Aplicação disponível entre os dias 5 e 9 de maio de 2022 (18:00 horas de Portugal continental) para efetuar candidatura ao concurso externo do ensino artístico especializado da música e da dança.
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Mai 09 2022
O próximo quadro apresenta a idade dos candidatos ao concurso externo no dia 1 de setembro de 2022 que concorrem na 1.ª prioridade.
A moda situa-se nos 44 anos e tem vindo a subir ao longo dos anos. Ou seja, a cada ano que passa a média dos professores que entram no quadro também aumenta. Há 60 professores com 60 ou mais anos que este ano vão entrar no quadro concorrendo em 1.ª prioridade.
O ficheiro em pdf encontra-se aqui.
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Mai 09 2022
Encontra-se a decorrer, 𝗮𝘁𝗲́ 𝗮𝗼 𝗱𝗶𝗮 𝟭𝟮 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗶𝗼 𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟮𝟮, o prazo de candidatura ao 𝗖𝗼𝗻𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗱𝗮 𝗥. 𝗔. 𝗠𝗮𝗱𝗲𝗶𝗿𝗮.
Recordamos que a candidatura efetua-se após a inscrição, através da aplicação AGIR disponível em https://agir.madeira.gov.pt
Mais informações, documentação/legislação e prazos de candidatura, aqui:
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Mai 09 2022
Para poder finalmente ter a estabilidade necessária ao começo de uma vida como professor, não bastou mudar de país em 2007. Com o dinheiro contado para mais ou menos três meses, e estando em Londres há dois meses e meio e o fundo dos bolsos à vista das mãos a nadar nas calças, foi preciso aceitar trabalhar a hora e meia de casa com os alunos mais difíceis da cidade, os miúdos excluídos de East Ham, numa escola que nem por isso era uma escola ou parecia uma escola, antes um conjunto de pré-fabricados encavalitados entre um beco e duas ruas secundárias.
Basicamente, aceitei o pior trabalho possível nas piores condições possíveis e entre ter emprego ou regressar a Portugal com uma mão atrás, outra à frente e ainda mais dívidas fruto do dinheiro emprestado, obviamente decidi não regressar.
Os pré-fabricados de East Ham ainda lá estão, eu não. Se a experiência de mais de um ano serviu de mote para uma carreira já com mais de 14 anos, os dias eram vividos entre a agressividade e a violência de crianças ainda hoje demasiado novas para tanta agressividade e violência numa das zonas mais carenciadas da cidade e onde tudo faltava, e ainda falta, às famílias, às escolas e aos serviços sociais.
Sem condições para poder ensinar alunos a anos-luz de uma sala de aula e com todas as necessidades básicas e mais algumas por cumprir, ao fim de pouco mais de 12 meses mudei de município, desta feita para Islington, a 45 minutos de casa e numa escola sediada num edifício vitoriano, ergo, com mais de 100 anos e, tal como tudo com mais de 100 anos nas mãos de quem não deve, a cair aos bocados.
Mas fazendo agora parte da Direcção, entre currículo e salário correspondente o emprego era, e é, uma oportunidade e eu nunca tivera oportunidades.
Islington? Não é tão carenciada como East Ham mas está lá perto. Assim como lá perto está Haringey, onde trabalhei um ano mais tarde como Head Teacher de uma escola para alunos com necessidades médicas e entre um município e outro na zona norte de Londres perdi a conta à quantidade de portas e janelas partidas entre murros, pontapés e cadeiras no ar da parte de crianças dos 6 aos 16, sem qualquer destrinça de género, raça ou credo.
A violência, quando existe, existe para todos.
A ajuda é que nem por isso. E sem condições, fui-me embora uma e outra vez e se me perguntarem talvez ainda hoje estivesse a trabalhar em Islington mas à data a proposta de trabalho como Head Teacher foi não só uma tentação mas também a recompensa de dois anos e meio tão difíceis como longos e, por conseguinte, fui à entrevista, disse adeus a colegas e amigos ainda hoje presentes e durante 8 meses estive à frente dos destinos de uma escola.
Tinha 32 anos de idade e estava em Londres há pouco mais de 3 anos.
Para chegar a este ponto testemunhei a violência do capitalismo e da desigualdade nos rostos e nas vidas de crianças e pais entre o desemprego, a delinquência, as dependências e os abusos nem por isso diferentes das realidades vividas em tantas grandes cidades no mundo de hoje.
E compreendi a ciclópica tarefa diante de mim num país supostamente entre os mais ricos do mundo mas onde se contam pelos dedos de uma mão os poucos municípios de Londres, num total de 32, onde ainda existem meios e apoios sociais para os mais necessitados e os mais necessitados somos todos nós.
E por não ter condições, não obstante as promoções e a carreira meteórica, fui-me embora num total de três vezes até acabar nos arredores de Wimbledon, onde ainda hoje me encontro, paredes meias com um torneio de ténis de prestígio mundial e ao lado de Wimbledon Village onde o metro quadrado é o mais caro do país.
Talvez assim se explique a presença de psicólogos, de terapeutas da fala, a polícia na escola dois dias por semana, dois terapeutas cognitivo-comportamentais, o assistente social, professores e assistentes dedicados à promoção do futuro, de um futuro, e quase tantos adultos como alunos se de facto queremos, e queremos, fazer a diferença e fazer a diferença resume a paixão pelo ensino.
Uma paixão traduzida em 11 anos na mesma escola com o apoio de uma equipa multidisciplinar e de uma hierarquia onde todos temos um papel a cumprir e a responsabilidade repartida equitativamente.
Em terras de Sua Majestade precisei de 3 anos e o sacrifício aqui descrito para construir um currículo e amealhar a experiência necessária à posição que hoje ocupo.
Em Portugal temos professores com mais de 60 anos ainda à procura de um lugar no quadro. Se a isto juntarmos os baixos salários, os horários incompletos, tantas turmas como níveis de ensino, mais de 30
alunos por turma, a falta de progressão na carreira e a ausência de tudo nas escolas, acabamos sem ninguém interessado em leccionar.
Só assim se explicam as vagas por preencher num retrocesso aos anos 80 durante os quais qualquer um podia ser professor, quiçá medida propositada no sentido de denegrir o ensino público em favor do privado.
Ou então o resultado de um sistema de ensino onde tanto ainda está por fazer, a começar pela estabilidade da carreira docente.
Eu sei o que tive de passar lá fora para ter condições de trabalho. Mas a estabilidade e a carreira nunca foram um problema. Aliás, se assim o desejasse ainda agora estaria em East Ham, Islington ou Haringey. Mas a estabilidade não basta, é apenas o começo e voltar a Portugal nunca será uma opção se nem começar podemos.
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Mai 08 2022
O próximo quadro apresenta a idade de todos os candidatos ao concurso externo 2022/2023, em 1 de setembro de 2022. O ficheiro em pdf para melhor leitura encontra-se aqui.
A moda de idades situa-se nos 42 anos, sendo que entre os 39 e os 44 anos existem mais de 3 mil candidatos.
Tal como já aqui foi referido, o candidato com mais idade faz 70 anos no dia 17 de setembro e obrigatoriamente tem de deixar a função pública por atingir o limite de idade e o candidato mais novo, em 1 de setembro de 2022 ainda tem 22 anos e é do grupo 260 – Educação Física.
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Mai 08 2022
Nunca gostei da escola. Não ouvia uma única palavra do que os professores diziam. Os livros dos grandes escritores portugueses lia-os nas férias, só depois de ser avaliado pelo meu desconhecimento acerca deles.
Tudo o que a escola mandasse fazer recusava instintivamente. Quando os meus pais me apresentavam os docentes liceais amigos deles retribuía-lhes o cerimonial com o proverbial “não gosto de professores”.
