Apregoam-se valores, praticam-se conveniências – Santana Castilho

 

1. O Supremo Tribunal Administrativo deu razão a Joaquim Sousa, professor de geografia e antigo director da Escola Básica 123 do Curral das Freiras, e mandou pagar-lhe os vencimentos relativos a seis meses de suspensão, com que foi castigado na sequência de um procedimento disciplinar.
Joaquim Sousa foi o obreiro principal do projecto educativo que levou a escola da vila mais pobre e isolada da Madeira a ser considerada, em 2016, uma escola-modelo, tão-só a melhor escola pública no exame de Português do 9.º ano de 2015. De nada lhe valeu o apoio da opinião pública e os apelos feitos ao Presidente da República, aos partidos com assento no parlamento regional e respectivo governo. Os burocratas de serviço falaram mais alto.
Do meu posto de observação segui o kafkiano processo e fui lendo testemunhos de professores e alunos de uma escola profundamente humanizada por Joaquim Sousa. E se nada disse na altura foi porque Bárbara Reis, aqui, em 29 de Março de 2019, disse tudo. A Joaquim Sousa pagaram agora os salários, injustamente sonegados. Mas mandaria a decência mínima que lhe pedissem desculpa pela violência indizível que manchou a honra de um professor que acertou, num reino de desacertos. Tanto mais que, por ele, marcaram-lhe, também, a mulher e dois filhos e extinguiram, por via escabrosa, a sua escola-modelo. Tudo o que dela resta piorou. Mas tudo parece cumprir, agora, a bíblia dos imprestáveis: o regulamento.
Esta saga mostra que, 47 anos depois, na mente capta de muitos dirigentes públicos, persistem os três grandes princípios da administração pública de outrora: não te rales mas não te entales, a iniciativa vem sempre de cima e nunca ninguém foi castigado por não fazer nada.
2. Inês Trindade, doutorada em Psicologia Clínica e investigadora em Medicina Comportamental, emigrou aos 30 anos, revoltada por não conseguir sobreviver em Portugal. Contou aqui a sua história (Balada de despedida: a insustentabilidade das carreiras científicas em Portugal, Público de 12.3.21). A balada de despedida desta cientista é um libelo acusatório (mais um) à Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que acusa, com exemplos graves, de controlar de modo iníquo e arbitrário a maior parte do financiamento para a ciência. Referindo-se a um concurso de que saiu vencida (Estímulo ao Emprego Científico), disse Inês Trindade que as suas “métricas científicas eram equivalentes às dos cinco investigadores melhor classificados, juntos”, coisa que acontece, afirmou, constantemente, há anos. E falou de outros cientistas que “ficam largos meses desempregados à espera de burocracias infindáveis, ou simplesmente a trabalhar gratuitamente na esperança de um dia obter uma posição”.
3. Estes dois flagrantes da nossa vida colectiva, somados ao debate sobre o Novo Banco ou sobre os acontecimentos de Odemira, são um retrato do país. As crises sucessivas do nosso viver colectivo, da bancarrota de Sócrates à pandemia de Costa, passando pela troika de Passos, mostraram que os gananciosos e os oportunistas políticos apenas tiveram de alterar as formas de manter os seus indecorosos lucros e poder. Porque a demagogia dos discursos esconde sempre que, na política, a única coisa que a dita são os interesses e o poder.
Bem pode António Costa fazer a apologia da solidariedade social, para a Europa ouvir, que a boçalidade consentida de Eduardo Cabrita e a grunhice ignorada de João Galamba dizem o quê e quem ele protege. Bem pode Tiago Brandão Rodrigues, também para a Europa ouvir, proclamar que Portugal “é orgulhosamente conhecido como país que está na vanguarda da inclusão” que, quando já ninguém se lembrar dele, ainda todos estaremos a pagar o custo das suas medidas paroquiais, que criaram um sistema de ensino cada vez menos fermento de espírito crítico e alforge de competências para ler o mundo de forma livre, mas cada vez mais vergado a teorias pedagógicas datadas e às necessidades de um deus-mercado de serviços de baixo valor.
Apregoam-se valores, praticam-se conveniências. A propósito, António Costa poderia estar mais atento à imprensa internacional, antes de dizer que não há capacidade de produção de vacinas. Se as patentes fossem levantadas, há fábricas disponíveis para produzir centenas de milhões. Tem a lista aqui: AP News, 1.3.21 e The Guardian, 24.4.21.

In Público de 12.5.21

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/apregoam-se-valores-praticam-se-conveniencias-santana-castilho/

Violência escolar. Uma via é responsabilizar os pais

 

A “coisa” foi debatida há 12 anos….
Não deixei de ser um “esquerdalho”, como me chamam agora, mas sólido e assumido. Alguns que nem sabem o que são, por ter proposto isto, atiraram-me com suposta incoerência com os ideais de esquerda.
Da mesma forma, não me comovi por ser insultado de “Salazarista” ao propor.
Um ilustre oposicionista de antes de 74 ensinou-me que devo medir as injúrias pela fonte e que, em matérias de punição, não há sistema mais legitimado que uma democracia.

O que li, ontem, sobre uma escola de Ponte de Sôr e, hoje, sobre uma escola da Amadora (espero que, pelo menos, as unhas arrancadas fossem de gel….) fez-me pensar que temos de voltar a estes assuntos e lembrou-me como o debate politiqueiro no parlamento desvirtuou uma abordagem simples:

– se alunos menores fazem disparates nas escolas, não deve haver ação e pressão incisiva junto dos pais?

Para os que me quiserem colar à direita por dizer isto, só respondo: não há ideia mais de esquerda que defender uma escola pública em que todos aprendem em paz e sossego e que, por isso, supera o clima que as envolve em certas ruas ou famílias e eleva o espírito dos que só tenham paz nela.

Educação: Petição pela responsabilização dos pais

Luís S.. Braga

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/violencia-escolar-uma-via-e-responsabilizar-os-pais/

O debate sobre a escola descolou da realidade – Paulo Prudêncio

O debate sobre a escola descolou da realidade

A natureza da escola é a elevação das aprendizagens. Mas à cultura permanente da finalidade, da exigência e da regra, associa-se o afecto, a amizade e o drama. Por isso, a moderação na tomada de decisões é um património inalienável. Até na inovação organizacional. Inovar com consistência implica um sólido conhecimento do que existe e a concretização exige sensatez. Ou seja, equilíbrio e conhecimento são vocábulos decisivos mais ainda quando a Europa assume um modelo social único pautado por valores como a liberdade, a democracia e a igualdade de oportunidades.

Só que o debate sobre a escola desequilibrou-se e descolou da realidade. Emergiu um mar de radicalidades (da natureza das coisas) que ignorou a existência de salas de aula. Por exemplo, é insensato e desproporcional querer ainda mais dias lectivos para recuperar aprendizagens. Não há dados para o exigir com rigor. E se já éramos um dos países da OCDE com mais dias lectivos, não tarda e seremos o espaço em que alunos e professores mais desesperam por férias com o desconfinamento possível. As desigualdades existiam e foram destapadas pela pandemia. Há muito que se sabe que o elevador social se desenha num universo em que a escola é apenas uma pequena galáxia; e com uma irrefutabilidade: o aumento da escolaridade é directamente proporcional à redução da pobreza.

E convenhamos: muito se realizou para garantir aprendizagens durante a pandemia. Os governantes é que oscilaram nos extremos. Rapidamente passaram do marciano sucesso da escola do século XXI no primeiro confinamento para o falhanço nos seguintes (palavras recentes do ministro do sector). É um marketing político descolado da realidade. Não é saudável. Importa recuperar a pedagogia e o equilíbrio. A arte de ensinar e aprender parte sempre daí. Para além de tudo, existe um elenco prioritário por resolver.

Por exemplo, impressiona a discussão sobre a produtividade dos professores. Como se sabe, um professor lecciona menos aulas à medida que a idade avança. É justo. Pois o debate institucional esgota-se, e por incrível que pareça, na designação dessas horas de redução omitindo o essencial que é o que se relaciona com as salas de aula: turmas numerosas, inclusão para todos (alunos, professores e outros profissionais), carga burocrática associada ao exercício, princípios pedagógicos dos horários escolares (onde nem a grave supressão do tempo de intervalos é matéria discutível) e atrasos civilizacionais e pedagógicos como quadros de mérito a partir dos 10 anos de idade (ou antes disso) e obrigatoriedade da publicitação antecipada do calendário de testes nas diversas disciplinas que é, para além de tudo, uma nefasta mensagem de “só se estudar para os testes”.

 Ainda neste domínio, é inaceitável que se teime em manter esta avaliação de professores. Assim, não se reequilibra uma contradição dilacerante da atmosfera escolar. O que existe é demasiado insensato, injusto e antipedagógico. Aliás, a própria ministra Maria de Lurdes Rodrigues (a face do processo) recusou-se a ser avaliada neste modelo uns anos depois (Expresso, 16/12/2016). Argumentou com “um processo burocrático que nega a essência da avaliação”. Tinha razão. É evidente a farsa burocrática aplicada com cotas e vagas e com um elenco interminável de arbitrariedades e injustiças.

E a inacção governativa não se pode escudar na municipalização que aí vem. Não é equilibrado deixar estas mudanças a 308 mini-ministérios da Educação num país com esta dimensão e que já é uma babilónia na organização territorial. Bem se sabe que temos o bom exemplo dos Açores que nunca aplicou esta avaliação dos professores e muito menos o modelo autocrático de gestão das escolas. Mas o que já se conhece em muitos municípios é preocupante.

 Acima de tudo, estas políticas desequilibradas resultaram na inequívoca falta estrutural de professores. É grave. Percebe-se que a inércia se instala porque as escolas abrem sempre em Setembro. Com horários e constituição de turmas todas abrem. Não há memória do contrário. Até nos sítios menos favorecidos do planeta. É como um sol que nasce para todos e só brilha para uns quantos. O marketing político excessivo até se torna caricato ao celebrar o acontecimento (ou a comemorar resultados em testes internacionais). É que, e como já se provou, a inacção, e a insistência num debate descolado da realidade, dissolve no ar a mais sólida das certezas.

Público

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/o-debate-sobre-a-escola-descolou-da-realidade-paulo-prudencio/

Jovens arrancam unhas a colega na sala de aula em escola da Amadora

A violência nas escolas está de volta. O Tiago só fala de futebol e a comunidade escolar que se desenrasque…

 

Jovens arrancam unhas a colega na sala de aula em escola da Amadora

Uma rapariga de 18 anos, aluna de um curso de profissional da Escola Seomara da Costa Primo, na Amadora, foi espancada numa sala de aulas por colegas. A vítima viu algumas unhas arrancadas “a sangue frio” e recebeu tratamento hospitalar. A direção do agrupamento fala num desentendimento entre a vítima e uma colega, referindo que esta última já está suspensa.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/jovens-arrancam-unhas-a-colega-na-sala-de-aula-em-escola-da-amadora/

A segunda dose…

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/a-segunda-dose/

Norma 2/JNE/2021

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/norma-2-jne-2021/

O comentário do Tiago será ouvido amanhã? Medidas? ZERO

 

Há uns tempos houve uma arruaça à porta de um estádio. Uma pessoa agrediu outra sendo o acontecimento filmado. Assunto grave, mas visível, o ativo ministro do desporto veio comentá-lo.
Sendo o mesmo ministro que, mesmo nulo, tutela a educação, que virá dizer de uma notícia que inclui, entre outras, referências a tráfico de droga, uso de armas brancas, agressões, e até violação ou coação a funcionários ou alunos em instalações sobre a sua tutela ?
Luís S. Braga

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/o-comentario-do-tiago-sera-ouvido-amanha-medidas-zero/

Mobilidade de pessoal não docente

 

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/mobilidade-de-pessoal-nao-docente/

“Somos autênticos fantoches que andam ali” Tentativas de violação, alunos com navalhas e agressões em Escola

 

Na Escola Secundária de Ponte de Sor, o fosso existente entre os membros da comunidade escolar parece não parar de crescer. Os estudantes sentem-se ameaçados, os professores impotentes, os encarregados de educação revoltados e a associação de pais critica a falta de comunicação com a direção.

