Um simulacro chamado “negociação”…
Segundo o Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa, a palavra negociação significa:
“Conversações entre parceiros sociais com o objetivo de se chegar a um acordo”.
Desde o passado mês de Setembro, já se realizaram seis rondas negociais entre o Ministério da Educação e os Sindicatos da Educação, não existindo, no momento actual, qualquer expectativa de entendimento futuro, entre ambas as partes…
À saída de cada ronda negocial, tem-se assistido a uma visão penosa e deprimente da dita “negociação”, com os Sindicatos a mostrarem-se naturalmente agastados com os respectivos resultados e o Ministério a tentar passar a ideia de que tem transigido em algumas reivindicações, pretendendo, dessa forma, iludir a “opinião pública” com cedências da sua parte que, na verdade, nunca se concretizaram, pelo menos nos pontos essenciais que levaram à contestação…
Ou seja, a ilusão da cedência por parte da Tutela, com o objectivo de simular o empenho para chegar a um acordo com os Sindicatos, parece estar a minar qualquer possibilidade de entendimento, revelando-se como uma atitude pouco digna e plausivelmente mal intencionada, que acabará por resvalar para a deslealdade institucional…
A boa-fé, que supostamente deveria conduzir a negociação e que, no pior dos cenários, deveria levar a Tutela a assumir, de uma vez por todas, com clareza e frontalidade, que não existirá qualquer cedência relevante da sua parte, não se tem vislumbrado…
Em vez disso, o Ministério da Educação parece estar interessado em arrastar a “negociação”, sem que se acredite numa verdadeira intenção de ceder no que quer que seja, levando os Sindicatos à humilhação constrangedora de terem que “mendigar por graças” que nunca obterão…
A sujeição a esta estratégia ardilosa do Ministério da Educação não dignifica ninguém e é inadmissível numa Democracia, supostamente, adulta e madura…
Se o Ministério da Educação não tem, efectivamente, nenhuma cedência significativa para apresentar que se encerrem as “negociações”, evitando-se, assim, a repetição de sucessivos “espectáculos” públicos, nada edificantes, a fazer lembrar os típicos melodramas de uma “telenovela mexicana”…
Depois de tantas rondas negociais, sem se verificar qualquer dos efeitos práticos pretendidos, não restará aos Sindicatos outra atitude que não seja a de deixarem de lado as “politiquices” e harmonizarem formas de luta, porventura recorrendo ao agravamento das mesmas…
Se os Sindicatos não o fizerem, os profissionais de Educação ficarão “reféns” da Tutela, que “esfregará as mãos de contente”, levando por diante todas as iniquidades já anunciadas e, eventualmente, outras ainda por revelar…
Os profissionais de Educação não podem ficar ad aeternum à espera de soluções milagrosas para os seus problemas, que parecem nunca chegar, e se esse “beco sem saída” se mantiver por muito mais tempo, haverá um momento em que se cansarão e desistirão da sua luta, sobretudo se não virem resultados substanciais decorrentes da mesma…
Por cada dia que passa, sem se vislumbrar uma centelha de predisposição de todos os Sindicatos para se entenderem e harmonizarem formas de luta, aumenta o risco de cansaço e de desmobilização…
E chegou-se àquele momento em que não é possível voltar para trás…
Os profissionais de Educação, por todo o esforço já empreendido, esperam, legitimamente, e sem condescendência, que todos os Sindicatos que os representam consigam delinear estratégias conjuntas, que permitam alcançar os principais objectivos da presente luta…
Se os Sindicatos não o fizerem, arriscar-se-ão a ficar retratados como um “saco de gatos”, onde ninguém se entende, onde facilmente se instala a confusão e a divisão insanável e onde prevalecem os interesses corporativos…
Obviamente que daí até os profissionais de Educação poderem ser “contaminados” por essa “patologia” será um passo muito curto…
Não será aceitável que os profissionais de Educação possam ser enganados pelos seus pretensos pares…
A Esperança não poderá dar lugar à decepção e à descrença total naqueles que supostamente os representam…
Os profissionais de Educação não podem ser deixados, pelos Sindicatos, numa situação ainda pior do que aquela em que se encontravam antes da presente luta…
Além disso, imagina-se quão satisfeitas ficariam certas personagens sinistras se pudessem assistir a mais um desaire ou à desistência da luta, por parte da Classe Docente?
