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Novo calendário escolar para dois anos letivos

O Governo está a trabalhar num calendário de aulas do pré-escolar ao secundário para os próximos dois anos, ao contrário do que acontecia habitualmente em que só eram divulgadas as datas para o ano letivo prestes a começar. Para o ano letivo 2022/2023, alunos e professores regressam ao formato anterior à pandemia: as aulas arrancam no máximo a 16 de setembro, o Carnaval volta a ter três dias de interrupção, o regresso após o Natal é na primeira semana de janeiro e na Páscoa há duas semanas de paragem.

O projeto de despacho do Ministério da Educação para os anos escolares de 2022/2023 e de 2023/2024 ainda está em discussão com as estruturas sindicais e outras ligadas ao setor da Educação, mas deverá sofrer poucas ou nenhuma alteração até à versão final.

O calendário a que o JN teve acesso é um regresso ao modelo que vigorava antes da pandemia. Recorde-se que no ano letivo que agora está a terminar – como forma de contenção da pandemia – as férias foram prolongadas pela primeira semana de janeiro, o que serviu para vacinar as crianças. Esta semana adicional de paragem foi compensada pela subtração de uma semana de férias na Páscoa, que acabou por ter só cinco dias úteis de interrupção.

Governo lança calendário escolar para dois anos

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“Por favor, ajudem-me” – Carlos Santos

“Por favor, ajudem-me”, este é o grito mudo de socorro de muitas crianças que diariamente se sentam nas nossas salas de aula, nos gabinetes de psicologia e pedopsiquiatria, nos bancos dos tribunais, ou num qualquer banco, mesmo ali ao nosso lado.
Enquanto sociedade irresponsável temos deixado as crianças invisíveis desprotegidas à mercê de monstros. O caso desta menina, a Jéssica, alegadamente raptada, submetida a torturas constantes e assassinada, é só mais um de muitos que vão surgindo por todo o país e que são negligenciados. Crianças deixadas à sua sorte, porque quem deveria fazer alguma coisa, não o faz… porque não há interesse político em as salvar, porque elas não votam, não contam.
Monstros que cometem atrocidades e continuam sempre à solta, porque a justiça quase nunca faz o que lhe compete.
É desalentador saber que nós, enquanto sociedade, nada fizemos para evitar que isto acontecesse.
No fundo, estas crianças, logo à nascença começam a pagar uma pena pela culpa que lhes atribuem por terem vindo ao mundo. A culpa é dos pais que têm os filhos conta a vontade, filhos que aparecem por acidente depois de andarem enrolados uns com os outros e que depressa se tornam num estorvo, numa carga de trabalhos e são obrigadas a cumprir uma pena de maus-tratos só por terem nascido. Teria, alegadamente, sido o caso desta menina que, apenas com um mês de vida, já estava sinalizada.
Mais do que negligência parental, este foi mais um caso grosseiro de negligência social, negligência institucional e humanitária, que permitiram que alegados criminosos espancassem durante seis dias uma criança inocente até à morte e uma mãe não lhe prestasse auxílio prolongando aquele terrível sofrimento.
Contudo, o falhanço foi de todas as instituições que permitiram que este crime monstruoso acontecesse.
O que fez uma ineficaz CPCJ para deixar esta situação arrastar-se até este triste desfecho?
Onde esteve a segurança social que, supostamente, deveria acompanhar de perto famílias como esta?
Para que serve o Ministério Público que quase só se entretém com casos de crime de colarinho branco e esquece tantos outros de maus-tratos infantis e violência doméstica?
E o tribunal de menores para que serve, se é lento e inoperante como no caso dos abusadores e violadores de crianças que saem quase sempre em liberdade?
O que fez a comunidade que não acionou uma simples queixa telefónica ao Instituto de Apoio à Criança?
Onde tem estado toda esta gente – agora tão indignada – que tem assistido ao repetir de tantos casos como este permitindo que continuem a acontecer?
Tantos cúmplices por inoperância e tantos coniventes por deixar que o crime se faça.
Esta é a sociedade falsa com imensos pais que, em vez de educar, conversar e dar atenção aos seus filhos, demitem-se das suas responsabilidades parentais preferindo delegar essa responsabilidade na escola. Um povo que, de tão ocupado que está em cobiçar e avaliar criticamente o desempenho, o vencimento e férias dos professores, não vê nem quer ver o trabalho invisível que estes empreendem, fundamental na vida de imensas crianças e jovens. Esta tal população, que se acha impoluta e no direito de estar constantemente a julgar os docentes, é a responsável por maus-tratos físicos e psicológicos aos seus filhos que, diariamente, as escolas sinalizam e tentam resolver.
O que não faltam são casos em que os professores têm de socorrer de alunos vindos de famílias (de todos os estratos sociais) desestruturadas, com crianças abandonadas dentro das suas próprias casas. Crianças órfãs de pais vivos, abandonadas no seio das suas próprias famílias por pura negligência. Crianças sem acompanhamento é um dos fenómenos cada vez mais comuns nas famílias atuais, perdidas dentro de casa, entregues aos ecrãs de um televisor, um jogo de computador ou à internet do seu telemóvel – isso também é abandono, isso também é negligência parental, isso também são maus-tratos. Pais que, se tivessem de prestar contas a um patrão, seriam imediatamente despedidos por incompetência e irresponsabilidade. Pais que passam mais tempo com frivolidades satisfazendo o vício dos jogos de computador, nas redes socais, a ver em direto reality shows, resmas de novelas ou bola e o compêndio de debates sobre a mesma, do que com os filhos com tempo de qualidade, a acompanhá-los e a dialogar com eles.
Na verdade, muitos deles nunca foram pais, ficaram-se apenas por meros progenitores. Pobres das crianças que têm a infelicidade de nascer no seio destas famílias. Uma negligência que não conhece estatuto social ou económico, raça nem cor. Há muitos animais na natureza que são muito melhores do que os humanos, sacrificando-se pelas crias, arriscando a vida por elas estando sempre por perto para as proteger.
Quantos dos nossos alunos não estão em grande sofrimento psicológico sem que os pais se deem conta disso?
Quantas vezes não são vítimas de violência psicológica dentro do próprio lar?
Quantos não são vítimas indiretas da violência doméstica entre os pais?
Quantos não são armas de arremesso em tantos processos de divórcio, de vingança e de custódia?
Quantos não são vítimas de violência física ou sexual?
Creio que, mais do que a fome do conhecimento, é nas escolas que as crianças vão matar a fome de solidão e «lamber» as suas feridas. Crianças para quem a escola representa o seu último refúgio e o professor, a única pessoa a quem podem recorrer e em quem confiar. Os docentes fazem um trabalho social importantíssimo, colmatando as imensas falhas de uma sociedade malformada e irresponsável, o qual não é publicamente reconhecido. Por isso, o desconsolo dos professores que sentem que deveriam ser mais protegidos, mais apoiados moralmente e com mais recursos para ajudar mais estas crianças e verem reconhecido todo este trabalho pelos pais e pelo ministério da educação, primeiros-ministros e presidentes da república que nunca tiveram uma verdadeira palavra de apreço pelo trabalho relevante que fazem. Têm sempre tempo para elogiar desportistas e nunca o têm para uma palavra de consideração pelo trabalho dos professores… a não ser para os desclassificar e criticar.
Este é o país onde se anda a pagar a peso de ouro juízes que pouco ou nada fazem. Um país onde a justiça é injusta visto a maioria das acusações não darem em nada. Faça-se o que se fizer, quase sempre se sai ilibado ou com pena suspensa. O poder político assim o induz para que as prisões não fiquem demasiado cheias nem deem despesa.
Tanta violência doméstica com filhos e mulher a fugirem só com a roupa do corpo, enquanto o agressor fica em casa, uma vez que, quando a vítima apresenta queixa, é enviada de volta para casa para junto do agressor. Depois, naturalmente, aparecem os números de mulheres maltratadas e assassinadas que representam uma vergonha nacional num país em que se anda com grande orgulho por causa de alguém que vive do pontapé na bola ou a treinar jogadores, mas se esconde para debaixo do tapete a imensa violência familiar que vitimiza os mais fracos.
Se fossem crimes financeiros, já se mexiam, mas como é de violência sobre crianças ou mulheres, ignora-se.
Tal como acontece em muitos outros casos, a autópsia revelou que esta criança morreu vítima de tortura depois de grande e prolongado sofrimento diante dos olhos de uma comunidade que sabia e virou a cara para o lado. Foi ignorada e só se lembram dela depois de morta para aumentar audiências televisivas e vender jornais, alimentar salários de comentadores e dar proveito aos inúteis dos partidos. Usada em vida e usada depois de morta, nada mais. Um povo parasita, mercantilista e farsante que não merece as nossas crianças.
Tantos lamentos, tanta gente a tentar se ilibar das suas responsabilidades, mas, o que é indisfarçável, é que a criança morreu sem auxílio e, como sempre, tudo ficará na mesma na terra da indiferença. Morreu sozinha, abandonada e desprotegida como estão tantas outras crianças neste momento sem que ninguém as vá salvar.
Não me restavam dúvidas de que existem tantas leis, tantos institutos e instituições, tantos organismos, tanta gente, tanta burocracia, tanto dinheiro, tantos «tachos», mas tanta falta de interesse e de capacidade para salvar as nossas crianças.
400 euros foi o preço da vida desta criança de entre tantas outras que aos nossos olhos não valem nada.
Tenho a sensação de que, mesmo com estas descomunais nuvens negras que pairam no céu a caírem sobre as nossas cabeças, esta sociedade hipócrita continuará indiferente a dormir descansada debaixo do seu céu perpetuamente azul.
Esta foi mais uma de muitas crianças que se sentaram ao nosso lado a pedir socorro… e que nós não ouvimos nem fizemos nada.
Carlos Santos

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Eliminação da cotas para progressão aos 5.º e 7.º escalões novamente rejeitada

 

O PS e a IL votaram contra as três propostas a votação.