Nesse tempo os homens e mulheres que ensinavam as matérias escolares eram geralmente destituídos de qualquer lampejo de vida que ultrapassasse os temas incluídos nos manuais. Sabiam declinar nomes latinos, preencher os quadros negros com equações numéricas, diferenciar a dureza das rochas ou dividir as orações nos Lusíadas, mas nada mais mais do que isso.
O sistema não se preocupava com duas coisas fundamentais: a pedagogia enquanto estratégia de melhor ensinar e a diferenciação possível da personalidade e história de vida dos alunos.
O resultado só podia ser mau.
Escrevo este arrazoado de memórias a propósito da falta de candidatos a professores. Fartei-me de avisar os políticos, líderes de opinião e jornalistas do mal que andavam a fazer à educação desde 2005. Ninguém ligou.
O que aí vem é assustador. Os futuros professores serão outra vez licenciados nas matérias que vão ensinar e só. Para além de nem sequer serem portugueses — a maioria virá do Brasil e dos países africanos de expressão portuguesa.
Estou a exagerar?! Então analisem o que neste momento está a acontecer no Reino Unido.
O miúdo que se senta no fundo da sala de aulas e olha perdido a paisagem que as janelas deixam adivinhar está outra vez excluído do sistema. Mas isso não é tão preocupante assim. Os teóricos da educação e das finanças facilmente encontrarão tabelas de progressão nos resultados escolares.
Francisco Barros e Barros
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Mai 08 2022
Há funcionários públicos fantásticos, profissionais dedicados e com um sentido de missão gigantesco que são muito mal pagos pelo empenho e profissionalismo que têm, conclusão a retirar do benchmark salarial com o sector privado. E depois há os “públicos” que de “funcionários” não têm nada, pois não são profissionais e não fazem nada (pelo menos positivo), excepto queixar-se. Estes ganham o mesmo que os anteriores, logo estão muito bem pagos e ganham demais. Como no sector privado, há os “excepcionais, os bons, os maus e os vilões”. Mas no Sector privado podemos criar perfis de desempenho desejados, avaliar, remunerar de acordo com o desempenho e resultado (e não antiguidade), premiar… se não forem atingidos os objectivos há consequências e no limite fecha-se a empresa e os postos de trabalho extinguem-se. Há uma cumplicidade de objectivos que muitos sindicatos e patrões ainda não entenderam. No sector público a cumplicidade advém do profissionalismo individual e da liderança. Não advém das avaliações feitas por sectores corporativistas que se auto-avaliam, nem de avaliados que vão avaliar os avaliadores mais tarde. Sem risco de a “empresa fechar” (ou seja o estado deixar de pagar o salário baixo ou alto, consoante o desempenho de cada um). Por isso entendo que tem de de existir um compromisso de ambas as partes baseado em 2 premissas: os funcionários públicos ganham pouco e isso é óbvio; mas há muitos funcionários públicos que não fazem nada sem sofrer nenhuma consequência. Estas 2 variáveis prejudicam o modelo meritocrático que devia existir, pois desmotivam os muito bons “funcionários públicos” que existem, que se fartam de trabalhar e recebem o mesmo salário que os “públicos”. O compromisso é simples, mudem radicalmente a legislação laboral, permitam avaliações objectivas de desempenho e resultado, extingam e despeçam a percentagem de “públicos” (o problema é que muitos deles também estão nos sindicatos) e utilizem esta verba para aumentar os salários dos “funcionários públicos” que merecem salários que lhes permitam viver dignamente. Bem como digitalizar os serviços públicos, recrutando apenas os novos “funcionários públicos” que fazem falta nos serviços, mas sem aumentar a despesa pública pois já poupamos nos que saíram. No segundo trimestre de 2021, o Estado tinha 731 mil trabalhadores públicos, o valor mais alto desde 2011. Mas se usarmos os dados do Eurostat 2019, verificamos que Portugal até tem uma das % mais baixas de funcionários públicos em relação à sua força de trabalho total (abaixo dos 15%) enquanto a Europa está perto dos 19%. Obviamente de 2019 até agora, como aumentamos o número de trabalhadores, devemos ter aumentado a percentagem. Mas como os critérios podem variar, podemos avaliar de outra forma e estimar o peso destes gastos salariais vs o PIB, vendo quanto é que as remunerações da Função Pública pesam na totalidade da despesa do Estado. Neste critério, Portugal surge a meio da tabela e acima da média comunitária. Portanto devemos já estar na média Europeia ou perto dela. Não temos de aumentar os “funcionários públicos” temos é de “renovar” os “públicos”. Com uma preocupação acrescida, “o inverno” da pirâmide etária: em 5 anos, a percentagem de trabalhadores com mais de 55 anos saltou de 19,6% para 36,5%.
Em suma, o nosso país tem uma tarefa hercúlea de digitalização e modernização administrativa e de reforma da administração pública, fundamental para o crescimento económico que o nosso país precisa!
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Mai 08 2022
Só quando virmos a última gota de água sair das torneiras nos daremos conta da falta que ela faz. E assim será com os professores numa terra que atravessa uma severa seca de valores sociais.
O sistema de ensino em Portugal não é mais do que um navio a afundar-se onde os sobreviventes, num salva-vidas à deriva num mar de gente indiferente que não os quer nem vai salvar, em desespero, acabam por cometer canibalismo começando a se comerem uns aos outros por considerarem ser essa a única solução para sobreviverem. Os professores que parem de procurar nos outros explicações para o afundamento da classe, porque ela própria é a maior culpada pelos males que a afligem, pela desunião que a caracteriza e tem prejudicado a todos ao longo dos últimos anos e nos trouxeram até esta situação decadente de instabilidade, precariedade e más condições profissionais.
Não é uma andorinha que faz a primavera; não são alguns casos fraudulentos na mobilidade por doença que podem pôr em causa todos os outros que estão realmente doentes. Foi com essa perigosa mentalidade e tendência em generalizar que se cometeram as maiores atrocidades e crimes ao longo da história da humanidade. É, por isso, com grande preocupação que assisto ao começo de uma campanha difamatória contra os professores em mobilidade por doença, doentes ou com familiares a necessitar de apoio.
Será, porventura, assim tão difícil estabelecer a ligação do envelhecimento da classe, a crescente sobrecarga de trabalho e o prolongamento dos anos de deslocações para escolas longínquas, com o aumento de problemas de saúde dos professores? Será que alguém se pergunta como é que um professor sexagenário aguenta fazer diariamente centenas de quilómetros nas estradas a acumular a todo o imenso trabalho profissional que lhe é exigido? Claro que não, pois é bem mais fácil falar mal dos outros, algo tão característico do nosso povo.
Que, de uma vez por todas, se entenda que isto não é vida que se aguente. Até há uns anos os ciganos eram conhecidos pelo nomadismo que caracterizaram a sua cultura e os fizeram povoar os quatro cantos do mundo; hoje em dia os professores são os ciganos dos tempos modernos – nómadas a percorrer o país durante toda uma vida.
E que se desmitifique que o maior problema dos horários que não são preenchidos são os horários incompletos numa profissão mal paga sem ajudas de custo, que não são aceites por mal darem para pagar uma renda e que nada têm a ver com os professores em mobilidade por doença.
28 anos de carreira em QA, acidentes em serviço, cirurgias, um joelho que nem sequer me permite correr e me dificulta a condução e mais de 600 mil quilómetros nas estradas em deslocações para a escola, são a explicação para recorrer à mobilidade por doença. Se preferia não ter de recorrer a este género de concurso? Claro que sim, pois seria sinal que teria saúde, algo que não tem preço e só se dá o devido valor quando se perde. Por isso, numa situação destas, colegas serem obrigados a escutar da boca de dirigentes escolares e associativos e da comunicação social, que os professores nestas circunstâncias são fraudulentos e oportunistas!? E, pior, colegas de profissão a alimentarem as redes sociais com um ar carregado de maledicência dos seus pares, é revelador da desunião de uma classe malformada que se maltrata a si mesma.