Quem lhes quererá dar esse prazer mórbido e esse regozijo?
Se os Sindicatos não agirem em prol do bem comum, que credibilidade lhes restará?
Perdoe-se a repetição e a insistência, mas neste momento não vejo, de todo, outra alternativa que não passe por uma verdadeira união sindical, como forma de resolver o impasse a que se chegou…
Tem de haver união e firmeza de classe profissional, sem isso não se irá a lado nenhum…
Com todo o caminho que já foi percorrido, desistir agora será como “morrer na praia”, perdendo-se a oportunidade soberana de recuperar o respeito e a dignidade…
(Paula Dias)




11 comentários
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“Não tenho nada a oferecer senão sangue, trabalho, lágrimas e suor”
Eis a receita!
Apenas para aqueles que nao receiam tombar à porta do sucesso!
Defendo novas e mais criativas formas de Luta. Por exemplo, uma grande marcha em Topless, com as professoras de menos de 40 anos na frente, todas a mostrar as mamas, teria impacto garantido, sendo seguramente alvo de grande cobertura noticiosa! Vamos a isso? O que dizem a esta proposta?
Primeiro terá de ser o Sr levar o rabo ao léu.
A Hora é de Luta. E levantar a moral , e não adormecer por palavras ( Mansas) , quem faz da política a não ( Educação de Portugal) .
Tenta embalar em palavras ( ME ) em troca de um ( Nada ) nas negociações, à vários meses.
Lutar é Destino contra as Injustiças….Nada para os Professores de vir para Rua
A Luta pode resultar ou não… Mas só perde mesmo, quem desiste de Lutar. O governo-PS e o ministro promovem o arrastamento sem final à vista, das pseudo negociações, à espera da nossa desmobilização ou de um pretexto para declarar a Requisição Civil, coisa que já estão a preparar uma vez que se começou a falar em greve aos Exames e avaliações. Compete aos jurídicos dos vários Sindicatos – que pelo menos aparentemente, têm estado pouco ativos pelo menos nesta questão da imposição de serviços mínimos – ripostar.
No Agrupamento no qual estou a lecionar, todos os docentes estão convocados para cumprirem os 3 primeiros tempos letivos de cada turma no 2.º e no 3.º ciclos e os 3 últimos no ensino secundário. Eu tenho turmas do 3.º ciclo e do ensino secundário. Os serviços mínimos, cuja legalidade deveria ser averiguada pelas vias judiciais, não podem impedir o direito há greve. Uma coisa é um Colégio Arbitral decretar serviços mínimos, outra coisa é não ser possível fazer greve, nem sequer a 1 tempo letivo. Viva a Democracia!
Errata: “à” em vez de “há”.
Completamente de acordo com o texto. Seria muito triste “morrer na praia”!?… Depois destes meses estragar tudo, seria ceder à ignomínia da alegada “abertura negocial” de que se reclama o ministério. Parece-me que a proposta da união sindical é uma excelente , senão mesmo única, forma de conseguirmos que as nossas reivindicações sejam consideradas e resolvidas como problemas inadiáveis e de resolução imprescindível. Há que pôr um fim nesta degradação intencional que tem sido mascarada com a introdução de projectos e relatórios apresentados como grandes melhorias que têm sido causas da degradação do ensino público.
Associados da principais sindicatos: está na hora da ameaça à desvinculação destes sindicatos se estes não forem efetivamete representantes dos professores!!
A LUTA continua e continuará, e mais forte se for preciso!!
(o comportamento desta gentinha do ME é vergonhosa! mas tem sido assim há cerca de duas décadas!!)
“SIMULACRO” bem escolhida a palvavra!
Retiro do texto: “…o Ministério a tentar passar a ideia de que tem transigido em algumas reivindicações, pretendendo, dessa forma, iludir a “opinião pública” com cedências da sua parte..”
e acho que é exatamente este comportamento rasteiro que se vem passando!!
O comportamento do Ministério da Educação é vergonhoso e acarreta consequências pelas quais deve ser responsabilizado. Não defende a qualidade da escola pública, aparenta preocupar-se com os alunos, digo, com a sua permanência no recinto escolar, com a “escola inclusiva” e com o “sucesso”. Pode continuar a fingir, mas não pode fugir às suas responsabilidades.
A forma como tem tratado os professores vai muito para além da falta de respeito. Exige-se honestidade, boa fé,…