Continuamos na LUTA…

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A escola e a viola – José Afonso Baptista

 

A minha tia Narcisa apaixonou-se pela sua escola onde foi colocada na sua juventude, e onde permaneceu até ao limite de idade. O mais estranho é que era uma escola numa aldeia periférica de Vila Velha de Ródão, a dois quilómetros da sua residência, que ela fazia a pé, ir e vir, todos os dias. Adorava fazer aquele caminho pela encosta da serra, entre o arvoredo verde, com vistas deslumbrantes, e sentia que era esta caminhada de ar puro que lhe dava força, vida e resistência. Com a idade, poderia ter ocupado a vaga na escola central da Vila, a escassos metros de casa, mas era ali, na pequena aldeia, que estavam os seus amores, as suas crianças, a população que a adorava, pela dedicação com que se entregava aos filhos dos outros, preenchendo o vazio dos filhos que não teve. Revivi com a minha tia o que era uma boa escola primária.
A tia Narcisa era casada com o meu tio Chico, chefe da estação de caminhos de ferro de Vila Velha, o irmão mais velho de meu pai. Moravam numa bela residência sobranceira à estação e tinham uma vida confortável no plano financeiro. Dois vencimentos, sem filhos, tinham um bom nível de vida. Mas vim ao mundo para lhes dar sorte: no ano em que nasci, saiu-lhes a taluda de natal. E aprendi aqui a diferença entre pai e tio.
De vez em quando visitava os meus tios, casa grande, o quarto onde dormia já era o meu quarto, com belas vistas sobre o rio Tejo. Um dia, já próximo do fim da licenciatura, a minha tia desafiou-me a passar o dia na sua escola com as suas criancinhas. Hesitei, receei, mas acabei por aceitar. Surpresa! A escola da minha tia, em termos de organização e funcionamento, era o retrato fiel da minha escola numa aldeia distante, no tempo e no espaço.
Se eu tivesse de indicar a escola mais eficaz entre as muitas que frequentei, apontaria sem hesitar a minha escola primária, agora replicada na escola da minha tia, porventura com algumas melhorias. Eficácia significa elevado nível de competências dos alunos, excelentes resultados escolares.
Uma turma, uma professora, quatro classes, a rondar ou mesmo ultrapassar os 50 alunos. Quais os segredos do sucesso? Essencialmente três:
1. O fim da lição, impossível com 4 classes de níveis diferentes;
2. O trabalho centrado nos alunos, individualmente, por pares e em grupos;
3. A disponibilidade do professor para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e para acorrer às dúvidas e dificuldades emergentes.
Em síntese: a centração no aluno, permitia ao professor ficar disponível para acudir às necessidades individuais.
No dia que acompanhei a minha tia Narcisa na sua escola, julguei que ia apanhar uma seca, mas não, ela era uma mulher prática, simplificou tudo: cumprimentou, apresentou-me e passou-me a palavra para cumprimentar. Tudo rápido, que o tempo é curto. Deu início aos trabalhos, os programas de atividades estavam definidos em quatro colunas no quadro, uma para cada classe, todos leram, não havia dúvidas. Deu um tempo para que as crianças se concentrassem nas tarefas, propôs-se acompanhar a 3ª e 4ª classes e pediu-me para acompanhar as duas primeiras.

A tia Narcisa tinha um modo muito interessante de combinar o trabalho individual e o trabalho por pares e por grupos. Naquele dia, para a 4ª classe, tinha previsto uma atividade de escrita de manhã e várias operações de matemática para a tarde. Como atividade de escrita individual, o tema era: “Planifica o teu fim de semana. Pensa no que tens de fazer, no que gostarias de fazer, no que não gostavas de fazer e no que podes fazer. Define o teu programa e justifica as tuas escolhas”. Neste ponto, pretendia abrir espaço à imaginação e ao sonho, em confronto com a realidade, entre o gostar e o poder. Concluída esta atividade, pretendia desencadear a negociação e a conciliação: “Em grupos de 4, cada um apresenta o seu programa, conversam, discutem, a seguir selecionam as atividades de consenso e definem um programa comum”. O programa comum foi aceite e escrito por todos. Se puderem levá-lo à prática, tanto melhor.
Achei esta atividade o máximo. É uma atividade de escrita, mas é sobretudo um desafio à imaginação, à criatividade e à iniciativa; um desafio ao saber estar e saber conviver com os outros; um desafio à cooperação e ao trabalho em equipa. Se a escola não for isto e for apenas uma luta de galos, não é uma boa escola.
O meu diálogo com as crianças das primeiras classes foi tudo menos o que eu esperava. Julguei que ia apoiar na leitura, na escrita e por aí adiante, mas não, não me conheciam e faziam questão de saber quem eu era, as perguntas tinham a ver com a minha pessoa e a minha vida: se eu era filho da senhora professora, ainda se usava a palavra senhora, se eu também era professor, se era casado, se tinha filhos, porque é que ainda era estudante sendo tão “velho”, o que é uma universidade, o que é que se aprende na universidade, se eu era rico… Eu estava desapontado porque afinal não tinha ido ao encontro das aprendizagens programadas. A minha tia, professora de verdade, tranquilizou-me: foi ótimo, puderam falar livremente, satisfazer a sua curiosidade, aprender coisas novas para os guiar no futuro e fugir às rotinas, que os liberta e às vezes é bom quebrar. Adorei acompanhar a minha tia.
O meu tio tinha duas violas, fez questão de me mostrar o seu talento. Achei que só podia tocar uma de cada vez e tive o descaramento de lhe pedir a outra. Foi peremptório, não e não, são recordações que guardo comigo. Nem a taluda de natal chegou para me comprar uma nova. Percebi aí qual é a diferença entre um pai e tio.

José Afonso Baptista

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O verão do nosso descontentamento

 

Fazia falta parar um pouco para tratar do relatório de avaliação docente.

O verão do nosso descontentamento

 

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Já não tenho paciência

 

Um diz-me para não ficar doente em agosto (como se alguém ficasse doente de propósito) e não comer bacalhau à brás…

O outro vem afirmar que o povo (arraia miúda) vai fazer um esforço para não ficar doente este verão (como se não o fizesse noutras estações do ano ou pudesse controlar a “coisa”)

Estou eu, para aqui isolado, a ler barbaridades.

Mas parece que ninguém se queixou do preço (22€ a dose) da sardinha no S. João… que ninguém se engasgue com as espinhas que o verão já começou…

 

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Vamos ter novidades na Organização do Ano Letivo 2022/23

 

Uma das medidas levadas à mesa de conversa passou pela possibilidade levantada pelo Ministério da Educação, da adoção de uma organização semestral do ano letivo, enquanto resposta integrada e localmente concertada, potenciadora de práticas de ensino, aprendizagem e avaliação, conducentes ao sucesso de todos os alunos, ficando ainda consignada a possibilidade de as escolas utilizarem dias contemplados na 3.ª interrupção das atividades educativas e letivas, através de fixação de outro ou outros períodos de interrupção.

Sobre esta questão, a FNE defendeu a necessidade de se salvaguardar o impacto que estas medidas de caráter “avulso” possam ter na vida profissional dos docentes, nomeadamente no que diz respeito à organização do seu horário de trabalho, isto porque foram reportadas queixas junto da FNE relativas à organização semestral do ano letivo. Na verdade, embora esta medida tenha sido acolhida com agrado por parte de muitos diretores, considerando que diminui os momentos de avaliação de três para dois períodos e contribuiu para o aumento do sucesso dos alunos, diminuindo consequentemente o trabalho burocrático dos docentes, na materialização dos seus efeitos, em muitos casos, não traduz o resultado que se pretendia com a sua implementação.

 

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Lista de AE/ENA com procedimentos de recrutamento externo – Professores Bibliotecários – Ano Escolar 2022/2023

 

Lista de AE/ENA com procedimentos de recrutamento externo – Professores Bibliotecários.

Lista atualizada em 23 de junho de 2022

 

 

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Santa Paciência

… para a argumentação do Deputado Agostinho Santa, do PS, sobre a petição pelo fim das vagas no acesso ao 5.º e ao 7.º escalão.

Melhor esteve a deputada Germana Rocha que diretamente disse que o PCP e o BE deveria ter feito essa iniciativa na altura dos diversos Orçamentos de Estado na época da geringonça.

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Debate na AR sobre o fim das cotas para o 5.º e 7.º escalões: Petição n.º 216/XIV/2.ª da iniciativa de Arlindo Ferreira e outros

 

 

 

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Ser professor não é ser um número

 

Somos milhares de professores, somos milhares de números, mas cada número representa sonhos adiados, alguns pais de fim de semana, projetos esquecidos, vidas dentro de caixas, horas de solidão.

Ser professor não é ser um número

Todos os anos se fala de professores, ou porque são muitos, ou porque são poucos. E estes seres nunca estão contentes com o que têm, sempre a reclamar, sempre com greves à sexta-feira. Afinal o que querem eles? Têm três meses de férias, já para não falar do Natal e da Páscoa, passam o dia sentados e ganham muito bem para o que fazem.

Isto é o que eu ouço frequentemente, e porque de tantas vezes se repetir uma coisa ela torna-se banal.

Hoje em dia, em qualquer situação, as pessoas são números, e logo eu que sou alérgica à matemática também sou um número. O que muitas vezes nos esquecemos é que por detrás de um número existe uma pessoa, que tem família, amigos, cão, gato e um periquito talvez. Certo dia vi uma reportagem sobre professores deslocados. Sim, também já o fui, mas naquela altura da minha vida gostei, gostei de viver em outras cidades, conhecer novas realidades, novas pessoas. Quando se está a começar faz todo o sentido, sair do conforto da casa dos pais. E foi uma experiência maravilhosa. A diferença é que nessa reportagem os intervenientes não tinham vinte e tal anos, tinham todos mais de trinta, quarenta talvez. Quase todas as histórias eram tocadas pela solidão e pela tristeza, porque recomeçar todos os anos é difícil. Imaginem se tivessem de mudar de local de trabalho ano após ano, se tivessem de mudar de casa todos os anos, de cidade… uma professora nessa reportagem disse que a sua vida estava guardada em caixas e que a única companhia era o cão. Fiquei triste por ela, e por todos os outros na mesma situação. E feliz por mim, por ter tomado a decisão certa, embora por vezes possa não parecer… “ah! se não tivesse recusado aquela renovação de contrato a trezentos e tal quilómetros de casa podia ter tido uma hipótese de vincular”, mas teria perdido vínculos mais importantes, momentos únicos que jamais se repetirão. As primeiras palavras dos meus filhos, os seus primeiros passos, os seus sorrisos, os seus abraços, as histórias antes de dormir e os momentos em família e com amigos também! A vida não é para estar fechada dentro de caixas, nem para estar a trezentos ou a seiscentos quilómetros, nem para ser adiada. Ouvi tantas vezes: “quando tiver estabilidade faço isto, faço aquilo…” e se já for tarde demais?

