A partir de hoje já é possível tirar o Certificado Digital Covid no site do Serviço Nacional de Saúde.
Podem aceder a este link para aceder ao pedido e escolher uma das 3 hipóteses:


Jun 17 2021
A partir de hoje já é possível tirar o Certificado Digital Covid no site do Serviço Nacional de Saúde.
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Jun 17 2021
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Jun 17 2021
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Jun 17 2021
Tristes, sós e abandonados (sem ironia), assim parece estar grande parte dos jovens que frequenta as nossas escolas… E a culpa disso não pode ser exclusivamente atribuída aos confinamentos que lhes foram impostos, por motivos epidemiológicos…
O problema será, talvez, muito mais profundo do que isso, já existiria previamente e apenas se terá acentuado com o “gatilho” dos confinamentos…
O isolamento social experimentado por essa via, agravou e catalisou, por certo, o problema, deu-lhe maior visibilidade, mas não será o principal responsável pela solidão, pela tristeza ou pela sensação de abandono, frequentemente observados nos jovens ao longo dos últimos meses…
Na verdade, muitos jovens parecem estar abandonados há muito tempo, deixados numa solidão que cada vez mais os aprisiona e os empurra para um mundo irreal, não poucas vezes também surreal… E um mundo assim, onde facilmente se confunde a realidade com a ficção e a fantasia, pode tornar-se num mundo que condiciona e restringe as capacidades de auto-controle e de enfrentar e gerir a frustração, a ansiedade e a angústia, presentes na vida de qualquer ser humano, decorrentes das mais variadas situações…
Nos últimos tempos, as crises de ansiedade e de pânico vivenciadas por muitos jovens, cada vez mais frequentes e visíveis em contexto escolar, talvez sejam a principal manifestação das dificuldades existentes ao nível da capacidade de auto-controle e da capacidade de gerir adequadamente os níveis de frustração, de ansiedade e de angústia…
Cada vez mais, a escola é o reflexo do que se passa no seio de muitas famílias e a forma como as famílias funcionam vê-se, comummente, na escola, através do desempenho e do comportamento dos jovens…
E quando o funcionamento das famílias apresenta disfunções, é frequente constactar-se a existência de pais alheados; pais que não conhecem os próprios filhos; pais que não comunicam com os filhos, nem lhes prestam a devida atenção…
Também encontramos pais com comportamentos patologicamente invasivos e controladores, incapazes de respeitar a individualidade dos filhos e de lhes proporcionar o espaço necessário para errar ou para cometer alguns “disparates”… Pais focados apenas nos resultados escolares, incapazes de os conseguir contextualizar… Para esses, muitas vezes, as vitórias e as conquistas dos filhos nunca são suficientes e raramente são reconhecidas…
Uns e outros, apresentam-se como pais que parecem ignorar os medos, as angústias ou as ansiedades dos seus filhos e que dificilmente conseguirão ser contentores ou securizantes, em termos emocionais e afectivos… Quase sempre, ou são pais muito descansados porque é muito mais confortável “não saber” do que intervir ou pais que recorrentemente impõem uma pressão desproporcionada e sistemática, tornando-se, eles próprios, potenciais agentes ansiogénicos…
Uns e outros, apresentam-se como figuras parentais que, de forma consciente ou inconsciente, não estão disponíveis para apoiar o processo de descoberta e de exploração do mundo exterior por parte dos seus filhos, nem o estabelecimento de relações com esse mundo…
E o estabelecimento de relações com o mundo exterior impõe a necessidade imperiosa de se fazerem escolhas… Escolhas que, nos casos anteriores, ficam quase sempre entregues aos próprios jovens, muitos deles, ainda sem disporem das aptidões e dos recursos emocionais necessários para triar opções, de modo a conseguir eleger as mais sensatas e mais adequadas…
O acompanhamento dos jovens, por parte dos pais, nessa descoberta e nesse deslumbre pelo mundo exterior torna-se premente e imprescindível… A responsabilidade por essa orientação e acompanhamento não pode deixar de ser imputada, em primeiro lugar, aos pais, enquanto adultos que, à partida, não podem deixar de ser considerados como competentes para esse efeito e enquanto figuras presumivelmente significativas do ponto de vista afectivo…
Em sentido restrito, o abandono não é físico, o abandono é sobretudo afectivo e emocional, mas apresenta efeitos igualmente perniciosos, e não pode deixar de ser considerado como uma forma negligente de actuação…
Salvo raríssimas excepções, não existem justificações atendíveis para este tipo de enjeitamento por parte dos pais…
A ausência de comunicação, de partilha, de negociação e de vinculação afectiva entre pais e filhos conduz, muitas vezes, os jovens a “refugiarem-se” nas conhecidas Redes Sociais, em que a (falsa) sensação de pertença a um determinado grupo tende a substituir as relações interpessoais em presença… E o resultado mais comum disso é o surgimento de uma certa alienação e de uma prisão dos jovens a um mundo meramente virtual…
Mas sem presença ou contacto físico é praticamente impossível estabelecer relações interpessoais genuínas e saudáveis, quer se trate de amizade ou de namoro… Fantasiar ou idealizar essas relações não é o mesmo que vivê-las e experienciá-las na vida real…
As Redes Sociais acabam, assim, por promover o isolamento social e o distanciamento físico, apesar de quererem fazer parecer o contrário… Praticamente tudo o que se passa nessas Redes é efémero e ilusório: num determinado momento, ter aí muitos “amigos” ou muitos “seguidores” significa exactamente o quê?
Em muitos casos, a dependência psicológica dessas Redes indicia também a presença de um comportamento aditivo, evidenciado por jovens à deriva, entregues a um mundo quimérico, à mercê do que o acaso lhes possa proporcionar, “anestesiados” por relações postiças e simuladas…
E apesar da Escola não poder, nem dever, cair na tentação de substituir-se à família nem àquilo que são as suas principais funções, também é verdade que muitos desses jovens procuram (e encontram) na sua escola, em pessoas da sua escola, algum conforto emocional que de outra forma não obteriam… Muitos desses jovens precisam, desesperadamente, que alguém os oiça, que não os ignorem e que não os menosprezem…
Por onde andam os pais desses jovens? Por onde andam as Associações de Pais, de quem também se espera um papel formativo junto dos respectivos associados?
Obviamente que existirão consequências lesivas ao nível da motivação e ao nível da qualidade das aprendizagens escolares realizadas pelos jovens, mas isso parece também não interessar aos “sábios” da Educação, muito mais preocupados com a cooptação de votos eleitorais, por via de alardes acções de propaganda relativas a uma pretensa escola digital e tecnológica que, além do mais, não servirá para resolver nenhum destes problemas, pelo contrário…
A Escola precisa urgentemente de ser reinventada, mas muitos pais também…
(Matilde)
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Jun 17 2021
PLANO DO ME (AINDA) NÃO AGRADA À PRÓ-ORDEM
A Pró-Ordem e a Federação Portuguesa de Professores reuniram hoje com o Secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, e com a Secretária de Estado da Educação, Inês Ramires, de modo a pronunciarem-se de viva-voz sobre o PLANO 21/23 ESCOLA+, Plano de Recuperação de Aprendizagens.
Começámos por considerar que, salvo o devido respeito por quem terá elaborado este Plano, o mesmo enforma de uma perspetiva dirigista e centralista, pois afirma algumas coisas que em abstrato até podem estar certas, mas que, no fundo, parece revelar alguma desconfiança dos professores, do corpo docente, das escolas e da sua desejável autonomia pedagógica e científica.
Reportando-nos apenas ao enunciado que nos havia sido enviado pelo Ministério, pelo menos para já, não se alcança nenhuma alteração substancial no nosso sistema de educação e de ensino, pois, bem vistas as coisas, no fundo, trata-se fundamentalmente de reequacionarem os créditos horários das escolas e agrupamentos, nomeadamente no que respeita ao crédito horário das Equipas Multidisciplinares de Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI) e também, por exemplo, do Desporto Escolar (v.g., de modo a que alunos, encarregados de educação e professores participem em atividades desportivas conjuntas!…).
Aquilo que mais importaria para o sucesso escolar das crianças e jovens, dos nossos alunos, não é, sequer minimamente, contemplado neste Plano. Se não, vejamos:
– Em parte alguma, do dito cujo, surge qualquer referência à diminuição do número de alunos por turma;
– Também não há nenhuma referência a um dos principais problemas que dificulta e, não raro, impede um regular processo de ensino-aprendizagem, que é a indisciplina sistémica. Aliás, tantas e tantas vezes relacionada com o elevado número de alunos por turma;
– Para a redução do número de alunos por turma, seriam necessários mais professores, não apenas mais créditos horários, facto que este Plano ignora olimpicamente;
– Nada se refere sobre a necessidade de alívio do trabalho burocrático dos professores, pelo contrário, aponta-se para a necessidade de haver mais reuniões, mais formações (superiormente determinadas pelo dirigismo do ministério), mais elaboração de relatórios e evidências;
-Nada se refere sobre a necessidade de redução do número de turmas e de níveis por cada docente. Quando há professores que podem ter duas ou três centenas de alunos dificilmente podem fazer um ensino mais personalizado e focado nas necessidades individuais de aprendizagem de cada um dos seus alunos.
Em suma, quem elaborou este plano parece não acreditar suficientemente na autonomia pedagógica dos professores, isto é, na profissionalidade docente.
Resta-nos esperar que, após esta auscultação da Federação Portuguesa de Professores e da Pró-Ordem, bem como das outras das organizações de docentes, a versão final a plasmar em Resolução do Conselho de Ministros saia substancialmente melhorada.
Para melhor recuperarmos as aprendizagens dos alunos seria desejável a tão aguardada renovação do atual corpo docente, cada vez mais exaurido e envelhecido, dando lugar à passagem do testemunho e à integração dos professores mais novos. Voltámos a reivindicar um regime específico e geral de aposentação que abranja todos os docentes e professores.
(Escusado será dizer que nesta reunião, mais uma vez, os membros do Governo presentes não mostraram interesse na abertura de nenhum processo negocial sobre assuntos de carreira…).
Lisboa, 16 de junho de 2021
Pela Direção Nacional
O Presidente da Direção
Filipe do Paulo
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Jun 17 2021
“Embora não se devam aproveitar as situações excecionais para implementar profundas alterações no funcionamento social, essas mesmas situações excecionais podem ser a alavanca para essas mudanças”, explicam os relatores, acrescentando que as recomendações visam medidas imediatas que podem “inspirar as escolas” e medidas a médio prazo que requerem “vontade política” e a “colaboração e participação de todos os parceiros educativos”.
