” mas diz que essa dose “acontecerá antes do próximo outono inverno podendo ainda haver uma antecipação” da toma.

“À data, o país regista 583 casos por cem mil habitantes, o número de internados em UCI está estável e decrescente”, diz Marta Temido que anota, no entanto, que a positividade continua elevada.

A ministra diz que em fevereiro, os peritos que recomendaram o levantamento de medidas restritivas se mantivesse feito com base no número de camas em UCI ocupadas e o número de mortos a 14 dias deveria estar abaixo de 20, neste momento está em 27,9. O número de internados é “largamente abaixo” do definido, mas o país ainda não está abaixo do limite.

Ainda assim, regista Temido, a mortalidade por todas as causas está entre o esperado para a época do ano. “E com a circunstância adicional de estar estável deste fevereiro”, diz.

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Por falar em ser ouvido por quem nos devia ouvir

 

É ou não foi?

Já foi assim, mas há mais de 48 anos: aos sindicatos não era dada a palavra, mesmo sobre aqueles que representavam. Excluídos do debate público, em particular o que era difundido pelos órgãos de comunicação social controlados pelo governo, a desvalorização dos trabalhadores e das suas organizações representativas não passava apenas pelo controlo e repressão, passava também pelo silenciamento. Foi assim, mas será que já não é? Foi, mas, infelizmente, na “nossa RTP”, são muitas as vezes em que continua a ser. Senão vejamos:

Ontem, 19 de abril de 2022, a RTP, serviço público de rádio e televisão em Portugal, emitiu o programa “É ou não é” sobre o futuro da Educação. Em debate estiveram, entre outros aspetos, os relativos à falta de professores, à sua carreira e às condições de exercício da profissão. Uma vez mais (!), as organizações sindicais de docentes foram excluídas, o que significa que a RTP voltou a prestar um mau serviço, amputando o debate público de participações e pontos de vista importantes para ele.

A FENPROF é a organização sindical mais representativa de docentes em Portugal, em todas as regiões do país, incluindo nas regiões autónomas, através dos sindicatos de professores que a integram. A FENPROF é a organização que mais tem alertado para os problemas que afetam a Educação em Portugal, tendo apresentado propostas visando a sua resolução em diversas instâncias do poder político, tanto governo, como Assembleia da República, participando ativamente no Conselho Nacional de Educação, reunindo e dando contributos nos mais diversos fóruns e espaços de reflexão sobre temas da Educação, integrando órgãos de organizações nacionais e internacionais de Educação e/ou de natureza laboral. A FENPROF tem trazido ao debate público temas de inquestionável relevo, como aconteceu com a falta de professores e perda de atratividade da profissão docente, assunto durante muito tempo ignorado até pelo poder político mas que, finalmente, começa a merecer atenção na nossa sociedade.

É, pois, vasta a atividade que a FENPROF desenvolve na área da Educação, debatendo, refletindo, propondo e lutando pelos direitos dos docentes, que representa, mas, igualmente, por uma Escola Pública e uma Educação de qualidade, para todos, inclusivas e gratuitas, ou seja, por uma Escola Democrática.

Entendeu a produção do referido programa da RTP que, apesar do trabalho desenvolvido por esta organização que representa cerca de 50 000 docentes, não havia interesse em conhecer os seus pontos de vista, o diagnóstico que faz das atuais situações da Educação e dos professores em Portugal. Poderia pensar-se que a opção da RTP teria sido a de não ter representantes de entidades ou organizações, mas não foi o que aconteceu, uma vez que estiveram no debate, por exemplo, a presidente do Conselho Nacional de Educação e o presidente de uma associação de diretores. Estiveram professores, sim, mas exceção feita aos que desenvolvem determinados projetos, os demais eram representantes de si próprios, condição que não se altera por serem dinamizadores de blogues. Não se vislumbra a justificação para privilegiar representações individuais em detrimento de coletivas e, mais do que isso, para excluir estas no que toca aos professores, grupo profissional determinante para os assuntos em análise.

