Novembro 2022 archive

Na rua contra as Provas Globais – João André Costa

 

5 de Maio de 1994, Quinta-feira, foi, obviamente, um dia de semana e por conseguinte para poder ir a Lisboa, sabe Deus com que dinheiro (o dinheiro da mesada?, os almoços por comer e os escudos no bolso?), só depois da escola, só depois das aulas não fosse, número um, em casa saberem-me em Lisboa, número dois, saberem-me a faltar às aulas pois as consequências, igualmente óbvias, lá estariam desertas de esperar quando uma família sabe com todas as letras o valor e o sabor da educação sem esquecer a desilusão no rosto de todos a quem mais se quer.
Por estas razões, e por efectivamente ter ido para Lisboa, estou convencido, juro a pés juntos, ter ido para Lisboa por ter a tarde livre, decerto a tarde livre, não faltei às aulas, saí com o toque da uma da tarde e lesto desci o Monte em direção à Via Rápida.
Tinha 15 anos, frequentava o 10° ano de escolaridade e, tal como dezenas de milhares de jovens por todo o país, estava a semanas das tão temidas Provas Globais, inevitáveis no meu caso por ser aluno de uma escola piloto antes do alargamento das mesmas ao território nacional no ano consecutivo.
Não queria ser avaliado. Não queria ser ainda mais avaliado. Já me chegavam os testes duas vezes por período a todas as disciplinas com as épocas de avaliação às vezes intervaladas por uma semana e uma semana só de descanso como se fôssemos cavalos de corrida a quem é forçoso açoitar constantemente não vão os ditos parar.
Mas parar aonde e correr para quê? Para quê a pressa quando se tem uma média de 17 valores e o meu valor, perdoem-me o pleonasmo, mais que provado?
Por isso na rua armado somente de mãos para agitar, pernas para andar, braços para lutar e uma voz para exigir e gritar.
Fui sozinho. Por vontade própria. Ninguém me pediu ou exigiu. Fui porque quis ir à minha primeira manifestação depois de Abril e apesar de Abril quando o país ainda mal preparado, como nós quais adolescentes, ainda incerto, temeroso e com razões de sobra para se sentir revoltado. Como nós, aliás.
Sentei-me em liberdade no meio da Avenida. Porque podia. A Avenida estava cortada ao trânsito para a manifestação, os marchantes ainda por chegar ou em vias de se concentrarem no Marquês e eu sozinho a usufruir da vista, da vontade, do querer e poder sentar o traseiro no meio de não sei quantas faixas de rodagem de braços cruzados ao redor dos joelhos à espera que o mundo mude.
Mas o mundo não muda sozinho, precisa de homens e mulheres e eles aqui estão à cabeça da manif a descer a Avenida e tão surpresos como eu: “Olh’ó “cientista”!”, gritam de dedos apontados, ao mesmo tempo surpresos e alegres, e eu, qual mola, a saltar deste ponto de observação privilegiado para me juntar à delegação da minha escola na ponta da lança contra as Provas Globais!
Sim, gritámos, sim insultámos a Manuela como se a Manuela fosse a meretriz mais reles, não querendo maldizer as meretrizes tantas vezes acima de qualquer Ministro, de qualquer educação, sim, baixámos as calças para as câmaras e por causa das câmaras, sim fomos muitos e muitos, a força dos números, comitivas de centenas de alunos de cada vez a juntarem-se à marcha e a euforia total, um exército na rua pela primeira vez, a primeira de muitas para aprender o que não nos ensinam na escola, e ainda hoje não ensinam, do pensamento crítico ao exercício de direitos, do associativismo político aos debates, da luta aos movimentos cívicos, o que é defender uma causa, gritar, protestar, não aquiescer.
Aprender a não baixar os braços, ainda para mais quando o objectivo era, e é, o mesmo de sempre, cercear o acesso à universidade, à educação, ao futuro, a melhores condições de vida, a história da Humanidade, o fosso entre ricos e pobres, os que mais podem contra quem menos tem.
Hoje, por vontade própria, os jovens encerram escolas e empoleiram-se nos telhados das mesmas. Em nome do clima. Por não haver planeta B. Hoje, por vontade própria, os jovens dão de mão beijada a única arma ao seu dispor: a educação.
E os dirigentes agradecem quando se ocupa o que está mais à mão, a escola, a mesma escola cuja função como ascensor social fica inexoravelmente comprometida.
Mas numa escola onde a aprovação do aluno de ano para ano já há muito é automática em nome de estatísticas para mostrar lá fora e pouco mais, pouco mais para os professores e para as escolas, pouco mais para os alunos e a escola é apenas um grande ATL onde os filhos deste país passam 12 anos apenas porque sim e depois logo se vê, não posso senão concluir terem os jovens de hoje toda a razão no seu desprezo total e absoluto pela escola.
A escola é um instrumento, um meio, mesmo se parco, para atingir um fim. A escola, o seu espaço, é o pouco que lhes resta. E a culpa não é dos jovens tal como não era nossa quando num solarengo 5 de Maio saímos à rua com o epíteto de malcriados, alarves, estúpidos e rascas.
A culpa é de quem dirige e a luta destes jovens é a nossa quando já não há tempo para a democracia e ainda menos tempo para sobreviver.
As águas estão a subir e a escola pode esperar.