Somos milhares de professores, somos milhares de números, mas cada número representa sonhos adiados, alguns pais de fim de semana, projetos esquecidos, vidas dentro de caixas, horas de solidão. Vi colegas que todas as segundas deixavam os filhos para trás, casais separados pela distância. Ser professor não é ser um número, é ser Humano. Um número não cria laços com as pessoas, com os alunos, com os colegas, com os funcionários, com a comunidade escolar. A escola não é a nossa segunda casa? Em casa existem regras, mas também existem afetos e preocupações. Como em qualquer casa, as pessoas que lá habitam têm personalidades diferentes, umas são mais perfeitas que outras, porque somos pessoas e não números.

Já vos disse que a minha memória é alérgica a números? Por isso, o que ela retém destes quinze anos de trabalho são as pequenas grandes coisas que vão muito para além dos números e das taxas e relatórios infindáveis de (in)sucesso. Nessas taxas não aparece o Tiago, aluno de um curso profissional, que não ligava a mínima às aulas de Português, mas que um dia quando abordei o 25 de abril na aula foi o mais interessado e participativo (sejamos honestos se eu tivesse trabalhado a noite inteira numa padaria para ajudar a minha mãe a criar os meus irmãos, também não queria saber de funções sintáticas para nada). Nesses números também não aparece o Ricardo que disse violentamente que me cortava o pescoço (e naquele momento desejei que o teletransporte fosse uma realidade) porque o ambiente em casa não era dos melhores, mas que era o primeiro a ajudar os colegas de cadeiras de rodas nos dias de chuva. Os números não falam da Ana e do seu sorriso contagiante que afinal escondia uma história obscura de abusos sexuais; nem do Miguel, autista, que no final do ano se despediu de mim com um grande abraço, ou do João que após a separação dos pais tinha sido “depositado” em casa dos avós, porque os progenitores (atenção que não escrevi “pais”) tinham formado novas famílias, com novos filhos e ele era um estorvo… como será que está o João agora? Ele que no meio disto tudo foi o menos culpado e o mais prejudicado. E o Manuel? Que após alguns recados na caderneta devido a mau comportamento, recebo uma mensagem do encarregado de educação para não me preocupar porque o futuro do filho já estava traçado: a prisão! E a Tatiana? Que um dia disse que me queria mostrar uma coisa, e quando levantou as mangas da camisola tinha os braços cortados?

Os números não sabem que há miúdos que só comem na escola, sim já todos ouvimos isto, mas passa sempre ao lado porque nunca vimos. Até o dia em que vamos parar a uma escola (quase) no meio do nada e vemos a vontade com que um rapaz come um prato de arroz e depois repete o segundo e o terceiro… E também há os que só têm a oportunidade de tomar banho lá, e os que não sabem as regras básicas de higiene ou como se comportar em sociedade, porque nunca lhes foi ensinado. Queria ver um número a ensinar isso, em 45 minutos semanais, a um rapaz que passava o tempo todo com a cabeça enfiada dentro da camisola… ou aos outros dois rapazes que preferiam contar-me como assaltavam carros, roubavam motas e compravam droga.

Os números não apoiam as mães adolescentes, nem identificam as depressões, os desaparecimentos, o abandono, a violência doméstica, nem confortam quando um familiar próximo está doente, não dão esperança, não dão um abraço quando é preciso, nem limpam as lágrimas se for necessário. Não dizem que eles são capazes, que podem ter um futuro melhor  «se estudarem, mesmo que seja difícil, mesmo que quem esteja à espera deles em casa não considere isso importante. Também não ouvem os dramas juvenis dos primeiros amores, nem a professora a dizer “não se preocupem porque quando perdem um autocarro, logo a seguir vem outro e com ar condicionado”. Os números não dizem às adolescentes que elas são bonitas e que aquelas fotos que aparecem nas redes sociais não são bem o que parecem, não tentam encontrar um vestido para o baile de finalistas para que ninguém fique de fora, nem compram casacos e botas e sapatilhas para o frio, não emprestam livros, nem planeiam visitas de estudo, porque não sabem que por vezes é a única forma de alguns meninos saírem da terra onde vivem.

E porque um número é e será sempre apenas um algarismo, nunca saberá o que é cumplicidade. Um número nunca interromperia uma aula para falar sobre a morte e a vida, porque nunca entenderia que naquele momento era mais importante para a turma falar sobre o suicídio de um colega da escola do que cumprir o programa. Se eu fosse um número a minha colega Liliana não teria andado mais dez quilómetros durante um mês para me dar boleia quando tive um acidente de automóvel, nem a Elisabete me teria apoiado quando me aventurei numa nova disciplina, nem as colegas da ES Mem Martins teriam trocado aulas comigo para que eu “fosse de fim de semana” para o Porto mais cedo. Não teria partilhado bons momentos com os colegas da ES D. Dinis e do AE de Aljezur, momentos que fizeram com que não sentisse a tal solidão de chegar a um sítio e não conhecer absolutamente ninguém. A D. Rosa nunca me teria embrulhado as sandes em papel de alumínio “porque, menina professora, assim é mais fácil de transportar no comboio”, a D. Antónia nunca saberia que gosto de tomar pela manhã meia de leite, a D. Ana nunca me teria guardado a pen vermelha que deixava sempre no computador da sala, a D. Maria nunca me teria fotocopiado os testes em cima da hora, porque entendia que tirar um mestrado e trabalhar era complicado.

Ser professor não é ser um número, porque se assim fosse a Mariana nunca me teria enviado as fitas de final de curso por correio para assinar, não me teria emocionado (e vá lá, ter deixado discretamente uma lágrima cair) numa reunião de encarregados de educação online em plena pandemia, nem teria ouvido e lido palavras tão bonitas por parte dos alunos ao longo destes anos, nem teria escutado “obrigado por não desistir de nós”, nem me teriam deixado fatias de bolo e flores em cima da secretária. Os números não comem bolos, nem cheiram flores, pois não sabem o que perdem!

Tânia Santos Professora contratada de Português e Espanhol no AE Paço de Sousa, Penafiel (e um número desde 2006)

Nota: Os nomes dos alunos são fictícios.

 

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Na Ausência de uma Portaria de Vagas Temos Debate Hoje Sobre as Vagas

Durante a tarde de hoje, a partir das 15:00, poderemos assistir ao debate sobre a petição n.º 216/XIV/2.ª
Da iniciativa de Arlindo Ferreira e outros – Pelo fim das vagas no acesso ao 5.º e 7.º escalão
da carreira docente, a que se juntam mais 2 Projetos de Resolução e um Projeto de Lei.

Projeto de Resolução n.º 54/XV/1.ª (PCP)
Recomenda ao Governo a eliminação da imposição administrativa de vagas para a progressão aos 5.º e 7.º escalões da carreira docente

Projeto de Resolução n.º 56/XV/1.ª (BE)
Pela remoção dos obstáculos à progressão de docentes para 5º e 7º escalões

Projeto de Lei n.º 80/XV/1.ª (PAN)
Procede à revogação do atual sistema de acesso aos 5.º e 7.º escalões da carreira docente, procedendo à alteração do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário

 

 

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Mobilidade por doença – SIPE solicitou a prorrogação dos prazos

Mobilidade por doença – SIPE solicitou a prorrogação dos prazos

 

 

 

O SIPE solicitou a prorrogação dos prazos da mobilidade por doença, devido à dificuldade de cumprimento dos mesmos por parte dos docentes, pelos seguintes motivos:

 

  • Há docentes com componente letiva nas escolas, nomeadamente os Educadores e Professores do 1. Ciclo, até dia 30 de junho;
  • Há docentes em serviço de exames e serviço de vigilância aos exames.
  • Médicos que se encontram em férias;
  • Acresce a estes motivos o feriado de S. João no dia 24 de junho, sexta-feira, sendo retirado desta forma do prazo estabelecido, três dias de acesso à possibilidade dos docentes se deslocarem ao médico, ou seja, 24, 25 e 26 de junho.

 

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Mobilidade por doença – FNE quer alargamento do prazo

Mobilidade por doença – FNE quer alargamento do prazo

 

 

A FNE, de acordo com as alterações que têm sido requeridas junto dos seus Sindicatos, informa que fez chegar hoje um ofício ao Ministério da Educação a solicitar o alargamento do prazo definido para o preenchimento e a extração do Relatório Médico relativo à Mobilidade por doença, previsto através de Aplicação eletrónica e disponível entre o dia 22 de junho e as 18:00 horas de 28 de junho de 2022 (hora de Portugal continental).

A FNE avançou também com pedido de reunião com a Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE) para apresentar alguns dos problemas logísticos apresentados pela plataforma criada para o efeito.

 

Porto, 22 junho de 2022

A Comissão Executiva da FNE

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Debate: A decência para a monodocência

 

 

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Talvez Lisboa Não Saiba, Mas…

Uma enorme parte de municípios no norte festejam o S. João (sexta-feira) e outra parte o S. Pedro (quarta-feira).

O que leva muitos médicos a agendarem as suas férias para esta altura.

Devendo o pedido de MPD ser submetido até ao dia 30, vamos assistir a ter muitos médicos em férias. Tal como aconteceu pela zona de Lisboa no fim de semana do S. António e no dia de Portugal e dos Santos.