Secundária de Ponte de Sor. Tentativa de violação, alunos com navalhas e agressões a estudantes

Numa região de transição entre o Norte e o Sul, encontra-se Ponte de Sor. A cidade que está a aproximadamente 62 quilómetros de Portalegre, pertencendo ao distrito homónimo, já esteve nas bocas do mundo pelas mais variadas razões. No entanto, é o clima vivido na escola secundária do agrupamento que mais preocupa os encarregados de educação – que temem a frequência do estabelecimento por parte dos filhos, os alunos – que revelam não aprender nas condições ideais e os professores – que dizem ter medo de dar aulas. No entanto, o diretor do Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor, Manuel Andrade, garante que a escola tem “problemas e dificuldades como todas as escolas têm”.

“Os professores perderam completamente a autoridade”

Jorge (nome fictício) é pai de Santiago (nome fictício), um adolescente de 17 anos, e assevera que quem destabiliza o ambiente da escola são “indivíduos que gritam, fazem aquilo que querem e os auxiliares de educação têm medo”. Segundo o encarregado de educação, estes alunos “estão habituados à impunidade” e tal leva a que “muitas coisas fiquem abafadas e não sejam comunicadas às autoridades”.

O progenitor avança que tem conhecimento de que os professores se queixam à direção e nada acontece, sendo que “perderam completamente a autoridade naquela escola”. A título de exemplo, um dos docentes já terá sido rodeado por um grupo de estudantes que queriam agredi-lo. Para Jorge, “a escola tem de ser um lugar seguro” e tal não se verifica na Escola Secundária de Ponte de Sor, onde “há alcoolismo e consumo de estupefacientes”. Mas, como “as escolas vivem de estatísticas e os professores até são obrigados a passar os alunos de ano”, as crianças e os jovens problemáticos continuam a ter os mesmos comportamentos.

Numa missiva de 23 páginas enviada ao i, Manuel Andrade, presidente do Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor, começa por esclarecer que “no que diz respeito a estupefacientes é de referir que o Agrupamento tem procedimentos articulados com os elementos da Escola Segura”, adicionando que “neste domínio sempre que tal se justifica são interpelados alguns alunos e realizadas ações de sensibilização e dissuasão com a presença de brigadas da GNR com cães”, sendo que “até este momento não foi detetada a presença de nenhuma substância”.

Porém, confirma a existência de “influências e interações que se estabelecem à volta das escolas, onde circulam adolescentes”. Por outro lado, o tenente-coronel João Fonseca, chefe da divisão de comunicação e relações públicas da GNR, explicita que “relativamente a situações relacionadas com o tráfico de produtos estupefacientes e/ou posse de armas”, as secções de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário (SPC) e os militares do posto territorial de Ponte de Sor “têm incidido o seu policiamento junto à escola bem como nas suas imediações, principalmente nos horários dos intervalos letivos, tendo sido remetidas ao Ministério Público as denúncias referentes a este tipo de situações de que a Guarda tem conhecimento”.

“O facilitismo é o aspeto mais gritante. Aqueles que estudam e se portam bem olham para os pares que fazem o inverso e veem que não há consequências. Sentem-se desiludidos e desvalorizados, assim como indignados”, denuncia Jorge, que encara este panorama como “desgastante para os estudantes que se portam como deve ser”. “Estamos a criar pessoas irresponsáveis que, quando iniciarem a sua vida profissional, vão acabar por estar habituadas a ouvir ‘Sim’ a tudo e uma das grandes preocupações que tenho, enquanto pai, é que a palavra ‘Não’ deve ser ouvida”, confessa, rematando que “se calhar o Ministério da Educação não exerce o seu poder”.

“Há pessoas a entrar no mundo do crime enquanto deviam estar a estudar. A educação deve combater a escalada da criminalidade”, declara, admitindo que se sente extremamente assustado e desconfortável por saber “que os alunos andam com navalhas”.

Recorde-se que, a 18 de setembro de 2018, nesta mesma escola, um aluno, de 16 anos, foi esfaqueado por um colega, de 18. À época, o Comando Territorial de Portalegre da GNR elucidou que “o alerta foi dado cerca das 10h30 pouco depois de o aluno ter sido agredido com uma arma branca, uma faca, por um colega mais velho na zona da perna e da nádega”, sendo que a agressão ocorreu “no interior da escola, no decorrer de um intervalo”. A vítima foi assistida no local e depois transportada pelo INEM para o hospital de Abrantes, em Santarém.

“Relativamente ao uso de ‘navalhas’ durante este ano letivo, foi identificada uma aluna com a posse de um pequeno canivete. A escola, na presença desta situação, abriu o respetivo procedimento disciplinar tendo suspendido a aluna”, diz Manuel Andrade, informando que “no decurso do procedimento disciplinar apurou-se que a aluna tinha na sua posse esse objeto a pedido da própria mãe para que esta se defendesse do padrasto se tal fosse necessário”, acrescentando que “neste momento, esta aluna encontra-se institucionalizada numa instituição de acolhimento de crianças e jovens em risco” e assumindo que “para além deste caso não há referência a outros semelhantes”.

Todavia, não é este o panorama que dois professores descrevem ao i. O primeiro, Nuno (nome fictício), revela que “há alunos com uma navalha no bolso e mostram-na a quem quiser ver”, realçando que “quem controla o acesso às escolas tem medo” e “quem poderia fazer algo seria a GNR com uma rusga, mas não o faz”.

Para o docente que, tal como a maioria das fontes entrevistadas para a realização do artigo, não quer que a sua identidade seja revelada por medo de represálias, “os pais não têm o mínimo interesse nestas situações”, pois “são chamados às escolas e não fazem nada” e “uma das mães faz tráfico de droga, bebe, tudo aquilo que a CCPJ devia colmatar”.

“Já verifiquei que existem três ou quatro alunos com navalhas. Já tive alguns que me diziam quem assaltava casas e carros e como o faziam. Um deles foi apanhado em flagrante porque ia roubar a pistola de um GNR que estava dentro de um carro”, conta Pedro (nome fictício), outro docente.

O i contactou a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CPCJ), que reencaminhou o pedido de contacto à CPCJ de Ponte de Sor. Contudo, até à data de fecho desta edição, o i não obteve qualquer resposta.

“Os pais e encarregados de educação devem ter um papel sensibilizador junto dos alunos para estas problemáticas”, assim como a Associação de Pais que “deveria sensibilizar os encarregados de educação para que estas situações se evitassem”, explica Manuel Andrade, adiantando que, a seu ver, “se algumas destas situações acontecem é porque algo na educação dos alunos falhou ou está a falhar antes da escola”.

Tentativa de violação de uma aluna

“Num dia em que faltei, disseram-me que um deles tentou violar uma rapariga. No primeiro dia, falou-se disso e depois, nunca mais se tocou no assunto”, lembra Santiago, filho de Jorge, enquanto Sara (nome fictício), também estudante da escola, frisa que “uns três rapazes começaram a apalpá-la, tinham os genitais de fora”. Os professores dizem ter ouvido rumores, mas não confirmam a concretização do alegado crime no interior da escola.

“Eu não faço a mínima ideia daquilo que está a acontecer, de nenhuma situação menos regular. As situações de violação e porte de armas estão reportadas à GNR, à CCPJ, à Câmara Municipal e ao Ministério Público. Segundo sei, está uma investigação em curso. Também estão a decorrer processos tutelares e disciplinares educativos”, afirma, por sua vez, Raquel Freitas, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor.

Confrontado com esta informação, Manuel Andrade declara que “é importante esclarecer que, depois de apurados os factos que estiveram na origem desta situação, conclui-se que o que estava em causa era uma suposta brincadeira entre um pequeno grupo de alunos que, no corredor da escola, se desafiam no sentido de saber quem era capaz de puxar as calças / fato de treino para baixo aos colegas”, sendo que “numa dessas situações foram puxadas as calças a uma aluna”, “não tendo havido nada mais do que esta situação”.

Ainda assim, deixa claro que a estudante em causa comunicou aquilo que aconteceu à direção da escola e foram tomadas “as devidas medidas”. “Reitero que foi apenas isto que aconteceu, não tendo resultado daqui nenhuma outra situação mais grave. Depois deste episódio que aconteceu em novembro, não temos conhecimento de mais nenhuma situação semelhante. Para além dos assistentes operacionais que estão permanentemente de serviço aos blocos onde decorrem as aulas, foi mobilizado um Assistente Operacional que circula no meio dos alunos enquanto está a decorrer o intervalo”, deslinda, opondo-se ao tenente-coronel João Fonseca que, ao i, expõe que “a Guarda Nacional Republicana confirma o registo de uma denúncia relativa a uma tentativa de violação a uma aluna da Escola Secundária de Ponte de Sor”, finalizando que “foram efetuadas as diligências policiais necessárias, tendo os factos sido remetidos para o Ministério Público”.

Mas os supostos crimes não ficam por aqui. De acordo com Santiago, alguns alunos mandavam mensagens à sua namorada e pediu-lhes que parassem. “Entretanto, não me disseram mais nada, mas se ela for sozinha para a escola, mandam bocas e assobiam”, lamenta, criticando também o facto de que, no início do ano letivo, uma rapariga terá sido “apalpada por um deles e pediu que parassem”, enquanto outra aluna terá sido agredida. “Se eu pudesse, sem qualquer dúvida, mudaria de escola”, evidencia.

“São tantas coisas que é difícil contar. As miúdas são apalpadas e violentadas nos corredores e ninguém faz nada. Há situações que, todos os dias, acabam por nos desgastar. A direção aconselha-nos a que aguentemos e isso parece-nos ridículo”, desabafa Mariana (nome fictício), encarregada de educação de Sara, jovem que partilha a crença de que “toda a gente tem medo”, na medida em que “é uma escola que tinha tudo para dar certo”, mas os estudantes sentem-se amedrontados por um grupo de alunos que dominam o sistema escolar. “Sou assediada constantemente. Não tenho muito como me defender. Quanto mais conversa damos, mais sarilhos há”, clarifica.

