Guia de como evitar pais e alunos durante as tuas férias:

1- Não é difícil, pois a maioria dos professores fica em casa a hibernar durante as férias para pôr o sono em dia;
2- Aumentarem o distanciamento social de 2 para 100 metros;
3- Ficarem em casa o máximo de tempo possível (é altura para pôr em dia as séries da Netflix que não pudeste ver ao longo do ano);
4- Se tiverem mesmo de sair de casa durante a luz do dia, usem garruço, óculos escuros e gola alta (acreditem, sufocar em pleno verão não é o pior que vos pode acontecer);
5- Se a saída for de carro, usem vidros escuros; colem película autocolante escurecida (se tiverem folha de alumínio de cozinha, também serve – um quadradinho de abertura no para-brisas chega bem). Se mesmo assim estiverem em risco de serem identificados, tornem a dar uma volta ao quarteirão que, mesmo ao preço que está o combustível, é preferível para bem da vossa saúde mental;
6- Se forem reconhecidos ao volante na autoestrada, saiam na saída mais próxima;
7- Se tiverem o hábito de irem comer fora em locais de fast-food onde facilmente se encontram os vossos alunos com os pais, não neguem esse prazer de comer o que querem, só não façam onde querem; façam-no noutro distrito (evitem o algarve, pois ao fim de alguns dias, acreditem, ficam com a mania da perseguição); ou, então, comam em casa; no caso do frigorífico e a despensa ficarem vazias – lembram-se daquela dieta que há anos andavam a pensar em experimentar? Pois, então chegou o momento de a fazer;
8- Irem às compras às 3 da manhã;
9- Se forem comprar vestuário e os avistarem, entrem num provador de roupa e só saiam de lá duas horas depois; se for de roupa de mulher, só saiam quando forem expulsos na hora do fecho. Se for uma sapataria, estão tramados;
10- Se estiverem num centro comercial e o vosso olhar se cruzar com o deles, dirijam-se para a casa de banho mais próxima e deixem passar, pelo menos, uma hora (acreditem, o sacrifício vale bem a pena);
11- Se forem à «bola» e forem vistos na bancada do vosso clube, dispam-se e corram nus pelo relvado até à bancada adversária para evitarem animosidades clubísticas. Caso não tenham coragem de se despirem, corram na mesma, pois o risco de levarem um arraial de porrada da claque adversária, compensa;
12- Arranjem um cão. Dêem-lhe a cheirar material escolar dos vossos alunos. Quando forem passear, se ele cheirar à distância algo familiar, fica maluco. Não há melhor alarme;
13- Se, mesmo assim, tiverem o azar de serem reconhecidos, digam que vos devem estar a confundir com o vosso irmão(ã) géme@. Se eles não «descolarem» refiram que vão fazer o teste ao Covid. Se nem assim, então desejo-vos boa sorte.
14- Se forem à piscina municipal, levem um escafandro ou fato de mergulho;
15- Se estivem num rio e forem avistados, deixem-se levar pela corrente… todos os rios desaguam no mar;
16- Se estiverem na praia debaixo de sol abrasador, e escutarem “professor…”, não olhem para trás, corram e atirem-se ao mar; se forem atrás de vocês para a água, não entrem em pânico, a costa de Marrocos é já ali; se tiverem o azar de estar numa praia banhada pelo Atlântico, é melhor aceitarem o vosso destino;
17- Se pais e alunos falarem convosco e vocês não os reconhecerem, então está na altura de meterem os papéis para a reforma.
Carlos Santos

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6 comentários

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    • Prof Possível (aka Maria Indignada) on 22 de Junho de 2022 at 12:24
    • Responder

    Ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah…

    “Se estivem num rio e forem avistados, deixem-se levar pela corrente… todos os rios desaguam no mar”

    Sublime!

    • Calves on 22 de Junho de 2022 at 12:42
    • Responder

    Muito bom!
    Um banho de gargalhadas!
    Bem-haja por mais uma sessão de “terapia do tido”!
    Abraço

    • Calves on 22 de Junho de 2022 at 12:44
    • Responder

    Bem, queria dizer como é óbvio “terapia do riso”! 🥴

    • Mirtha on 23 de Junho de 2022 at 12:06
    • Responder

    Interesante, sofro do oposto… Sinto imensas saudades dos meus alunos e respectivos pais. Acho que as férias fazem mal a todos. Quebra o ritmo, Duas semanas já seriam mais do que suficientes. Trabalhar e viver para umas férias é tornar as coisas desagradáveis. E vim de um país que só tem um mês de férias e tem aulas ao sábado, até à uma da tarde. E ninguém se queixa. Aqui se queixam de tudo. Assim não são felizes nem realizados na missão que abraçaram um dia por Amor ao próximo. Ter o retorno de amor de cento e tal alunos e respectivos encarregados de educação, é a maior recompensa desta maravilhosa profissão. Terem um emprego que amam e um respectivo ordenado já é uma dávida, Há milhões neste planeta que nem uma coisa, nem a outra têm!!!
    Assim não são felizes. Um dos segredos de se ser feliz é sentir-se feliz com aquilo que se tem, por pouco que seja.

      • Claro on 23 de Junho de 2022 at 15:03
      • Responder

      Já Jesus assim pensava…Veja o que lhe aconteceu!!

  1. quero é evitar a mácriação e máeducação de quase todos os pais que me aparecem pela frente dentro da escola…

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