 

 

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Recruta docentes – 1.º Ciclo Ensino Básico – Escola internacional de São Tomé e Príncipe

 

A Escola internacional de São Tomé e Príncipe (EISTP) é uma escola privada que acolhe crianças
de mais de 14 nacionalidades. Fundada em 2011, a EISTP é gerida pela Associação APRENDE,
associação sem fins lucrativos formada por pais e encarregados de educação. Atualmente a
escola conta com 90 alunos e ministra aulas do 1.º ao 4.º ano do Ensino Básico conforme o
Currículo Português. A escola está integrada na rede de escolas portuguesas no estrangeiro.

Procuramos candidatos com:
– Licenciatura em Ensino Básico – 1.º Ciclo
– Experiência de pelo menos 3 anos como docente
– Conhecimento de informática na ótica do utilizador
– Qualidades altamente apreciadas: liderança, criatividade, autonomia, pontualidade

Oferecemos:
– Oferecemos remuneração compatível com a função
– Uma viagem ida e volta por cada período contratual ao país de origem
– Apoio logístico à instalação em São Tomé
– Contrato a termo certo de 2 anos letivos com possibilidade de renovação

Interessados, por favor, enviar CV com fotografia recente para o endereço de email:
[email protected], referindo no assunto a referência: EISTP docentes 2019-2020.
Apenas os candidatos pré-selecionados serão contactados para entrevista via Skype

https://www.facebook.com/sao.tome.564            www.eistp.st

 

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Guia de como evitar pais e alunos durante as tuas férias:

1- Não é difícil, pois a maioria dos professores fica em casa a hibernar durante as férias para pôr o sono em dia;
2- Aumentarem o distanciamento social de 2 para 100 metros;
3- Ficarem em casa o máximo de tempo possível (é altura para pôr em dia as séries da Netflix que não pudeste ver ao longo do ano);
4- Se tiverem mesmo de sair de casa durante a luz do dia, usem garruço, óculos escuros e gola alta (acreditem, sufocar em pleno verão não é o pior que vos pode acontecer);
5- Se a saída for de carro, usem vidros escuros; colem película autocolante escurecida (se tiverem folha de alumínio de cozinha, também serve – um quadradinho de abertura no para-brisas chega bem). Se mesmo assim estiverem em risco de serem identificados, tornem a dar uma volta ao quarteirão que, mesmo ao preço que está o combustível, é preferível para bem da vossa saúde mental;
6- Se forem reconhecidos ao volante na autoestrada, saiam na saída mais próxima;
7- Se tiverem o hábito de irem comer fora em locais de fast-food onde facilmente se encontram os vossos alunos com os pais, não neguem esse prazer de comer o que querem, só não façam onde querem; façam-no noutro distrito (evitem o algarve, pois ao fim de alguns dias, acreditem, ficam com a mania da perseguição); ou, então, comam em casa; no caso do frigorífico e a despensa ficarem vazias – lembram-se daquela dieta que há anos andavam a pensar em experimentar? Pois, então chegou o momento de a fazer;
8- Irem às compras às 3 da manhã;
9- Se forem comprar vestuário e os avistarem, entrem num provador de roupa e só saiam de lá duas horas depois; se for de roupa de mulher, só saiam quando forem expulsos na hora do fecho. Se for uma sapataria, estão tramados;
10- Se estiverem num centro comercial e o vosso olhar se cruzar com o deles, dirijam-se para a casa de banho mais próxima e deixem passar, pelo menos, uma hora (acreditem, o sacrifício vale bem a pena);
11- Se forem à «bola» e forem vistos na bancada do vosso clube, dispam-se e corram nus pelo relvado até à bancada adversária para evitarem animosidades clubísticas. Caso não tenham coragem de se despirem, corram na mesma, pois o risco de levarem um arraial de porrada da claque adversária, compensa;
12- Arranjem um cão. Dêem-lhe a cheirar material escolar dos vossos alunos. Quando forem passear, se ele cheirar à distância algo familiar, fica maluco. Não há melhor alarme;
13- Se, mesmo assim, tiverem o azar de serem reconhecidos, digam que vos devem estar a confundir com o vosso irmão(ã) géme@. Se eles não «descolarem» refiram que vão fazer o teste ao Covid. Se nem assim, então desejo-vos boa sorte.
14- Se forem à piscina municipal, levem um escafandro ou fato de mergulho;
15- Se estivem num rio e forem avistados, deixem-se levar pela corrente… todos os rios desaguam no mar;
16- Se estiverem na praia debaixo de sol abrasador, e escutarem “professor…”, não olhem para trás, corram e atirem-se ao mar; se forem atrás de vocês para a água, não entrem em pânico, a costa de Marrocos é já ali; se tiverem o azar de estar numa praia banhada pelo Atlântico, é melhor aceitarem o vosso destino;
17- Se pais e alunos falarem convosco e vocês não os reconhecerem, então está na altura de meterem os papéis para a reforma.
Carlos Santos

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Quando é que o chumbo é sinónimo de rigor e de exigência?

Os chumbos servem para estigmatizar, punir e marcar. Não há, como noutras, qualquer democracia nesta premissa. E não: muitas das vezes, os problemas não caem na escola. Uma significativa parte dos problemas volta à escola (porque o que vai, volta).

Quando é que o chumbo é sinónimo de rigor e de exigência?

A resposta, a meu ver, é simples: nunca. A escola poderia ter, acima de tudo, uma matriz social, humana e civilizadora. A escola foi transformada num aparelho pesado, com outros interesses (como se fossem fábricas de cidadãos de diferentes categorias de importância). Uma medi(a)dora de capacidade de sacrifício e acatamento?

Uma criança ou um jovem não são obrigados a gostar desta escola. Aliás, é saudável que não gostem. Se a educação é compulsória, então é a escola que precisa de cativar as crianças e os jovens. A motivação nunca vem com as mochilas.

Como é que se transforma informação profundamente truncada em conhecimento integral? “Rigor e exigência” – este sistema, assente no acatamento acrítico, fatiado em disciplinas a que se dão, há demasiado tempo, roupagens de 1.ª, de 2.ª e de 3.ª. Não poderia ser fomentada, desde cedo, dentro da realidade do respeito pelo trabalho, a liberdade de escolha adaptada às circunstâncias? Encorajado o poder da iniciativa? Da vontade própria? Da descoberta? Da curiosidade? Da criatividade?

Onde estão as práticas da autodescoberta e da inteligência emocional, sem a qual não sobram grande coisa? Somos receptores de informação, mas para o quê? Qual o intuito? O que é que esta informação fará por nós, e nós por ela? O que é que acrescenta? Qual a utilidade? Podemos debater acerca da sua pertinência? Não podemos escolher, dentro de uma área, o que explanar? Conhecermo-nos primeiro, antes de conhecer o(s) outro(s). Sem ideias pré-concebidas, sem veredictos à priori: sem pressupostos, sem tábuas rasas ou dados adquiridos.

Na década de ‘20 do século passado, já Abel Salazar, médico e professor (e pintor, e por aí), homem notável em qualquer tempo, era original na forma como conduzia as aulas, defendendo um ensino aberto, apoiado na observação, na investigação e na discussão científica, promovendo o autodidactismo dos alunos. Há cem anos!

Que paternalismo é esse, o de se achar que outros, que se saíram bem num sistema eminentemente desinteressante, mesquinho, amorfo, marrão, repetitivo, fomentador de desigualdades e de invejas é que sabem sempre o que é melhor para quem está ainda na escola? Com que direito se transformou uma conquista democrática, como permitir que todos possam ter acesso àquilo que deveria ser uma oportunidade, numa máquina debulhadora?

E os que querem outras coisas? E os que precisam de outras coisas? E os projectos verdadeiramente diferenciadores, que valem menos do que um teste ou um exame, mas que, ao contrário desses, motivam e não criam situações de stress, mal estar e competição?

Leio e ouço comentários, de dentro da máquina, e vejo muito receio de obsolescência. Confunde-se, desde logo, o incentivo ao pensamento com o “ensinar a como pensar”. Depois, a legitimação, pela exclusividade, no acesso às oportunidades: crer que os bons alunos (sejam lá o que forem) merecem mais oportunidades do que os alunos assim-assim ou os alunos fracos é acreditar que a ordem natural das coisas depende de um coador social aprimorado pelo sistema educativo. Isto levanta uma enorme questão: passamos anos a fio a ouvir que a educação é um ascensor social, quando, na verdade, não passará de uma peneira.

É que com o sistema como está, é preciso alimentar a “inevitabilidade” dos empregos mal remunerados, a falácia das “qualificações” (porque qualquer emprego ou trabalho é qualificado) e a legitimação das diferenças sociais: a pobreza também é um negócio.

Não pode haver elefantes no meio da sala, nem vacas sagradas: tudo pode ser discutido. Algo que é visto como eminentemente bom poderá não o ser. Muitas vezes não o é. Algo que promove meia dúzia e deixa cair a larga maioria é uma doença. Porque se recuarmos uns anos, perceberemos que foram repetidores de informação acríticos e “altamente qualificados” que perpetraram eventos como o Holocausto e outras guerras e tragédias. São repetidores de informação altamente qualificados que afundam o mundo, moral e eticamente, dia após dia.

Um sistema educativo sem estudos das emoções, empatia, ética, moral, equidade e solidariedade não serve. Um sistema educativo que privilegia a sanha classificativa, os rótulos (uma espécie de cadastro), colocando como acessório o que escrevi no início deste parágrafo, é um reprodutor cultural de desigualdades.

Os chumbos servem para estigmatizar, punir e marcar. Não há, como noutras, qualquer democracia nesta premissa. E não: muitas das vezes, os problemas não caem na escola. Uma significativa parte dos problemas volta à escola (porque o que vai, volta).

A escola tem um papel importante na forma como reproduz a sociedade. Se queremos que ambas progridam, pois que sirva para nos descobrirmos, para evoluirmos enquanto cidadãos do futuro, com ética, autónomos, curiosos, criativos, críticos e conscientes: lúcidos. E com respeito pelo(s) outro(s).

 

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Calendarização da Mobilidade por Doença

 

 

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Mobilidade de docentes por motivo de doença – 2022/2023

 

Aplicação eletrónica disponível entre o dia 22 de junho e as 18:00 horas de 28 de junho de 2022 (hora de Portugal continental) para efetuar o preenchimento e a extração do Relatório Médico.