O CNE aconselha o Governo que estude a reorganização do ensino secundário de forma a manter “o 10.º ano mais livre e transversal aos diferentes percursos de conclusão do ensino obrigatório, relegando para os 11.º e 12.º anos a escolha das vias de conclusão e acesso ao ensino superior”.
Nos dois últimos anos do ensino obrigatório pode haver “flexibilidade e permeabilidade entre os diversos desenhos curriculares e recurso à modalidade de ensino híbrido”, ou seja, entre o ensino presencial e o ensino remoto.
Resumo
Folheto_Digital.pdf (cnedu.pt)
Estudo
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Jun 17 2021
A reunião iniciou-se com uma breve intervenção do Secretário de Estado João Costa sobre o único ponto da reunião, plano 21/23 ESCOLA+, Plano de Recuperação de Aprendizagens.
Ideias-chave da intervenção do S.TO.P., enviadas ao ME na íntegra, através de email:
“Começamos por reafirmar que, em representação de muitos Profissionais da Educação que nos tem contactado, voltamos a alertar, uma vez mais, que o ME já deveria ter iniciado reuniões de negociação coletiva sobre vários temas fundamentais que continuam adiados. Por exemplo: quotas de acesso ao 5.º e 7.º escalões, modelo de avaliação injusto e artificial com quotas (pessoal docente e não docente), Precariedade docente (AEC e Contratados) incluindo a questão dos colegas lesados da Segurança Social e vinculação pelas reais necessidades do sistema educativo, Rejuvenescimento e contabilização de todo o tempo de serviço da classe docente, direito a uma pré-reforma digna, valorização em particular do pessoal não docente com salários de miséria, a gestão escolar democrática, ultrapassagens na progressão da carreira, a municipalização, concursos docentes justos através da graduação, redução do número de alunos por turma e medidas para combater a indisciplina, diminuir o excesso de trabalho burocrático, etc.
Neste plano, refere-se que nos últimos anos contrataram-se de forma, sem precedentes, milhares de Profissionais de Educação (pessoal docente e não docente), mas curiosamente não se informa quantos profissionais nesse mesmo período se reformaram ou estão de baixa e, ainda, qual a idade média dos professores que vincularam (ou que há muitos milhares que já ultrapassaram os 10 anos de trabalho precário e, assim, continuarão).
Mas sobretudo este mesmo plano não tem uma única referência ou proposta para inverter as condições de exaustão, desmotivação e de envelhecimento – sem precedentes – em que se encontram os Profissionais de Educação!
Supostamente reconhece-se que os Profissionais são essenciais para o funcionamento regular das escolas e da recuperação das aprendizagens, mas, na prática, o ME continua – totalmente – indiferente com os muitos milhares à beira de burnout, deprimidos, exaustos e desmotivados (cujos estudos/pesquisas demonstrativos são sobejamente conhecidos). Algo particularmente grave quando é reconhecido que a classe docente em Portugal é das mais envelhecidas da Europa e mais uma vez, neste plano, não há qualquer proposta para rejuvenescer a classe.
Além do ME não responder aos problemas incontornáveis de envelhecimento, exaustão e desmotivação, este Plano, na prática, levará a sobrecarregar ainda, com mais trabalho – sobretudo burocrático – os docentes e as direções escolares. Isso parece-nos evidente, nomeadamente quando:
– Em várias partes como na página 9, refere-se mais formação para o pessoal docente e não docente. Como o ME não se dignou a responder ao S.TO.P. – quando no passado propusemos que as formações, além de gratuitas, contemplassem o horário laboral, precisamente para não sobrecarregar ainda mais os Profissionais de Educação, interpretamos que o Ministério pretende que as formações continuem a ser em horário pós-laboral e desvalorize a sobrecarga incontornável.
– (na página 10 do plano) consta: “+ Dados (Produção de metas e divulgação regular de dados de execução) ▪ + Informação (Serão produzidas evidências e formas de divulgação de boas práticas)”.
Uma vez mais, a mesma questão: Os professores estão cada vez mais sobrecarregados de papeladas/burocracia e, cada vez, têm menos tempo para os alunos, para preparar aulas inovadoras, para pesquisar (por exemplo, os vários “materiais…bancos…recursos…bibliotecas” galvanizados neste plano), etc- E o que o ME apresenta com este plano é, na prática, ainda mais trabalho com papeladas/dados, evidências e formações em horário pós-laboral, com questionável interesse efetivo para as aprendizagens dos nossos alunos…
Não podemos tolerar a forma como Ministério tem gerido os seus recursos humanos que são indispensáveis para a melhoria das aprendizagens, levando a que cada vez mais Profissionais da Educação fiquem para trás, exaustos, desmotivados ou mesmo de baixa……(”mas ironicamente afirma-se no Plano, na página 4 que “ninguém fica para trás. Isto já acontecia antes da pandemia, com esta agravou-se e este plano infelizmente não vai no sentido correto. Não raras vezes mais é, na verdade, menos.
ME revela desconhecimento do trabalho quotidiano nas escolas
Novamente com este tipo de plano reforça-se os erros do passado, priorizando os meios materiais (equipamentos e infraestruturas), mas não os recursos humanos. A persistência neste tipo de erro leva-nos a questionar se, alguém do ME, conhece ou está efetivamente preocupado com o trabalho quotidiano de uma escola normal?! Algo bem diferente do que ir pontualmente a uma escola discursar cenários generalizados.
Este plano de 10 páginas não tem sequer qualquer tentativa de resposta para a maioria dos problemas essenciais que se vive nas escolas mas, na página 8, chega a ter uma parte designada ▪ + Inclusão e Bem-Estar, com o objetivo de se iniciarem programas para o envolvimento de alunos, encarregados de educação e professores em atividades desportivas conjuntas?!…
Se dúvidas houvesse que o ME desconhece a realidade escolar em Portugal, ficou totalmente evidente na última reunião deste com os sindicatos, quando após a denúncia do S.TO.P. sobre a existência de professores com mais de 500 alunos por ano letivo, a Secretária de Estado Inês Ramirez, desconhecendo, duvidou da veracidade da realidade denunciada, uma vez mais, pelo S.TO.P. (facto que foi recentemente capa do DN com o testemunho de vários docentes com mais de 500 alunos).
Em defesa das aprendizagens É FUNDAMENTAL MOTIVAR e RESPEITAR QUEM TRABALHA NAS ESCOLAS
Na página 7 existe uma parte designada: “+ Família (Criar instrumentos para a construção de um envolvimento parental mais eficaz, fomentando cooperação e capacitando as famílias.) o Famílias mais perto” paradoxalmente, no mesmo ano em que este ME alterou as regras dos Concursos docentes (MI e norma travão) que provocará que muitos professores fiquem longe das suas famílias, separando-as e incapacitando a tal construção de um envolvimento parental mais eficaz. Não é assim que se motiva e se respeita quem trabalha nas escolas e as suas famílias.
Também é surreal que, apesar da narrativa da excelência e da importância das aprendizagens, temos duas fasquias: cada vez menos se exige dos alunos e, cada vez mais, se exige dos professores. Isto é uma genuína preocupação com a qualidade das aprendizagens dos alunos que prejudica o seu futuro e, por consequência, o futuro do nosso país, porque cidadãos com formação menos exigente e menor espírito crítico colocam a própria democracia em risco.
Para se conseguir uma melhoria nas aprendizagens é fundamental diminuir o número de alunos por turma, não permitir que em turmas do 1.º ciclo coexistam anos diferentes de escolaridade, repor o desdobramento de turmas (importante para as aprendizagens em disciplinas de Ciências e outras), para além, da importância da reformulação dos programas com estreita coordenação e acordo das Associações de Professores das diferentes disciplinas (sem prejuízo da carga letiva das mesmas). Também é fundamental contratar mais Profissionais da Educação (todos: assistentes operacionais, técnicos, docentes, professores de Educação especial, psicólogos,etc) mas, sobretudo, motivar quem já está no terreno, nomeadamente, discutindo e negociando, genuinamente, todas as questões fulcrais que continuam por discutir (referidas no início) e que o ME continua a recusar negociar. É urgente considerar todo o trabalho com alunos como componente letiva e acabar com a diminuição das pausas letivas algo essencial para alunos e professores poderem recuperar. Com todo esse conjunto de medidas é que é se poderia começar a melhorar, efetivamente, as condições de aprendizagens dos nossos alunos e, simultaneamente, se poderia tornar as profissões minimamente apelativas para os jovens (algo fundamental para manter a sustentabilidade do sistema educativo com a mínima qualidade).
Concluindo, o ME com este plano supostamente pretende recuperar aprendizagens… Mas como é que é possível, realisticamente, recuperar aprendizagens, com a situação em que se encontram os profissionais de educação (exaustos e desmotivados)? Sujeitos a avaliações injustas e artificiais com quotas? Professores desconsiderados e roubados no seu tempo de serviço e, inexplicavelmente, discriminados entre os do continente e das ilhas? A.O. que, com 20 ou mais anos de carreira, recebem o mesmo vencimento líquido (e de miséria) de quem começou o mês passado? A.T. que, apesar de terem um trabalho muito complexo, recebem pouco mais que o salário mínimo? Com a maioria dos psicólogos sobrecarregados de trabalho e os que entraram recentemente nas Escolas, estando precários com contratos, no máximo, até 31 de agosto de 2021?
Tudo isso de forma direta ou indireta prejudica as nossas crianças/jovens, onde muitos milhares continuam com turmas de 28 (ou mais alunos) e onde, novamente, o Plano não tem qualquer solução para essas situações!
NOTA FINAL: A melhor forma de celebrar o 25 de abril é nomeadamente restituindo às escolas a democracia, com direções colegiais, e não unipessoais, na figura do diretor. É que o 25 de abril acabou, precisamente, com a figura do diretor todo poderoso (do Estado Novo) e trouxe a democracia, também, para as escolas. Apesar deste plano supostamente acreditar, como consta na página 4, na importância de confiar “nas escolas e nos seus profissionais”, contraditoriamente, a tutela continua a não confiar na decisão democrática dos Profissionais para a gestão de uma escola.”
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No final da reunião, a Secretária de Estado Inês Ramirez referiu que a recuperação das aprendizagens já começou e que o ME tem investido significativamente nos recursos humanos:
– Afirmou que o governo pretende continuar com a redução do número de alunos por turma (até aos números pré-troika).