Se hoje pudesse voltar para trás no tempo, nunca teria enveredado por ser professor. E isso nada tem a ver com a qualidade profissional. Quem me conhece sabe que sou um bom profissional, gosto do meu trabalho (embora hoje menos do que noutros tempos), com excelentes relações com pais, alunos, professores e funcionários, com elevada capacidade pedagógica dentro e fora da sala de aula. Mas não é isso que define uma escolha de vida acertada quando o preço a pagar é elevado numa fatura diária e perpétua, numa terra onde não há reconhecimento profissional nem mesmo no seio da classe onde cada um faz tudo para poder ficar com o quinhão dos outros. Sinto o desalento de quem deu tudo de si ao ensino, incluindo literalmente sangue, suor e lágrimas, e em troca recebeu tão pouco da sociedade.
A minha esposa, com 29 anos de carreira em QA, acidentes em serviço, mazelas, uma vida na estrada sem fim à vista, nem esperança de algum dia poder vir a ficar colocada perto do domicílio, é o exemplo acabado daquilo que se espera de um professor nos dias de hoje – um missionário que abdica tudo por uma causa sem gratidão social. Um número descartável que, quando estiver esgotado, simplesmente se esquece e se substitui.
Será a qualquer título assim tão difícil entender que o que está verdadeiramente em causa não são os professores, mas as condições de trabalho desumanas a que são sujeitos? Longe vão os anos em que um professor trabalhava meia dúzia ou, quando muito, uma dúzia de anos longe do domicílio até ficar colocado perto da sua residência. Atualmente, espera-lhe toda uma vida a trabalhar longe de casa com a expectativa de, talvez, um dia, quiçá perto da idade da reforma, poder vir a ser colocado perto de sua casa.
E quem paga a despesa de décadas nas estradas e em estadias com famílias a pagarem duas e três rendas? Quem paga o desgaste de centenas de milhar de quilómetros ao volante?
Com condições tão pouco atrativas, não é de admirar que, nos dias de hoje, não se consigam aliciar os jovens para virem a ser professores.
Não me espanta nada que a muito anunciada falta de professores já esteja aí com mais de trinta mil alunos sem professores neste ano letivo, mais de cem mil no próximo e mais de trezentos mil dentro de 2 a 3 anos.
É, para mim, muito natural que sejamos um país sem grande progresso em comparação com os seus pares, com baixos índices de escolarização que se irão agravar enormemente nos próximos anos, fruto do indecente ataque aos profissionais da educação iniciado em 2005 por Maria de Lurdes Rodrigues e o governo Sócrates e habilmente continuado pelos governos que se lhe sucederam.
Um país que, no futuro próximo, apenas irá colher aquilo que semeou; sem futuro, a que está condenado pela postura política e social de perseguição e injúria à classe fundamental para o desenvolvimento e progresso de uma nação. Mais do que um flagelo económico, este é um flagelo social numa terra movida por um monstro corrosivo que turva a razão e ataca com o ódio da cegueira chamado “inveja”. “Os professores ganham muito, trabalham pouco e têm muitas férias”, a isto se reduziu o imenso e importantíssimo trabalho de grande investimento e sacrifício pessoal e profissional desemprenhado pelos professores.
Está a chegar, a passos largos, o dia em que o país irá implorar por professores e não os terá. Depois, irão providenciar-se remendos para tapar a enorme cratera aberta diante de todos, recrutando-se profissionais sem habilitação profissional especializada nem qualificações à altura, recorrendo-se a professores dos PALOP, espanhóis, entre outros, quando se negligenciou e perseguiu excelentes professores que o país formou ao longo de décadas. Alguém deveria responder perante a justiça por este e outros crimes que a nossa classe política tem cometido contra a nação ao longo de décadas.
E quanto ao povo, longe de estar inocente, apenas terá aquilo que merece pagando por ter acreditado nas mentiras disseminadas pela máquina de propaganda política sendo conivente com esta matança profissional que encurralou o ensino neste beco sem saída.
Relativamente a esse clima de suspeição, o que dizer daqueles que, com responsabilidades acrescidas, vêm a público falar mal da classe? Comecem por investigar o obscurantismo por detrás de certas nomeações para cargos públicos, políticos e editoriais de órgãos de comunicação; comecem por averiguar a transparência dúbia na eleição de certos dirigentes escolares; comecem por dar a devida atenção a tantas irregularidades, atropelos à lei, cunhas, corrupção, peculato e crime, antes de se virarem para os professores.
E a ávida língua afiada de alguns docentes, seria muito mais útil se a apontassem na direção do envelhecimento da classe e do elevado desgaste a que está sujeita, com excesso de trabalho e de trabalho burocrático, de instabilidade e baixos salários. Afirmarem que professores em mobilidade por doença não lecionam, só alimentam falsas ideias sobre os professores. Muitos, coitados, mesmo em mobilidade por doença, ainda acabam por ser obrigados a meter baixa médica por não aguentarem, sendo o mais doloroso o azedume e má-língua dos colegas de profissão.
Em vez de exigirem melhores condições de trabalho, maior estabilidade profissional, redução dos quadros de zona, aposentação mais cedo por desgaste profissional, vinculação mais célere, ajudas de custo para alojamento e deslocações, menos burocracia, mais proteção social e judicial, valorização da classe, da carreira e salarial, fim de cotas e de obstáculos à progressão na carreira, devolução do tempo de serviço roubado e a resolução de tantos problemas reais e diários dos docentes, estupidamente, os professores continuam a preferir embarcar nestas ciladas que colocam professores contra professores e mancham a profissão na praça pública optando por dar tiros nos próprios pés. Guarda-se o mal dos outros num cofre longe da nossa consciência e dizem-se as maiores blasfêmias com a mesma facilidade com que se respira.
Que se investiguem os oportunismos de alguns e não se tome a parte pelo todo, apenas isso.
De quando em quando, num país onde quase tudo funciona mal, num exercício de fuga da realidade lá se volta novamente a atenção para os professores como culpados de todos os males… e o pior é que alguns facilmente alinham nisso.
Carlos Santos
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Mai 08 2022
As “soluções” apresentadas, por alguns “bem iluminados”, no sentido de colmatar a actual carência de Professores, foram dadas a conhecer pela Revista Visão em 5 de Maio de 2022…
Perante tais “soluções”, nomeadamente as apresentadas por Maria Emília Brederode Santos (Presidente do Conselho Nacional de Educação) e por Marçal Grilo (Antigo Ministro da Educação), não pode deixar de se ficar incrédulo e estupefacto, perdendo-se, por completo, a esperança de que algo possa mudar para melhor…
Os dois anteriores protagonistas, com responsabilidades reconhecidas na área da Educação, apresentaram como as suas melhores “soluções” para obviar à actual falta de Professores:
– O aumento provisório do número de alunos por turma (Maria Emília Brederode Santos, Presidente do Conselho Nacional de Educação);
– A criação de incentivos para que os Professores reformados voltem ao activo (Maria Emília Brederode Santos, Presidente do Conselho Nacional de Educação);
– A avaliação sobre o excesso (ou não) de burocracia a que os Professores estão sujeitos (Maria Emília Brederode Santos, Presidente do Conselho Nacional de Educação);
– Que a contratação de Professores seja mais da responsabilidade das escolas, obedecendo a critérios definidos pelas próprias (Marçal Grilo, antigo Ministro da Educação)…
E o que se pode afirmar, em termos gerais, sobre as mencionadas “soluções”? No mínimo, que as mesmas denotam desconhecimento acerca da realidade das escolas ou que a percepção que se tem delas se encontra enviesada e fantasiada…
Em termos mais concretos, as “soluções” apresentadas pelos dois signatários anteriormente referidos não podem deixar de suscitar algumas questões:
Um Estudo denominado “Organização Escolar: as turmas”, apresentado em 2016 pelo Conselho Nacional de Educação, então presidido por David Justino, parece contrariar a “solução” que se refere ao aumento de alunos por turma, agora apresentada pela sua actual Presidente (Maria Emília Brederode Santos)…
Entre outros, esse Estudo afirma que as turmas de maior dimensão estão correlacionadas com o menor tempo gasto no processo de ensino-aprendizagem e com o maior tempo despendido em manter a ordem na sala de aula; apresentam uma maior proporção de alunos com problemas de disciplina, o que prejudica o tempo disponível para actividades de ensino-aprendizagem; o tempo que os Professores podem disponibilizar ao nível do apoio/acompanhamento mais individualizado de alunos, nomeadamente através de pedagogias diferenciadas, também é lesado pelo aumento de alunos por turma…
– Tendo em consideração esses constrangimentos, com implicações particularmente gravosas e expectáveis ao nível da gestão de sala de aula, alguém acredita que o aumento do número de alunos por turma possa ser visto como um factor de sedução para atrair eventuais candidatos ao ingresso na Classe Docente?
