11 de Setembro de 2026 archive

Hoje os Monstros Saíram do Armário

Chegou setembro. E, com o início das aulas, há uma tradição nacional que se cumpre com uma pontualidade quase pedagógica: os monstros saem do armário.

Não são propriamente monstros novos. Alguns conhecemo-los há décadas. Têm discursos antigos, soluções recicladas e uma extraordinária capacidade para reaparecer, ano após ano, sempre que se ouve a palavra “educação”.

Estavam aparentemente adormecidos. Mas bastou tocar o primeiro toque de entrada para voltarem à televisão, aos jornais, às redes sociais e às páginas de opinião.

De repente, todos têm uma receita para a escola.

Uns descobrem que os professores precisam de recuperar a autoridade. Outros explicam que os alunos já não respeitam ninguém. Há quem conclua que o problema está nos telemóveis, quem responsabilize as famílias, quem suspire pelos tempos em que “na nossa época era diferente” e quem proponha, com ar solene, soluções que já foram experimentadas, discutidas, reformuladas e, muitas vezes, abandonadas há vinte ou trinta anos.

E há ainda os especialistas instantâneos em educação: aqueles que, durante onze meses do ano, pouco ou nada dizem sobre escolas, professores ou alunos e que, precisamente quando começa o ano letivo, reaparecem com certezas absolutas.

É curioso.

A educação parece ser uma das poucas áreas da sociedade em que a experiência profissional de milhares de pessoas pode ser facilmente substituída pela opinião de quem observa a escola de fora.

Não faltam discursos sobre “a escola que devia existir”. Faltam, muitas vezes, discursos sobre a escola que existe.

Uma escola com alunos diferentes, famílias diferentes, desafios sociais diferentes, professores cansados mas persistentes, diretores esmagados por burocracias, assistentes que asseguram diariamente aquilo que raramente aparece nas estatísticas e comunidades educativas que, apesar de tudo, continuam a fazer a escola acontecer.

Por isso, talvez setembro devesse ser menos o mês do regresso dos monstros e mais o mês de ouvir quem está dentro do armário.

Ouvir professores.

Ouvir alunos.

Ouvir assistentes.

Ouvir famílias.

Ouvir quem todos os dias abre a porta da escola, recebe os alunos, resolve problemas, ensina, aprende, improvisa e tenta construir respostas para desafios que não cabem em frases feitas.

Porque a educação não precisa de fantasmas do passado disfarçados de visionários.

Precisa de memória, conhecimento, coragem para mudar e humildade para reconhecer que a escola de hoje não é a escola de ontem.

Os monstros podem sair do armário.

Podem até continuar a falar.

Mas talvez esteja na hora de deixarmos de lhes entregar o microfone.

Bom ano letivo. E que, este ano, a escola seja finalmente ouvida por quem verdadeiramente a conhece.

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Contratos e Aditamentos 2026/2027

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Encontra-se disponível a aplicação informática que permite às escolas procederem à submissão de contratos e aditamentos.

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