“A associação de pais devia ser um parceiro da escola”

Raquel Freitas não sabe se o clima de medo ainda está instaurado na escola, contudo, no início do ano letivo que está em vigor, o mesmo existia quer na instituição quer nas suas imediações. “A maioria dos pais reporta as situações à escola e não às entidades competentes. Houve um conselho de segurança, promovido pelo município, onde as várias entidades presentes apresentaram propostas de solução e sei que a Escola Segura tem uma presença mais habitual nas imediações”, aclara, indo ao encontro das declarações, neste âmbito, de Manuel Andrade e do porta-voz da GNR.

“Ao nível da escola, para além de processos disciplinares, não tenho conhecimento de mais nada. Quando a associação de pais coloca questões à direção do agrupamento obtém respostas. Há situações que me chegaram por portas travessas, porque os pais falam uns com os outros”, desvenda a dirigente, especificando que aqueles que serão jovens delinquentes “estão identificados, têm determinadas problemáticas, são seguidos, a maioria chega a processo tutelar educativo e a escola tenta tomar medidas”, mas existe um impedimento.

Quando a CCPJ tenta atuar, “as famílias não dão autorização para prosseguir e os casos vão para tribunal” e, “a partir daí, entra em segredo de justiça”. Na ótica da advogada de profissão, “as atitudes mais violentas alastram a outros alunos para além destes identificados pela escola” e, por esta e outras razões, “a associação de pais devia ser um parceiro da escola, uma ponte entre escola e encarregados de educação, mas não está a acontecer isso nem de uma parte nem de outra”.

“Entendo que estas matérias são sensíveis para serem usadas como arremesso ou como qualquer motivação política num ano que vai ser marcado por disputas ao nível das eleições autárquicas”, continua Manuel Andrade, aludindo à ligação do marido de Raquel Freitas ao PSD.

“Estas situações já foram apresentadas algumas vezes pela Senhora Presidente da Associação de pais, no entanto nunca foram apresentados nomes de pessoas envolvidas nestas situações. Qualquer entidade envolvida no processo educativo tem a responsabilidade de indicar de forma clara o nome das pessoas envolvidas nesses possíveis consumos ou tráficos”, sublinha o diretor para quem o ambiente da escola “globalmente é tranquilo, possibilitando que cumpra a missão educativa que tem prevista”, apesar de existirem “alguns problemas pontuais que surgem entre os alunos”.

Neste contexto, dá ênfase ao facto deste ser o único agrupamento de escolas da região e, por isso, receber alunos das mais variadas classes sociais e etnias, “todos os que aqui residem” e tal “pode significar que neste universo de cerca de 900 alunos possa haver alguns casos mais problemáticos para os quais são necessárias medidas adequadas e enquadradas nas nossas ações TEIP”, isto é, o Programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária.

De acordo com informação disponibilizada no site oficial da Direção-Geral da Educação, o programa anteriormente mencionado trata-se de “uma iniciativa governamental, implementada atualmente em 136 agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas que se localizam em territórios economica e socialmente desfavorecidos, marcados pela pobreza e exclusão social, onde a violência, a indisciplina, o abandono e o insucesso escolar mais se manifestam” e, assim, são “objetivos centrais do programa a prevenção e redução do abandono escolar precoce e do absentismo, a redução da indisciplina e a promoção do sucesso educativo de todos os alunos”.

“No sentido de garantir as melhores condições para o funcionamento das atividades letivas nas escolas deste agrupamento”, segundo Manuel Andrade, terão sido contratados “os recursos que parecem mais adequados para dar resposta a estas solicitações”, ou seja, uma psicóloga, uma técnica de intervenção local, uma animadora sociocultural e uma educadora.

“Penso que a intervenção destas técnicas tem sido muito positiva no sentido de ajudar a resolver alguns problemas de aprendizagem e de comportamento de alguns alunos que se nos revelam mais problemáticos”, manifesta.

“A GNR é chamada e não faz nada”

Questionada pelo i acerca do panorama geral vivido na escola secundária, a GNR não esconde que “tem estado particularmente atenta à situação descrita, havendo alguns jovens devidamente referenciados por ações fora da escola que poderão interferir com a vida escolar, estando a Guarda sempre atenta e a dar resposta às ocorrências de que tem conhecimento relativas à escola”, destacando que “acresce informar que a GNR, no decorrer das ações de sensibilização realizadas pelos militares da SPC, em sala de aula, tem encontrado um ambiente de calma e respeito por parte dos alunos”.

João Fonseca explica que estas ações “visam não só a proatividade junto do estabelecimento de ensino, de forma a aproximar os militares e a comunidade escolar, como também assegurar a coordenação do cumprimento das diretivas e orientações relativas à prevenção criminal, policiamento de proximidade e segurança comunitária, em ações coordenadas de patrulhamento, fiscalização e sensibilização com as patrulhas realizadas pelo posto territorial, de forma flexível, e promovendo assim a visibilidade e segurança pública na área em apreço”.

Santiago e Sara têm uma perspetiva distinta. A cada dia, dizem deparar com “alunos que entram nas salas, andam por lá a dizer asneiras e voltam a sair”. A rapariga confidencia “que a direção devia fazer o seu trabalho, fazer com que estivéssemos seguros numa escola”, até porque “a GNR é chamada e não faz nada”.

“Já assisti a brigas em que os pais e alunos viram-se contra a GNR. Eles não respeitam ninguém. Nunca vejo o diretor da escola presente em nenhuma situação. Cada vez fica pior”, constata a adolescente que segue a mesma linha de pensamento de Santiago. “Estes alunos andam sempre em grupo, intimidam as pessoas, provocam e, se a pessoa responde, combinam entre eles e batem nessa pessoa. Eu tenho um amigo que levou porrada sem mais nem menos. Deram-lhe um murro, virou-se para trás e vieram mais pessoas”, exprime com a aflição patente na voz.

“Os professores têm muito medo, tanto que estes alunos entram nas salas, gritam, e só um ou outro os manda embora. E há um professor que foi chamado de anormal. Se alguém reage, não há ninguém que defenda essa pessoa”, descreve o rapaz.

O drama de quem (tenta) ensina(r)

Nuno dá aulas há vários anos e, ainda que considere que já enfrentou turmas complicadas, alega que este caso é mais perturbador do que os restantes. “Aquilo que eu tenho vindo a verificar é que seis, sete alunos são o terror dentro da escola e põem em causa toda a estabilidade que possa existir e provocam o terror de 900 pessoas. Nas minhas aulas, consigo controlar tudo porque não permito que as coisas tomem proporções graves, mas os comportamentos não são os melhores”, diz o profissional que expulsa das salas quem tem atitudes incorretas.

“Além de estarem sempre sem máscara, respondem mal aos professores e auxiliares, dão surras autênticas a outros alunos e o Conselho Executivo vai usando as ferramentas que tem para tentar resolver a situação”, lastima, transmitindo que em casos extremos, os alunos são suspensos, “mas não há sanções suficientemente fortes que sirvam de exemplo e, por isso, até já bateram num funcionário da CCPJ”.

Segundo o professor, os alunos podem ser colocados na rua e ser-lhes marcada falta disciplinar, sendo que tal é reportado ao diretor de turma que, por sua vez, transmite a informação “à direção se achar que é uma situação que merece essa intervenção”. Posteriormente, é instaurado um processo e, se a direção entender avançar com uma medida sancionatória, poderá ser de até 12 dias de suspensão e chegar ao extremo da proposta da mudança de escola. Porém, “este processo é muito moroso e difícil”, argumenta.

“Quando eles não estão na escola, nota-se uma diferença absolutamente extraordinária. Há certos colegas que perdem a vontade de dar aulas, assumem o seu desagrado e perdem a motivação. Não há volta a dar porque não há qualquer tipo de proteção. Nem que o professor faça o pino consegue que estes alunos se dediquem”, reconhece o docente, revelando que “os rufias são quase todos da mesma família – primos, irmãos, tios, tias, sobrinhos, sobrinhas – e estão todos à espera de fazer 18 anos para conseguirem sair da escola”.

Aliás, alguns deles relataram a Nuno “que não precisam de estudar porque vendem droga” e, no ano passado, uma professora terá sido “quase agredida fisicamente e o caso está em tribunal porque ela fez queixa e acabou por afastar-se do ensino”, declara, compreendendo que a colega não tenha suportado a pressão.

“Os técnicos da CPCJ que podem tomar alguma ação residem aqui e toda a gente sabe onde mora toda a gente nestas aldeias grandes que não são cidades. Em termos de estrutura escolar, a mesma coisa. Portanto, as pessoas tentam passar pelo intervalo dos pingos da chuva para tentarem fazer tudo da mesma forma”, começa por concluir. “Sinto-me aterrorizado. Temos dois mundos dentro de uma escola”, termina.

“Tive conhecimento de uma situação de um aluno que se recusou a vir para a escola, antes do segundo confinamento, por causa da covid-19. Então, os professores tinham de preparar materiais específicos para lhe enviar para que ele não perdesse as matérias. O aluno não quer saber da escola” e, num dos dias do período de isolamento, o rapaz terá ido à escola espancar um colega numa das casas de banho “e saiu como se nada fosse”.

“Não vou dizer que, quando há situações mais de confronto, estou completamente tranquilo. Numa manhã, fui dar aulas e havia um bloco que parecia um manicómio. Estava uma porta trancada e um miúdo bateu nela até se abrir para encontrar outro que lhe tinha feito algo. Está muito difícil”, relata o professor Pedro que acredita “que os confinamentos tenham agravado esta falta de formação de base porque é isso mesmo que falta”, sendo que “certamente que, em casa, com os pais, ainda faziam pior”.

Para combater esta realidade, o docente continua a dar o seu melhor, mas nem isso demove estes alunos. “Não lhes estamos a ensinar nada, é impossível fazê-lo. Tentam replicar os exemplos que têm em casa”, alerta, indicando que, no final do primeiro período deste ano letivo, havia brigas todos os dias. “Há disciplinas em que existem dois professores a dar aula porque há receio de se dar aulas sozinho. Temos de fazer algo para melhorar a nossa realidade porque, qualquer dia, não há professores. Somos autênticos fantoches que andam ali”, avisa.

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/somos-autenticos-fantoches-que-andam-ali-tentativas-de-violacao-alunos-com-navalhas-e-agressoes-em-escola/

Os Equipamentos Tipo II Devem Estar a Chegar às Escolas

Em breve os equipamentos Tipo II estão a chegar às escolas. Estes equipamentos são para alunos do 2.º e 3.º ciclo e têm módulo Hotspot integrado no Portátil.

Mas faz sentido a pouco mais ou menos de 1 mês do final do ano letivo entregar os equipamentos aos alunos do 9.º ano quando terão de o devolver ainda este ano letivo transitando para o 10.º ano para receberem o equipamento Tipo III?

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/os-equipamentos-tipo-ii-devem-estar-a-chegar-as-escolas/

Cessação de Funções na DGAE de César Israel Paulo

Despacho n.º 4708/2021

 

Sumário: Cessação de funções do licenciado César Israel Mendes de Sousa Paulo do cargo de subdiretor-geral da Direção-Geral da Administração Escolar.