– Ou que esse aumento de alunos por turma contribua para a satisfação dos Professores que se encontram no activo, atenuando a exaustão física e psicológica assumida pela maioria?
– Ou que o referido aumento seja benéfico para os próprios alunos?
– Ou essa “solução” tem afinal como principal objectivo mitigar, de forma absolutamente artificial e falaciosa, a falta de professores?
– Alguém acreditará que os Professores jubilados aceitem regressar ao activo, depois de terem “comido o pão que o diabo amassou” para conseguir chegar à aposentação? Que incentivos lhes proporia Maria Brederode Santos?
– Maria Brederode Santos não dá como adquirido que os Professores estejam efectivamente sujeitos a uma carga insana de tarefas burocráticas… A prova disso é que considera que deve ser feita uma avaliação sobre se existe ou não excesso de burocracia…
Não se percebe bem se essa afirmação revela um profundo desconhecimento acerca dos moldes em que o trabalho dos Professores se desenrola actualmente em cada escola ou se estaremos perante uma tentativa (mal disfarçada) de negação do problema…
– Confiará, Marçal Grilo, que a maioria das escolas consiga realizar Concursos para a contratação de Professores com a devida isenção e rigor, sem cair na tentação de se deixar contaminar por “amiguismos” ou por outros factores estranhos e anómalos?
Só por distração ou por absurdo se poderá considerar que as “soluções” anteriores sejam viáveis e eficazes para fazer face à insuficiência de Professores e contribuir para a sua erradicação…
Ao longo dos últimos anos, o Ministério da Educação, incapaz de prever e de assumir as evidências da crescente carência de Professores, preferiu escamotear o problema, atirando-o “para baixo do tapete”, numa atitude displicente, bem ilustrada pela expressão espanhola: “no pasa nada”…
Não sendo já possível continuar a ignorar esse imbróglio, dada a proporção que o mesmo entretanto atingiu, o Ministério da Educação assumiu agora essa incontornável realidade, parecendo estar disposto a tudo para o remendar ou remediar…
A recente, e precipitada, alteração das regras dos Concursos de Reserva de Recrutamento é disso um exemplo, sobretudo pelas injustiças e iniquidades introduzidas pelas novas directrizes…
E já não restarão grandes dúvidas de que a “factura” da incompetência, da inépcia e dos erros cometidos pela Tutela será remetida a terceiros, com a maior das desfaçatezes…
O actual Ministro da Educação ainda não demonstrou cabalmente se estará ou não disposto a melhorar as condições existentes na Carreira Docente, nomeadamente providenciar alterações nos mecanismos de progressão na mesma, de forma a torná-la mais atractiva em termos salariais…
O que parece haver neste momento, por parte do Ministro, é um conjunto de (supostas) boas intenções que só se tornarão em (hipotéticas) boas soluções quando se passar das palavras aos actos… Aguardam-se os actos…
Até lá, ficamo-nos pelas “soluções” que têm vindo a ser divulgadas e em relação às quais só se poderá afirmar: “Sopa!”… Como diria a Mafalda (Quino), em jeito de palavrão…
(Matilde)
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Mai 08 2022
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Mai 07 2022
Hoje vou contar uma história, a história da Sofia. Poderia ser a história de qualquer contratado que o é, ou o foi nos últimos anos.
Estagiei em 2004/ 2005, esse ano foi o último ano em que os estágios foram remunerados. Coitados, acharam que 600 e poucos euros nos iam deixar ricos.
Nos entretantos, já passei por diversos horários. Já dei AEC e hoje chego à conclusão que era feliz e não sabia, apesar de ter tido episódios de discriminação por parte de colegas titulares. Quem nunca?
Nas reservas de recrutamento já me saiu de tudo na rifa. E hoje, olho para trás e sinto-me indignada, já comi o pão que o diabo amassou para chegar aqui e hoje sinto que são permitidas cambalhotas de outras pessoas por cima de mim.
Tenho o direito de me sentir indignada e desrespeitada.
Já substitui uma Senhora que estava realmente doente e obrigaram-na a trabalhar a 15 de julho, mesmo doente. Essa Senhora, com letra maiúscula, meteu assistência por ascendente. A mãe tinha sido operada à mão, perdeu 15 dias de remuneração, fiquei até 31 de agosto. Há professores do quadro que são Senhores. É um ser humano que merece tudo de bom que a vida lhe pode dar. É tão bonito tentar perceber o que é ser contratado. Professores há muitos, Senhores e Senhoras há cada vez menos, já dizia o outro.
Lousada no ❤️
Uns tempos depois substituí uma colega em Paços de Ferreira, estava muito mal da cabeça, um esgotamento, não regressava tão cedo. Regressou passado duas semanas, porque lhe tinham ligado a dizer que tinha de ter aulas assistidas, naquele mês de fevereiro, para subir de escalão. É de rebolar a rir.
Tenho o direito de me sentir indignada e desrespeitada.
Há baixas fraudulentas e não devia haver. Há custa dessas baixas é que o meu marido, doente oncológico, foi mandado trabalhar a pesar 50 kg. Graças a Deus não é da área e trabalha para tio, se precisar de dormir um sono, no escritório, pode. No entanto, muitos de nós não podemos. E não me venham com a história de que à custa deles temos trabalho. Nunca, mas nunca vi ninguém criticar o regresso de um professor quando obrigado pela junta médica. Eles estão a começar a dar o ar da sua graça, em junho serão ao montes. Quem nunca ouviu: ai regressei porque já estava fart@ de estar em casa. What?!?
E é aqui, neste momento, que o contratado se sente género “cucaracha”.
E agora pergunto eu, porque podem os da rr32 e rr33 ficar até 31 de agosto e outros não?
Tenho o direito de me sentir indignada e desrespeitada.
Depois olho para as listas e vejo o tsunami do privado a chegar. E claro, sinto-me indignada. Não preciso de explicar muito porquê, todos sabem como eram geridas as colocações no privado há uns anos atrás. Se nós pudéssemos concorrer ao privado e amealhar ts, ninguém se sentiria indignado. É muito justo para quem andou de casa às costas, continente e ilhas… É muito justo para quem deixa os filhos com as avós e avôs…
Tenho o direito de me sentir indignada e desrespeitada.
Gostaria que percebessem que a minha e a indignação de muita gente não é contra ninguém em particular, é contra o sistema.