Decreto-Lei n.º 41/2022
Aviso de Abertura MPD
Despacho n.º 7716-A/2022
Manual de Instruções – Regime de Mobilidade de Docentes por Motivo de Doença – Relatório Médico
SIGRHE

 

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Procedimento de mobilidade por doença

 

Foi publicado o Despacho Normativo que estabelece o procedimento de mobilidade por doença.

DESPACHO NORMATIVO 7716-A/2022

 

 

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Propaganda, manipulação e formação “à maneira”

 

1. O Ministério da Educação divulgou uma síntese de resultados (Educação Inclusiva 2020/2021) conseguidos pelas escolas públicas, no domínio dos apoios à aprendizagem e à inclusão. Está lá um quadro que compara as taxas globais de transição/conclusão dos diferentes ciclos de estudo com as mesmas taxas relativas aos alunos alvo das chamadas medidas selectivas e/ou adicionais (linguajar do DL 54/2018). Todas são excelentes, bem acima dos 90%, em todos os ciclos de estudo e nos dois grupos: o global e o dos alunos com necessidades educativas especiais (linguajar antigo, do século XX).
Só que há um problema, quando cruzamos estes maravilhosos dados com outros, do insuspeito IAVE (provas de aferição de 2021). Com efeito, sobre a prova de Português e Estudo do Meio, do 2º ano, disse o IAVE que na “análise e avaliação do conteúdo” de um texto, a percentagem média de respostas correctas se situou nos 19% e que apenas 7,8% dos alunos responderam de forma inteiramente correcta, ou seja, “apresentaram uma explicação fundamentada, analisando as ideias e construindo um raciocínio”. E disse ainda que, em Matemática, os alunos do 2º ano e do 8º evidenciaram dificuldades persistentes na “resolução de problemas” e, no 5.º e no 8.º, na maioria dos domínios analisados, a percentagem de alunos que respondeu sem dificuldades ficou aquém dos 20%, registando-se domínios onde não superou os 2,7%.
Termos em que a conclusão é óbvia: os excelentes resultados globais, apresentados pela desvergonha propagandística de um serviço são caricatamente resumidos, por outro serviço, à mediocridade que a soma das partes evidencia.
A manipulação dos resultados educativos, superestimando o que realmente os alunos aprendem, é absurda e irracional. Mas tudo continua porque na Educação há um padrão recorrente nas políticas do Governo: perante os factos problemáticos, não procura soluções; prefere alterar os factos, manipulando os dados, para escamotear a realidade.
2. Entre Janeiro e Abril deste ano, a Segurança Social processou menos 45 mil pagamentos relativos a subsídios de educação especial, que se destinam a crianças com dificuldades educativas severas, isto é, cortou, não certamente em nome da propalada educação inclusiva, um em cada quatro subsídios requeridos.
Quem está no sistema (professores de educação especial, terapeutas e, naturalmente, pais) sabe das dificuldades com que tem de lutar para garantir aos alunos o cumprimento de um direito constitucional básico, qual seja o direito à educação. Será que quem assim decide sente o mesmo? Ou achará, outrossim, que há que regular “privilégios” porque, embora não estejamos em austeridade (vocábulo proibido), para doar 250 milhões à Ucrânia e 50 à Polónia, temos de “economizar” nalgum lado?
3. Foram liminarmente rejeitados na AR dois projectos-lei que propunham a consideração de todos os horários nos concursos de mobilidade e a atribuição de ajudas de custo a professores deslocados da sua residência oficial.
Por outro lado, o novo quadro legal da mobilidade por doença faz prever que muitos professores, dramaticamente carentes de beneficiar do regime, vão deixar de preencher os requisitos de índole administrativa e as baixas médicas de longa duração vão aumentar. Entretanto, a resolução das questões de fundo (peregrina lógica de concursos, exiguidade dos quadros das escolas, excrescência sem sentido dos chamados Quadros de Zona Pedagógica e o progressivo envelhecimento da classe docente) foi empurrada para algures, pelas proeminentes barriguinhas pensantes dos decisores.
4. Temos hoje, convenientemente, já se vê, um processo de formação contínua de professores, cuja característica distintiva é torná-los radicalmente cegos para tudo o que se oponha à narrativa da pedagogia religiosa do ministro e dos seus lobitos. As crenças substituíram o conhecimento e o poder decisório está nas mãos de uma seita, disposta a sacrificar os progressos recentes do sistema nacional de ensino. Fanáticos que são, estigmatizam e eliminam os que recusam juntar-se ao rebanho. Os mais ansiosos, os mais precários, os detentores de saberes menos sólidos, os mais compreensivelmente descontrolados pela ausência de futuro e os mais oportunistas vão aderindo à estratégia da seita e estabelecendo com ela o vínculo social que lhes faltava.

In “Público” de 22.6.22

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Porventura, já olharam bem para o vosso recibo de vencimento deste mês?

Quando o vi pensei que, finalmente, os professores iriam passar a ser pagos decentemente… Entrementes, depois de uma segunda olhadela, voltei a assentar os pés terra e reparei que, infelizmente, no papelito digital estava acumulado o subsídio de férias. Evidentemente que o dinheiro na vida dos professores habita um mundo morto, vai definhando com a crescente perda de poder de compra.
A propósito, há quase 40 anos, quando Portugal e Espanha entraram na CEE (União Europeia), os salários dos professores dos dois países eram muito aproximados. Porém, é, na verdade, um tanto curioso que hoje em dia um professor no país vizinho ganhe cerca do dobro do seu congénere português. Isto é bem demonstrativo de que, por cá, os subsídios dados pela UE a fundo perdido, perderam-se sabe-se lá onde e por que bolsos, em vez de aproveitados para aumento salarial para melhorar as condições de vida das pessoas.
Se nos pagassem as imensas horas extraordinárias que fazemos e as ajudas de custo para deslocações e/ou alojamento – tal como fazem noutras profissões – certamente que nos habituaríamos a ver o valor que aparece neste mês de junho nos recibos do ano inteiro.
Tendo em conta que um estudo recente apurou que os professores trabalham, em média, mais de 46 horas por semana, onde está a remuneração das mais de onze horas semanais de trabalho extraordinário?
E se contarmos com visitas de estudo, correção de testes, provas de aferição e exames nacionais, projetos, acompanhamento a alunos, receção de pais fora de horas, resolução de problemas urgentes fora de horário, intervalos a trabalhar, trabalho organizativo e de planeamento, tempo de deslocação entre escolas, além das reuniões e muito mais, facilmente percebemos que ficam muitas horas extraordinárias por pagar.
Noutras profissões, as horas extraordinárias refletem-se nos recibos de vencimento que multiplicam o ordenado-base várias vezes. Com os professores nada disso existe, pois continuam a trabalhar de graça, a utilizar os seus recursos/materiais informáticos e didáticos e, muitas vezes, a financiar a escola com materiais pagos do seu próprio bolso. Temos estado a habituar muito mal o nosso patrão, na medida em que continuamos a cumprir as horas que nos exigem, independentemente do que está registado no denominado “horário semanal” que nos dão no início do ano letivo.
Se nos limitássemos a fazer apenas as horas que nos pagam, ao fim de pouco tempo as escolas paravam. Talvez, nesse momento, fossem obrigados a pagar o trabalho extraordinário que cumprimos para que as escolas pudessem funcionar.
Se este recibo de vencimento refletisse o salário mensal de um professor, hão de convir, seria da mais inteira justiça, em conformidade com o trabalho e responsabilidade exigidos e, mesmo assim, não repunha sequer os retroativos salariais de 12,5 anos de carreira que nos foram roubados (fonte: Paulo Guinote). Além de uma remuneração verdadeiramente merecida, seria da mais inteira justiça para uma classe sobrecarregada de trabalho (muito dele gratuito), subvalorizada, explorada, espoliada e mal paga.
Supondo, pois, que começando por aí, dava-se o primeiro de muitos passos necessários para atrair mais jovens para a profissão e evitar que muitos professores dela desistam.
Carlos Santos

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Professor por uns meses

 

Os alunos e alunas estão sem professores durante meses e os professores e professoras que concorrem desistem, pois não conseguem lidar com tamanhas requisições. Uma energia que é sugada, não apenas pela aula e sala onde a ligação entre aprendizes e pedagogos acontece, mas pela teia burocrática a que estão votados.

Professor por uns meses

 

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As Aprendizagens Essenciais, Os Manuais Escolares e as Provas de Aferição

Estava aqui a ver o calendário de adoções de manuais escolares e verifiquei o seguinte:

  • A última adoção de manuais escolares para o 1.º ano aconteceu em 2016 e para o 2.º ano foi em 2017;

 

Assim, tendo em conta que a prova de aferição do 2.º ano de Estudo do Meio, que foi aplicada ontem, tinha questões que não se encontram nos manuais escolares adoptados antes da entrada em vigor das aprendizagens essenciais é certo que a grande maioria dos alunos não têm manuais onde os principais órgãos – coração, pulmões, estômago e rins constem para estudo.

 

Nos manuais em vigor, apenas no 3.º ano os órgãos fazem parte do manual, pois nas anteriores metas esta área era lecionada no 3.º ano.

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Concurso Externo / Contratação Inicial / Reserva de Recrutamento 2022/2023 NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO DA RECLAMAÇÃO

 

Encontra-se disponível para consulta, a notificação da reclamação.

SIGRHE – Notificação da decisão da reclamação

Nota informativa – Notificação da decisão da reclamação

 

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Notificação da Decisão da Reclamação

A partir de agora é possível que a qualquer momento sejam publicadas as listas de colocação, ordenação e exclusão ao concurso externo anual.

 

Notificação da decisão da reclamação

 

Encontra-se disponível para consulta, a notificação da reclamação.

SIGRHE – Notificação da decisão da reclamação

Nota informativa – Notificação da decisão da reclamação

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O desprezo, a empatia e a disciplina de português – Luís S. Braga

 

Terminei o ano letivo a tratar de um caso em que um grupo de alunos deixou de falar com um deles, durante semanas. Conheciam-se de sempre e não se dirigiam a palavra, fosse em que meio fosse. O excluído estava desfeito.
Não se pode obrigar a falar, mas pode-se fazer refletir.