– Para reduzir o número de alunos por professor estão a tentar nomeadamente maximizar a possibilidade de um mesmo professor assegurar, na mesma turma, mais do que uma disciplina, com conselhos de turma mais pequenos.
– E disse, ainda, que neste momento teremos o melhor rácio de professor/alunos desde sempre do sistema educativo.
– Neste momento, o governo tem feito um esforço considerável, sem precedentes na vinculação de docentes, no combate da precariedade nos A.O. e A.T. e até nos psicólogos escolares (existem cerca de 1600, um rácio de 1/700 alunos) quando segundo os padrões internacionais é entre 1/500 e 1/700.
– Transmitiu também que este plano pretende dar mais autonomia às escolas, sem interferência do ME porque “confiam nas escolas e nos seus profissionais”.
– Relativamente às quotas na avaliação docente e as progressões inerentes referiu que, apesar da carreira docente ter este afunilamento em 2 escalões, desde 2018 (descongelamento das carreiras) nunca temos menos de 50% até 85% dos professores a progredir.
A finalizar o Secretário de Estado João Costa reforçou a ideia que este plano pretende dar mais autonomia às escolas, sem terem que pedir autorização ao ME. Sobre o prolongamento do ano letivo (e redução inerente das pausas letivas) afirmou que estão a avaliar a eficácia dessas medidas, mas não concorda com prolongamentos artificiais do ano letivo. Sobre a questão deste plano trazer ainda mais trabalho burocrático para os professores, disse que a ideia é que esse trabalho burocrático extra seja para o ME (e não para as escolas). Na generalidade disse que “nada no plano é impositivo”, mas apenas um “buffet de possibilidades” para as escolas poderem optar. Por último, chegou a afirmar que vários elementos do governo estarão surpreendidos pela Educação estar a conseguir tanto dinheiro.
Concluindo, como ficou evidente, o ME mais uma vez voltou a não responder a muitas das questões que o S.TO.P. levantou, em particular a questão de fundo sobre a urgência da prioridade dos recursos humanos (pessoal docente e não docente).
O ME voltou a referir número de contratações sem precedentes, mas continua a não referir que, no mesmo período, quantos saíram para a reforma ou estão de baixa (nomeadamente pela exaustão). Transmitem a ideia que estamos bem comparados com os últimas décadas, mas parecem esquecer-se que a situação excecional de pandemia que vivemos, precisa de investimentos excecionais, em particular na área da Educação (sobretudo nos seus recursos humanos), para não comprometer, irremediavelmente, o presente e o futuro, de muitos dos nossos alunos.
ME não prioriza os seus recursos humanos
Apesar da narrativa do governo, este Plano (de mais de 900 milhões de euros) tem de forma evidente como prioridade o investimento nos equipamentos/infraestruturas e não os recursos humanos (que apenas merecem cerca de 15% de todo o valor investido). O ME refere que o governo tem limitações orçamentais e por isso não pode investir mais, no entanto, são públicos os gastos em milhares de milhões de euros que, sistematicamente, entram nos bancos, Parcerias Público Privadas, equipamento militar, etc.
Agradecemos a todos os muitos colegas que nos enviaram as suas propostas e que, sem dúvida, nos permitiram ser cada vez mais, a voz de muitos nas escolas que se têm sentido sem voz. Iremos continuar, como sempre, disponíveis para dinamizar as lutas que forem necessárias para termos JUSTIÇA e RESPEITO para todos que trabalham (e estudam) nas Escolas.
JUNTOS SOMOS + FORTES!
p.s. Relembramos que, legalmente, não são os sindicatos que podem convocar o ME para reuniões e que, também, não podemos impor uma mudança na ordem de trabalhos das reuniões convocadas pelo ME.
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Jun 17 2021
… para o 9.º , 11.º e 12.º ano?
Sobre a devolução dos manuais escolares já escrevi aqui que até ao dia 9 de junho o Ministério da Educação ainda não deu qualquer informação sobre a necessidade de devolução dos manuais escolares do ano letivo 2020/2021.
Consta-se agora que a reutilização dos manuais escolares deve ser feita este ano para que os alunos tenham direito aos manuais escolares gratuitos para 2021/2022.
Com a introdução de novos manuais escolares para o 7.º ano (com exceção da disciplina de matemática) resta saber se os manuais de 7.º ano também precisam de ser devolvidos.
O IGEFE deverá estar a ultimar circular para este processo. Esquecem-se de certeza que as aulas começam a terminar amanhã e que no dia 23 a maioria dos alunos ficam de férias.

Capa do JN de 17/07/2021
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Jun 16 2021
AINDA A PROPÓSITO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO DAS APRENDIZAGENS
O Sindicato Nacional dos Professores Licenciados (SNPL) reuniu hoje com o Ministério da Educação para discutir a proposta do Plano de Recuperação das Aprendizagens (2021/2023).
Este plano, apesar de conter muitas propostas essenciais para minimizar os efeitos da pandemia, não deixa de ser idealista e generalista. É fundamental que as escolas, com a sua autonomia tenham ao seu dispor as ferramentas e recursos suficientes para proporcionarem a todos os elementos da comunidade educativa uma efetiva melhoria das suas condições de aprendizagem.
O SNPL considera que há 3 pontos fundamentais a ter em atenção para que qualquer plano seja eficaz. Poderá ser uma boa base de trabalho, mas para que seja possível temos de considerar o seguinte:
1. RECURSOS HUMANOS
A rede pública está efetivamente mais bem preparada mas é, ainda, manifestamente insuficiente. A contratação do pessoal docente foi maior, mas devido a esta pandemia e tendo em conta o acréscimo de atestados/ baixas médicas por doenças crónicas, oncológicas, ou pelo desgaste efetivo dos docentes, ficou aquém das expetativas. A contratação tem de ser mais célere e eficaz. As escolas precisam de saber com a máxima antecedência com quem poderão contar. Os recursos humanos serão essenciais para que qualquer plano possa funcionar.
2. RECURSOS EDUCATIVOS DIGITAIS
Os tão proclamados recursos digitais que o Ministério apregoa como uma frente bem sucedida nestes dois anos letivos de regimes mistos de aulas foram manifestamente insuficientes.
Veja- se o exemplo de milhares de professores que necessitaram de formação e de apoio dos sindicatos para poderem fazer frente a uma realidade pela qual ninguém estava preparado. Os professores sentem-se desamparados e com pouca oferta relativamente às áreas de tecnologia. É primordial criarem mais formação e bases de apoio nas escolas para fazerem frente a estas questões e não podem exigir que isso seja feito para além do horário dos docentes.
3. DISPONIBILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS
Foram muitos os professores e os alunos que ficaram de fora nesta matéria. Tivemos um país dividido entre interior e grandes cidades. Docentes que se viram obrigados a dispor dos seus recursos financeiros para comprar equipamentos, para investir na internet de casa, etc., suportando todos esses custos sem qualquer apoio do Estado. Também muitos alunos viram-se sem qualquer possibilidade de assistir ao ensino à
distância por falta ou de internet ou por não terem condições financeiras para tal. A Educação tem de ser para TODOS; o investimento tem de ser em todas as frentes. Sem recursos humanos e financeiros nada disto será possível. Os eixos apresentados pelo Governo não podem depender da boa vontade dos docentes. É preciso muito mais. O envelhecimento da classe; a exaustão em que se encontram os professores e o
enorme desgaste de toda a comunidade educativa, em nada abonará o plano de recuperação das aprendizagens. Não há plano que resista se não houver condições físicas e humanas para o fazer.
Lisboa, 16 de abril de 2021
A Direção Nacional
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Jun 16 2021
Quando na minha reclamação solicitei os dados dos 24 Diretores avaliados com 10,000 e que obtiveram todas as menções de mérito foi-me negado esses dados, alegando a confidencialidade do processo de avaliação, agora a própria DGAE informa os Diretores que quando são pedidos esses dados as escolas são obrigadas a informar, de acordo com acórdão de um tribunal.
Para que conste a resposta que o CAA (Conselho Coordenador da Avaliação) me deu em 17/11/2020 foi a seguinte:

O mesmo pedido solicitei em recurso hierárquico em 08/12/2020, ainda hoje sem qualquer resposta.
Presumo que a ausência de resposta neste momento seja apenas o receio de se saber publicamente quem são estes brilhantes diretores todos avaliados com 10,000.
Mas que se vai saber, isso vai.
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Jun 16 2021
… em ano de adoção de Manuais Escolares para o 7.º ano que nenhuma editora tenha preparado um manual para a disciplina de Complemento à Educação Artística para todo o 3.º ciclo.
Todos os que existem para adopção nesta disciplina continuam a ser apenas para o conjunto dos 7.º e 8.º anos, apenas.
Tanto mais que já em 2020/2021 a disciplina de complemento à Educação Artística já fez parte do currículo do 9.º ano.
| Ano / Disciplina | Título | ISBN | Autor(es) | Editora |
|---|---|---|---|---|
| 7.º Ano – Complemento à Educação Artística [D0713] | Menu Musical 7/8 | 978-989-647-391-4 | Nuno RibeiroNuno Rocha | Areal Editores, SA |
| 7.º Ano – Complemento à Educação Artística [D0713] | i-tec 7/8 – Educação Tecnológica | 978-989-647-443-0 | Ana Abreu SantosDomingos OliveiraMaria José Cameira | Areal Editores, SA |
| Ano / Disciplina | Título | ISBN | Autor(es) | Editora |
|---|---|---|---|---|
| 7.º Ano – Complemento à Educação Artística [D0713] | Tecnologia – Criatividade & Design 7.º/8.º | 978-989-23-1904-9 | Elza RamosManuel Porfírio | Asa Editores II, SA |
| Ano / Disciplina | Título | ISBN | Autor(es) | Editora |
|---|---|---|---|---|
| 7.º Ano – Complemento à Educação Artística [D0713] | Tecnologia – Criatividade & Design 7.º/8.º | 978-989-23-1904-9 | Elza RamosManuel Porfírio | Asa Editores II, SA |
| Ano / Disciplina | Título | ISBN | Autor(es) | Editora |
|---|---|---|---|---|
| 7.º Ano – Complemento à Educação Artística [D0713] | Educação Tecnológica 7/8 | 978-972-0-33236-3 | Armando FaleiroCarlos Gomes | Porto Editora, S.A. |
| 7.º Ano – Complemento à Educação Artística [D0713] | MP3 – Música para 3.º Ciclo 7/8 – Educação Musical | 978-972-0-33116-8 | André SarmentoMaria Helena Cabral | Porto Editora, S.A. |
| 7.º Ano – Complemento à Educação Artística [D0713] | À Descoberta da Tecnologia 7/8 | 978-972-0-33268-4 | A.Mendes RibeiroAugusto G.FerreiraJorge Abel FigueiredoJosé Barros | Porto Editora, S.A. |
| Ano / Disciplina | Título | ISBN | Autor(es) | Editora |
|---|---|---|---|---|
| 7.º Ano – Complemento à Educação Artística [D0713] | Mãos à obra! 7.º/8.º | 978-972-47-4734-7 | Edgar SilvaFátima BorgesJoaquim Borges | Texto Editores, Lda. |
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Jun 16 2021
No próximo dia 19 de junho, a partir das 9h45 a Escola Profissional do Alto Minho Interior (EPRAMI) promove um evento misto em que se discutirá a Transição Digital do Ensino Profissional. O pano de fundo é o próprio percurso digital da EPRAMI.
