“Docente velho é um problema, mas ser prejudicado ainda é pior”
“O ministro da Educação mostrou abertura para negociar parte da recuperação do tempo de serviço, no caso dos docentes que foram mais prejudicados.
Naturalmente que é diferente estar no 10.º escalão, ou estar no 4.º escalão. Quando a carreira docente foi descongelada houve docentes que já estavam na parte superior da carreira, no 8.º ou 9.º escalões, que não recuperaram a totalidade dos 2 anos 9 meses e 18 dias.
Essa recuperação foi feita na totalidade ou de forma faseada:
1 – Os docentes recuperavam 340 dias no escalão em que estavam posicionados a 1/6/2019;
2 – Os docentes recuperavam 339 dias no escalão em que estavam posicionados a 1/6/2020;
3 – Os docentes recuperavam 339 dias no escalão em que estavam posicionados a 1/6/2021.
Os docentes que já estavam no cimo da carreira foram prejudicados, pois esse tempo não contou na totalidade. Quando se é mais velho, com 60 e tal anos, e se está no topo da carreira não adianta recuperar tempo de serviço.
Convém os sindicatos e o ministro da Educação não se esquecerem de quem está no topo da carreira.
A forma correta de o fazer seria encontrar uma solução exequível e sensata. O modo de compensar os docentes do topo da carreira que já não beneficiam de recuperação do tempo de serviço seria esse tempo contar para efeitos de aposentação.
Não tem efeitos na sua remuneração, mas tem efeitos no cálculo da sua pensão. É muito diferente um docente aposentar-se com 42 anos, ou 44 anos, ou 45 anos de serviço.
Docente velho é um problema, mas ser prejudicado ainda é pior. Claro que é legítimo os docentes novos e de meia-idade recuperarem o tempo de serviço, mas seria de bom senso darem aos docentes mais velhos que andaram com vários ministros às costas a possibilidade, para efeitos de aposentação, de um bónus do tempo que for recuperado.
Este país não é para velhos, acreditem: ter 65 anos e ainda ter de lecionar é violento. Muitos docentes velhos estão exaustos, outros de baixa médica à espera da hora de se aposentarem. Deixem-nos ir embora.”




8 comentários
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Ilustre Rui Cardoso,
Depende …. um docente com 65 anos mas que nunca lecionou CEF Profissionais, que teve sempre as melhores turmas e mais bem comportadas, penso que ainda pode star aí para as curvas ….
Agora um docente com uma década a menos, mas que tenha tido sempre Profissionais CEF e afins está completamente desgastado, ….
….um docente de uma escola TEIP (obviamente não irei apontar nenhum nome) ao fim de 10 anos tem o dobro do desgaste de uma escola TOP!
Prefiro lecionar, por exemplo numa Alves Martins em Viseu, do que numa TEIP lá para os lado do Cerco no Porto.
Pois claro…Um docente com 65 anos não apanhou turmas de todo o género…boas, más, péssimas. Com 65 anos há profs de geografia, francês, etc que com 18h letivas levaram com 9 turmas, 200 alunos, enquanto outros com profissionais mais novos tiveram 4 turmas. No profissional a maioria das vezes nem testes corrigem…Olhar só pró umbiguinho é feio!
A possibilidade dos docentes mais velhos poderem ir embora, com a recuperação do tempo de serviço a contar para a aposentação, prejudica os docentes mais novos ou de meia-idade? As escolas terão mais horários disponíveis e isso é benéfico para todos os outros professores ou não? Na vida há um tempo para tudo: para começar, para continuar e para parar. Em Portugal, não há substituição de gerações, são sempre as mesmas pessoas nos locais de trabalho, e nas escolas em especial, ao longo de décadas e décadas e décadas…
E os profs que já se reformaram ?
Ficam a ver navios e não chegaram ao topo da carreira.
Concordo mas informo que um elemento da direção do SPRC em Viseu o tal “Chico dos Leitões” afirmou ” não podemos dar bónus a esses gajos vamos dizendo que sim mas nem falamos nisso. Assim ficam cá mais uns anos a pagar Quotas. Nem mais um cêntimo. vão trabalhar
Colega como o compreendo.
Eu já enviei para o Ministro e PM uma proposta semelhante. Só dava lucro, mas neste país as prioridades são os bancos, as PPP das autoestradas e a TAP.
Agora o 1.º Costa até inventou para dar casas a quem não cumpre nada.
Viva o “xuxalismo” no seu melhor…
Os dirigentes da Frenprof não acham piada a isto. Dizem em sordina” não podemos pedir isto, os gajos vão embora e são mais uns milhares que deixam de pagar quotas” não é verdade Marinho ..do Mondego
Ja agora o Chico dos Leitões também podia responder.