A arma social do desprezo e da indiferença é hoje comum e usada com displicência., mas não é nova. O efeito agrava-se com as redes sociais.

Há um quadro de Veronese, que se chama mesmo “Desprezo” e “Le mépris” (desdém ou desprezo), além do livro de Moravia é um filme genial de Godard, com a lindíssima Brigitte Bardot e uma desprezível discussão de 34 minutos. O tema tem larga representação artística.

O desprezo de hoje tem nova escala.

A minha avó, quando me portava mal, “dava-me ao desprezo” uns dias. Não ouvir nada de alguém de quem gostava era um castigo terrível e angustiante para uma criança.
Preferia que me batesse, coisa que não fez. E muito me esforçava por obter uma palavra qualquer que fosse.
Ainda hoje o desprezo, mesmo momentâneo, de quem goste ou só estime me faz reviver esse tempo de angústia infantil.

A minha avó não conhecia a palavra empatia, mas usava um truque pedagógico essencial e que me fez ser mais empático: a indiferença e o desprezo dos outros, de quem gostemos, vêm de algum lado e é preciso dialogar para o resolver. E a um miúdo que foi abandonado pelo pai (me desprezou) a coisa batia forte. E acho que me fez melhor pessoa.

O problema é que isso da empatia dá trabalho, constrange e é difícil ensinar aos miúdos, como vi no caso concreto.

Além de terem dificuldades com a língua, não são treinados para ver o ponto de que o desprezo se deve evitar. E depois de entrar por aí é difícil sair, porque é preciso a empatia dos outros. Isto é, não nos darem ao desprezo.. E de desprezo em desprezo o mundo ficará desprezível.

No caso concreto falaram e fez algum efeito. Por isso Português não pode ser só gramática.

 

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Em Portugal paga-se mal

Em comparação com os restantes Estados-membros, Portugal é dos que paga pior e tem menor produtividade.

O relatório “Estado da Nação: Educação, Emprego e Competências em Portugal” revela que a pandemia dificultou a entrada dos jovens no mercado de trabalho e o ensino à distância provocou perdas de aprendizagem que podem ser irreversíveis.

Ter canudo compensa? Salários de licenciados caíram 11% em 10 anos

A má notícia é que o salário médio, nestes dez anos, só aumentou para quem tinha o ensino básico. Uma subida na ordem dos 5%, puxada pelo aumento do salário mínimo.

Quem tem o ensino superior perdeu 11% do rendimento, quem concluiu o secundário, viu o salário médio cair 3% em dez anos.

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Lapidar: “No mínimo, foram 12,5 anos que a governação do PS ajudou a engolir à carreira docente”

Engoliu?

Pura e simplesmente os professores foram “assassinados”, no sentido literal e objetivo de uma perseguição nojenta e ignóbil… e é melhor eu ficar por aqui…

Aos “Velhos” Não Limparam Apenas 6,5 Anos De Serviço – O Meu Quintal

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Já ninguém faz copianços como antigamente


PSP detém duas jovens por falsificação de identidade nos exames nacionais

PSP confirma detenções e em breve divulgará um comunicado sobre a operação.

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Listas ordenadas definitivas dos candidatos admitidos e excluídos, e de colocação relativas ao concurso externo

 
 

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Há Uma Nova Vida para a Petição do fim das Vagas

No próximo dia 23 de junho vai novamente a debate e votação na Assembleia da República a petição que criei em 2021 pelo fim das vagas de acesso ao 5.º e 7.º escalão.

É uma votação renascida que calha precisamente no dia a seguir ao Debate com o Primeiro-Ministro sobre política geral.

O debate sobre a iniciativa vai demorar 30 minutos e será feita de acordo com os tempos do quadro seguinte.

Acompanha a petição dois projetos de resolução (um do PCP e outro do BE) e um projeto Lei do PAN.

 

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Reuniões de avaliação resultantes do projeto Maia ou Ubunto ou pipi ou cocó ou whatever