Este evento tem existência mista: presencial e online.
Presencialmente contará com a participação do Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues, além de outros oradores convidados: José Vítor Pedroso Diretor-Geral da Direção-Geral da Educação, Filipa Henriques de Jesus Presidente do Conselho Diretivo da ANQEP, Joaquim Bernardo Diretor do POCH, Rui Grilo Diretor do Sector da Educação da Europa Ocidental na Microsoft.
Estarão também representadas várias empresas de referência da região como a ZENDAL (sector das vacinas e biotecnologia), Doureca Automotive Solutions (sector automóvel) e a parceria transfronteiriça ISQ&CTAG Automotive Technologies
Online, além da transmissão dos painéis de debate do evento presencial, contará também com o desenvolvimento de sessões de partilha técnico-pedagógica por parte dos professores da EPRAMI com professores de todo o país, numa tentativa de dar a conhecer o trabalho de evolução pedagógica e técnica que tem sido feito na EPRAMI nas últimas duas décadas. Um desses símbolos é a distinção pela Microsoft à EPRAMI como a única Escola Profissional Portuguesa com o título Microsoft Showcase School.
Este evento é suportado no site https://transicaodigital.eprami.pt onde poderá ser acompanhado online.
Poderá ser obtida mais informação em:
https://transicaodigital.eprami.pt
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Jun 16 2021
Professor/a,
Foste avaliado/a com aulas observadas para subir para o 5º e 7º escalão?
Tiveste muito bom mas baixaram-te para bom por causa das quotas?
Queres saber quem te passou à frente? E como foram avaliados os/as que são “excelentes” e “muito bons”?
Queres saber, mesmo ao detalhe, como eles/as vão subir de escalão e tu vais ficar a marcar passo?
Eventualmente até ponderas reclamar das injustiças e torpezas do processo?
E dizem-te que é confidencial e não podes saber?
Este parecer da Comissao de Acesso aos documentos administrativos interessa-te. É para ler e com atenção.
https://documentcloud.adobe.com/link/review?uri=urn%3Aaaid%3Ascds%3AUS%3Aae6f50aa-cc2b-47e0-97ee-7bf672252dbf&fbclid=IwAR2IGOCpeQlLxZ5zKRlE-1wgLFiRflxWpssTGzz0tqoIblFYHC4feg2R1G0#pageNum=1
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Jun 16 2021
“Tendo chegado à DGESTE pedidos de informação sobre a realização dos conselhos de turma do 3.º período, encarrega-nos o Secretário de Estado Adjunto e da Educação de informar que, dadas as circunstâncias, as reuniões de conselho de turma de avaliação poderão, neste ano letivo, ser realizadas não presencialmente através de meios telemáticos de comunicação síncrona. Importará garantir que todos os docentes têm acesso à documentação necessária e que estão garantidas as condições que permitem não só a participação de todos os docentes, mas também a tomada de decisão colegial nos termos legais.
Com os melhores cumprimentos,
João Miguel Gonçalves
Diretor-Geral dos Estabelecimentos Escolares”
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Jun 15 2021
Na segunda-feira havia em Portugal 241 surtos activos de covid-19, revelou a Direcção-Geral da Saúde ao PÚBLICO. Mais de metade são na região de Lisboa e Vale do Tejo. Os surtos nas escolas representam mais de um terço do total.
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Jun 15 2021
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Jun 15 2021
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Jun 15 2021
Os professores são mestres na moderação e usam o ensino para elevar o exercício e a democracia. Daí serem imprescindíveis.
É fundamentada a conclusão que nos diz que antes da pandemia já vivíamos o “século da solidão” (Noreena Hertz, 2021). A solidão era transversal e incluía os mais jovens.
E à medida que saímos do túnel da pandemia – um acelerador de fenómenos -, mais intuímos efeitos contraditórios: à euforia do restabelecimento das ligações humanas, contrapõe-se o tempo do isolamento físico com a escola no centro das análises e dos debates. E acima de tudo, e do desafio inscrito pelo digital, sublinhe-se que há um dever de optimismo através da ideia de deixar um mundo melhor.
E a escola, que é, quase por definição, uma instituição desafiada para um novo rumo apesar do recomeço anual inspirado no mito de Sísifo, é um espaço de renovação de gerações que espelha a formação da personalidade dos mais jovens. É um vulcão de esperança que também integra conflitos e contradições. Amor, ódio, ciúme, amizade, inveja, mentira, boato, alegria e tristeza são exemplos de categorias intemporais essenciais ao desenvolvimento do homo sapiens que a cibersociedade amplia. Os professores são mestres na moderação e usam o ensino para elevar o exercício e a democracia. Daí serem imprescindíveis.
Não sabemos se estamos numa encruzilhada. Dá ideia que a escola navegará entre o possível e a ilusão. No caso escolar português, e de resto nas nações com turmas numerosas, há objectivamente riscos de ilusão. Se olharmos para o recente Plano de Recuperação de Aprendizagens (PRA), a elementaridade impôs-se. Não se alargou ainda mais o calendário escolar e destinou-se para a educação cerca de 3% dos 15 mil milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência. É da norma e da lógica orçamental. Mas é no interior desta letargia que se captam sinais de que talvez não se distinga a aparência da realidade.
Desde logo, há dois decréscimos muito críticos que permanecem abaixo da linha de água: a natalidade, em que Portugal perdeu 18.280 estudantes (cerca de 1,1%) dos ensinos básico e secundário no ano lectivo anterior e 328.682 alunos (cerca de 17%) na última década, e a falta estrutural de professores. O anuncio de mais 3300 professores no PRA é ilusório face ao “êxodo” em aposentações; e, como se sabe, os jovens nem querem ouvir falar em ser professor. Por isso, urge enfrentar o que existe. Se é obviamente impensado desejar que a quebra da natalidade seja tão acentuada que reduza substancialmente o número de professores, é ilusório acreditar que o digital os substituirá ou que se recorrerá com eficiência, como nas décadas de 70 e 80 do século passado, a profissionais doutras áreas.
Por outro lado, já se percebeu que a sociedade que aí vem informatizará tudo o que for para informatizar, automatizará tudo o que for para automatizar e que as aplicações digitais usadas para controle e vigilância serão usadas para controle e vigilância. É o nível 4 da transição digital. O nível 5, que será longo e incerto, inclui a inteligência artificial e a robotização. Por exemplo, Luc Julia, um dos criadores da Siri, diz que não tem a certeza que queira falar com o seu frigorífico. No universo escolar, também não se terá a certeza que se queira falar com um robô como se fosse um professor que ensina e ajuda a formar a personalidade.
Posto isto, diga-se que o assunto é sério e premente. Para além do longo caminho a percorrer no sentido inclusivo dos territórios, das sociedades e das escolas que contrariam fenómenos de guetização porque aglutinam populações de diversos grupos sociais como o factor decisivo para o elevador social, é fundamental contrariar a sobreposição do isolamento físico sobre o gregário e agarrar com as duas mãos o que controlamos. Perceba-se que o universo escolar, através das plataformas escolares – que já vigiam e controlam – associadas às da digitalização dos recursos didácticos, estará à mercê dos algoritmos até ao nível 4. Mas isso significará um mundo pior na “era do capitalismo de vigilância” (ShoShana Zuboff, 2020), se na transição digital se reduzir a liberdade e a democracia. Será o percurso da servidão e da solidão. E as nossas escolas recuaram muito na última década no clima democrático.
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Jun 15 2021
COVID19: XX vacinacao 19/06/2021 as Xx:58 em pav. XXXXXXXXXX. Responda: SNS.NUMERO UTENTE.SIM/NAO ate 15 JUN Ex: SNS.111111111.SIM
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Jun 15 2021
Só em Lisboa e Vale do Tejo, são 6407 as crianças que estão de quarentena. As novas regras da DGS fazem com que seja obrigatório que perante um caso positivo numa turma todos os alunos tenham de fazer isolamento de 14 dias.
Há pelo menos 8700 alunos em casa de quarentena por causa da covid-19. Só na região de Lisboa e Vale do Tejo são 6407. Na região Centro são 1053 os alunos das escolas em isolamento e no Algarve 211. Na região Norte apenas foi possível saber os dados relativos a Paredes de Coura e a Braga. Só nestes dois concelhos estão em casa 1056 alunos e funcionários de escolas em isolamento profiláctico (neste caso os dados não estão desagregados). Sobre todos os restantes concelhos, incluindo Porto, Vila Nova de Gaia, Maia, Guimarães, para citar alguns dos mais populosos, não foi possível obter informações, nem da parte da Direcção-Geral de Saúde (DGS), nem da Administração Regional de Saúde (ARS)-Norte.
O secretário de Estado da Mobilidade e coordenador regional da Zona Norte para a covid-19, Eduardo Pinheiro, justificou com o facto de se concentrar mais nos casos activos e não nos isolamentos para apenas ter estes dados nos dois concelhos que registam incidência superior a 120 casos por 100 mil habitantes. “O resto da informação enviamos para a DGS e Ministério da Educação para que eles possam compilar com critérios uniformes”, esclareceu.
Assim, em Paredes de Coura registam-se 19 casos confirmados que levaram ao isolamento de 197 alunos e profissionais de escolas do concelho. Em Braga, com 4 surtos activos, há 50 casos confirmados de covid entre alunos (46) e profissionais (4), estando em isolamento 859 pessoas.