1 – Ao abrigo do disposto na alínea i) do n.º 1 do artigo 25.º da Lei n.º 2/2004, de 15 de janeiro, que aprova o estatuto do pessoal dirigente dos serviços e organismos da administração central, regional e local do Estado, na sua redação atual, cessa funções, a requerimento do interessado, o licenciado César Israel Mendes de Sousa Paulo, do cargo de subdiretor-geral da Direção-Geral da Administração Escolar, para o qual foi designado através do Despacho n.º 1545/2021, de 9 de fevereiro.

2 – Cumpre-me expressar público louvor ao licenciado César Israel Mendes de Sousa Paulo pela sua competência, dedicação e lealdade, bem como pelo inexcedível profissionalismo como, enquanto subdiretor-geral da Direção-Geral da Administração Escolar, exerceu essas mesmas funções.

3 – O presente despacho produz efeitos a 31 de março de 2021.

26 de abril de 2021. – A Secretária de Estado da Educação, Inês Pacheco Ramires Ferreira.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/cessacao-de-funcoes-na-dgae-de-cesar-israel-paulo/

Joana Gião, a nova subdiretora da DGAE


Designação, em regime de substituição, da licenciada Joana Maria Cachopas Fialho Gião para exercer, em comissão de serviço, o cargo de subdiretora-geral da Direção-Geral da Administração Escolar

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/joana-giao-a-nova-subdiretora-da-dgae/

A pandemia docente

A pandemia docente


No presente artigo escrevo sobre uma problemática gravíssima e cada vez pior com o avançar galopante da pandemia: a situação dos professores. É imperativo que se desmistifiquem algumas ideias adoptadas pela sociedade em geral mas que, em várias situações, não correspondem minimamente à realidade.

Em primeiro lugar, começo com uma pergunta para o leitor interiorizar: Quantas vezes já se ouviu o chavão de que os professores ganham muito bem e são ricos? Provavelmente muitos dirão “muitas vezes”. A verdade, se procurada com rigor, revela-se completamente antagónica àquilo que é a ideia formatada. Vejamos, raro é o professor que consegue um salário superior aos 1600 euros, isto muito por força da exorbitante carga fiscal. Poder-me-ão responder “mas 1600 euros é muitíssimo”. Tenho a perfeita noção de que os salários em Portugal são, no seu geral, muito baixos, mas considerarmos que um professor que receba esses 1600 euros é rico é, no mínimo, descabido, até porque esse profissional se formou ao nível superior e investiu muito para isso. A somar ao previamente referido, raro é o professor que chegue ao último escalão das progressões. Para que isso aconteça, é necessário, entre outras coisas, que o professor tenha trabalhado sempre sem nenhum ano de interregno.

Para ascender de escalão, o professor necessita de trabalhar sem interregno. Até este desenlace há todo um outro caminho muito desconhecido a ser percorrido: o percurso cheio de obstáculos até à efectivação. Até que isto se concretize, muitos estão susceptíveis a serem colocados completamente fora do quadro de zona, aliás, completamente fora dos máximos humanamente aceitáveis, com a existência de casos de colocações a mais de trezentos quilómetros dos seus lares.

Por outro lado, podendo não parecer, é um ofício deveras desgastante. Muitos dos que aqui estão a ler, decerto serão pais e sabem, melhor que ninguém, que cuidar um filho, por vezes, não é a coisa mais simples do mundo. Com isto, peço que se imaginem com 25 ou 30 crianças juntas numa mesma sala. Por conseguinte, este é um tema que desencadeia problemáticas umas atrás das outras. Imagine-se o que será um professor, com o cenário exposto, cuja idade seja superior a 60 anos. Sim, porque segundos dados da OCDE a média de idades dos professores em Portugal é altíssima, situando-se nos 49 anos e com a agravante de cada vez menos jovens se interessarem pela carreira docente.

Este dado tem a particularidade de ser comparável à nossa economia, pois se na economia batalhamos para não sermos ultrapassados pelo bloco de leste e ex-comunista (URSS), neste caso das médias de idades dos professores acontece justamente o mesmo: estamos a batalhar por não sermos ultrapassados por países como a Bulgária, Lituânia ou a Geórgia, o que revela muito do défice de reformas estruturais a todos os níveis em Portugal, em particular, na instrução (isto porque dispenso chamar-lhe educação, pois, na minha óptica, a educação é transmitida pela família e os ministérios da Educação são as casas de cada um). Dito isto, é necessário que se esclareça que a função de um professor é transmitir conhecimentos e ensinar e não ocupar-se de transmitir educação, que deve ser responsabilidade dos pais. Ainda neste campo, por muito que a jornada de trabalho de um professor oficialmente não seja das maiores, entenda-se que é raro o dia em que não leva trabalho para casa, seja em reuniões, na preparação de aulas (sim, elas são preparadas), entre outras coisas.

Se a pandemia nos mudou e trouxe muita coisa de novo às nossas vidas, a vida de um professor foi das que mais mudou (muitas vezes para pior). Vejamos, os professores tiveram que se reinventar. As aulas online são o exemplo mais vincado. Sem qualquer formação e preparação, muitos (inclusive aqueles com mais dos 60 anos previamente referidos) tiveram que se adaptar à nova e difícil realidade. Em acrescento, e numa altura em que muito se fala em impactos económicos e no fosso, ainda maior, da pobreza, os professores depararam-se com a inexistência de qualquer apoio estatal. Ainda que o Governo tenha, mais uma vez, falhado nas promessas relativas à entrega de computadores, alguns (muito poucos) foram entregues, mas nunca, nunca houve qualquer ajuda para os docentes. Fora a situação (esta já antiga) dos professores contratados, que muitas vezes nem para a segurança social nem para a ADSE podem descontar. Sim, não é nos EUA, é mesmo cá.

Em suma, sem qualquer tipo de objectivo em lançar anátemas, espero ter elucidado um pouco mais para este problema complexo tratado de uma forma assustadoramente simplista. Mil e poucos euros não é nada, meus caros. Para quem gasta metade em combustível ou em rendas para pagar (a situação de alguém, por exemplo, colocado em Lisboa a receber esse montante, mas a perder metade também na renda), essa quantia é irrisória. Peço muito humildemente que se valorize a profissão, arrisco mesmo a dizer, a mais importante. Um professor ensina o diplomata, o médico, o enfermeiro, o engenheiro, o construtor civil, o artista, o mecânico, entre todos os outros. Não os julguem, valorizem.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/a-pandemia-docente-2/

Recentrar o ensino e a aprendizagem

 

Recentrar o ensino e a aprendizagem

Os últimos meses foram pródigos na identificação de problemas e na apresentação de inúmeras soluções, para fazer face às aprendizagens que os alunos portugueses terão perdido ao longo do ano letivo.

Pede-se aos diretores que façam o levantamento das aprendizagens por realizar, aos professores que façam o pino e que ensinem em dois meses o que os alunos não aprenderam durante um ano, e criam-se relatórios, planos, estratégias nacionais. Mas raramente se tem em conta o centro do problema – a aprendizagem – e que este problema só pode ser resolvido por quem está no terreno – os professores.

A comunidade científica, os organismos estatais e os influenciadores  da área da educação teimam em querer apresentar soluções milagrosas, agora com recurso à tecnologia digital e lá aparece uma multiplicidade de ferramentas e respetivas propostas de trabalho que nunca poderão ser bem sucedidas porque os alunos não se identificam com “esse fazer”.

O mundo dos nossos alunos é o mundo do imediatismo, jamais conseguiremos que eles sigam pontinhos numa imagem que abrem textos e powerpoints extensos que não irão ler. Este é o risco da tecnologia pela tecnologia. Subjugar o conteúdo à ferramenta, que, aliás, rapidamente ficará obsoleta. Sejamos francos, os alunos aprendem, se consultarem ou lerem estas propostas?

Os professores têm de recentrar a sua ação para que os alunos dominem quatro competências essenciais:

  • Ler: textos diversificados e em múltiplos formatos, apresentados pelo professor ou encontrados pelos alunos na sequência de uma proposta de trabalho;
  • Interpretar: isto é, fazer inferências sobre o que se leu, pelo que as propostas de atividade devem ser desafiantes (por exemplo, através da metodologia do trabalho de projeto, em que os alunos são confrontados com problemas para os quais têm que encontrar respostas);
  • Escrever: diversificando tipologias de texto para chegar à escrita mais extensiva, como por exemplo mapas mentais, tweets, nuvens de palavras, identificação de palavras chave, …;
  • Comunicar: favorecer uma comunicação adequada ao tempo em que vivemos e em que o som, a imagem e a palavra não vivem isolados. É nesta fase que os alunos poderão criar as tais propostas que vemos circular na Web criadas pelos professores, quando esse é o papel dos alunos.

Para que estas competências contribuam para o sucesso educativo dos alunos é importante que os professores:

– Promovam práticas de metacognição, que levem os alunos a refletir sobre o seu percurso de aprendizagem – as dificuldades encontradas, a forma de as superar e as aprendizagens realizadas.

– Favoreçam a aprendizagem social, pois, ao promoverem o trabalho colaborativo entre os alunos, tal como defende Vygotsky (Zona de Desenvolvimento Proximal),  este tipo de trabalho permite-lhes compreender, reconhecer erros, encontrar respostas, aceitar pontos de vista, discutir ideias, comunicar.

– Apontem caminhos para que os alunos possam transferir o conhecimento adquirido para novos contextos, condição essencial para que se criem verdadeiras aprendizagens. Só assim, de acordo com a teoria da aprendizagem, os alunos alcançam maturidade intelectual.

Uma nota final. A emergência das metodologias ativas tem como foco o trabalho do aluno, isto é, que seja ele a construir a sua própria aprendizagem. O professor não implementa uma metodologia ativa quando cria um recurso que apenas passa pela leitura ou consulta do aluno, por muito digital que seja este recurso. O foco continua a estar no professor e não no aluno.

Recentremo-nos naquilo que interessa. A aprendizagem.

Biblio Tubers

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/recentrar-o-ensino-e-a-aprendizagem/

O professor é um cidadão normal?

 

O professor é um cidadão normal?

Muitas vezes nos esquecemos do ser humano que está por detrás do professor. Do ser humano que está por detrás daquele profissional que tudo faz para desempenhar, da melhor forma, o seu papel. Faz porque tem consciência da importância do trabalho que desempenha em prol das gerações vindouras. Faz porque tem consciência de que o futuro do seu país está nas suas mãos. Faz porque sabe que contribui para a evolução deste país, se criarmos nas nossas crianças e nos nossos jovens a capacidade de pensarem o seu país, de tomarem decisões certas para bem de todos, de participarem na vida deste país. Tudo isto para além do seu papel original de construir conhecimento com os seus alunos.

Sim, o professor é essencial e fundamental para a construção da sociedade, para contribuir para a mobilidade social, para promover o pensamento crítico, para ensinar a aplicar conhecimentos em novas situações. Sim, o professor exerce um trabalho nobre e de muita responsabilidade. Mas não obrigado, eu não quero ser professor quando for grande! O trabalho é mal remunerado, o docente é sistematicamente confrontado nas suas competências, é desvalorizado pela sociedade . Então quem vai fazer o trabalho dos professores? Quem vai orientar os sistemas educativos para contribuir para o desenvolvimento de valores e de competências nos alunos que lhes permitam responder aos desafios complexos deste século e fazer face às imprevisibilidades resultantes da evolução do conhecimento e da tecnologia?