Ninguém pode mostrar indignação relativamente a estes assuntos no grupo, que fica tudo ofendido. Eu só me ofendo, se me atacar diretamente a mim. As pessoas ficam tão ofendidas que até descem de nível, já li cada… Eu mesma já fui ofendida por dizer o que penso.
Nestes grupos, é normal que muita gente pense diferente.
O sistema é podre, é normal que a gente fique revoltada, indignada e mais umas quantas coisas.
Quem não se sente, não é filho de boa gente.
Muitos de nós fomos e somos maltratados e desrespeitados por professores do quadro e direções. É normal que nos sintamos revoltados, já fizemos tanto pela escola, já engolimos tanto sapo… E agora isto… Já não chegava tudo o que mencionei, ainda fomos brindados com um leque de injustiças.
Estamos a ser atropelados é normal sentir revolta e indignação. E não é pelos colegas, é pelo sistema.
Retirado do Facebook
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Mai 07 2022
No Grupo 100, a candidata 1077 vai fazer 70 anos em setembro.
Já não é o primeiro caso. Todos os anos aparecem alguns casos e é caso para dizer que entram no quadro para se aposentarem…

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Mai 07 2022
A tabela abaixo apresenta a distribuição das 551 vagas “extra” que foram abertas, mas que não foram o resultado do cumprimento da legislação relativa à norma-travão. Claro que a grande maioria será disponibilizada nos QZP’s a sul.
Alerto para o facto destas vagas extra (assim como as outras 2708) serem ocupadas em primeiro lugar pelos professores da 1ª prioridade.
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Mai 07 2022
João Costa disse no Parlamento que a falta de professores “é um problema regional e está muito relacionado com os custos do alojamento”. Para fazer face a esta situação, o governante compromete-se a alterar o regime de contratação destes profissionais, colocando-os nos quadros das escolas mais cedo e reduzindo a mobilidade dos docentes
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Mai 06 2022
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Mai 06 2022
As férias são gozadas dentro do contrato.
Quem é agora colocado em horário anual só vai ter direito a 6 ou 8 dias de férias a gozar no contrato.
Vamos ter recuperação de aprendizagens no mês de agosto, já que estes professores só poderão tirar férias depois do dia 20 de agosto?
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Mai 06 2022
Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados, Listas de Colocação Administrativa e Listas de colocação adicional de carácter excecional – 33.ª Reserva de Recrutamento 2021/2022.
Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 9 de maio, até às 23:59 horas de terça-feira dia 10 de maio de 2022 (hora de Portugal continental).
Consulte a nota informativa.
SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato
Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 33
Listas – Reserva de recrutamento n.º 33
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Mai 06 2022
O ministro da Educação clarificou hoje que os professores que já estavam na reserva de recrutamento têm prioridade na colocação relativamente àqueles que tinham recusado horários e excecionalmente puderam voltar a concorrer.
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Mai 06 2022
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Mai 06 2022
A possibilidade foi admitida esta sexta-feira pelo ministro da Educação. no Parlamento: a renovação de horários incompletos vai ser alvo de negociação com os sindicatos. A aposta do Governo quanto à atratividade da carreira, explicou João Costa, é na previsibilidade e fixação. “Queremos acabar com a casa às costas”, afirmou.
A proposta de Orçamento para a Educação está a ser debatida esta tarde na audição conjunta das comissões de Orçamento e Finanças e da Educação e Ciência. A deputada do PSD, Cláudia André, começou por confrontar o novo ministro com a alteração nas regras de concurso no 3.º período. O ministério da Educação anunciou, na semana passada, recorde-se, para mitigar a falta de professores e o número de turmas ainda sem todas as aulas, que os horários dos docentes, nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve seriam completados e anuais para atrair mais candidatos. O Governo também despenalizou cinco mil docentes que estavam impedidos de concorrer por já terem recusado colocações este ano letivo. Esta medida, revelou João Costa, já permitiu reduzir em 6600 o número de alunos sem todos os professores.
“Não nos preocupa que as regras sejam diferentes. O que interessa é que alunos tenham aulas”, respondeu João Costa.
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Mai 06 2022
Estatuto permite aos docentes, em caso de doença – sua ou de um familiar próximo – aproximarem-se da área de residência ou do hospital onde são seguidos. Mas sindicato confirma que existem professores que o fazem só para estar mais próximo de casa ou poder escolher a escola onde querem estar e alertam para uma “classe desgastada”.
Este ano lectivo, 9.459 professores fizeram pedido de mobilidade por doença, o que lhes permite escolher a escola onde são colocados por sofrerem de uma doença, ou terem que cuidar de um familiar doente. De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Educação, 94,9% dos pedidos foi aceite.
Este tipo de mobilidade está prevista em Diário da República e confere aos docentes “proteção e apoio em situações de doença, quer do próprio quer do cônjuge, ou da pessoa que com ele viva em união de facto, descendente ou ascendente que estejam a seu cargo” e depende da entrega de um relatório médico que comprove a situação clínica. Porém, há escolas com mais de 200 docentes afetos a esta mobilidade, e muitos acabam por ficar sem turmas atribuídas, ou seja, sem dar aulas. A lei prevê que os professores não retirem componente letiva aos que já fazem parte do agrupamento.
“Só são dadas turmas quando há componente letiva por atribuir, se não, os docentes ficam a dar apoios, a ajudar na sala de aula, nas bibliotecas ou outros projectos. Nós, directores, não podemos fazer nada! Não somos nós que pedimos para nos serem dados estes professores e quando são centenas a gestão é complicadíssima. Damo-nos ao luxo de ter salas com um dois professores coadjuvantes e muitos apoios”, lamenta Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).
Escolas com centenas de professores em mobilidade por doença
Mais de 70% dos pedidos correspondentes a 2021/22 foram efetuados na região Norte do país e há cerca de 30 escolas que acolheram 50 ou mais docentes. Só em Bragança, na Escola Emídio Garcia, foram colocados mais de 200 professores afetos a esta mobilidade. Mas esta está longe de ser a única escola do país assim. Viseu é um dos concelhos que regista mais pedidos e, pelo menos três escolas, receberam mais de uma centena de professores – cada uma – ao abrigo deste processo. Já em Vila Real, na escola Morgado Mateus, há mais de uma centena de professores de um só grupo de recrutamento, ou seja, são mais de cem docentes do primeiro ciclo.
De acordo com as fontes ouvidas pela SÁBADO, não há número limite de professores sob mobilidade por doença nas escolas e o Despacho n.º 9004-A/2016, que a estabelece, também não limita.
“A Mobilidade por Doença não tem razão de existir. Se os concursos fossem bem-feitos, as pessoas estavam nas escolas a que tinham concorrido. 60% dos docentes que estão em Mobilidade por Doença, se estivessem perto de casa, conseguiram dar aulas sem estar a gastar dinheiro público”, garante Graziela Rodrigues, presidente do Sindicato Nacional dos Professores Licenciados (SNPL).
Dos 8.981 professores que pediram mobilidade por doença, 6.602 apresentaram atestados em nome próprio, 1.532 para dar apoio aos pais, 489 para tratar dos filhos, 339 dos cônjuges e 19 para acompanhar a pessoa com quem vivem em união de facto.
A estes docentes é pedido apenas um documento que comprove a situação clínica. Assim podem escolher a instituição de ensino onde querem ficar – de forma a estar mais perto da sua residência ou da unidade hospitalar onde são tratados.
“Os professores têm de entregar documentos [que atestem as doenças]. Partimos do princípio de que os médicos que passam esses documentos são isentos e só os passam se as pessoas estiverem verdadeiramente doentes!”, refere à SÁBADO Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional de Professores (FENPROF).
“Mobilidade por doença, a eterna fraude para não fazer nada”
A frase foi escrita por um internauta no blog DeArLindo, uma página dedicada ao ensino nacional, e a ideia parece ser partilhada por alguns membros do setor. Mas afinal o que está em causa em todo este processo?