Os dados foram recolhidos ao longo do dia de ontem pelo PÚBLICO que apenas não conseguiu saber os valores relativos à região do Alentejo, a mais idosa do país e com uma maior taxa de vacinados. É a primeira vez que se consegue fazer um retrato mais detalhado do país a nível de quarentenas da população escolar. A última vez que a DGS deu dados sobre esta realidade foi a 8 de Abril e divulgou apenas o número de surtos, 47 em duas semanas. Ontem, mais uma vez questionada sobre o número de surtos em contexto escolar e sobre o número de turmas em isolamento, a DGS voltou a não enviar quaisquer dados. O mesmo aconteceu com o Ministério da Educação, que não enviou quaisquer dados sobre infecções e surtos nas escolas.
“A DGS não tem dados desagregados por turma (essa informação detalhada é do conhecimento dos delegados de saúde de nível local na respectiva jurisdição, a quem compete a avaliação de risco, a intervenção e implementação de medidas de saúde pública”, respondeu por escrito ao PÚBLICO. Apesar de reconhecer que “agrega informação no âmbito nacional do total de surtos activos (por região de saúde) e respectivos casos confirmados associados”, não avançou esses dados.
Situações familiares em maioria
Na região de Lisboa e Vale do Tejo, existem então 172 surtos activos, dos quais 66 em estabelecimentos de ensino (38,37%); 351 casos em alunos e 20 casos em profissionais; e 6407 alunos e 772 profissionais em isolamento profiláctico. Nesta região, 68% dos casos reportam-se a situações familiares, seguindo-se o contexto festas/social (11%) e escolas/universidades (9%). Os números foram avançados ao PÚBLICO pelo gabinete do coordenador regional do combate à pandemia na região e também secretário de Estado, Duarte Cordeiro, depois de, pela manhã, este ter assumido à Rádio Renascença que o número de alunos em quarentena rondava os seis mil.
“O mais importante é testar, porque estamos com a vacinação a um ritmo bom e a vacinação continuará a este ritmo ou superior, mas a testagem é fundamental”, afirmou, em declarações à Renascença, alertando que “a pandemia não ficou para trás”, uma vez que há vários concelhos muito perto da linha vermelha. Lisboa, Cascais, Sintra, Sesimbra, Odivelas e Oeiras registam mais de 120 casos por 100 mil habitantes em 14 dias.
Já segundo dados da Administração Regional de Saúde do Centro relativos a domingo, dia 13 de Junho, e a que o PÚBLICO teve acesso, havia 1053 alunos em casa, em isolamento, por serem considerados contactos de risco, mais 66 professores e 23 auxiliares. Nenhum estabelecimento escolar ficou totalmente encerrado. Por distrito da região Centro, verifica-se que a maior parte dos casos positivos activos situam-se em Coimbra (28), seguindo-se Aveiro (12). Ao todo, são 56 (54 em alunos e dois relativos a professores). Em termos de grau de ensino, a maior parte dos casos aconteceram no 3º ciclo e no secundário.
A 29 de Maio, a ARS Centro tinha assumido ao PÚBLICO que havia 29 escolas com casos activos, estando 56 alunos e dois profissionais confirmados como positivos. Encontravam-se 40 turmas em isolamento profiláctico, num total de 1134 pessoas em isolamento, entre alunos, profissionais e respectivos coabitantes (número que não difere muito do mais actualizado).
Na região do Algarve, por seu lado, estão de quarentena 211 alunos (entre os quais 19 crianças com menos de seis anos), 16 professores e oito auxiliares. Trata-se de 41 casos activos em alunos, entre os quais uma criança com menos de seis anos. Estes casos atingem 16 das 250 escolas existentes no Algarve.
“Um exagero da DGS”
O presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, considera haver neste momento “um exagero na actuação da DGS em relação às escolas: “Porque, neste momento, quando um aluno é positivo, a DGS, no limite, até pode fechar a escola inteira ou, então, manda para casa toda a turma, e os professores dessa turma, mesmo vacinados”, diz, acrescentando que lhe “custa a entender” o protocolo, “quando há situações desportivas e políticas onde é tudo ao molho e fé em deus”.
Já o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, não se pronuncia sobre se o protocolo é “excessivo ou não”. “Não sou técnico, temos de confiar nas indicações da DGS.”
Manuel Pereira nota, na realidade que conhece, que o que está em vigor é que, quando um aluno tem um teste rápido positivo, a turma, bem como contactos de alto risco, é isolada até o aluno confirmar o resultado através de um PCR. Se o PCR do aluno for positivo, há, explica, algumas diferenças entre ciclos: no pré-escolar e 1.º ciclo, bem como nas academias de música, por exemplo, os professores têm de ser testados e cumprir isolamento. A partir do 2.º ciclo, tendo em conta o uso da máscara, o isolamento ou não dos professores é avaliado caso a caso.
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Jun 14 2021
2ºCiclo:
Instrumento de Aferição Amostral Português (55) | 5.º Ano de Escolaridade | 2021:
Enunciado Audio Critérios de classificação
3ºCiclo:
Instrumento de Aferição Amostral Matemática (86) | 8.º Ano de Escolaridade | 2021:
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Jun 14 2021
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Jun 14 2021
Há que recuperar o orgulho social e familiar da profissão docente, com base no valor que merece esta verdadeira e nobre missão. Sem investimento (incluindo político e económico) proporcional, não se conseguirá nada.
Há que recuperar o orgulho social e familiar da profissão docente, com base no valor que merece esta verdadeira e nobre missão. Sem investimento (incluindo político e económico) proporcional, não se conseguirá nada.
Há seis anos, neste mesmo jornal, chamei à atenção para a necessidade de rejuvenescer as salas de professores das escolas portuguesas. De lá até hoje, a situação foi-se agudizando e tornou-se uma evidência insustentável. Entretanto, contas elementares apontam para uma necessidade incontornável de mais docentes. Mesmo com abaixamentos demográficos na população estudantil portuguesa, as aposentações em massa de um corpo vasto de professores adivinham carências significativas no curto e no médio prazo. As universidades portuguesas estão avisadas e começaram a trabalhar para reabrir e robustecer os cursos de formação de professores, num entrelaçado complexo de missão e estratégia (ainda assim tardia), à mistura com o ‘acordar para o mercado’ de estudantes interessados, futuros professores, que aí vem…
Importa refletir e agir para qualificar esta nova leva de formação de professores, mais ou menos explosiva. Nos anos 80, aconteceu-nos esta mesma necessidade de formar rapidamente e em massa (fazendo as contas, são agora estes professores que se vão aposentando). Foi, na altura, o possível, mas tal circunstância trouxe alguma insuficiência formativa, que explica algumas das fragilidades do sistema educativo.
Ainda que telegraficamente, alinho abaixo algumas ideias que poderiam ser tidas em conta pelas universidades, pelos potenciais candidatos, pela sociedade e pelas famílias, mas, de forma mais relevante, pelo Ministério da Educação.
1. Saber ensinar e saber a arte que se ensina
Há uma tensão longínqua, sempre inacabada, sobre as competências principais de um bom professor. É consensual, hoje em dia, que importa tanto saber a ciência ou os conteúdos que propomos, como as técnicas e envolvências para os saber verter no dinamismo de ensino-aprendizagem. O processo educativo tem hoje complexidades radicalmente porosas e abertas, que pedem aos futuros professores uma enorme robustez conceptual, mas, ao mesmo tempo, domínio das respetivas didáticas e amparos das ciências da educação. A maioria dos curricula em formação de professores já apresentam um equilíbrio razoável face a esta dicotomia, mas convém avaliar e monitorizar, para garantir tal equidade. Na escola, um professor que saiba muito bem a ciência que ensina estará bloqueado e infecundo se não a souber comunicar e articular com múltiplos fatores. Por outro lado, por mais bem formado que seja nos domínios pedagógicos, estará vazio de inteireza e igualmente inerte, o docente que não souber e não aprofundar a arte que ensina.
2. Estágios realmente escolares
É preciso voltar a criar condições nas escolas para um efetivo estágio pedagógico. Este é o ponto mais pragmático e mais decisivo para a requalificação da formação de professores e, carecendo de um investimento político e económico, implica mais e melhores recursos humanos. Hoje em dia, os estágios pedagógicos nas escolas não dão ao estudante-em-formação-futuro-professor condições reais de lecionação, autonomia e proatividade criativa. Ao contrário do que já aconteceu nos antigos modelos de formação de professores, os atuais estagiários não têm turmas a si atribuídas nem outras funções de dignidade pedagógica associadas. Participam, a espaços, em turmas do orientador cooperante (agora assim chamado e não orientador de estágio), mas têm obviamente que se sujeitar ao estilo didático do professor cooperante numa quase artificialidade educativa. Os ensaios didáticos são muito limitados. Mais grave ainda: o estímulo aos professores cooperantes é quase zero (não se reduzem dignamente as horas semanais no horário), deixando assim um vazio de candidatos a professores cooperantes motivados e competentes. E como é decisivo ter bons professores cooperantes! Só pode ter havido uma motivação de poupança económica para este definhamento do modelo e, em nome da qualidade mínima, é um aspeto a mudar urgentemente.
3. Horizontes largos…
O professor do século XXI não é monodisciplinar. Em particular, no caso dos professores das chamadas ciências exatas e experimentais, é fundamental uma ligação às Humanidades e ao todo cultural onde está e onde vai estar o aluno em formação. Este dinamismo “inter, trans e pluridisciplinar tem necessariamente que fazer parte dos horizontes do futuro professor e, como tal, dos planos formativos. Acrescem ainda algumas outras aptidões transferíveis e estratégia alargada, pois não há professorado realizado e realizável sem se ver mais além do que o curto prazo e do que a estreiteza da compartimentação. Há que valorizar o professor como cumpridor, mas livre-pensador, estimulante e estimulado diante da pergunta, da dúvida, da crítica e da construção colaborativa de um mundo melhor.
4. Orgulho em ser professor
Para as famílias e para a sociedade, ser professor tem que ser reabilitado no seu papel social. Lamento profundamente que o estatuto socioprofissional da atividade docente tenha caído tanto. O papel e potencial que tem na capacidade de mudar o mundo mereciam o contrário, precisamente a dignidade e revalorização docente. Muitos de nós reconhecemos, mesmo que criticamente, a (pseudo)promoção social e familiar que pode ter ‘um dos nossos em medicina’. Acontece que um olhar mais profundo reconhecerá que os alavancamentos mais prósperos numa qualquer sociedade se jogam no tabuleiro da educação e, por isso, na escola. Há que recuperar o orgulho social e familiar da profissão docente, com base no valor que merece esta verdadeira e nobre missão. Sem investimento (incluindo político e económico) proporcional, não se conseguirá nada.