A presente realidade coloca desafios novos à educação. O conhecimento científico e tecnológico evolui a um ritmo de tal forma acelerado, que somos confrontados diariamente com um crescimento elevadíssimo de informação, a uma escala global. As questões relacionadas com identidade e segurança, sustentabilidade, inovação e criatividade estão no centro da vida das pessoas. As ligações entre o indivíduo e a sociedade colocam à educação e aos professores múltiplos desafios que suscitam diversas questões.

Os professores, confrontados com uma realidade atípica, vestem capas de super-heróis e todos os dias saltam para fora da caixa, erguendo o olhar para os seus alunos e desenhando, em conjunto, inúmeras estratégias de superação. Convictos da missão heroica de que ninguém fica para trás, trabalham todos os dias, em prol de uma educação que consiga chegar, de forma eficaz, a todos os alunos.

Apesar da educação neste país aparentar ser um ato isolado da classe docente, é imprescindível que haja uma estrutura social e política que mantenha a valorização e reconhecimento da profissão. Começando pelas decisões tomadas pelos nossos governantes, que, para além de terem de assegurar o justo investimento financeiro na educação, têm o dever de criar todas as condições que possibilitem uma carreira docente específica, tendo em conta todas as características do serviço docente, e com uma remuneração adequada. Uma carreira sem desigualdades ao nível da progressão, onde tem de haver a garantia de uma evolução que corresponda ao real desempenho profissional. Uma carreira sem desgaste devido ao sobretrabalho. Uma carreira em que o acesso não demore décadas, levando à desmotivação e desistência de quem sonhava construir uma vida estável sendo professor. Uma carreira com uma aposentação a tempo de permitir uma saída digna e com saúde.

Por mais que se veja o professor como um profissional multifacetado e diferenciado, nunca devemos esquecer que é um cidadão normal!

Beatriz Calafate

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/o-professor-e-um-cidadao-normal/

A fantasia da Inclusão…. Luís S. Braga

 

(Agora a questionar a sério e não a falar de vanguardas sebastiânicas e cómicas, se a cegueira politiqueira não fosse trágica).

Parece-me que o problema do sucesso educativo (e note-se que disse EDUCATIVO e não ESCOLAR) está a ser mal abordado todos os dias.
As fantasias, hoje instituídas, da inclusão do papelório e da linguagem cheia de perífrases burocráticas centram-se demasiado na escola e na suposta motivação, que esta tem de gerar por iniciativa dos professores, e esquecem, quase totalmente, as condicionantes sociais prévias da origem e família dos alunos e os meios e recursos de agir nelas.
Quantas medidas, universais ou paroquiais, apoios de todas as siglas, adaptações e currículos, avaliações psicológicas, etc, seriam poupadas, para serem gastas com intensidade onde faz falta, se houvesse ação social efetiva e acompanhamento familiar e doméstico?

Falar com um pai ou mãe para o convencer a acompanhar mais em casa e gerir o tempo de estudo e ser firme a mandar estudar não dá para se vir propagandear ser “vanguardista”. Até é muito conservador e reaccionário. Não é giro e “Psico-pedagógico”.
É do domínio simples do concreto e não dos domínios, ou âmbitos, de abstracções com palavras complexas.

Mas, desde o tempo dos escribas egípcios, que quem não estuda, não aprende (talvez até seja assim desde a pré-história).
E pode não estudar por não ter condições em casa, ser pobre, viver no meio de conflitos e outras dificuldades e por muitas outras razões, que nada têm a ver com a natureza pessoal do aluno e “as suas dificuldades” ou não se geram na escola.

Sem resolver essas razões, nada feito. E podem enterrar-nos em papéis e por-nos a fazer relatórios 8 horas por dia.

O caso dos alunos estrangeiros é ainda mais chocante.
Que sentido faz preencher papéis e papéis da “inclusiva” e não ter horas específicas para individualmente ensinar português?
Mas é só um exemplo de muitos dos disparates que se andam a promover por conta do irrealismo fantasista da “vanguarda” inclusiva.
Sobrecarregar a escola de papéis, processos e culpa por “não se adaptar”, arranja um bode expiatório para o mau governo da sociedade, para exibir à mesma sociedade, a qual não gosta de professores.

Realmente, vista com os pés no chão, essa “vanguarda” é demagogia bacoca e agrava o problema do sucesso educativo real. Que há de ser medido ao longo da vida dos alunos e por eles próprios. Quando já ninguém quiser saber dos disparates que Brandão regurgita, ainda se há-de pagar o preço da sua política “vanguardista”.

A relação escola sociedade precisa de uma reforma e, talvez, rever a alucinada legislação, crismada de inclusiva, seja a maior urgência.
Mas sem cair numa politiquice de oposição das supostas “vias” Crato/Brandão. Foi isso que nos trouxe até este ponto.

Entreguem isso a quem sabe…..gente que, nos últimos 10 anos, tenha dado uns 5 de aulas no nível de ensino que vai afetar. Os que estão nessa categoria percebem porque digo isto.
E que não sejam só propagandistas das “modas inclusivas” que fazem coro sobre o que lhes dá jeito.

Ou acham moralmente correto e bom para o país que um diretor de turma tenha de escolher entre gastar os 100 a 200 minutos semanais da função, a preencher papéis sobre o que deixa de ensinar, em vez de falar com pais e alunos sobre como estes podem aprender mais?
Faria sentido deixar de operar ou vacinar para escrever relatórios sobre a costura das cirurgias ou sobre a opinião dos utentes sobre serem picados?

PS: escrevi isto sob a influência da notícia, de hoje, do pai, motorista do metro de Almada, que levou a filha para o trabalho, por não ter quem tomasse conta dela e foi despedido, por ter ficado em casa a acompanhá-la (despedimento que o Supremo decidiu não ter justa causa).
Li isso numa pausa de corrigir testes. Alguns adaptados. De que serve adaptar ou reduzir dificuldade nos casos em que o estudo é zero? E não me venham com a conversa da motivação dos alunos….alguns deles são órfãos de pais vivos.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/a-fantasia-da-inclusao-luis-s-braga/

A extinção do diretor-dinossauro

Está-se a aproximar a hora do meteorito, os dinossauros perecerão em breve.

Não é invulgar encontrarmos diretores de agrupamentos de escola do tempo da outra senhora, antes da entrada e vigor dos 75/2008 por esse país fora. Diretores que se esqueceram como ser professores por falta de prática. Vinte, trinta anos há frente de uma escola deixaram-nos desfasados no tempo sobre a evolução que veio acontecendo em sala de aula.

Há concelhos em que os diretores-dinossauros se não eram a totalidade, seriam a maior parte. Agarrados ao poder foram-se mantendo, através de jogos internos e externos, no poleiro.

Os últimos estão de saída.

Concelhos com vários agrupamentos de escola, em que esses diretores permanecem no cargo há mais de vinte anos, veem agora a possibilidade de mudança, ou não. Podemos vir a assistir a uma dança de cadeiras dentro da própria direção Por mais que eu ouça alguns manifestarem a vontade de voltar a uma sala de aula até à idade da reforma, entende-se que eles não o queiram realmente fazer. Pelo bem dos alunos não deveriam…

A mudança está aí. Cabe á comunidade escolar, através do seu conselho geral exigir mudanças credíveis e não apenas de papel de parede. Os novos diretores nunca deverão ter em hipótese de se perpetuarem no tempo como tal .

A escola está em mudança e tal como ela os pequenos decisores deverão ser substituídos como as fraldas.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/a-extincao-do-diretor-dinossauro/

Petição Pelo Direito á Mobilidade dos Técnicos Superiores!

Porque os Técnicos Superiores trabalham lado a lado com os professores…

Para o direito à Mobilidade dos Técnicos Superiores do Ministério da Educação

ASSINAR PETIÇÃO

Os Técnicos Superiores (trabalhadores e trabalhadoras) das Escolas, vinculados através do PREVPAP – Programa de Regularização Extraordinária de Vínculos Precários da Administração Pública, pedem o direito à Mobilidade!
Vários pedidos têm sido negados pelo Ministério da Educação. Outros foram autorizados. Não há critérios declaradamente definidos e uniformizados. O Ministério da Educação não autoriza a abertura de vagas para a substituição destes Técnicos nas escolas de origem.
A não autorização dos pedidos de Mobilidade acarreta penosas consequências para grande parte destes Técnicos, que ficaram vinculados a centenas de quilómetros da sua residência/agregado familiar e, por isso: impedidos de prestar apoio e cuidados a terceiros dependentes (filhos menores e/ou outros familiares); com prejuízos sérios para a saúde do/da trabalhador/a com doenças próprias e/ou de familiares diretos, descendentes ou ascendentes; com gastos acrescidos consideráveis para garantir as deslocações entre a residência e o local de trabalho e/ou segunda habitação. Evidentemente que, desta forma, haverá prejuízos na produtividade destes Técnicos e consequentemente a perda da excelente qualidade dos serviços prestados à comunidade. A recusa da mobilidade, nestas situações, tem resultado numa violação clara dos direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa.

Face ao referido, pretende-se:

? Que seja aplicada, de forma efetiva, a mobilidade do/a trabalhador/a quando há concordância entre entidade e trabalhador/a, e que a escola de origem tenha direito à substituição do/a trabalhador/a, mobilizando os instrumentos de recrutamento de pessoal, designadamente a Mobilidade, a Permuta e/ou o Procedimento Concursal, como instrumentos de gestão e planeamento de recursos humanos, de acordo com a legislação em vigor.
? Que as vagas criadas, permanentes ou temporárias, venham a ser publicadas e disponibilizadas numa Bolsa de Mobilidade, à qual os técnicos superiores com vínculo à Função Pública possam concorrer, com critérios de prioridade, face à experiência anterior na função e/ou local, à proximidade à área de residência, entre outros, tendo em conta o exposto nos n.º 3 do art.º 28º e nos n.º 3, 4 e 10 do art.º 30 da Lei n.º 35/2014 (Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas).

Acima de tudo, pretende-se criar um sistema de mobilidade justo, transparente e exequível, pautado por critérios de transparência e justiça.
Grupo de Técnicos Superiores vinculados ao Ministério da Educação

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/peticao-pelo-direito-a-mobilidade-dos-tecnicos-superiores/

Professores aposentados não reforçarão o 1.º Ciclo

Se fosse para continuar no ativo, não se aposentariam.

Com a idade de reforma nos 66 anos e muitos meses, o cansaço não convida a regressar a uma profissão onde foram maltratados quando mais necessitavam de não o ser.

É uma ideia para encher páginas de jornais. A acontecer seriam tão poucos não não teriam qualquer efeito prático.