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Mai 06 2022
Nas disciplinas com mais candidatos a um lugar na carreira docente há 88 professores a contrato que têm mais de 62 anos. No total registaram-se cerca de 55 mil candidaturas para 3.259 vagas. No ano passado houve mais de 60 mil para 2.424 lugares. Como os professores podem concorrer para lecionar a mais do que uma disciplina, o número de candidaturas não equivale ao de candidatos. Os concursos externos têm servido quase exclusivamente para assegurar um lugar no quadro a quem se encontra a contrato. Isto tem acontecido desde 2015 para garantir o cumprimento de uma diretiva europeia que impede a utilização abusiva de contratos a prazo, através de um mecanismo que é conhecido como “norma-travão”.
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Mai 06 2022
Aplicação disponível entre os dias 5 e 9 de maio de 2022 (18:00 horas de Portugal continental) para efetuar candidatura ao concurso externo do ensino artístico especializado da música e da dança.
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Mai 06 2022
Aplicação eletrónica disponível entre o dia 06 de maio e as 18:00 horas do dia 12 de maio de 2022 (hora de Portugal continental), para efetuar a Reclamação das candidaturas ao Concurso Externo/Contratação Inicial/Reserva de Recrutamento de 2022/2023.
Consulte o Manual de utilizador.
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Mai 05 2022
Segue na tabela abaixo a distribuição dos candidatos ao concurso externo, de acordo com as prioridades. Após a saída das listas provisórias confirma-se a existência de 2708 candidatos na 1ª prioridade, o que se aproxima muito das 2620 que tinham sido avançadas aqui pelo blog no dia 17 de setembro passado.
Significa portanto que haverá 551 candidatos da 2ª prioridade que poderão também vincular.
Nos próximos tempos, indicaremos os grupos e QZP’s onde essas vagas estarão disponíveis…

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Mai 05 2022
A reclamação, prevista no n.o 2, do artigo 14.o, do Decreto-Lei n.o 132/2012, decorrerá no prazo de cinco dias úteis, entre as 10:00 horas do dia 06 de maio e as 18:00 horas do dia 12 de maio de 2022 (horas de Portugal continental).
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Mai 05 2022
Estão disponíveis para consulta as Listas Provisórias de Ordenação e de Exclusão do Concurso Externo para o ano escolar 2022/2023.
Consulte a nota informativa.
Nota Informativa – Publicitação das Listas Provisórias do Concurso Externo 2022/23
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Mai 05 2022
Tanto se fala no número de alunos e turmas sem aulas devido à falta de professores.
Mas alguém já informou a comunicação social de quantas aulas são perdidas ao longo de um ano para que os professores observem aulas de outros professores?
Sim, para observar aulas e quase sempre dar notas de excelente que depois vão para o lixo por falta de quotas.
mais uma inutilidade que fazem imensos alunos perder aulas ao longo do ano.
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Mai 05 2022
Até 2030, metade dos docentes que hoje trabalha estará reformada. Precisamos de contratar milhares de professores pois, daqui a um ano, 110 mil alunos estarão sem aulas a, pelo menos, uma disciplina. Mas onde estão eles? O que aconteceu a esta profissão outrora prestigiada? Histórias de amor e ódio por esta vida errante e cansativa, e soluções propostas pelos especialistas
“Vais ser professor? Depois não digas que não te avisei.” O “aviso” veio de um amigo de Adolfo Ribeiro, 26 anos, mestre em Engenharia de Materiais. Vemo-lo a atravessar, agora como professor, os conhecidos corredores da Escola Secundária de D. Luísa de Gusmão, em Lisboa, onde foi aluno. Traz na bagagem a experiência como explicador e apenas o “receio” de ter de lidar com alunos malcomportados.
O temor passou depressa. “Portaram-se melhor do que eu estava à espera e ficaram muito contentes por terem novamente professor e por eu ser jovem”, conta, pouco antes de ir para mais uma aula. As cinco turmas do 9.º ano que lhe foram atribuídas estavam sem aulas de Físico-Química há dois meses. “Contei-lhes que sou engenheiro, que não tenho formação de professor e que também preciso da ajuda deles.” E assim tem funcionado, com um espírito de entreajuda.
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Mai 05 2022
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Mai 05 2022
O Ministério da Educação falhou na gestão dos professores. Faltam professores nas escolas públicas e milhares estão em vias de se aposentar, agravando uma sangria nos quadros que prejudica a qualidade do ensino e a aprendizagem de milhares de alunos – estima-se que 110 mil alunos possam estar sem professor daqui a um ano. Este não é só um problema administrativo de contratação, tornou-se um desafio de recrutamento e de qualidade: ser professor deixou de ser apelativo para os mais jovens, nomeadamente os bons alunos (que escolhem outras profissões), pelo que escasseiam candidatos aos cursos via Ensino. Ora, Portugal olha para este problema como se o tivesse descoberto ontem, apanhado de surpresa, quando não havia nada mais previsível. Agora, o governo veste-se de bombeiro e aplica soluções de emergência, condenadas à inconsistência e a manter o sistema educativo no fio do arame. Há que dizer o óbvio: estamos assim em 2022 porque, desde o pós-troika, não se fizeram as reformas estruturais de que todos fugiram – na carreira dos professores, na sua avaliação, na sua formação, no seu recrutamento e nos modelos de contratação. Os alunos já estão a pagar a factura desse imobilismo.
O Ministério da Educação e as escolas falharam na protecção dos alunos mais frágeis durante a pandemia. No ano passado, denunciei a situação: apenas cerca de 1,6% dos alunos beneficiários da Acção Social Escolar estava nas escolas de acolhimento, durante o lockdown(Janeiro a Março 2021) que forçou o ensino a distância. No caso das crianças com necessidades educativas especiais, seriam cerca de 5,7%. Ou seja, foi completamente ilusória a ideia de que houve respostas eficazes para os alunos mais desfavorecidos nos períodos críticos da pandemia com confinamentos, acrescendo que as condições das casas de milhares de famílias não eram compatíveis com o estudo. Entretanto, esta semana, a Inspecção-Geral da Educação confirmou que centenas de alunos carenciados foram deixados para trás: nas 97 escolas avaliadas pela IGEC, identificaram-se 498 alunos beneficiários da Acção Social Escolar elegíveis para realizar as suas actividades presencialmente nas escolas, quando em contexto de isolamento, sendo que 60% dos alunos não usufruiu da medida.
3O Ministério da Educação e o governo falharam em dar prioridade às escolas nas medidas de contenção da pandemia. Portugal destaca-se, na UE, como um dos países onde os alunos do ensino básico perderam mais dias de aulas presenciais e, como tal, um dos países onde o dano de aprendizagem foi mais acentuado. Não foi inevitabilidade, mas resultado de decisões políticas: por exemplo, a de manter as escolas básicas encerradas entre Março e Setembro 2020, reabrindo apenas o ensino secundário (e assim contrariando as evidências que justificavam prioridade no regresso dos alunos mais novos). Mais recentemente, prolongou-se excessivamente a obrigatoriedade de uso de máscara nas escolas, quando esta havia caído para inúmeros outros locais e já não se aplicava em vários países europeus. E isto não é um detalhe: ao contrário do que afirmou a Dra. Graça Freitas, existe uma vasta literatura científica a comprovar que o uso de máscara tem consequências nefastas para a aprendizagem e para o desenvolvimento socio-emocional das crianças.