Não pondo em causa os convites que foram feitos, não se pode deixar de assinalar o facto de ter estado presente a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, no mandato da qual os professores foram tremendamente atacados nos seus direitos, incluindo a grave desvirtuação do seu estatuto profissional, nas suas condições de trabalho e na sua dignidade, tendo sido posto em causa o seu profissionalismo e a sua dedicação à atividade que desenvolvem. Já nesse tempo, foi a FENPROF quem se destacou na organização e mobilização dos professores. Mesmo assim, entendeu a produção do programa da RTP deixar de fora a FENPROF.

Escusaria a FENPROF de dar conta da importância da atividade que desenvolve, da representatividade que tem e da capacidade que para construir e apresentar propostas, pois tudo isso é do domínio público, certamente também de quem decide os convites para os programas em que a Educação e o seu futuro estão no centro do debate. Ao excluir esta importante organização que representa um grupo profissional essencial, a RTP voltou a prestar, insiste-se, um mau serviço, pois impediu os telespetadores de conhecerem pontos de vista significativos para o debate em curso. Infelizmente, não é a primeira vez que a RTP – que, como outros órgãos de comunicação social, não raras vezes recorre à FENPROF para obter informações e explicações importantes para notícias sobre Educação, para obter dados ou para conseguir testemunhos que possam ilustrar as suas reportagens – decide excluir esta organização de docentes dos debates que organiza, numa clara discriminação em relação a organizações que representam outros membros da comunidade educativa.

Será que o canal público de televisão, 48 anos depois do 25 de Abril, ainda não reconhece aos sindicatos – e em particular à FENPROF – o papel representativo que têm?

Por tais posturas verificadas no canal público, a FENPROF apresentou, ao longo dos tempos, repetidos protestos. Mais uma vez se vê na necessidade de protestar e reclamar veementemente pela exclusão de que foi alvo. De forma inequívoca, afirmamos que isto não é serviço público.

 

Lisboa, 20 de abril de 2022

O Secretariado Nacional da FENPROF

 

 

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Que Soluções Podemos Encontrar Para A Falta de Professores?

Esta parece ser a pergunta que muitos fazem por esta altura, quando existem pelo menos 20 mil alunos sem aulas a pelo menos uma disciplina.

Ao contrário de alguns que acham que a entrega da gestão dos recursos humanos às escolas para colmatar as necessidades das escolas é a melhor solução eu discordo profundamente desta autonomia para a contratação pelas escolas, porque: é um processo moroso que em vez de acelerar o processo de contratação torna-o mais lento e mais sujeito a erros na  ordenação dos candidatos. A BCE provou isso quando um professor ficava colocado em 30 ou 40 escolas, atrasando a colocação de um docente para um determinado horário porque os melhor graduados ficavam colocados em inúmeras escolas.

Já há bastante tempo falei sobre a necessidade de alteração do diploma de concursos para tornar mais responsável as opções de cada candidato. Não faz sentido a penalização pela não aceitação de um horário, ou a denúncia de um contrato em período experimental, ou não, ser apenas pelo próprio ano letivo. Nesta altura do ano são colocados imensos professores em horário completo e até “anual” que não aceitam a colocação porque em setembro já podem aceitar novas colocações. Nas últimas duas reservas tive dois horário completos e anuais e um completo e temporário com professor colocado, mas que não aceitou a colocação.

Para aumentar a responsabilização pelas opções dos professores o Ministério da Educação devia permitir que os concursos fossem dinâmicos e que em qualquer momento do ano o professor pudesse alterar as suas opções de escolas e intervalos de horários em função do seu interesse na própria altura. Neste caso a penalização por uma não aceitação de colocação devia ser no próprio ano e pelo seguinte.

A solução a curto prazo para resolver o problema que surge sempre no final do ano podia ser a bonificação do tempo de serviço para efeitos de concurso para quem aceitasse uma colocação e um suplemento remuneratório.

Algo como: uma colocação no terceiro período podia valer 3 vezes o tempo de serviço (apenas para concurso) e uma bonificação de 20% no vencimento. Uma colocação no 2.º período podia valer a bonificação do dobro do tempo de serviço e uma bonificação de 10% no vencimento.

A solução a médio prazo (após a revisão do diploma de concursos) poderia passar pelo que indiquei em cima, duplicar a penalização por uma não aceitação, mas permitindo uma candidatura dinâmica ao longo de todo o ano letivo. A colocação em horário completo para qualquer horário igual ou superior a 18 horas também seria uma boa opção acrescida à primeira.