Quanto aos finalistas, a história seria outra. Mas será que as condições seriam aceites? Eles já sabem que vão andar por seca e meca, mas não o farão por tuta e meia…

Aposentados e finalistas podem reforçar o 1.º ciclo

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/professores-aposentados-nao-reforcarao-o-1-o-ciclo/

Um milhão para comes e bebes e tu congelado no escalão

‎Para festas há dinheiro. Para repor os docentes “entalados” pela ADD nos 4º e 6º escalões, a conversa é a da Joaquina…

Fatura de um milhão de euros para festa da Cimeira Social

São dezenas de contratos, tudo por ajuste direto, para o fornecimento de máscaras, comes e bebes, automóveis e carpetes.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/um-milhao-para-comes-e-bebes-e-tu-congelado-no-escalao/

O Último da Lista do 110 Foi Hoje Colocado

Se dúvidas houvesse sobre a falta de professores nas listas de candidatos às necessidades transitórias elas ficaram hoje desfeitas porque pela primeira vez, desde que tenha conhecimento, o último candidato da enorme lista do grupo 110 – 1.º Ciclo foi hoje colocado em horário Completo e Temporário no Agrupamento de Escolas Braamcamp Freire (Concelho de Odivelas).

 

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/o-ultimo-da-lista-do-110-foi-hoje-colocado/

Lista Colorida – RR28

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR28.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/lista-colorida-rr28-4/

197 Contratados colocados na RR28

Foram colocados 197 contratados na Reserva de Recrutamento 28, distribuídos de acordo com a seguinte tabela:

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/197-contratados-colocados-na-rr28/

Aprovadas Resoluções Sobre Concursos

Foram aprovadas duas resoluções sobre concursos de professores que isola mais uma vez o PS nas votações finais.

O governo tem agora duas opções: ignorar a recomendação aprovada por todos os partidos da oposição ou manter a sua posição e ganhar mais uma guerra com os professores.

 

A resolução traduz-se no seguinte:

Recomenda ao Governo a realização de um concurso de professores que responda às necessidades de pessoal docente nas escolas

A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar
ao Governo que:

1. Inicie negociação coletiva para a revisão do regime dos concursos para educadores de infância e professores dos ensinos básico e secundário.
2. Sem prejuízo do enquadramento legal previsto no regime de recrutamento e mobilidade do pessoal docente dos ensinos básico e secundário e de formadores e técnicos especializados, proceda às alterações indispensáveis no concurso externo de forma a permitir que todos os docentes não vinculados no concurso de educadores de infância e de professores do ensino básico e secundário possam ser opositores em todas as fases subsequentes e celebrar contratos durante o ano letivo 2021/2022.
3. Proceda às alterações indispensáveis no concurso de mobilidade interna que permita, com efeitos ainda no ano letivo 2021/2022, que as colocações se façam em horários completos e incompletos, respeitando a graduação profissional dos docentes opositores ao concurso

 

VOTAÇÃO FINAL GLOBAL

Texto Final apresentado pela Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto relativo aos Projetos de Resolução n.ºs 1114/XIV/2.ª (BE) – Pela realização de concursos que preencham as necessidades das escolas e não excluam professores; e 1122/XIV/2.ª (PSD) – Pela realização de um concurso de professores que melhor responda às necessidades de pessoal docente nas escolas;

Aprovado

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/aprovadas-resolucoes-sobre-concursos/

Estava a Ler

… a votação por unanimidade da resolução do PRIMEIRO Orçamento Suplementar da Assembleia da República para 2021.

A previsão inicial do orçamento era de 160 811 902,45 e com este novo orçamento passa para 172 906 548,35. São mais 12 094 645,90€ que daria para eliminar as quotas nas vagas de acesso ao 5.º e 7.º escalão durante uns 5 anos seguidos.

 

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/estava-a-ler/

Divindades no processo de avaliação dos professores

Recordo, com muita saudade, a forma como olhava os meus professores. Via neles o complemento dos meus pais, na tarefa, nem sempre fácil, de educar uma criança e, depois, um jovem, um e outro sujeitos a todos os desvios comportamentais que resultam dos desafios que a infância e a adolescência nos colocam e, não raras vezes, nos seduzem.
Os meus professores sempre foram os meus ídolos, logo a seguir aos meus pais. Com os meus pais, aprendi a comer, a andar, a falar, a partilhar, a respeitar. Com os meus professores, aprendi a ler, a contar, aprendi um mundo novo e os seus infindáveis segredos. Aprendi a tabuada, a raiz quadrada, a prova dos nove. Aprendi a Batalha de São Mamede. Aprendi a deleitar-me com um bom livro. Apurei o conceito de respeito pelo próximo. Os meus professores souberam premiar-me, quando o meu esforço encontrava eco nos resultados e souberam, também, corrigir-me, quando o desempenho ficava aquém do que eles esperavam.
Da generosidade dos meus professores, recebi os ensinamentos que me têm acompanhado, ao longo da vida, e que fazem de mim um indefectível fã de quem ensina. Os professores são imbatíveis no seu esforço e heróis nos resultados. Sempre acreditei na excelência dos professores. Os meus professores  pareciam pertencer a um mundo perfeito e ambicionavam que os seus alunos pudessem desfrutar dele. Estou grato aos meus professores.
Não há sociedades justas, se o seu sistema de ensino não estiver dotado de professores competentes, motivados e, devidamente, reconhecidos. Os professores merecem um sistema de avaliação transparente e assente no mérito. Sem manhas.
Os professores excelentes geram alunos excelentes. É essa excelência, de hoje, que determinará a qualidade das sociedades vindouras. Não perceber isto é elevar à potência máxima a insensibilidade e, cumulativamente, manifestar uma irresponsabilidade com contornos que podem atingir, irreversivelmente, o coração da sociedade.
Os professores, como o mais comum dos mortais, aspiram a uma carreira digna, sustentada no mérito. A motivação de um professor não pode sair ferida de morte, por via de um sistema de avaliação anacrónico, injusto, autocrático, tendencioso e cuja execução depende de um grupo muito restrito de pessoas, cuja competência não é questionável, até que o seja.
Quem arquitetou o atual sistema de avaliação dos professores conseguiu, deliberadamente ou não, estabelecer um princípio perverso que tende a virar professores contra professores.
O sistema evidencia uma opacidade que não é aceitável numa sociedade moderna.
Desde logo, é importante perceber o critério subjacente à nomeação do avaliador externo. Trata-se de um elemento chave em todo o processo, dado que dele dependem 42 % da nota final do avaliado e, como tal, a sua nomeação deveria obedecer a um processo, integralmente, escrutinado. Daria confiança ao avaliado e contribuiria para a lisura do processo.
 De acordo com o Diploma que regula estas matérias, o avaliador externo deve ser titular de formação em avaliação do desempenho ou supervisão pedagógica ou deter experiência profissional em supervisão pedagógica. Estes requisitos não fazem do avaliador um expert em nada. Apenas o legitimam.
É absurdo que um professor, investido das funções de avaliador externo, por mais competente que seja, influencie, em 42 %, a nota de um docente que nunca viu e, provavelmente, não voltará a ver, senão naqueles dois efémeros momentos de 90 minutos.
Existe uma fronteira muito ténue que separa os descritores dos diferentes níveis de avaliação. Seria aconselhável que o avaliador externo justificasse, com substância, as razões que o levam a utilizar uns descritores, em detrimento de outros e que essa justificação não se limitasse à cópia integral dos próprios descritores utilizados, porque é isso que acontece na esmagadora maioria dos casos que conheço.
Acresce que há os avaliadores externos que vulgarizam a nota máxima (10,00) como manifestação de protesto contra o próprio sistema de avaliação ou como forma mais cómoda de não ter chatices com o avaliado ou, ainda, como outra coisa qualquer que prefiro não concretizar.
Mas há outros avaliadores que afirmam, aos quatro ventos, que não existem professores excelentes e, por isso, não hesitam em materializar, na sua apreciação, aquele preconceito, sujeitando os seus avaliados a um prejuízo absurdo e, quiçá, definitivo.
Depois, há a reunião de articulação – envolvendo os dois avaliadores – interno e externo -, na qual aqueles docentes devem estabelecer uma convergência de opinião que não evidencie uma grande diferença de notas, entre um e o outro. Por alguma razão, a reunião se designa de articulação.
E, depois, há a Secção de Avaliação do Desempenho Docente (SADD) que eu reputo de singular. Tendo, na sua composição, o diretor do Agrupamento e 4 ilustres docentes eleitos, de entre os membros do conselho pedagógico, a SADD , no que concerne ao processo de avaliação dos professores, parece não ultrapassar o que vai além da aprovação da classificação final, harmonizando as propostas dos avaliadores e garantindo a aplicação das percentagens de diferenciação dos desempenhos, como se o acompanhamento e avaliação de todo o processo não fosse, também, uma responsabilidade sua. Comporta-se como uma espécie de Secção de (H)Armonização do Desempenho Docente.
Torna-se crucial que os professores avaliados,  quando sentirem que estão a ser alvo de decisões injustas, não as recebam como definitivas e, muito menos, como resultantes de um processo de decisão imaculado. Compete a cada um dos avaliados analisar, com minúcia, todos os aspetos que concorreram para a decisão final, daquela secção e, se julgarem conveniente, encetar o caminho da contestação que pode estender-se até aos Tribunais.
Seria um contributo inestimável para a transparência do processo que os professores avaliados conhecessem, nominalmente,  todas as menções de mérito concedidas, no universo que lhes pertence.
Não fazê-lo é aumentar, em substância, a  nebulosidade que rodeia um processo que é a chave fundamental da carreira do professor.
Francisco José Pereira Gonçalves,
Entroncamento

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/divindades-no-processo-de-avaliacao-dos-professores/

Ficarão, ainda, 30.000 por vacinar

 

Até ao final desta semana, vão ser vacinados 15 mil professores e funcionários das escolas que tinham ficado por vacinar.

Há mais 30 mil profissionais à espera para receber a primeira dose, o que deve acontecer nas próximas semanas. Mas muitos ainda não foram sequer contactados pelas autoridades de saúde.

A task force confirmou à SIC que não vai agendar um novo fim de semana para a vacinação dos trabalhadores das escolas. Mas garante que todos os elegíveis, que ficaram por vacinar, vão ser chamados.