4Ainda sobre a actuação durante a pandemia: o Ministério da Educação e o governo falharam na distribuição de dispositivos às escolas. Falhanço que prejudicou particularmente os alunos sem recursos económicos para aceder ao ensino a distância nos períodos de isolamento ou de confinamento. Já fiz a cronologia dessa incompetência, mostrando como tudo saiu furado: o planeamento, os prazos, os lançamentos dos concursos, a execução de verbas. Balanço: nos momentos de lockdown e ensino a distância obrigatório, milhares de alunos carenciados permaneceram totalmente excluídos do acesso às actividades de aprendizagem.
5O Ministério da Educação falhou na monitorização do sistema educativo. Por opção política, a partir de 2015, desmoronou-se o sistema de monitorização de desempenhos escolares dos alunos, colocando o sistema educativo a navegar às escuras. Durante a pandemia, enquanto vários países europeus avaliaram o dano na aprendizagem dos seus alunos, Portugal só conseguiu produzir um estudo que nada informou sobre a perda de aprendizagem dos alunos e cujo diagnóstico já estava obsoleto aquando da sua publicação. Entretanto, está em curso um plano de recuperação de aprendizagem para o qual se prometeram indicadores de execução e estudos amostrais periódicos – que não saíram do papel. Ora, quem mais precisa dessa recuperação e de medir a eficácia das medidas impostas? Os alunos socialmente desfavorecidos, que foram aqueles mais atingidos pelos danos de aprendizagem e cujo fosso para os restantes terá certamente aumentado (como aumentou noutros países).
6Por falar em desigualdades sociais e o seu peso na educação: o Ministério da Educação e as escolas continuam a falhar estruturalmente no apoio aos alunos desfavorecidos. Portugal é o 4º país da OCDE onde é mais provável os alunos desfavorecidos reprovarempelo menos uma vez até aos 15 anos de idade. Os números falam por si: de acordo com os dados do PISA 2018 (o mais recente), cerca de metade dos alunos portugueses carenciados com 15 anos já reprovou, sendo que, no caso dos alunos de meios socioeconómicos mais favorecidos, a percentagem cai para 8,7%. Será injusto apontar o dedo às escolas e ao Ministério por estes indicadores? Em parte, será. Mas, por outro lado, praticam-se ainda regras discriminatórias que promovem segregação social – por exemplo, o despacho das matrículas reproduz a segregação residencial para a composição das escolas, com escolas públicas para ricos e escolas públicas para pobres (e há soluções). E, até nas escolas, prevalecem práticas socialmente discriminatórias. Veja-se que, recentemente, a Inspecção-Geral de Educação identificou casos de concentração de alunos ciganos nas mesmas turmas.
7As vítimas destes falhanços estruturais e conjunturais são sempre as mesmas: os alunos em risco de insucesso escolar que, maioritariamente, são também os alunos socialmente desfavorecidos e aqueles que mais necessitam da escola para atingir o seu pleno potencial. De falhanço em falhanço na gestão da pandemia e na resolução dos bloqueios do sistema educativo (seja nos professores, seja nas desigualdades sociais), o elevador social da Educação deixou de estar apenas avariado. Aliás, neste momento e com a pandemia à mistura, já não é sequer um elevador, mas um afundador social*: não só não puxa para cima, como empurra para baixo. A questão é: vamos ficar a olhar impávidos enquanto os miúdos se afundam, ou vamos elevar a Educação realmente a prioridade, implementando as reformas em falta?
* expressão usada pelo José Manuel Fernandes num dos seus Contra-Corrente, que levei emprestada
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Mai 05 2022
Um dia o meu professor primário, ouvindo as sonoridades das minhas doces palavras em plena sala de aula e perante os 52 alunos da turma, exclamou: “oh rapaz, pareces uma menina a falar”. Risada, galhofa, piadolas, tudo foi espontâneo e imediato e o resultado foi a alcunha que dá título a este texto. Daí em diante, e durante os quatro anos da primária, passei a ser o Menina.
O importante neste episódio é analisar e interpretar as consequências no âmbito do desenvolvimento da personalidade, dos sentimentos e comportamentos que esta alcunha pode gerar numa criança de sete anos. A primeira limitação desta análise advém do facto de que ninguém é bom juiz em causa própria, com a agravante de que a minha cultura na área da psicologia é uma brisa ligeira no universo da pedagogia. Mas tenho uma grande vantagem: fui eu que vivi e sofri a humilhação e serei porventura um testemunho importante na área dos sentimentos que ficaram bem vivos na memória.
Durante os quatro anos da primária tornei-me uma espécie de touro à solta, investindo contra tudo e contra todos, passe o exagero, pela necessidade de demonstrar que não era a pera doce da alcunha, mas antes uma criança cheia de força, de capacidade e de iniciativa para enfrentar todos os da minha classe. Verdade que tinha uma condição física privilegiada e sentia-me o mais rápido nas corridas com o arco, a mergulhar e a nadar nos poços fundos e nas ribeiras e açudes, mas sobretudo, nas lutas corpo a corpo, deitava o adversário ao chão num instante.
Entrei no liceu ainda com esta necessidade de afirmação, embora a alcunha tenha ficado morta e enterrada na escola da aldeia. O pátio de recreio é sempre um lugar de convívio, nem sempre pacífico, aqui e ali surgem pequenas querelas e confrontos. Um dia, logo no primeiro ano, um gabiru muito urbano e bem vestido meteu-se comigo já nem sei como nem porquê, mas levou dois estalos e um pontapé e fugiu a correr não sei para onde. Mas apareceu com um grandalhão apontando para mim como o criminoso que o tinha desfeiteado. Percebi que era o farromba do pátio do primeiro e segundo ciclos, o proclamado líder da miudagem. Aproximou-se sorrindo e confiante: “foi isto que te bateu?” Avançou para mim, mas com uma rasteira e um empurrão ficou estendido no chão e com a minha bota poisada na sua cara. Larguei-o, levantou-se e, hesitante, avançou para mim segunda vez: levou uma canelada, um murro no estômago e foi-se embora cabisbaixo. A partir daí, o líder era eu. Terá sido o Menina que gerou esta agressividade à flor da pele.
As duas aprendizagens que mais me marcaram no liceu, fundamentais na minha humanização e socialização, não tiveram nada a ver com disciplinas, matérias, manuais, exames, nada disso: a primeira teve a ver com o desporto organizado, com os jogos de equipa, com o espírito de grupo, o sentido da cooperação implícita neste tipo de jogos. Percebi aqui, por experiência, que o grupo era mais importante que o eu e que o meu esforço de nada valia se não respondesse aos objetivos do grupo; a segunda aprendizagem ocorreu no quarto ano, quando fui integrado numa turma mista que se repetiu até ao fim do 7º ano. Foi aí que aprendi o género, o feminino, o verdadeiro mundo das meninas. Até ao 4º ano, sempre estiveram num mundo à parte, de tal modo que nunca tive nenhuma relação de proximidade nem mesmo com as que vieram comigo da primária. Hoje até me arrepia, as amizades que podia ter feito e não fiz, mas a “boa pedagogia” de então impedia a socialização e cultura de género desde a infância, muitas vezes até à universidade. Raparigas e rapazes pertenciam a mundos diferentes.
O deporto foi uma paixão de infância que permanece até hoje. As destrezas físicas, o exercício do corpo e dos músculos são importantes para a saúde e o equilíbrio global e o liceu foi uma excelente escola de atletismo, ao mesmo tempo que me proporcionou altas performances no salto à vara, no tiro e na equitação, em parcerias com os estabelecimentos militares. Mas os jogos de equipa, voleibol e futebol, foram determinantes para passar do eu ao nós.