Haver perspetivas de empregabilidade é estimulante, mas caberá aos decisores políticos e à gestão universitária realizar um filtro sábio de genuínas vocações. A educação é uma missão tão nobre quanto complexa e exigente
5. Instrumentalizar uma profissão como mero emprego
Preocupa-me sobremaneira um perigo iminente, que pode mimetizar pela negativa o processo de formação de professores em massa dos anos 80, no seu ângulo mais sombrio: o mercenarismo. Porque há emprego, então vamos ser todos professores… Pelo que escrevi acima, torna-se claro que esta não é, apesar de tudo, uma profissão para qualquer um. Haver perspetivas de empregabilidade é estimulante, mas caberá aos decisores políticos e à gestão universitária realizar um filtro sábio de genuínas vocações, à entrada e durante os cursos de especialização, tendo a coragem de efetivamente peneirar (e porventura excluir) candidatos de perfil mais duvidoso. A educação é uma missão tão nobre quanto complexa e exigente. É fascinante, mas precisa de uma vocação muito própria. Na escola, não há lugar para (novos?) mercenários!…
Opinião de João Paiva
Professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
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Jun 14 2021
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Jun 14 2021
PROFESSOR, QUANTO TEMPO FALTA PARA AS FÉRIAS?
Esta é uma pergunta que quase diariamente me têm feito. Não é por não gostarem da escola ou de estarem ali, porque gostam. Sei que gostam. Mas sinto-os cansados: os gestos, a atenção, as palavras. Por conhecê-los tão bem, sinto-os cada vez mais cansados.
Esta ano letivo está a ser particularmente complicado. Foi um ano instável, que nos obrigou a estar entre o ensino presencial e o ensino à distância, com umas férias forçadas pelo meio.
Entre tudo isto, há a ansiedade, os medos e os receios que, naturalmente, todos acabamos por ter, devido à situação pandémica que vivemos. E eles também a vivem. Acresce-se a estes fatores, a angústia de pensar na possibilidade de, a qualquer momento, a turma ter de ir para casa para ensino a distância. Às vezes apanhamos sustos, mas não têm passado disso.
Tudo isto é sentido pelos mais pequenos. Mas tenho para mim que se têm esquecido de pensar naquilo que eles sentem, naquilo que eles têm passado e naquilo que eles verdadeiramente precisam.
O foco tem estado, essencialmente, na recuperação das aprendizagens. Começamos o ano letivo com cinco semanas dedicadas a esta recuperação. Vamos terminar o ano a pensar em quais serão as aprendizagens a recuperar.
Se as crianças apresentam dificuldades? Sim, de facto apresentam, e as de algumas crianças agravaram-se. Mas passar mais tempo na escola, mais tempo a olhar para livros e fichas de reforço e consolidação de conhecimentos, não vai ajudar. Bem pelo contrário. Pelo menos para já.
Há uma estreita relação entre o bem-estar, o envolvimento e a aprendizagem. Quando uma criança se sente bem no contexto escolar e apresenta bons níveis de bem-estar, facilmente se motiva e se envolve nas propostas. Quando uma criança está verdadeiramente implicada nos processos de construção de conhecimento, a aprendizagem tenderá a ser significativa.
Este clima que se tem vivido não tem ajudado a que as crianças estejam prontas para “recuperar”. Este período vai terminar no dia 8 de julho. Mais de três meses depois de ter iniciado o 3º período. Três meses, em muitos casos, com apenas dois feriados pelo meio. Três longos meses. E ainda faltam quatro semanas.
Mas as crianças estão cansadas e isso reflete-se, tantas vezes, nos comportamentos que têm em contexto educativo: nas palavras que utilizam; nas atitudes que têm; numa dificuldade crescente em gerir frustrações e emoções. As crianças precisam de tempo para parar. Para olharem para dentro.
É fundamental que se pense que as crianças precisam de parar. Que as crianças precisam de estar bem antes de continuarem este processo de aprendizagem, que neste ano tem sido tão cansativo.
É também essencial pensarmos na recuperação de aprendizagens. Claro que sim, para que a escola não deixe ninguém para trás. Mas este processo deve ser pensado ao pormenor. Não basta contratar mais professores ou técnicos, porque a recuperação de aprendizagens não se faz apenas com apoios educativos. É preciso que seja transversal, integrada e inclusiva. É necessário que se ouçam os professores. Mas ouvir verdadeiramente aqueles que estão, todos os dias, nas escolas.
Faltam quatro longas semanas. Por sentir este cansaço neles (em mim), por aqui vamos cada vez mais devagar. Tento que não haja pressões (mas é inevitável) e vamos fazendo.
A lição de cada dia é cada vez mais: temos tempo.
Que sejam quatro semanas com tempo para desfrutar do fim de um ano letivo. Em paz.
E felizes.
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Jun 13 2021
Docentes falam em “ensino em linha de montagem”, onde os estudantes são os mais prejudicados. Muitas turmas e poucas horas de aulas fazem com que haja professores que nem sabem o nome de todos os alunos.
Mais de oito níveis, duas disciplinas (TIC e Cidadania), 24 turmas, cerca de 500 alunos. Foi esta a realidade vivida no ano letivo passado pela professora Isabel Moura. A situação repete-se um pouco por todo o país, principalmente com os docentes que lecionam Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). “A maior dificuldade foi não ter conseguido conhecer os meus alunos. As relações interpessoais estabelecidas não foram as desejáveis num processo de ensino aprendizagem, que se pretende focado no aluno. Apenas nos víamos uma vez por semana durante 45 minutos, para termos uma aula prática que, além de em termos de trabalho realizado pouco rendia, quando chegávamos à aula seguinte já ninguém se lembrava daquilo que tinha sido realizado na semana anterior”, explica ao DN. Isabel Moura diz tratar-se de uma situação “desumana”.
“Por muito que se dedique e goste da sua profissão nunca vê as suas tarefas chegadas ao fim. Por outro lado, os alunos merecem aprender com qualidade e ter um professor disponível, atento e que os conheça. Educar sem afetos e sem tempo não é educar, é passar informação”, sublinha. Segundo a professora, as alturas de avaliações (correção de testes e reuniões de conselhos de turma de final de período) são “as mais difíceis”. “É uma loucura. Como se avaliam cerca de 500 miúdos, com cinco ou seis aulas dadas e quase sem elementos de avaliação? As dúvidas são imensas e a sensação de poder estar a ser injusta é muito má. O número de horas gastas para avaliar tantos alunos e em tantas disciplinas é desgastante. Estar presente em tantos conselhos de turma de avaliação é extenuante. São os dias todos destinados às reuniões (entre 3 a 5 dias), de manhã à noite sempre a trabalhar e sem sequer conseguir preparar cada reunião como cada turma merece”, relembra. A solução, conta, passa primeiro pela “vontade de resolver o problema” e uma “mudança da legislação”.
“Os professores deviam ter no máximo seis ou sete turmas e não mais do que quatro níveis (disciplinas/anos) diferentes para lecionar, deviam acabar com a divisão entre tempos letivos e não letivos. Os tempos (agora chamados de não letivos) para preparar aulas, realizar avaliações, realizar reuniões, fazer trabalho colaborativo, realizar todo o trabalho burocrático, devia ser proporcional ao número de turmas e ao número de níveis, pois um professor com mais turmas precisa de mais tempo para fazer todas as outras tarefas”, refere.
Isabel Moura acredita ainda que seria possível “reduzir o número de turmas “se se concentrassem dois tempos no 5.º ano ou no 6.º em vez de um tempo em cada ano”. “No 3º ciclo dois tempos no 7º ano e dois tempos no 9º, pois justifica-se mais carga horária a TIC tendo em conta a iliteracia digital ainda existente”, conclui.
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Jun 13 2021
Neste agrupamento da Amadora, vai haver oficinas de Português, Matemática e Inglês
Na apresentação do plano de recuperação das aprendizagens, o ministro referiu-se a instrumentos de apoio para que um aluno que reprove numa ou mais disciplinas, mas transite de ano, possa frequentar aulas dessas disciplinas, do ano anterior.
O Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves, na Amadora, vai recorrer ao crédito horário para pôr em prática, no próximo ano lectivo, um projecto de oficinas dedicadas ao Português, à Matemática, ao Inglês e às Ciências. Os alunos de um ano de escolaridade, que o conselho de turma entenda que estão com dificuldades, poderão frequentá-las. Serão práticas, com exercícios, e os conteúdos serão do ano anterior. Quando as aprendizagens estiverem consolidadas, o aluno pode deixar de ir.
A dúvida é se serão concretizadas numa lógica de ano – todos os alunos de um ano com dificuldade frequentam as oficinas – ou se será posta em prática em âmbito de turma. Tudo dependerá das normas da Direcção-Geral de Saúde, no que se refere à possibilidade de se poder, ou não, juntar alunos de diferentes turmas.
Neste agrupamento já havia apoio para alunos, mas era relativo ao ano de inscrição e não ao anterior. A solução que o director Bruno Santos quer pôr em marcha enquadra-se na ideia proposta pelo ministro da Educação, quando apresentou o plano de recuperação das aprendizagens. Tiago Brandão Rodrigues referiu-se a instrumentos de apoio à medida que permite que um aluno que reprove numa ou mais disciplinas, mas transite de ano, possa frequentar aulas dessas disciplinas, do ano anterior. Bruno Santos interpretou o desafio, num quadro de autonomia das escolas, não considerando que se estivesse a propor que um aluno fosse frequentar aulas ao horário do ano anterior, o que seria difícil de concretizar, admite.
Já o presidente do Conselho de Escolas, José Eduardo Lemos, considera que esta medida “é uma das muitas” que “precisam de ser detalhadas para serem compreendidas e avaliadas”: “Do modo como está formulada fico com a impressão de será uma medida sem qualquer interesse (e de difícil exequibilidade) para os alunos do ensino básico. Para os alunos do ensino secundário, não é novidade nenhuma e há muitos anos que está prevista na lei a possibilidade de se matricularem em disciplinas ‘em atraso’, desde que haja vaga nas turmas e horários compatíveis (o que é bastante difícil). Todavia, neste caso, a experiência mostra que a esmagadora maioria dos alunos opta por realizar a disciplina por exame e não por frequência, recorrendo a apoios disponibilizados pelas escolas ou a explicações particulares”, nota.
