A fantasia da Inclusão…. Luís S. Braga

 

(Agora a questionar a sério e não a falar de vanguardas sebastiânicas e cómicas, se a cegueira politiqueira não fosse trágica).

Parece-me que o problema do sucesso educativo (e note-se que disse EDUCATIVO e não ESCOLAR) está a ser mal abordado todos os dias.
As fantasias, hoje instituídas, da inclusão do papelório e da linguagem cheia de perífrases burocráticas centram-se demasiado na escola e na suposta motivação, que esta tem de gerar por iniciativa dos professores, e esquecem, quase totalmente, as condicionantes sociais prévias da origem e família dos alunos e os meios e recursos de agir nelas.
Quantas medidas, universais ou paroquiais, apoios de todas as siglas, adaptações e currículos, avaliações psicológicas, etc, seriam poupadas, para serem gastas com intensidade onde faz falta, se houvesse ação social efetiva e acompanhamento familiar e doméstico?

Falar com um pai ou mãe para o convencer a acompanhar mais em casa e gerir o tempo de estudo e ser firme a mandar estudar não dá para se vir propagandear ser “vanguardista”. Até é muito conservador e reaccionário. Não é giro e “Psico-pedagógico”.
É do domínio simples do concreto e não dos domínios, ou âmbitos, de abstracções com palavras complexas.

Mas, desde o tempo dos escribas egípcios, que quem não estuda, não aprende (talvez até seja assim desde a pré-história).
E pode não estudar por não ter condições em casa, ser pobre, viver no meio de conflitos e outras dificuldades e por muitas outras razões, que nada têm a ver com a natureza pessoal do aluno e “as suas dificuldades” ou não se geram na escola.

Sem resolver essas razões, nada feito. E podem enterrar-nos em papéis e por-nos a fazer relatórios 8 horas por dia.

O caso dos alunos estrangeiros é ainda mais chocante.
Que sentido faz preencher papéis e papéis da “inclusiva” e não ter horas específicas para individualmente ensinar português?
Mas é só um exemplo de muitos dos disparates que se andam a promover por conta do irrealismo fantasista da “vanguarda” inclusiva.
Sobrecarregar a escola de papéis, processos e culpa por “não se adaptar”, arranja um bode expiatório para o mau governo da sociedade, para exibir à mesma sociedade, a qual não gosta de professores.

Realmente, vista com os pés no chão, essa “vanguarda” é demagogia bacoca e agrava o problema do sucesso educativo real. Que há de ser medido ao longo da vida dos alunos e por eles próprios. Quando já ninguém quiser saber dos disparates que Brandão regurgita, ainda se há-de pagar o preço da sua política “vanguardista”.

A relação escola sociedade precisa de uma reforma e, talvez, rever a alucinada legislação, crismada de inclusiva, seja a maior urgência.
Mas sem cair numa politiquice de oposição das supostas “vias” Crato/Brandão. Foi isso que nos trouxe até este ponto.

Entreguem isso a quem sabe…..gente que, nos últimos 10 anos, tenha dado uns 5 de aulas no nível de ensino que vai afetar. Os que estão nessa categoria percebem porque digo isto.
E que não sejam só propagandistas das “modas inclusivas” que fazem coro sobre o que lhes dá jeito.

Ou acham moralmente correto e bom para o país que um diretor de turma tenha de escolher entre gastar os 100 a 200 minutos semanais da função, a preencher papéis sobre o que deixa de ensinar, em vez de falar com pais e alunos sobre como estes podem aprender mais?
Faria sentido deixar de operar ou vacinar para escrever relatórios sobre a costura das cirurgias ou sobre a opinião dos utentes sobre serem picados?

PS: escrevi isto sob a influência da notícia, de hoje, do pai, motorista do metro de Almada, que levou a filha para o trabalho, por não ter quem tomasse conta dela e foi despedido, por ter ficado em casa a acompanhá-la (despedimento que o Supremo decidiu não ter justa causa).
Li isso numa pausa de corrigir testes. Alguns adaptados. De que serve adaptar ou reduzir dificuldade nos casos em que o estudo é zero? E não me venham com a conversa da motivação dos alunos….alguns deles são órfãos de pais vivos.

 

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6 comentários

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  1. Fantasia que dá jeito a assistentes e psicólogos que desfazem o trabalho dos professores!
    Há sítios próprios para cada coisa. A escola não pode ser um centro de acolhimento. É um local de trabalho e de estudo! Não pode estar a emitir relatórios e cartas para certas regalias, para isso existe a Segurança Social. Não pode fomentar a inação e o laxismo dos progenitores. Que se dirijam às irmãs de caridade ou aos centros dos sem abrigo, também existem centros de reabilitação e de desintoxicação. Não os tragam para a escola a pretexto de manter empregos com conexões autárquicas e com aparas para alguns, pois interferem negativamente nas aprendizagens de conteúdos, de valores e de atitudes. São maus exemplos num contexto que tem por objetivo alicerçar o futuro.

    • António Pereira de Vasconcelos on 9 de Maio de 2021 at 20:55
    • Responder

    A verdade é que a escola tem sido tudo e cada vez menos um centro de aprendizagem e de ensino. Se temos alunos com capacidade de aprender, Ótimo. Se não temos? Em nome de todas as “pedagogias ” varrremos tudo muito bem e sobram muito poucas reprovações. E viva o Sucesso e todos os ” MAIAS”.

    • Miguel Ribeiro on 10 de Maio de 2021 at 14:06
    • Responder

    A escola influência a sociedade e a sociedade é influenciada pela escola. Uma escola que não ajuda a sociedade a resolver os seus problemas, não pode pedir à sociedade que ajude a resolver os problemas da escola.

    • Limpinho on 10 de Maio de 2021 at 19:37
    • Responder

    A escola tem uma função e um papel!
    Não lhe peçam mais que isso porque a sua função e o seu papel são a coluna vertebral de uma sociedade. E não é pequena a sua tarefa! É assim nos países desenvolvidos!
    Não a encharquem com funções que não são as suas.

    • Patrocínio on 10 de Maio de 2021 at 19:49
    • Responder

    Fantasia que eu classifico de hipocrisia e falta de vontade de começar pelo início. Onde nascem os alunos?
    Não creio que exista política educativa na cabeça do Brandão. Há apenas mera execução de uns palpites de 3 ou 4 escolhifos do regime para aparentar modernice, mas sem fundamentação teórica, contraditório, ou provas dadas.
    Os escolhidos ganham uns trocos, obedecem ao pseudo-socialismo e continuam a destruir o que resta da escola com a conivência dessa elite de yes men dos diretores e de alguns acéfalos e inexperientes executores. O polvo cresce em torno da escola e abafa-a!
    Quanto ao Cratismo, sim houve política de um idiota convencido das suas verdades e continuador da destruição dos profissionais a sério da educação!

    • fernandasobralinho on 11 de Maio de 2021 at 16:30
    • Responder

    Pois, texto muito giro mas que padece dos pruridos desta espécie de democracia que se vive em Portugal…
    Quem não conhece Ponte de Sor, nem muitas regiões do Alentejo, devia conhecer…isso acontece em muitas outras escolas, não só nessa…
    E deixem de usar o termo “etnia” e digam claramente de quem estão a falar…as comunidades ciganas…objectivar e apontar os problemas não é xenofobia, é ser direto e exercer a cidadania democrata que a liberdade nos deu no 25 de abril…chamar as coisas pelo seu nome, responsabilizar quem o deve ser sem medo de represálias…

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