A solução a longo prazo seria valorizar as remunerações de todos os docentes, tornar mais atrativa a carreira docente de forma a atrair mais jovens para a via ensino. Não me venham dizer que o problema é que os alunos no fim da sua licenciatura não conhecem as opções que existem para seguirem a via ensino,  porque isto só nas cabeças das Marias Emílias e dos seus conselheiros é que fazem sentido.

Discordo um pouco de serem dadas regalias financeiras para colocações em zonas mais desfavorecidas porque isso iria criar desigualdades entre professores colocados na mesma escola e à boa maneira portuguesa iria promover alguns aproveitamentos para um professor ser beneficiário desta medida. Facilmente imagino que um docente de lisboa mude a sua residência fiscal para Paris Bragança apenas para beneficiar de ajuda deste género.

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As Notas de Rodapé São Tramadas

A falta de vergonha já não existe e quando 7 dos 16 ministros têm o ISCTE no currículo aguarda-se mais casos do género no futuro.

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Lata em forma de assim

 

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Os 4 euros que separam um AO de um AT

E cada vez se exige mais de uns e de outros? Tenham lá vergonha na cara e deixem de proletarizar uma sociedade que se quer desenvolver. A história já nos provou que sem motivação (vencimento) não se fazem bons profissionais. Se o público não capta os bons com uma carreira competitiva o particular aproveita. No final o refugo caberá ao público com todas as suas consequências.

 

Se o Governo não corrigir a tabela remuneratória única até ao início do próximo ano, o Estado passará a oferecer o mesmo salário de entrada para a carreira que pede o 9.º ano (assistente operacional) e para a que exige o 12.º ano (assistente técnico). E se o ministro das Finanças, Fernando Medina, sinalizou o adiamento de correções salariais – como a que estava prometida para os licenciados…

Quatro euros que separam duas carreiras do Estado em risco de desaparecer

É já mínima a diferença entre os salários de entrada na carreira geral do Estado que exige educação básica e os da que exige o 12.º ano. Aumento do salário mínimo em 2023 anula-a. Medina adiou correção às tabelas salariais. Mariana Vieira da Silva diz que a quer fazer.

 

 

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O Futuro da Escola em Debate

A escola vive uma encruzilhada e uma crise de vocações. Se nada mudar no próximo ano letivo, 110 mil alunos podem não ter professores a pelo menos uma disciplina.
Mas as condições salariais e as dificuldades de estabilidade da profissão têm tornado a carreira docente cada vez menos atrativa.
Num momento em que o futuro não espera e em que novas necessidades de aprendizagem se impõem num mundo cada vez mais tecnológico e exigente.
Este é ou não é o momento certo para repensar o futuro da Escola?

 

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“ Não sei como chegámos aqui assim. Não sei e não quero saber”.

“Não sei como chegámos aqui assim. Não sei e não quero saber”.

– Maria de Lurdes Rodrigues, 19/04/2022

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A falta de professores não pode ser desculpa para a falta de justiça e de Lei

 

Há pouco, num debate da RTP, Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da educação de má memória, veio defender a contratação “pelas escolas”. Filinto Lima acolitou, lembrando a BCE de desgraçada memória mas sem lembrar a memória desgraçada.

Milu, com aquela falta de humor faraónica que caracteriza, insistiu na sua falta de vontade de fazer atos de contrição e repetiu a cassette da contratação pelas escolas.
Também não sou religioso, mas Deus nos livre de ser cada escola a escolher os seus professores. Além do custo dessa operação, das dificuldades burocráticas de a concretizar, ninguém se lembra das trapalhadas, injustiças e compadrios do tempo em que isso quase foi assim?

Luis S. Braga

 

 

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O Paulo Guinote Que Me Perdoe

… mas a legenda de rodapé só a consegui fotografar desta forma.

Um excelente debate sobre as razões que nos trouxeram à falta de professores nas escolas, bem retratado pelo Paulo Guinote, pelo Filinto Lima e pelo Luís Braga.

A frase de rodapé diz tudo sobre a pessoa que nos trouxe até aqui.  Mesmo que não queira saber, todos podemos dizer que chegamos aqui por sua exclusiva responsabilidade.

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Agenda para Hoje à Noite

Agenda Nocturna

 

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