O também director da Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim, entende que “há várias medidas que apenas poderão ser avaliadas quando o Ministério detalhar a forma como poderão ser concretizadas”: “Feita esta ressalva, parece-me que as mais relevantes para a recuperação das aprendizagens serão o reforço do pessoal docente, o reforço do crédito horário; o alargamento dos Planos de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário, a abertura de 50 novas salas da educação pré-escolar, as medidas direccionadas ao ensino profissional, o fomento da leitura e da escrita e o reforço do digital nas escolas.”
Na apresentação do plano, o ministro referiu-se a um “reforço docente” – está prevista a contratação de cerca de 3500 docentes, de forma a manter, durante os dois anos de vigência do plano, sensivelmente o mesmo número dos que já tinham sido contratados excepcionalmente neste ano lectivo.
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Jun 13 2021
Algumas instituições conseguem produzir autênticos milagres!
Nas páginas de alguns estabelecimentos de ensino ao abrigo do contrato de associação da região Oeste lemos que integram a rede pública de estabelecimentos de ensino. Como provam as seguintes imagens.

Perante tal afirmação, quando questionada a DGAE refere que estes não fazem parte da rede pública.
Só que a questão não fica por aqui. Os docentes destas instituições encontram-se a concorrer na 2.ª prioridade sem cumprir a regra dos 365 dias de serviço nos últimos seis anos em estabelecimentos da rede pública.
Como é que os docentes destes estabelecimentos de ensino estão a concorrer na 2.ª prioridade? Que dados apresentaram aos agrupamentos de validação? Essa documentação foi analisada com rigor?
É que a DGAE afirma o seguinte:

Quem tem conhecimento desta situação e não atua?
DGAE – diz para denunciar os candidatos. Como pode alguém denunciar centenas de docentes dos mais variados grupos de recrutamento? Tendo conhecimento da situação não devia atuar junto das instituições?
Agrupamentos de escolas – como validam estas candidaturas em 2.ª prioridade? É ignorância do decreto-lei que regula os concursos? Falta de rigor? Desleixo?
Sindicatos – dizem que não se pode fazer nada a não ser denunciar os candidatos.
Pergunta que se impõe: quantos colegas usufruirão da 2.ª prioridade indevidamente neste concurso? Sabendo que há algo que subverte as regras do concurso, a DGAE não tinha obrigação de atuar?
Prejudicados serão apenas os contratados que serão ultrapassados de forma questionável e não sabemos se alguns não se depararão com o desemprego à conta desta situação.
Resta-nos sermos “polícias” uns dos outros e acartar com os respetivos aborrecimentos.
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Jun 12 2021
Recebemos mais um exemplo para reforçar a convicção da necessidade de repensar o modelo de eleição do Diretor.
O atual diretor copiou a maior parte do Projeto de Intervenção, confessou e, mesmo assim, foi eleito.
O caso é ainda mais insólito se tivermos em consideração que o Aviso com o regulamento deste procedimento concursal em concreto, tem inscrito num dos seus pontos, sob pena de exclusão, que os projetos de intervenção a apresentar são obrigados a ter “conteúdo original”.
Como podemos ver neste caso e temos visto noutros, há muitos Conselhos Gerais que para elegerem o candidato que querem são capazes das maiores atrocidades, ultrapassando leis e regulamentos, numa verdadeira roda livre em que a justiça e a legalidade têm muito pouco valor.
O caso deste Agrupamento de Escolas é paradigmático.
Ao que parece o Conselho Geral desse Agrupamento, que conduziu o processo de eleição do Diretor, concluído na passada sexta-feira, de forma bastante original, em que a falta de originalidade do projeto de intervenção do atual Diretor é só a questão mais grave.
O próprio Diretor terá admitido em reunião do Conselho Geral que copiou a maior parte do seu Projeto de Intervenção, tendo-se justificado com “falta de tempo” para não ter feito um projeto original. Sabe-se, no entanto, que o Projeto de Intervenção desse Diretor tem trinta e tal páginas e também se sabe que o Aviso que regulamenta o concurso não estipula número mínimo de páginas para os projetos. Com estes dois dados em cima da mesa, quem é que acredita que demora menos tempo a copiar da internet, a colar e a encaixar trinta e tal páginas do que a escrever três ou quatro páginas originais? Se a sua vida familiar o impede de fazer um projeto original, não impedirá de dirigir um Agrupamento de Escolas? A justificação não pode ser a falta de tempo. Tem de ser outra… mas a verdade deve ser inconfessável, caso contrário já teria sido usada.
No Agrupamento o que se diz é que o Diretor “só copiou uma ou outra ideia”, mas, pelos vistos, o outro candidato, derrotado na sexta-feira, terá entregue documentação ao Conselho Geral que prova a falta de originalidade do projeto de intervenção do Diretor, que, ao que parece, começa no próprio título do projeto, percorre todas as páginas e só termina na conclusão.
Neste como noutros casos, para além das questões legais, há as questões éticas e morais. Então o Diretor de um Agrupamento, onde crianças de 10, 12 ou 14 anos têm testes e trabalhos anulados por copiarem ou, às vezes, só pela tentativa de copiarem, pode, com a bênção do Conselho Geral copiar à vontade, contra o regulamento, e ainda recebe o prémio de ser eleito? Será que todos os alunos deste Agrupamento de Escolas vão poder copiar à vontade nos trabalhos e nos testes, a partir de agora, uma vez que o seu Diretor foi apanhado a copiar, confessou e no final teve direito a prémio? Será que os senhores professores que estão no Conselho Geral e que premiaram o Diretor com a reeleição vão também premiar com as melhores notas os alunos que apanharem a copiar? O que estão este Conselho Geral e este Diretor de Agrupamento a ensinar aos seus alunos: que as normas não são para cumprir, que os regulamentos são só para aplicar aos outros ou quando nos são favoráveis, que se pode infringir a lei se tivermos uma desculpa, boa ou má?
Aqui fica, assim, o registo de mais um caso que nos impõe a todos uma reflexão muito séria sobre o atual modelo de gestão, que vai asfixiando a democracia nas nossas escolas, e sobre o atual modelo de eleição dos Diretores que, como mais uma vez se prova, é facilmente manipulável por uma ou duas mãos cheias de conselheiros.
João Carlos Fonseca
Nota: o título deste artigo é uma liberdade artística do autor.
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Jun 12 2021
Pura e simplesmente vergonhoso…
E se fossem enganar o cagado?
PS:
A boa leitura de sempre do melhor Cronista do Reino:
Agoram Imaginem… | O Meu Quintal
A mentira tem perna curta:
Se dúvidas existissem…:
(…)
O que aconteceu no caso dos ativistas russos que se manifestaram em Lisboa é uma quebra grave da lei da proteção de dados?
Três ativistas russos decidiram organizar uma manifestação em prol da libertação do ativista russo Alexey Navalny em clara oposição ao regime de Vladimir Putin. O decreto-lei 406/74, de 29 de agosto que define e regulamenta o direito de reunião exige um aviso por escrito com a antecedência mínima de dois dias úteis ao governador civil do distrito ou o presidente da câmara municipal (atualmente e desde 2011, apenas ao Presidente da Câmara), conforme o local da aglomeração se situe ou não na capital do distrito. Este aviso deve ser assinado por três dos promotores devidamente identificados pelo nome, profissão e morada ou, tratando-se de associações, pelas respectivas direções. A Câmara de Lisboa, no seguimento desta comunicação, ao enviar uma comunicação eletrónica ao Ministério da Administração Interna e à Polícia de Segurança Pública deu conhecimento à Embaixada Russa que é território Russo. A Câmara Municipal, por ocasião desta lei, além de comunicar a existência de uma manifestação às portas da Embaixada ou outros organismos, partilhou os respetivos dados pessoais identificativos dos organizadores, quando da lei não resulta expressamente o envio desses mesmos dados em concreto.Não há então justificação possível.
Nada justifica a quebra do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, uma vez que este exige, para que se possa efetuar um tratamento de dados pessoais, uma base legal e o respeito pelo princípio da finalidade. No caso, poderíamos estar perante o cumprimento de uma obrigação legal, ou interesse público, mas a mesma se verifica dado que o decreto-lei de 1974 não prevê a transferência de dados em concreto dos organizadores da manifestação, nem tão pouco a divulgação comporta qualquer proporcionalidade face aos objetivos em causa nos termos do interesse público, previstos como excepção nos termos do artº 9º nº2 alínea g).
O regulamento de aplicação direta e imediata no ordenamento jurídico nacional e o seu incumprimento leva à aplicação de coimas pesadas, cada uma até € 20.000.000 (vinte milhões de euros) bem como, a aplicação de penas de prisão até 2 anos sobre pessoas singulares. (…)Fonte: ″Nada justifica a quebra da Proteção de Dados″ e pode haver ″responsabilidade criminal″
Claro que já enviaram – enganam quem?
Embaixada da Rússia diz que não enviou dados de manifestantes a Moscovo | Diplomacia | PÚBLICO
Mas Portugal protege alguém?
“Não vai ser fácil Portugal proteger-nos”, diz ativista russo
Pensamento dos marmanjos – “E que tal ficarmos caladinhos e quietinhos? Ninguém dá por nada…”:
Governo sabia das queixas dos ativistas anti-Putin há três meses – Observador
E já faltava cá este a fazer dos outros parvos:
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Jun 12 2021
Anda por aí um discurso, que gerou polémica, e que tenta dizer que Salazar foi eficaz a gerir a educação.
A discussão está centrada no ensino básico. Tem as suas nuances, mas não há “palmada” que me convença que escolaridade de 3 anos e turmas em salas “só” com 70 alunos é escolarizar bem. E sem sequer ir comparar com outros países…..
O Senhor Professor Doutor Palma devia aproveitar, que ainda há gente viva, e falar com uns professores primários dos anos 40 e 50, para moderar a sua visão limitada do “Salazar grande educador”. Eu tive a sorte de ser criado por alguns e ter falado com dezenas.
E, mesmo só no ângulo da escolaridade básica, numa visão de ler e escrever e contar, no fim, ficar com uns 25% de analfabetos, numa Europa quase sem eles, não é resultado que se apresente como valoroso ou venturoso ao fim de 40 anos.
Por exemplo, tinha graça, até numa comparação, com interesse para analisar o presente, o Doutor Palma comparar o analfabetismo da Polónia ou República Checa com o português dos anos 70…..
Quem gaba o resultado educativo do Salazarismo devia ter vergonha da lata.