A esfera deu a volta completa ao sol e estou de regresso à trágico-cómica última reunião de avaliação. Com tantos assuntos sérios que podem acabar com a guerra, a fome e a seca, como a vida amorosa e artística de Maria Leal, as aparições públicas de José Castelo Branco e as frases de elevado recorte intelectual das personalidades do “Big Brother”, e andamos aqui nós a perder o nosso precioso tempo com estas coisitas de notas. Enfim…
Bem, manhã cedo, rumo a uma escola despojada de alunos, entro na sala onde esperava encontrar almas moribundas, mas, surpreendentemente, encaro com a felicidade celestial de pessoas com aspeto de quem tomou calmantes na mesma ordem de racionamento com que os miúdos devoram M&M’s.
No entanto, noto uma dupla personalidade no secretário, cuja parte do corpo vestida com camisa e blazer, veio para uma reunião presencial, enquanto os membros inferiores, vestidos com boxers, parecem acreditar piamente estarem ainda nas reuniões online. A colega de Educação Musical, ainda com os rolos no cabelo, dividida entre documentos e biberões, acampou ao fundo da sala com um rancho de filhos à volta, porque acabaram as aulas e não tem com quem os deixar. No meio de duas professoras a tentarem ressuscitar com auxílio de café forte, está sorridente um colega com uma peúga de cada cor e outro, ainda com a espuma na parte da barba que deixou por fazer, a enfardar um generoso pequeno-almoço à inglesa.
(que fique bem claro que, por minha conta e risco, me internei voluntariamente na sala onde iria decorrer a derradeira reunião daquele conselho de turma do ensino básico)
Atolada num respeitável arsenal de documentação a forrar a sua mesa e arredores, descubro a diretora de turma escondida atrás de um portátil da escola que, depois de consideráveis peripécias para encontrar carregador e extensão e em conseguir pô-lo a funcionar, agora paralisou sem ligação à internet. O recente anúncio ao mundo pelo 1º ministro da chegada da transição digital foi demais para os poucos bites do microchip emocional da pobre máquina, porque, ao que parece, a coisa morreu, nem liga nem desliga.
Verifico que a colega que mora no outro extremo do país já cá está faz tempo e o que vive do outro lado da rua, por razão desconhecida, chega já no limite do período de tolerância sendo bem recebido pelo grupo de bons cristãos que lhe fazem uma espera com olhares mais do que afetuosos.
Alguém incontactável – que certamente terá desaparecido da superfície terrestre – aumenta a demora até que a presidente resolve, finalmente, dar início à reunião.
A coisa ia bem lançada quando chega o colega desaparecido obrigando a começar tudo de novo. Mal se sentou já pergunta pela folha de presenças para assinar, deixando a DT capaz de bater em alguém… e ainda reunião não começou.
Cantadas as notas, eis senão que chega o instante pelo qual todos esperavam: o confessionário – ocasião propícia para a má-língua, o queixume e a autopunição, demonstrando com evidências os sacrifícios a que se sujeitaram para serem merecedores de elevação ao estatuto de santo (ou, na ausência de melhor, a uma cotazita que lhes permita subirem de escalão).
Durante o relato do mau comportamento de um aluno em particular, lá vem a professora de ciências – muito inconvenientemente – interromper, contradizendo “comigo porta-se muito bem!”, uma bela candidata ao beatífico altar, não fosse segredo para ninguém que, nas aulas a esta turma, os gritos dela se escutavam do outro lado do atlântico. Começam, então, a enovelar-se episódios ocorridos na sua aula e, a certa altura, quando todos querem partilhar experiências libertadoras, depressa a reunião transforma-se numa mistura de muro de lamentações com um consultório de psicanálise, mas sem divã nem psicanalista.
Até aqui as coisas até nem iam mal de todo com a discussão a manter-se ainda ligeiramente acima do nível de novela mexicana; até que chega o tão temido momento em que é preciso «fermento» para que certas notas possam levedar e manda-se chamar o professor de EMRC que está noutra reunião. Sabemos que a nossa liberdade, definida pelo woke-washing do ministério, de podermos dar as notas que quisermos, é mais ou menos como o livre-arbítrio dado por Henry Ford aos seus clientes quando lhes dizia que “O seu Ford Modelo T pode ter qualquer cor, desde que seja preto”.
Bom, assim que surge o professor de «moral», com um terço na mão e ar de quem acabou de assistir a um exorcismo noutra reunião – mas nada de grave que possa comprometer a preservação da espécie humana ou o seu bilhete de entrada no reino dos céus – eis senão quando aparece uma funcionária a tentar arrancar daqui, à força de braços, o professor de TIC para ir urgentemente a outro conselho de turma onde já correm lágrimas e gritos. Está visto que todos nós levamos tudo isto muito a sério, porque, pasme-se, os alunos visados devem estar imensamente preocupados nas piscinas e praias, atrás de um ecrã de telemóvel, tv ou de jogos de computador, ou nas bicicletas em enorme ansiedade relativamente à injusta possibilidade de «chumbarem», quando até fizeram um enorme esforço de irem aparecendo na escola.
Mais tarde, depois de acesa, prolongada e inútil discussão acerca da nota e do mérito de alguns alunos com resmas de negativas, recorre-se ao muito pedagógico «nivelar por baixo» (mesmo rente às unhas dos pés) uma vez que hoje em dia quase todos os alunos são abrangidos pelas milagrosas Medidas de Suporte à Aprendizagem e Inclusão. Finalmente, conclui-se que ninguém irá merecer nível dois, uma vez que uns foram dando sinal de vida aparecendo na maior parte das aulas, outros até trouxeram material escolar (os quais merecem subida para o nível quatro) e, por uma questão de justiça, sobe-se para «cinco» aqueles que mantiveram os olhos abertos, abriam o caderno diário e não emitiam nenhum som perturbador.
Neste momento, no meio de enorme tensão de uma tribo de mulheres na menopausa agitando violentamente os seus leques e uma minoria de homens à janela encurralados entre o frenesim daqueles abanicos e o ar abrasador, o professor de ET, aflito, confessa ter um aluno que conseguia utilizar mais do que o polegar e o indicador quando manipulava ferramentas, a quem não sabe que nota dar, pois a escala termina no «cinco». A colega de Cidadania admitiu que quer dar nível seis a um aluno que, muito contra vontade, numa aula acabou por demonstrar uma atitude altamente altruísta emprestando uma borracha a um colega. Eis senão quando a professora de Inglês explode: “Se esses têm «seis», então que nota vou dar aos dois alunos que sabem mais do que os outros que só sabem dizer “OK”? O colega de Matemática conclui: “Referes-te aos ucranianos?”. Sem que tivesse tempo para responder, todos os outros colegas acenam afirmativamente com a cabeça.
A professora de Cidadania insiste que fique registado em ata o pedido para que, a nível excecional, possa atribuir um «sete» a estes dois alunos, pois são extremamente educados, cumpridores, respeitadores, dão os bons dias, agradecem, cedem passagem aos professores, pedem desculpa, estão prontos a partilhar e a ajudar, não dizem palavões nem perturbam a aula, têm iniciativa e participam de forma responsável… mas é logo interrompida pela colega que tem a ingrata missão de tentar ensinar a língua de Camões: “Eu também lhes quero dar o nível sete, pois ao fim de três meses em Portugal, já falam e escrevem melhor português do que os restantes alunos da turma”. Perante aquela bizantinatentativa de rebentar com a escala oficial por parte de todas aquelas almas pacíficas que estão capazes de fazer um motim, a DT, num colapso nervoso, desata num pranto, desabafando por entre um rio de lágrimas sobre as pressões que tem sido alvo por parte dos pais desde que estes alunos vieram para esta escola. Então, lá ficou registado em ata que estes alunos deverão moderar a sua participação nas aulas e as suas atitudes excessivamente disciplinadas com padrões morais utópicos que provocam bullying psicológico sobre os colegas, uma vez que há pais que se vêm queixando que, desde que estes ingressaram na turma, o nível de exigência dos professores aumentou consideravelmente. É ver a resma de registos de observação, grelhas de avaliação e portfólios de evidências de aprendizagem que se preencheram, a irem agora com os porcos, para se imaginar que não haverá candidatos a se atreverem a redigir outra pilha documental para justificar a retenção de um aluno.
A colega de ciências, inconsolável, vocifera: “Então, para quê que preenchemos tantos documentos para os maus alunos se depois isso são detalhes absolutamente irrelevantes, porque, no fim, mesmo que eles não se esforcem, passam todos? Como de costume, continuamos a castigar os professores e os alunos esforçados e a premiar os preguiçosos!”. Faz-se um silêncio conformado logo abafado pelo murmúrio de satisfação por mais uma candidata às míseras cotas de avaliação de desempenho que foi de vela.
Na realidade, depois daquela balbúrdia, o aproveitamento global ficou ali a uma ou duas décimas de ser considerado «Muito Insatisfatório» (o que nos levaria a todos a sermos dizimados por um batalhão de inspetores adeptos das novas doutrinas pedagógicas), mas oficialmente, com notas em segunda mão, ficou-se pelo «Muito Bom» com a maioria da turma a figurar no honroso quadro de excelência. A medo, a colega de ciências questiona como se irão justificar aquelas notas e como iriam convencer os pais de que os seus filhos eram uns génios. O professor de «moral» tenta fundamentar “E quem somos nós para julgar os outros, santo Deus?”. Em seu auxílio, rendido às evidências de toda aquela matemática quântica avançada que acabáramos de assistir, o colega de Matemática acrescenta “Segundo, o princípio da incerteza de Heisenberg em que as grandezas não podem ser medidas simultaneamente com exatidão, claro que uma percentagem de 21%, bem vistas as coisas, pode muito bem corresponder a 50%. É o projeto MAIA e o programa de capacitação Escolas Ubuntu a funcionar em pleno!”, concluindo embevecido “Somos muito à frente!”. Todos concordaram (mesmo desconfiando que o colega estaria a falar em código – bem poderia estar a mandá-los todos prás urtigas – pois não perceberam peva, nada, zero), o que mereceu uma unânime e extasiante ovação de pé até as mãos ganharem calos, ficando estas palavras citadas em ata.
Embora os alunos saibam cada vez menos, o importante para a felicidade e autoconfiança dos jovens e do crescimento económico do país, neste maravilhoso sistema de educação inclusiva, é que todos passem, que a imagem externa da escola fique abrilhantada e a taxa de sucesso escolar se situe no ponto ideal definido pelo ministério para que possa mostrar o quanto contribui para termos a geração mais bem formada de sempre!
Ultrapassado o clímax orgástico com laivos de tragédia grega, sente-se uma paz e um alívio libertador e, a certa altura, a presidente deste meeting apercebe-se que está a falar para ninguém; uns, considerando que a reunião acabou li, ficaram em pleno transe emocional a fixar o infinito, outros estão no face (provavelmente quem está a ler isto – este é o momento que todos se entreolham e tentam disfarçar), outros a verem a imprensa da manhã e, porque por aqui é tudo gente jovem, a maior parte entretém-se a mostrar as fotos dos netos.
Felizmente, houve quem não tivesse falado durante toda a santa reunião; estivera todo o tempo de boca cheia a avaliar os dotes culinários da DT que não conseguiu disfarçar as olheiras de uma noite a preparar a reunião, suponho que dividida entre papéis, computador e tachos.
A manhã já ia imensa quando finalmente se escutam as benditas palavras “a reunião terminou, podem sair”. Quando já estão todos à porta, eis que a colega que não tugiu nem mugiu de tão ocupada a limpar pratos e travessas com a língua, revelando uma clara falta de vontade de ir para casa aturar o marido, resolve abrir a boca, mas desta vez para falar, reclamando todos de volta às cadeiras de pau (os quais agora exibem uma vontade férrea de irem buscar um caldeirão, lenha e fósforos para cozinhar uma «Muamba de galinha à moda da Tia Manela»… ou, talvez lhes bastasse ir ao bar e trazer algo comestível para a calar outra vez).
«Angústia» é a palavra que eu escolheria para qualificar o sentimento da DT e do secretário quando se aperceberam que, assim que terminou a reunião e todos saíram daquela atmosfera densa, ficou um documento por assinar, outro por preencher e outros, ainda, que não lhe foram entregues. Começa, então, uma autêntica perseguição aos professores que estão noutras reuniões, dos que ainda estão na escola, daquela que está de regresso a casa a meio país de distância e, para desespero da DT, daquele colega que voltou novamente a ficar incontactável, devendo ter remigrado da face da terra e, provavelmente, estará agora no planeta vermelho a beber uma bejeca ao lado de Elon Musk.
Nada que uma dose extra de Xanax não possa resolver!

Carlos Santos

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Dispensas Sindicais

 

Encontra-se disponível a aplicação para as dispensas sindicais de 20 de junho até às 18h00 de 27 de junho de 2022.

Manual
SIGRHE

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COISAS QUE OS PROFESSORES TÊM PERDIDO

  • Com a redução do tempo de serviço os professores mais velhos iam para casa com essas horas de redução. Agora, mesmo aos 60 anos de idade ou mais, muitos com mais dificuldade em preparar as aulas, por vezes com três níveis de Ensino, e com mais dificuldade em ler os testes, em vez de terem realmente essas horas de redução, têm de ficar na mesma na Escola, aguentando nessa idade o ambiente stressante dos adolescentes.
  • As reduções letivas por idade começavam as 40 anos, agora só começam aos 50 anos
  • Os professores tinham direito a 5 dias para formação, e portanto podiam ir a congressos e a conferências, sem terem de descontar esses dias nos dias de férias
  • Havia 10 dias por ano para faltar ao abrigo das férias (artigo 102)
  • Não se descontava 3 dias de salário, nos 3 primeiros dias de atestado médico
  • Os professores do Ensino Secundário tinham mais 2 horas semanais, no seu horário, para prepararem as aulas e corrigirem os testes. Não é a mesma coisa preparar as aulas e corrigir os testes de alunos do 4º, 5º. ano, e preparar e corrigir os testes dos alunos do 12º. e 11º. ano, pois requer muito mais tempo.
  • Os professores tinham dois dias sem atividades na Escola, que lhes eram concedidos para elaborarem as provas de exame e de equivalência à frequência
  • A correção das provas de exame era paga (esse pagamento, embora não fosse muito, era acrescentado ao salário mensal do professor)
  • Os professores classificadores de exames podiam ir de férias no início de Agosto, pois os exames não se prolongavam tanto até ao final de Julho.
  • Dantes, se o professor tivesse sido assíduo, e lecionado o programa conforme lhe competia, de tantos em tantos anos ia progredindo na carreira. Agora, para se progredir na carreira é obrigatório fazer ações de formação (e pagá-las)
  • Quando as formações de professores eram à noite, davam direito a subsídio de jantar no dia da formação
  • Dantes havia ano sabático, isto é, de tantos em tantos anos os professores que quisessem podiam fazer uma interrupção de dar aulas, para uma atividade cultural ou humanitária, ou para uma investigação, e esse ano era-lhes pago pelo próprio Ministério
  • Dantes havia equiparação a bolseiro, isto é, os professores podiam concorrer a bolsas do Ministério, para fazerem uma investigação, uma formação de um ano (por exemplo o Mestrado), e esse ano era-lhes pago pelo próprio Ministério
  • Quem estivesse em substituição, se estivesse ainda a trabalhar dia 31 de Maio, tinha direito a ficar até ao final do ano letivo, isto é, 31 de Agosto.
  • Quem tivesse tido um contrato até 31 de Agosto e fosse colocado até 31 de Dezembro, tinha direito a ter contado o tempo de serviço entre o fim do contrato anterior e o início do contrato seguinte
  • Quem entrava em QZP, no ano seguinte ficava em quadro de Escola. Agora fica-se vários anos em QZP.
  • Os professores do 1º. ciclo e os educadores de infância iam para a reforma 4 ou 5 anos mais cedo porque o seu horário é maior e essa diferença era reposta no final da carreira.
  • As horas não letivas eram efetivamente não letivas, e como tal, sem alunos
  • As aulas de substituição eram pagas como horas extraordinárias
  • Os professores de educação especial recebiam um subsídio de especialização, mensalmente. Agora não.
  • Dantes as horas para coordenar um projeto eram descontadas no horário letivo, agora são acrescidas
  • Nas saídas do Desporto Escolar os professores tinham direito a um lanche da manhã, assim como todos os alunos envolvidos
  • Nas Escolas onde há aulas de noite, o trabalho noturno começava às 19 h, e por cada hora de trabalho pagava-se mais a partir do momento em que se começava a trabalhar às 19 h. Agora só consideram trabalho noturno a partir das 22 h
  • A idade para a aposentação era mais cedo do que atualmente. Os professores dos 2º.,3º. ciclos e Secundário aposentavam se com 58 anos de idade e 36 anos de serviço. Agora trabalham mais de 42 anos
  • Dantes, devido ao desgaste desta profissão, os professores mal atingissem os 40 anos de serviço podiam reformar-se sem penalização independente da idade
  • Antigamente havia pré-reforma para quem atingisse os 60 anos de idade
  • Os professores dantes tinham a Caixa Geral de Aposentações, agora progressivamente vão passar a ter a Segurança Social, vindo a sofrer mais cortes nos subsídios por doença
  • Dantes havia mais possibilidade de deslocação e melhores condições para os professores em mobilidade por doença
  • Os professores contratados mesmo com horários incompletos, e que iam às Escolas todos os dias da semana, descontavam o proporcional a 30 dias para a segurança social, agora só alguns dias lhes são contados como descontos.
  • Não havia professores a avaliar os próprios colegas, professores esses muitas vezes com menos habilitações e com menos anos de serviço do que os colegas que eles avaliam
  • Não havia quotas para se progredir na carreira, como agora há nos 4º. e no 6º. escalão
  • Todos os professores que não tivessem faltado, atingiam o topo da carreira, enquanto hoje só uma minoria o atinge
  • Dantes os professores não tinham de justificar e explicar porque davam mais de 50% de classificações negativas
  • Dantes não se desconfiava da palavra dos professores
  • Dantes os professores tinham muito mais autoridade
  • Dantes os professores reforçavam mais a palavra dos colegas e colaboravam mais mutuamente em prol do respeito pelos professores
  • Dantes não havia tantas reuniões
  • Dantes não havia tanta burocracia e tantas grelhas para preencher

