António Costa falta à palavra dada aos professores monodocentes. – José Manuel Alho

 

Pobres do zecos em monodocência!

 

Corria o ano de 2017 quando, a 8 de junho, o já Primeiro-Ministro (PM) António Costa, constatando uma das mais graves e lesivas iniquidades do sistema educativo português, consensualmente aceite, disse o seguinte  sobre os professores em monodocência:

“…relativamente à idade de reforma, como sabe, aquilo que é entendimento pacífico é que não deve haver alterações nessa idade, deve haver sim, uma alteração e criar condições, para que possa haver um conteúdo funcional distinto, em particular, relativamente àquelas situações onde há efectivamente discriminação, que tem aver com situações de monodocência que não beneficiam de redução de horário.”

A 24 de agosto de 2019, em entrevista ao jornal EXPRESSO, declarou:

“Mesmo assim, olhando para os anos que se seguem (e no pressuposto de que vence as legislativas de outubro), o líder socialista diz querer sentar-se com os professores para renegociar aspetos das suas carreiras. Mas com bandeira branca levantada. Costa quer falar de “fatores fundamentais que são habitualmente pouco falados”. E dá dois exemplos: “A questão da estabilidade do corpo docente na escolas”, porque “nada justifica que os professores sejam a única carreira na função pública sujeita, durante uma fase muito longa da vida (de quatro em quatro anos) a um concurso que pode levar os professores a andar a mudar de residência durante várias dezenas de anos”. E, segunda questão relevante, a questão das “monodocências”: “Os educadores do primeiro ciclo não beneficiam das reduções de horários nem da carga de trabalho de que os outros professores beneficiam ao longo da vida”.
“Seria altura para nos dedicarmos mais a temas que têm a ver com a vida dos professores, melhorando a qualidade do ensino, em vez de nos consumirmos tempos infindáveis a revisitar temos sobre os quais não haverá conclusão”, afirma o primeiro-ministro, procurando captar a simpatia de uma carreira que em muitos momentos desafiou o Governo – nomeadamente com a questão da contagem integral das carreiras congeladas por mais de nove anos.”
No passado dia 10 de junho do corrente ano, quando confrontado com uma manifestação de professores descontentes, no Peso da Régua, onde decorriam as comemorações alusivas à efeméride, o governante voltou a lembrar-se do que “falta fazer relativamente aos monodocentes“.
Volvidos quase oito anos sobre o início de funções como PM, António Costa não teve tempo – ou não quis – resolver, com o impenhorável sentido de justiça, uma situação que identificou com antiga e premente. No entretanto, 35 000 eleitores poderão, com sonsa ingenuidade, ter acreditado na máxima “palavra dada é palavra honrada“. Quem caiu na esparrela, foi comid@ de cebolada.
Infelizmente, os sindicatos (mais ou menos) representativos não elegem a questão como verdadeiramente prioritária e, a custo, incluem-na, com recato q.b., no caderno de reivindicações, mas com a timidez de quem, afinal, nunca achou o assunto assim tão importante e a iniquidade assim tão intolerável.
Pobres do zecos em monodocência!

 

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22 comentários

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    • Toino on 26 de Outubro de 2023 at 16:27
    • Responder

    A senhora desse gajo, educadora de infância, esteve, mas, entretanto, já não está em monodocência!
    Portanto…

    • Bazófias on 26 de Outubro de 2023 at 16:41
    • Responder

    Os sindicatos fazem vista grossa… o que interessa aos Mários, Chicos Ruis e outros que tal que para felicidade das nossas crianças, numca puseram os pés numa sala de aula. Querem preservar os lugares. Nem mais um tostão para essa gentalha

    • jcc on 26 de Outubro de 2023 at 16:53
    • Responder

    Estou prestes a reformar-me e é com imensa mágoa que vejo o primeiro ministro a não honrar a sua palavra. Os sindicatos também revelam uma enorme falta de equidade quando se fala em monodocentes. Quando um primeiro ministro admite a injustiça em relação aos monodocentes e nada faz e os sindicatos os ignoram, é sinal que estes profissionais terão de recorrer a outros meios para serem justamente equiparados.
    Não se pode esmorecer e têm de ser os monodocentes a lutar por eles próprios.