Numa turma de rapazes e raparigas a alcunha de Menina não teria sentido. O seu sucesso como alcunha foi a expressão do machismo de então, de um professor machista e de crianças educadas na cultura machista. As meninas ao tempo não jogavam futebol, não andavam de bicicleta, não iam nadar nas ribeiras, não se esmurravam por tudo e por nada, quando muito puxavam-se os cabelos sempre compridos. Foi neste mundo feminino que me senti diminuído na altura. A aprendizagem do feminino e a cultura de género foram o resultado da educação mista na fase da adolescência e da juventude. A partir daqui as minhas amizades deixaram de ter género. Ainda há países e escolas que advogam a educação segregada, invocando que os ciclos de desenvolvimento são diferentes nos rapazes e nas raparigas. A minha experiência de educando e a minha cultura de pedagogo dizem-me que são visões distorcidas da cultura de género e dos caminhos da pedagogia.
José Afonso Baptista | Ciências da Educação | diário as beiras | 05-05-2022
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Mai 04 2022
Na sequência das Provas de Aferição (PA) já aplicadas ( Educação Física + Educação Artística) para os alunos do 2º ano, do 1.º Ciclo, é possível, em função do que já é publicamente conhecido, gizar um um punhado despretensioso, mas esclarecido, de reflexões em forma de contributo pedagógico para um futuro mais sensato e compatível com a realidade.
PECADO ORIGINAL: As Provas de Aferição já aplicadas parecem derivar de um pecado original: nos últimos dois anos, o mundo e a vida terão passado por momentos marcados pela normalidade. Parece fingir-se que não houve pandemia. Aparenta-se exigir-se de crianças, que foram sujeitas a confinamentos em momentos cruciais do seu desenvolvimento, algo para além do expectável. Na verdade, a petizada foi obrigada a confinar-se, pelo menos, duas vezes: uma no último ano do ensino pré-escolar + outra no primeiro ano de escolaridade. Por bondade, já nem me socorro dos confinamentos ditados por determinação de Direção-Geral da Saúde, que se terá deixado engolir por um frenesim de consecutivas alterações, que também não terá conhecido limites, nem acréscimo de recursos para compensação dos infetados (de alunos ou docentes).
A Prova de Aferição de Educação Física.A primeira grande hipocrisia! – assinalaria o mais cáustico. Alunos matriculados em escolas sem infraestruturas ou equipamentos, são obrigadas a deslocarem-se para outra(s) escola(s), uma realidade integralmente inóspita, porque as suas escolas não reunirão as condições impostas pelo Ministério da Educação para a realização da Prova concebida pela (própria) tutela: espaço coberto, com área mínima de 80 metros quadrados, com uma parede lisa e livre de obstáculos numa área de 2,5 m de altura por 3 m de largura. Sem contemplação, essas crianças – para quem grande parte das aulas de Educação Física, durante o inverno, são asseguradas em salas de aula sem condições – estão a ser confrontadas com exercícios em espaldares e em plintos. Poder-se-á, em boa consciência, falar de igualdade e de justiça? Como se já não bastassem as assimetrias no modo como cada agregado familiar foi obrigado a viver os sucessivos confinamentos e isolamentos profiláticos, parece assomar-se, em 2022, a intenção de submeter os mais inocentes a humilhações tão cruéis quanto desnecessárias.
A Prova de Aferição de Educação Artística. Sobre guiões, por uma questão de higiene e sanidade intelectuais, faço questão de não os adjetivar. No entanto, urge apelar ao bom senso, exigindo, pelo menos, que as tarefas propostas sejam exequíveis no tempo inicialmente estipulado, evitando cair no cinismo de alertar que as provas só estarão concluídas quando todos os alunos forem avaliados. De resto, é premente devolver ao 1.º Ciclo o conhecimento e a sensibilidade quem sabe da poda. Especialistas de gabinete poderão não ser garante suficiente de equilíbrio e razoabilidade. Assim, de pouco valerá convidar os alunos a “farfalhar” ou a construir um boneco com “barriga de balão” até porque,neste último caso, haverá sempre quem pergunte: “um balão cheio ou vazio?!” Como nota de rodapé, chega-se ao ponto de pedir-se que os alunos estejam numerados, ressalvando-se que «o número deverá ter dimensão suficiente para possibilitar uma possibilitar uma boa leitura por parte dos professores classificadores.» Será que o Ministério da Educação não terá recursos e meios para normalizar, cedendo, esta identificação sem sobrecarregar os professorzecos titulares de turma a este grau de pormenor?
Sobre a Diferenciação Pedagógica.Matam-se os professores, recorrendo a ousados – mas pouco valorados – exercícios que garantam a diferenciação pedagógica para alunos com medidas universais, medidas seletivas e medidas adicionais e, no momento da Provas de Aferição, todos parecem metidos no mesmo saco, sem direito a adaptações dimensionadas e proporcionadas à especificidade inserta no seu RTP (Relatório Técnico-Pedagógico). Será que, no Ministério da Educação, o conceito de diferenciação pedagógica (só) foi criado para a (rasa) arraia-miúda implementar? Afinal, de quem deveria vir o exemplo? Ou a diferenciação pedagógica, para a tutela, resumir-se-á à leitura de enunciados e à concessão de tempo suplementar para a realização das provas?
A grande questão. Estas provas, concebidas nestes exatos termos, serão um excesso ocasional ou terão sido concebidas para terraplanar o terreno para ulteriores medidas draconianas? Se as Provas de Aferição de Educação Física e de Educação Artística se revelam esta …, as de Português e de Matemática, em junho próximo, adivinham-se um mimo!
Processo pesado e hiperburocratizado.Seria de esperar que, numa atmosfera de economia digital, o processo de preparação e de implementação destas PA não se revelasse esta desagradável e mui penosa surpresa. Pesado. Hiperburocratrizado. Extenuante. Um dia destes, será preciso ir a Coimbra cursar uma qualquer variante para estar habilitad@ a cumprir com todas as minudências requeridas.
Da revolta e da indignação. No exercício da minha Liberdade de pensamento e de expressão, confesso-me revoltado e indignado. Pelas crianças. Pelas famílias. Neste particular, não conto, infelizmente, ser acompanhado pelos sindicatos de professores e pelas associações representativas dos Pais e dos Encarregados de Educação. Mas é, com Liberdade, que entendo: várias linhas vermelhas foram, estranha e desnecessariamente, ultrapassadas.
José Manuel Alho
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Mai 04 2022
Tudo o que corre por aí sobre as mudanças na MPD é pura especulação.
Na reunião do ME com os sindicatos não foram adiantados pormenores, nas reuniões com os diretores ficou tudo no ar.
Andam por aí umas almas penadas, sem nada que fazer, a assustar o pessoal docente.
Certezas? Só dia 18 de maio. Fixem a data e não inventem.
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Mai 04 2022
Na sequência da Nota Informativa da DGAE, relativa à Reserva de Recrutamento no 32, de 29 de abril – a qual, embora aparentemente bem intencionada, se arrisca a ciar múltiplas situações iniquas no seio dos professores contratados e das escolas – que materialmente coloca em crise as regras concursais plasmadas no D.L. no 132 (facto que obrigaria a prévio procedimento negocial com as respetivas associações sindicais), a Pró-Ordem, através da Federação Portuguesa de Professores de que faz parte, requereu hoje uma reunião com caráter de urgência ao Gabinete de Sua Excelência o Senhor Primeiro Ministro, Dr. António Luís Santos da Costa, de modo, a pessoalmente, solicitarmos a sua intervenção urgente junto do Ministério da Educação, verbi gratia para:
– A necessidade do cabal cumprimento do Princípio da Igualdade, vertido v.g. no artigo 13.o da CRP (Constituição da República Portuguesa) e no artigo 6.o do CPA (Código do Procedimento Administrativo) e desta forma;
– Salvaguardar de forma JUSTA todos os docentes que já haviam sido colocados anteriormente com contratos temporários atualmente em execução.
Lisboa, 3 de abril de 2022
Pela Direção Nacional O Presidente da Direção Filipe do Paulo
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