Primeiro Ciclo (Duilîo)

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Quando serão revogados os Planos de Contingência das Escolas?

Ser atropelado ou ser contagiado na rua será sempre muito melhor do que dentro da escola. Já os alunos que pagam um extra para entrarem antes das 9h15m parecem estar imunes…

Os mistérios da covid-19

Todas as manhãs, quando vou levar um dos meus filhos à escola, tenho de esperar no carro pela hora certa para ele entrar. Em 2020, quando a escola reabriu depois da pandemia, foi decretado que todos nos contagiaríamos menos se os alunos não esperassem pelo início das aulas no recreio, mas sim no meio da rua. A rua é estreita, não tem passeio, os carros passam com dificuldade, mas certamente o amontoado de crianças (e adultos) que esperam num espaço reduzido pela abertura da porta – faça chuva ou faça sol – estará muito mais seguro ali fora do que a brincar no recreio como fará, de qualquer forma, ao longo do dia. Ou seja, ser atropelado ou ser contagiado na rua será sempre muito melhor do que dentro da escola. Já os alunos que pagam um extra para entrarem antes das 9h15m parecem estar imunes.

Embora todas as manhãs me enerve ter de compactuar com aquele absurdo, agora que as aulas estão quase a acabar penso que pode ser que o próximo ano traga o bom senso de volta a quem ainda não o recuperou.

 Mas o que dizer das cerimónias fúnebres que ainda não voltaram à normalidade? É que os meus filhos vão andar na escola por muitos mais anos, se Deus quiser, mas o velório de um ente querido é uma coisa que acontece uma vez na vida. Depois de os velórios terem sido proibidos durante muito tempo, neste momento são permitidos em alguns casos e de acordo com algumas regras como o limite máximo de pessoas na sala, cumprimentos de distanciamento social ou utilização de máscara. Tudo coisas que fazem imenso sentido quando se precisa de um abraço apertado ou um beijinho.

Se não fosse o caso de ser aconselhado o caixão estar fechado, concluiria que todas estas regras seriam para não infetar o defunto, sendo que os vivos podem estar livremente em jantaradas, discotecas e bares sem terem de cumprir distanciamento ou usar máscara.

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Oportunidades perdidas – Carlos Santos

Saí para esvaziar a cabeça de preocupações e regressei a casa com os bolsos vazios… passara por uma gasolineira. Não sendo exclusivo da profissão, como professores, tortura-nos cada vez mais essa arte de contar o valor a pagar cada vez que vamos encher o depósito de combustível, sobretudo quando esse é um preço pago para podermos ir trabalhar. De resto, a nossa itinerância e instabilidade profissional representa para as gasolineiras e para o governo uma fonte de lucro direto, ou indireto através dos impostos sobre os combustíveis, pelo que, para uns e outros, interessa-lhes que, maioritariamente, continuemos a trabalhar longe da nossa residência. Não bastando serem mal pagos, para poderem chegar ao local que providencia o seu ganha-pão, os professores ainda têm de se submeter a serem roubados.
Face a esta situação, não sei do que hei de falar primeiro, se da indiferença social para com os problemas dos docentes, se do desapontamento face ao egoísmo dentro da própria classe.
Ora, vejamos… Creio ser do conhecimento generalizado o lamento dos professores para com a falta de ajudas de custo para suprir despesas de contexto no exercício da profissão, assim como sobre o excesso de burocracia e de trabalho. Porém, quando surge uma boa oportunidade de minorar alguns destes males, eis quando, uma vez mais, a classe volta a desapontar-se a si mesma.
De entre tanta desgraça, um dos únicos aspetos positivos que a pandemia trouxe para as escolas e para a vida dos docentes, foi a possibilidade de se fazerem as reuniões online. Uma oportunidade que trouxe consigo variadíssimas vantagens: as reuniões tornaram-se mais breves e eficientes; deixou de haver conversas paralelas; os intervenientes possuem consigo (no seu PC ou em casa) toda a informação necessária e aquela que, inesperadamente, possa vir a ser solicitada; sobretudo, os professores que residem longe da escola, não precisam de se deslocar, poupando tempo precioso para estar com a família, economizando despesa em combustível, evitando os riscos inerentes à sinistralidade rodoviária e poupando horas de espera nos furos sem reuniões ou após o horário letivo. Isto já para não mencionar as conjunturas que obrigam docentes com o domicílio muito longe do local de trabalho a se verem obrigados a dormir em casa arrendada ou a deslocação de centenas de quilómetros num só dia, apenas com o desígnio de comparecer numa ou duas reuniões num curto espaço de tempo.
Batemo-nos tanto por termos ajudas de custo para deslocações, mas quando podemos proporcionar que dezenas de milhar de colegas consigam evitar a estrada, simplesmente, ignoramos. Um contrassenso que ajuda a explicar o motivo de já ninguém nos levar a sério.
Acontece que, num momento em que o preço dos combustíveis está mais alto do que nunca, com tendência de subida vertiginosa e com a possibilidade de escassez num horizonte próximo, num cenário em que os governos europeus já apelam aos cidadãos a contenção no consumo de combustível, por cá, não bastando a circunstância de a maioria dos professores terem de se deslocar dezenas ou centenas de quilómetros diariamente (pagando a despesa do seu próprio bolso), ainda somamos 120 mil docentes a cumprirem deslocações para reuniões durante semanas, as quais poderiam perfeitamente ser evitadas.
Não obstante a incongruência de tudo isto, este acréscimo desnecessário de poluição automóvel irá contribuir ainda mais para as alterações climáticas que estão a destruir a passos largos o planeta, causando secas (o nosso país é dos mais afetados), aumento das temperaturas, fenómenos atmosféricos extremos e imprevisíveis, escassez de recursos naturais, insuficiência de alimentos e fome.
Perante esta realidade, andarmos ainda a insistir na insensatez de fazermos reuniões presenciais, configura uma enorme inconsciência social, económica e ecológica, além de ser reveladora da nossa avultada falta de organização, de sentido coletivo e cívico, tão longe dos padrões educacionais e civilizacionais das culturas mais evoluídas.
Mas o palavrório que a classe política dissemina sobre o enorme investimento da “bazuca financeira” vinda de Bruxelas numa pretensa transição digital, somado às milhentas formações que os professores são obrigados a frequentar sobre as novas tecnologias e plataformas digitais, comparadas com este retrocesso no desaproveitamento daquilo que as novas tecnologias podem proporcionar quando precisamos de nos reunir, leva-me a pensar que não faltará muito para regressarmos à redação de atas em papel. Isto é quase como se investíssemos anos numa formação culinária e numa cozinha de «chef» e depois optássemos por mandar vir todos os dias refeições de fora.
Em abono da verdade, bem sei que existe um número restrito de professores que adora reuniões, uns por não quererem ir para casa aturar os cônjuges/filhos, outros por não terem ninguém em casa e ser na escola que encontram ocupação, outros porque têm nas reuniões um dos pontos mais altos do ano para convívio e outros, simplesmente, porque não dominam minimamente as novas tecnologias.
Contudo, é incompreensível que se desperdice o que as ferramentas tecnológicas proporcionam para a eficiência laboral, assim como se desconsidere os colegas de profissão que residem longe da escola e que possibilitaria uma poupança financeira para uma classe tão mal paga e um bem-estar fundamental para aliviar o cansaço e o desgaste profissionais.
Se barafustamos tanto e viramos costas às oportunidades quando estas surgem, então, de quem é a culpa senão de nós mesmos?

Carlos Santos

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Evolução dos Professores Não Colocados (vídeo)

O vídeo seguinte apresenta a evolução da % de professores não colocados nos últimos 6 anos. Desde essa altura que vários números foram aqui apresentados e onde a falta de professores era bem visível…. o ME assumiu esse facto este ano, mas a mudança de rumo no que às políticas educativas diz respeito não se vê no horizonte.

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