Até agora já receberam a vacina 243 mil docentes e não docentes do pré-escolar ao ensino secundário.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/ficarao-ainda-30-000-por-vacinar/

Reserva de Recrutamento n.º 28

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 28.ª Reserva de Recrutamento 2020/2021.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira, dia 10 de maio, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 11 de maio de 2021 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 28

Listas – Reserva de recrutamento n.º 28

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/reserva-de-recrutamento-n-o-28-4/

“A degradação do ensino”

“A degradação do ensino”

“Quarta-feira, a minha filha mais velha participou na segunda eliminatória das Olimpíadas da Matemática deste ano, categoria júnior, correspondente ao 6º e 7º ano. Quando chegou a casa, claro, obrigou-me a resolver com ela a prova para poder aquilatar as probabilidades de chegar à final. A prova era interessantíssima (parabéns
aos seus autores), exigindo alguns conhecimentos de Matemática — não muito avançados, diga-se — e bastante destreza de raciocínio. E, mais uma vez, pude confirmar o que já sabia: o ensino atual é bem mais exigente do que era há umas décadas e exige das crianças bem mais do que boa memória.
A excelência do ensino dos nossos pais não passa de um mito. Lembro-me de a minha sogra, para me convencer de que há 60 anos a escola primária era muito exigente, me contar que teve de decorar todas as estações de comboio e todas as minas de Portugal. Em jeito de brincadeira, respondi-lhe que não lhe servia de muito já que as minas e as estações estavam todas fechadas. Confunde-se exigência com dificuldade. Claro que é difícil e chato decorar todas as estações de comboio de Portugal. Mas não tem nada de exigente. Na verdade, é um exercício bastante estúpido.
Esta mitificação do ensino passado é ilustrada na perfeição por uma imagem que andou a ser partilhada nas redes sociais e que reproduzo. Nela sugere-se que o ensino é cada vez mais fácil. Em 1970, pedia-se para calcular a área de um retângulo, com dois cantos cortados. Depois o exercício vai ficando cada vez mais fácil até que, em 2018, pede-se à criança que pinte o retângulo e, em 2022, que faça um desenho com lápis de cera.
O que mais me surpreende é a forma acrítica como esta imagem é partilhada, com tantos a clamarem que no seu tempo é que o ensino era exigente. A única explicação possível é que não têm filhos. Ou, se os têm, não os acompanham na escola. Confesso, são muitas as dúvidas que as minhas filhas têm que não consigo esclarecer. No caso da disciplina de Português, então, já desisti mesmo de tentar perceber. Despacho-as para a mãe, que, por sua vez, as recambia para a irmã (professora de Português).
Mas voltemos à pergunta da imagem. A partilha é tão tonta que nem se apercebem que a primeira pergunta está errada. Não se trata de um retângulo, nem sequer de um polígono, como qualquer criança do terceiro ano saberá. Adicionalmente, nem é particularmente difícil. Uma criança do quarto ano só não saberia responder por não ter ainda aprendido a fórmula da área de um círculo.
Calhou, na altura em que vi esta imagem, estar a estudar com a minha filha do quarto ano o cálculo de áreas. No manual, encontro esta pergunta: “O pomar da avó da Inês tem forma retangular de 2,4 hm de largura e 270 m de comprimento. A avó quer plantar laranjeiras numa área equivalente a 1/5 do seu pomar. Qual é a área, em ares, destinada às laranjeiras?”
É apenas um exemplo, há perguntas mais fáceis e há mais difíceis. Não tem é qualquer correspondência com a caricatura que é feita do ensino atual.
Já agora, nas Olimpíadas de quarta-feira — para alunos com 11 e 12 anos de idade, lembro —, também pediam para calcular uma área. “O retângulo [ABCD] tem área 60 cm2. A área do triângulo [ABE] é um quinto da área de [ABCD] e a área do triângulo [EFC] é um oitavo da área do retângulo. Qual a área do triângulo sombreado?” Se o meu caro leitor não conseguir responder, pode sempre colorir a figura com lápis de cera.
Não vale a pena dar grandes voltas. A escola de hoje tem muitos defeitos e, sei-o bem, muito por onde melhorar. Mas é incomparavelmente melhor do que foi a nossa e a dos nossos pais.”

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/a-degradacao-do-ensino/

Concurso de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/concurso-de-docentes-do-ensino-artistico-especializado-da-musica-e-da-danca-9/

O Estranho caso do recurso da ADD

 

Pela primeira vez foi indicado para árbitro num recurso de uma Avaliação de desempenho. Em grosso modo, uma colega que mal conheço pediu-me para que fosse seu árbitro numa reclamação que fez quando, devido às cotas, lhe atribuíram menção de Muito Bom numa nota que era de Excelente. Até aqui, nada de novo!

Infelizmente todos sabemos que este sistema de avaliação é injusto e pouco dado a questões de mérito, o que não me parece normal é quando podemos de uma forma legal repor alguma justiça em todo o processo preferirmos sempre alinhar com a injustiça para evitar “ondas”.

Muito do que temos hoje deve-se a nós próprios. Este sistema de avaliação de que nos queixamos serve o próprio sistema e os seus soldados. De que serve passarmos os dias a reclamar do sistema se quando podemos ser o grão de areia que emperra a máquina preferimos não o ser?

Refilar sem percebermos que cada um de nós faz parte do sistema não só é um mau princípio como sobretudo é uma visão muito redutora do próprio!

Percebo que nossa tendência natural é sermos autorreferenciais, é humano, tomamos como referência os nossos valores, a nossa visão e perspetiva das “coisas”.

Já não acho tão normal considerar que podemos, porque sim, prejudicar alguém que mal conhecemos colocando em causa o processo de avaliação a que esteve submetida, seja interna, seja externa.

Pauto a minha vida com o lema “e se fosse comigo” e “e se fosse com os meus filhos” e assim consigo “meter-me” no lugar do outro para perceber o impacto das minhas decisões. Só que o que constato é que este comportamento não é assim tão comum como eu imaginava, como disse a cima, talvez esteja a ser demasiado autorreferencial.

Evidentemente há coisas piores na vida que vermo-nos perante a injustiça deste sistema de avaliação, mas também é verdade que todo o processo poderia ser mais justo se cada um de nós fizesse a nossa parte ao invés de colocarmo-nos do lado do sistema que criticamos quando deambulamos pelos corredores da escola.

Quando para este processo fui indicado pensei que seria “Peanuts”. Temos uma colega com nota quantitativa equivalente a uma menção de Excelente e apenas não a teve porque no Agrupamento de Escolas onde leciona não há cotas, uma questão de sorte, direi eu, uma fatalidade do sistema dirão outros.

A partir do momento que um caso destes me chega à mão, na minha perspetiva é a ocasião ideal para, seguindo os contornos da lei, mostrarmos a nossa discórdia relativamente às cotas e dar provimento à reclamação. O que fariam a seguir era um problema que não era meu, teria feito a minha parte.

Sem que nada pessoal me coloque contra os árbitros que comigo analisaram o recurso, fico com a sensação de amargo no trago por não ter conseguido fazer ver que não interessa assinar petições contra as cotas quando ao mesmo tempo perante uma situação concreta se colocam a favor das mesmas. É um contrassenso.

Infelizmente, pelo que tenho sabido, estas situações são muito comuns e a consequências são nefastas.

Se é verdade que a ADD no atual formato é um pedregulho enorme na Carreira também é verdade que quem com ela é conivente, independentemente das razões que nos levam a compactuar com as situações injustas.

Sempre que a uma reclamação de uma colega não dermos provimento, estamos na realidade a tornar o Sistema num tribunal supremo que não pode nem deve ser contrariado. Criando um monstro que um dia mais tarde se virará contra nós. Sem essa noção de dar um sinal claro de que não devemos ter receio de recorrer e menos ainda de colocar em causa o Sistema.

Quem recorre não tem mau perder, quem recorre sente-se injustiçado, não é normal que o ambiente se torne pesado só porque se ousou mostrar, fazendo uso da lei, o descontentamento perante uma nota com a qual não se concorda. Menos normal é quando se pessoaliza todas estas questões e tomam um recurso como um ataque pessoal, ou à competência.

Hoje escrevo com tristeza e cada vez menos crédulo na pessoa humana enquanto garante de justiça entre pares.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/o-estranho-caso-do-recurso-da-add/

Segunda Declaração de Retificação ao diploma dos concursos dos Açores

Retifica o Decreto Legislativo Regional n.º 10/2021/A, de 19 de abril, que regulamenta o concurso e o Estatuto do Pessoal Docente da Educação Pré-Escolar e Ensinos Básico e Secundário

Declaração de Retificação n.º 6/2021/A

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/segunda-declaracao-de-retificacao-ao-diploma-dos-concursos-dos-acores/

Pai invade escola e agride aluno

Este ano andava calmo…

O pai de um aluno de uma escola do Agrupamento de escolas Coelho e Castro em Santa Maria da feira entrou no estabelecimento e agrediu um jovem de 13 anos. 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/pai-invade-escola-e-agride-aluno/

TAF de Leiria manda repetir eleição de diretor

O Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Leiria mandou repetir a eleição do director do agrupamento de escolas de S. Martinho do Porto, no concelho de Alcobaça, reconhecendo irregularidades que tinham sido denunciadas por um dos professores candidatos. Os problemas eram do conhecimento da Direcção-Geral da Administração Escolar (DGAE), mas não impediram o organismo tutelado pelo Ministério da Educação de homologar o processo dois meses antes.

São dois os “vícios” identificados pelo TAF. O aviso de abertura do concurso para a escolha do director do agrupamento foi publicado em Diário da República a 19 de Dezembro, mas o regulamento do mesmo foi tornado público um mês depois, quando já tinha terminado o prazo de apresentação das candidaturas. Nessa altura, Luísa Sardo, que ocupava aquele cargo desde o final de 2012, já tinha inclusivamente sido entrevistada pela comissão nomeada pelo Conselho Geral da escola para avaliar os candidatos.

O tribunal entende que “a não fixação e divulgação dos critérios de apreciação das candidaturas antes da apresentação destas assume-se como apta a influenciar decisivamente o resultado do procedimento concursal”, o que seria facto bastante para invalidar todo o processo.

O outro candidato à direcção do agrupamento era Paulo Leonardo, professor no agrupamento de escolas Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha. A lei permite que um professor externo ao agrupamento possa candidatar-se à direcção. Mas o agrupamento de S. Martinho do Porto não é desconhecido deste docente que não só vive na localidade, como tinha sido ali professor durante nove anos. Chegou mesmo a ser assessor da direcção de Luísa Sardo durante quatro anos.

Leonardo foi entrevistado pela comissão eleitoral a 22 de Dezembro, uma semana depois da adversária. No início da sua intervenção, questionou a forma como estava a decorrer o processo eleitoral, o que gerou uma discussão com a presidente do Conselho Geral, que levou a que a reunião terminasse de “forma abrupta”, segundo o TAF.

Por isso, o TAF entende – numa decisão do final de Março e que já transitou em julgado – que, “atendendo aos vícios detectados no procedimento”, a DGAE “deveria ter recusado a homologação do resultado do concurso”.

Ministério responsabiliza escola

Não foi, contudo, essa a decisão do organismo tutelado pelo Ministério da Educação, que a 8 de Fevereiro homologou os resultados, quatro dias depois de Paulo Leonardo ter feito entrar a acção agora julgada pelo tribunal de Leiria. Os pressupostos eram do conhecimento da DGAE, à qual o professor escreveu em 22 de Janeiro.

O Ministério da Educação responsabiliza os responsáveis da escola pela situação. “A decisão de homologação teve lugar após consulta prévia ao Conselho Geral do referido agrupamento, nos termos da lei, à luz do conhecimento, factos e elementos disponíveis”, justifica ao PÚBLICO fonte do gabinete de Tiago Brandão Rodrigues.

A anterior directora do agrupamento, Luísa Sardo, recusou prestar declarações. “Como candidata, não me parece correcto pronunciar-me sobre um processo em que fui opositora ao concurso”, escreveu por e-mail.

O PÚBLICO tentou ao longo da última semana e por várias vezes contactar, através do agrupamento de escolas de S. Martinho do Porto, a presidente do Conselho Geral, mas não obteve resposta.