Por exemplo, comparemos a frequência do secundário e nem precisa de ser com o estrangeiro: Portugal, em 1961 e depois….
E não falemos dos alunos que só faziam exame para admissão ao Liceu ou da 4a classe, porque os professores pediam aos pais ou ao cacique local ou ofereciam os sapatos. Ou do conteúdo dos programas. Ou do recuo da escolaridade obrigatória legal de 4 para 3 anos.
Salazar fez muitas escolas primárias. Sim, e? Já sabíamos e ele fez muita propaganda disso.
Saberá o Doutor Palma como os professores trabalhavam? E como era a escolarização? Saberá o Doutor Palma o que foi uma regente escolar ou o que foi a entronização do crucifixo nas escolas?
A História sem pessoas dentro, não é História, é manipulação.
E sim, sou mero licenciado em História, mas os estudos, antes e depois, não me queimaram os neurónios da sensatez. E, pelo meio, fiz uns estudos sobre educação e muito trabalho nela que me fazem perceber que uma escola não são só as paredes.
Compreende-se que as aparentes opções políticas do Doutor Palma o façam gostar de argumentos de autoridade, mas a realidade não se conforma aos títulos académicos. É ou foi…. E pouco se rala com doutorices.
Por isso: em síntese, Salazar prejudicou o progresso de Portugal, porque geriu mal e atrasou o progresso educativo seja qual for o padrão, comparando com o estrangeiro ou com Portugal depois.
Só em Democracia se recuperou o atraso e foi complexo por causa de outros problemas que o Salazarismo deixou.
Na educação, no tempo de Salazar não foi nada bom. Lamento, Doutor Palma, não tem razão.
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Jun 11 2021
Foram colocados 95 contratados na Reserva de Recrutamento 33, distribuídos da seguinte forma:

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Jun 11 2021
Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 33.ª Reserva de Recrutamento 2020/2021.
Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira, dia 14 de junho, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 15 de junho de 2021 (hora de Portugal continental).
Consulte a nota informativa.
SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato
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Jun 11 2021
Não é que nós queremos nos livrar dos professores, de maneira alguma. É criar uma relação diferente entre alunos e professores, uma espécie de parceria.” D. Albury, 2015.[1]
“Aos professores-pessoas caberá um trabalho de bastidores como ajustar os equipamentos, gerir problemas de disciplina e dar apoio pontual a alunos.” A. Seldon, 2018.[2]
“Um corpo docente reduzido, singular e bem treinado continua a projetar atividades de aprendizagem que podem ser implementadas e monitorizadas por robôs educacionais e outros funcionários (…) ou diretamente por software educacional.” OCDE, 2021.[3]
Nestas declarações – respetivamente, do diretor de uma empresa social que tem atividades educativas, de um académico das áreas da história e da educação, e de uma organização supranacional com enorme protagonismo na educação – percebe-se uma convergência em vários aspetos: para fazer funcionar os sistemas de ensino, que se querem em rápida mudança, continuam a ser precisos professores, mas em menor número; diversas funções destes profissionais são atribuídas a outros não credenciados e a aparelhos tecnológicos; aos professores cabem sobretudo tarefas de gestão das condições de aprendizagem, sendo a sua relação com os alunos transformada.
Como compreender, então, as seguintes declarações, que se afiguram de interpretação contrária?
“Os professores desempenham um papel central no acesso universal a uma educação de alta qualidade e equitativa para todos (…) são o fator que mais influencia o desempenho e a aprendizagem dos alunos.” UNESCO, 2020[4].
“Os professores são o fator mais importante na escola quando se trata de aprendizagem.” OCDE/UNESCO, 2021.[5]
As dúvidas adensam-se ao olhar para o “inevitável” projeto global de transição digital:
“As máquinas ‘inteligentes’, escrupulosamente programadas, serão inspiradoras, não terão quaisquer falhas nos conteúdos a ensinar, usarão as abordagens pedagógicas eficazes, desafiarão os alunos, serão pacientes com eles e administrar-lhes-ão o reforço no momento certo. Também se adaptarão às suas particularidades e proporcionar-lhes-ão um progresso individualizado, seguindo o seu ritmo de aprendizagem. Serão elas que abrirão as portas do conhecimento às novas gerações”. A. Seldon, 2017 [6].
Todas estas citações são posteriores a 2015, ano em que a ONU publicou a “Agenda 2030”, documento que a OCDE diz ter tomado como base para construir o “Modelo Bússola de Aprendizagem”, que apresenta como “humanista” e a que tem dado redobrado impulso desde 2020.
Esta organização alega urgência em transformar a educação para se alcançar o há muito almejado “bem-estar” pessoal e social. Tendo declarado a pandemia da Covid-19 como a “grande oportunidade” para tanto, entendeu ser a “disrupção” o caminho a seguir e a “ubiquidade” a abordagem a privilegiar. Reafirma que, com as tecnologias digitais, a informação está ao alcance de todos, em todo o lado, a todo o momento, pelo que a aprendizagem de tipo escolar, antes confinada à escola, dispensa-a em numerosas situações, ficando, assim, dispensada a interação direta professor-alunos. Em concreto, colocando a tónica na aprendizagem, alia à vertente formal as vertentes informal e não formal, podendo o contexto ser escolar ou não escolar. Os alunos solicitarão apoio de qualquer agente – professor ou não – que se lhe afigure ser uma ajuda para alcançar as “competências” inscritas na sua “bússola” personalizada. Quais navegantes, terão nesta “metáfora” a ferramenta ideal para encontrar o seu caminho próprio num mundo cada vez mais complexo, incerto e volátil.
Face à manifesta desvalorização da escola, que redunda numa séria tentativa de a dissolver com tudo o que lhe dá forma e sentido, justifica-se plenamente a pergunta que o filósofo francês Georges Gusdorf (1912-2000) usou como título do seu livro de 1963: “professores para quê?”[7]. O essencial da sua resposta, tão extensa quão profunda, encontra-se no Capítulo 1: O ensino, o saber e o reconhecimento (páginas 13 a 46).
Contestando os desígnios de uma “pedagogia de trazer por casa”, cujo centro é a tecnocracia da eficácia, marca dos nossos tempos, relembra que toda a educação “prepara para a existência”. Este princípio tem de estar na escola, “lugar privilegiado de civilização”, que poderá levar cada aluno a “alargar e desenvolver o espaço mental”.
Por isso, “o ensino é sempre mais do que o ensino (…) em cada situação particular, ultrapassa em muito os limites dessa situação, para pôr em causa a existência pessoal no seu conjunto”. Longe de estar cientificamente explicado e de ser operacionalizado fora do humano, há tanto nele de conhecido como de desconhecido, de possibilidade como de impossibilidade: “o mistério pedagógico nimba o nascimento de um espírito, a vinda de um espírito ao mundo e a si próprio”; “se cada vida a si mesma se pertence, como transmitir algo de uma existência para outra?”.
Neste reconhecimento, o filósofo francês recusa a redução do professor a “uma espécie de figurante. Na melhor das hipóteses, um medianeiro”. Ele “sabe-se e quer-se diferente de todos os outros que perseguem interesses financeiros e vantagens pessoais”, pois cabe-lhe dar “forma humana” ao conhecimento, procurando “libertar em cada um o pleno exercício da inteligência. Na “odisseia de cada consciência”, o professor potencia o “diálogo aventuroso”: ensina alguma coisa para os alunos aprenderem alguma coisa. A “graça do encontro” escolar não acontece em mais lado nenhum nem em nenhuma outra relação, mas não é esta consciência que a torna segura:
“Pode substituir-se o professor por um livro, um posto radiofónico, um megafone, e não faltam tentativas nesse sentido. No limite, todas as crianças (…) podiam receber, em casa, o ensino de um só e único professor (…). Pode ver-se a enorme vantagem que este sistema ofereceria do ponto de vista financeiro: acabavam-se as escolas, as turmas, os milhares de funcionários [bastaria] uma pequena equipe de instrutores”.
Gusdorf discute nos restantes capítulos esta afirmação que, apesar das suas quase seis décadas, é próxima daquelas com que abri o texto. Então, responde à pergunta que formulou: precisamos de professores porque eles são “os guardiões da esperança humana”.
Face à sistemática e sofisticada sedução discursiva que faz desviar esta consciência, insistir nela é voltar à essência da profissão
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Jun 11 2021
Numa altura em que estão a decorrer os concursos para diretores dos dois agrupamentos de escolas de Tomar: Templários e Nuno de Santa Maria, fomos ver como estamos de transparência nestes processos.
O que se verifica é que o processo eleitoral, em ambos os agrupamentos, é marcado pela falta de transparência. Documentos que deveriam ser públicos, não são divulgados, ficando no segredo dos deuses do Conselho Geral, órgão a quem compete organizar o processo e eleger os diretores. Basta comparar os processos eleitorais em Tomar com outro, por exemplo, na Sertã.
No site do agrupamento de escolas da Sertãsão publicadas as convocatórias e os resultados das assembleias eleitorais dos representes do pessoal docente e não docente e as respetivas atas. O mesmo acontece com a eleição do Diretor, em que são publicadas as convocatórias e as atas.
Em Tomar, a informação que é disponibilizada fica-se pelos mínimos. Não são publicadas as convocatórias nem as atas que se referem aos concursos para diretor. No caso do agrupamento Nuno de Santa Maria nem sequer há informação sobre a composição do Conselho Geral, o órgão mais importante. Aliás, não há informação sobre qualquer dos órgãos do agrupamento: Direção, Conselho Geral, Conselho Administrativo e Conselho Pedagógico.
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Jun 10 2021
A PSP foi chamada ao Agrupamento de Escolas de Alapraia, no Estoril, em Cascais, devido a um caso de bullying que ocorreu no recreio – uma menina, de 12 anos, foi agredida a pontapé por uma colega mais velha. O caso, que aconteceu na terça-feira, foi filmado por vários jovens que depois colocaram os vídeos nas redes sociais. Neles ouvem-se gritos de incitamento à violência. A jovem ficou com ferimentos ligeiros, mas a mãe não a deixou regressar .
Mãe da aluna apresentou queixa na PSP e quer a agressora expulsa da escola. A vítima já vinha a ser ameaçada há uma semana pela colega.
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Jun 10 2021
Na lista de aposentados da CGA com efeitos ao mês de Julho de 2021 encontram-se aposentados 189 docentes da rede pública do ME de Portugal continental.
Em 2021 estão assim aposentados 981 docentes, número muito abaixo das 2067 aposentações previstas para este ano.

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