      • Bazófias on 26 de Outubro de 2023 at 16:57
      • Responder

      Apelo a todos os Monodocentes que façam como eu abandonem os sindicatos…

    • Toino on 26 de Outubro de 2023 at 17:13
    • Responder

    E o Mário Nogueira também é monodocente.

      • Bazófias on 26 de Outubro de 2023 at 17:54
      • Responder

      Esse e Chico papa leitões..nunca deram aulas

    • Paulo on 26 de Outubro de 2023 at 17:59
    • Responder

    A esposa já deve estar segura, no 10° escalão e sem turma…!
    Apetecia descer ao nível deste… mas não posso!

      • Bazófias on 26 de Outubro de 2023 at 22:10
      • Responder

      A Esposa não é para aqui chamada.

        • Ai é, é on 26 de Outubro de 2023 at 22:22
        • Responder

        A Esposa saíu com a barriga cheia, com uma legislação feita “à medida”.

          • Toino on 26 de Outubro de 2023 at 22:31

          O Bazófias anda noutro planeta.
          Então ele não sabe o que aconteceu à mulher do Costa?!

    • Sardanisca on 26 de Outubro de 2023 at 18:24
    • Responder

    ESTEJAM CALADINHOS!
    PORTUGAL É O ÚNICO PAÍS DO MUNDO ONDE OS PROFESSORES PRIMÁRIOS TÊM A MESMA CARREIRA DOS OUTROS.
    CALEM-SE!
    Não, não é desprimor dizer “professores primários”, pois em todos os países se diz assim.
    Só em Portugal, para os professores primários, é que parece que é uma desonra!

      • Rio Dão on 26 de Outubro de 2023 at 19:14
      • Responder

      Primários , primeiríssimos e os mais importantes

      • Prof on 26 de Outubro de 2023 at 21:39
      • Responder

      Sardanisca! Vai dar banho ao cão.
      Primária com muito orgulho.
      Quem está sempre muito incomodado com os PROFESSORES PRIMÁRIOS são os setores do secundário. Porque será?

        • Riodão on 26 de Outubro de 2023 at 22:00
        • Responder

        Porque na realidade somos melhores

          • Pois é on 26 de Outubro de 2023 at 22:22

          É por causa desta mentalidade de treta que deixei o ensino.
          Com “melhores” e “piores” mostram bem que são todos muito maus. Os “melhores” bem “piores” do que os restantes.

          • Toino on 26 de Outubro de 2023 at 22:34

          Os melhores montes de estrume, isso sim!
          Uma cambada de ressabiados, com inveja aqui do pessoal do Ensino Superior.

    • Ai é, é on 26 de Outubro de 2023 at 22:20
    • Responder

    A Esposa saíu com a barriga cheia, com uma legislação feita “à medida”.

    • cricri on 26 de Outubro de 2023 at 22:22
    • Responder

    Monodocência? Todos os docentes são monodocentes LOL…do 2º ciclo até secundário e chegam a ter várias turmas e cerca de 250 alunos em MONODOCÊNCIA LOL! Estão sozinhos a dar essas aulas, ninguém está lá, para lhes dar apoio! E ninguém defende um máximo de turmas por docente! O que falta nas Leis é equidade! Há muita injustiça e desigualdades no Ensino.

      • Pois é on 26 de Outubro de 2023 at 22:23
      • Responder

      Nem mais!

      • Toino on 26 de Outubro de 2023 at 22:40
      • Responder

      Vocês só percebem da vossa disciplina (e alguns, com falhas gritantes).
      Monodocência não é isso, ó Criquinha(o)!
      Vai ver o que significa.

    • Libertário de Pantufas e Cachimbo on 27 de Outubro de 2023 at 12:19
    • Responder

    Mas o porco miserável do Costa alguma vez teve palavra?

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