Como o Ministério da Educação não recorreu da decisão, esta já transitou em julgado. O Conselho Geral do agrupamento de escolas tem agora que lançar um novo concurso para a eleição. Entretanto, a anterior directora cessou funções, tendo sido nomeada uma Comissão Administrativa Provisória, que está a assegurar a gestão do agrupamento até à conclusão do novo concurso. Paulo Leonardo está “ainda a pensar” se vai candidatar-se. “Na altura, senti-me completamente gozado”, desabafa.

Público

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/taf-de-leiria-manda-repetir-eleicao-de-diretor/

Relatório Final da Petição “Pelo Fim das Vagas no Acesso ao 5.º e 7.º Escalão”

Recebi hoje o Relatório Final da Petição n.º 216/XIV/2.ª – Pelo fim das vagas no acesso ao 5.º e 7.º escalão da carreira docente que tem as seguintes conclusões:

 

PARTE VI – CONCLUSÕES

Com base em todo o supra exposto, a Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto emite o seguinte parecer:

1. O objeto da petição está especificado e o texto é inteligível, encontrando-se identificado o subscritor, estando também presentes os demais requisitos formais estabelecidos no artigo 9.º da Lei de Exercício do Direito de Petição;

2. Uma vez que a Petição é subscrita por 14781 peticionários, é obrigatória a audição dos peticionários perante a Comissão (artigo 21.º, n.º 1, da LEDP), o que sucedeu no dia 27 de abril de 2021, a publicação da petição no Diário da Assembleia da República (artigo 26.º, n.º 1, alínea a) do mesmo diploma) e a apreciação em Plenário (nos termos do artigo 24.º, n.º1, alínea a) do mesmo diploma.

3. Deve ser remetida cópia da petição e do respetivo relatório aos Grupos Parlamentares e ao Governo (Ministros da Educação e da Saúde), para eventual adoção de medidas que entenderem pertinentes, nos termos do artigo 19º da LEDP.

 

Comentário: Não sei se foi lapso do Presidente da Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto enviar o relatório para o Ministério da Saúde. Espero que não seja para aferir a minha condição psicológica para a realização desta petição. 🙂

Também achei curioso o que a Relatora da petição diz, partindo eu do princípio que a sua posição pessoal é completamente diferente da sua posição política:

PARTE V – OPINIÃO DO RELATOR

A signatária do presente relatório exime-se, nesta sede, de manifestar a sua opinião política sobre a Petição n.º 216/XIV/2.ª, reservando a sua posição para momento posterior.

 

Agora compete a cada um de nós forçar junto dos diferentes grupos parlamentares que adotem medidas no sentido de dar resposta à petição.

Da minha parte também o farei, dentro dos possíveis, sabendo que esta tem sido uma luta muito individual e que precisa de um coletivo bastante forte.

Se cada entidade que respondeu ao pedido de informação reforçasse a sua posição dentro de cada grupo parlamentar, com certeza maior sucesso teria esta mudança legislativa.

Fica o desafio.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/relatorio-final-da-peticao-pelo-fim-das-vagas-no-acesso-ao-5-o-e-7-o-escalao/

Mensagem da Senhora Secretária de Estado da Educação, Inês Ramires – Dia Mundial da Língua Portuguesa

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/mensagem-da-senhora-secretaria-de-estado-da-educacao-ines-ramires-dia-mundial-da-lingua-portuguesa/

Autarquias gastam em educação o dobro do que o Estado atribui

Autarquias gastam em educação o dobro do que o Estado atribui

No caso da área metropolitana do Porto corresponde a mais 138%. Já no caso de Grande Lisboa o valor ultrapassa os 360%.
As Câmaras Municipais estão a gastar em educação o dobro das verbas que o Estado dá. Esta é a conclusão de um inquérito da Associação Nacional de Municípios, citado pelo Jornal de Notícias, que mostra que a maioria dos municípios gastou com educação mais de metade do fundo estatal atribuído pelo governo. As autarquias acusam o governo de calcular em baixa o valor a atribuir.

Em 2020, mais de 180 municípios gastaram com educação 160 milhões de euros a mais do que os cerca de 100 milhões que receberam do Estado. O excesso corresponde a 155% de gastos a mais do fundo social disponível aos municípios.

No caso da área metropolitana do Porto corresponde a mais 138%. Já no caso de Grande Lisboa o valor ultrapassa os 360%.

De acordo com o Jornal de Notícias, a associação acusa o governo de estar a fazer as contas por baixo nos últimos anos e de não cumprir os mínimos. Este ano, chegaram menos 50 milhões e, em 2020, foram menos 35 milhões. Já em 2019 foram menos 17 milhões.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/autarquias-gastam-em-educacao-o-dobro-do-que-o-estado-atribui/

A Incompetência do ME na ADD é Tanta que Dá Pena

Já todos perceberam que o modelo de avaliação de desempenho do pessoal docente é um modelo morto, defunto e a enterrar o mais rapidamente possível, mas ainda recentemente o Ministério da Educação tenta ressuscitar este nado morto.

Recentemente publicou o Despacho n.º4272-A/2021, de 27 de abril que prolonga a conclusão da avaliação de desempenho de 2019/2020 (espante-se!!!) até 31 de julho de 2021. Sendo a formação um requisito para progressão também o é para a avaliação de desempenho, contudo muitos já foram avaliados sem a respetiva formação, mas que a podem concluir até 31 de julho. Também as SADD que não concluíram a avaliação até 31/01/2021 podem ainda a concluir até 31/07/2021!!!!.

A observação de aulas de 2020/2021 pode ser feita até 31 de dezembro de 2021, mas também podem ser dispensados da observação de aulas por motivos que não sejam imputáveis ao docente. E a formação também pode ser concluída até 31/12/2021. Mas também poderá ser dispensada por motivos não imputáveis ao docente.

Mas para além destes remendos que fazem da ADD uma aberração, um absurdo criado por gente absurda e com continuidade no tempo por gente ainda mais absurda , existem outras situações mais aberrantes no meio disto tudo:

Apesar destes alargamentos de prazos absurdos, a minha SADD será realizada na data prevista, 30 de junho, com data de entrega do relatório de autoavaliação em 31 de maio. Hoje ainda nem lista de vagas de acesso ao 5.º e 7.º escalão existe e por conseguinte ainda não se sabe que docentes passam ao 5.º escalão (com uma duração de dois anos) que com a recuperação dos 339 dias de serviço em 1/6/2021, mais o tempo de serviço de 2021 passam a reunir condições para serem avaliados este ano letivo, ou seja, no meu caso a 30 de junho.

Não irei prolongar qualquer prazo para a realização da SADD e caso não exista qualquer lista final dos docentes que acedem ao 5.º e ao 7.º escalão, no meu ponto de vista estes docentes que ultrapassem as vagas de acesso serão avaliados com quotas que excedam os limites previstos por universos, por incompetência única e exclusivamente do Ministério da Educação.

Não há quem atire o Decreto-Regulamentar n.º 26/2012 para uma vala comum ou para um crematório?

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/a-incompetencia-do-me-na-add-e-tanta-que-da-pena/

O Sistema de Avaliação de Professores

O Sistema de Avaliação de Professores

” Quando somos novos, pensamos que temos o mundo aos pés. A vida, no seu percurso, muito vezes pouco convencional, vai explicitando aquilo que, agora que somos mais velhos, nos confronta e testa a nossa paciência e, principalmente, a nossa dignidade. Já não temos a mesma condescendência com os imbustes, com as injustiças, com os esquemas. Podia não fazer nada. Podia pensar que há coisas piores do que ser injustiçado por um sistema de avaliação, miserável na forma e no conteúdo e, ainda por cima, concretizado por alguma pessoas, cuja intervenção no processo, recomendaria, no mínimo, algum bom senso.
É tempo de refletir e de agir. Não sou professor, mas devo aos professores tudo o que sou, até o meu estado civil.
Não é só o coração que me atormenta nesta hora de autêntico dilúvio sobre aquilo que, ontem, eram certezas e, hoje, são pesadas dúvidas. Também a alma entrou em falência e tende a experimentar o estado comatoso que anuncia a iminência da descrença absoluta em tudo o que nos é ensinado como sendo a ordem das coisas. Não é que seja crente da pureza absoluta da espécie humana. Mas, sempre, acreditei que o caráter não estivesse à venda, muito menos a preço de saldo.
Neste espaço, não é relevante dissecar o sistema de avaliação dos professores. Seria cansativo para mim e oneroso para os olhos de quem tiver paciência para ler esta manifestação de revolta. Ainda assim, vale a pena dizer que o professor A pode ter 10,0 valores (Excelente), na sua avaliação, e ficar fora das menções de mérito e o professor B pode ter 8,0 valores (Muito Bom), na sua avaliação, e ficar dentro das menções de mérito. Para isso, basta que lecionem em Agrupamento de Escolas diferentes. Nem mais nem menos. É infame que quem legisla tenha criado tal possibilidade que contradiz a razão e a lógica.
Genericamente, a inevitável submissão à Lei poderia suscitar a resignação dos que se sentem injustiçados, se face à obtenção da classificação de Excelente não houver a correspondente menção de mérito. Como é, cansativamente, apregoado pelos discípulos do Sistema, o absurdo da situação encontra razões na Lei.
Conformar-me seria uma hipótese. Mas não. Não sou de resignar-me e, tenho a mais profunda convicção de que quando existe o merecimento da tal menção de mérito, e a dita não é atribuída, emerge, numa primeira fase, o direito à indignação e o dever de encetar o caminho da Reclamação e do Recurso e, numa fase posterior, a repulsa dos injustiçados deve prosseguir o seu caminho nas instâncias judiciais.
O Sistema instituído prefere que haja respeitinho nas decisões que toma. Esse respeitinho significa aceitação absoluta e incondicional das suas decisões. Ainda assim, a título excecional, o Sistema condescende numa reclamaçãozinha, mas nada que passe daí, para não ter muito trabalho a organizar as contra-argumentações e, principalmente, a escolher os seus acólitos que hão de levar ao limite a defesa das suas intenções.
E, depois, o Sistema julga-se supremo e, por isso, dono absoluto da verdade. Da verdade e do vida de cada um dos professores. Qualquer reação ao Sistema é tida como um desequilíbrio emocional de quem a promove. Uma espécie de mau perder.
A sabedoria popular lembra-nos que quem não se sente não é filho de boa gente. Descompensação emocional seria a resignação a uma chocante injustiça que teve início no torpor da Lei e prolongou-se até aos estreitos corredores daquelas consciências que não encontram arte, nem engenho, para separar o trigo do joio.
Pior, só aqueles que, no momento da colheita, apenas acreditam na existência do joio.”

Francisco José Pereira Gonçalves

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/o-sistema-de-avaliacao-de-professores/

Procedimentos Concursais EPE 2021/2022 – Professores e Leitores

 

Abertura de procedimento concursal para constituição de reserva de recrutamento de pessoal docente do ensino português no estrangeiro para os cargos de professor e de leitor.

Saiba mais:
https://www.instituto-camoes.pt/activity/o-que-fazemos/ensinar-portugues/processos-de-recrutamento/procedimentos-concursais-epe

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2021/05/procedimentos-concursais-epe-2021-2022-professores-e-leitores/

Load more

Blog DeAr Lindo

Stay informed with curated content and the latest headlines, all delivered straight to your inbox. Subscribe now to stay ahead and never miss a beat!

Skip to content ↓