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422 Contratados colocados na RR11

Foram colocados 422 contratados na reserva de recrutamento 11, distribuídos da seguinte forma:

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Abertura da Caixa de Comentários nos Artigos do Blog

Após alguns meses de ausência da caixa de comentários nos artigos do blog vou voltar a abrir esta funcionalidade.

Espero que os comentários não sejam ofensivos entre colegas e que haja respeito pelas diversas opiniões, independentemente de delas discordarem.

A partir do momento que os comentários passem a ser ofensivos tomarei novamente a decisão de eliminar esta possibilidade de troca de opiniões.

 

 

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Quem deseja ter um salário superior ao 10º escalão?

A TVI/CNN Portugal teve conhecimento que há quatro antigas secretárias pessoais que foram promovidas pelos atuais ministros da Economia e da Saúde a técnicas especialistas e uma como adjunta. Os salários oscilam entre os 3 e os 4 mil euros e usam a viatura oficial dos Ministérios, mas nenhuma destas três técnicas-especialistas e a adjunta têm licenciatura.
 
O gabinete da ministra da Presidência justifica a contratação do jovem de 21 anos, que vai auferir cerca de quatro mil euros brutos por mês,
 
NÃO ESTUDASSEM!…Emoji
Mário Silva

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E o abismo ali tão próximo…

 

Se se concretizarem todas as malvadezas que, nas últimas semanas, têm vindo a ser preconizadas, e algumas já anunciadas, pelo Ministério da Educação, o mundo profissional que os Professores conhecem deixará de existir, muito em breve…

Desse mundo, pouco ou nada restará…

Apesar da gravidade da situação, a maior parte dos Professores não parece ter ainda tomado consciência de que o seu mundo estará prestes a ruir, a ser implodido e substituído por outro incomparavelmente pior…

Assoberbados que estão, entre outros, com indizíveis “inovações” como Domínios, Subdomínios, Temas, Ponderações, Instrumentos de Avaliação, Instrumentos de Registo, Descritores por Níveis de Desempenho em cada Domínio, Tabelas para Operacionalização dos Critérios de Avaliação em cada Domínio, Áreas de Competências, Menções Qualitativas ou Menções Quantitativas, os Professores parecem aturdidos pelo trabalho insano e pelos automatismos comportamentais…

E ainda, também, em alguns casos, para agravar a complexidade e tortuosidade do que lhes é exigido, com Tutoriais e Guiões explicativos (!) para conseguirem registar tudo o anterior, de acordo com determinados cânones, de forma a que, no fim, o respectivo significado seja praticamente inacessível e indecifrável…

Sim, o Projecto Maia conseguiu a proeza de “oficializar a loucura”, mas sempre “by the book”, “comme il fault”

E no meio de tantos desvarios que grassam dentro de muitas escolas, no exterior, o futuro dos Professores vai sendo decidido em (patéticas) rondas negociais entre o Ministério da Educação e os Sindicatos que supostamente os representam…

Começa a ser verdadeiramente confrangedor ouvir algumas declarações de dirigentes dos principais Sindicatos de Professores, à saída de cada ronda negocial com o Ministério da Educação…

Pois que saem dessas reuniões desiludidos e “desconcertados”, como recentemente parece ter acontecido (Jornal Público, em 8 de Novembro de 2022)…

Nesses concílios, ao que tudo indica, o Ministério da Educação simula que negoceia; os Sindicatos prestam-se ao papel de vítimas enganadas, vergadas às imposições tirânicas da Tutela; e, no fim, todos parecem ficar satisfeitos por terem cumprido a sua parte da actuação nonsense, do filme: “Para inglês ver”…

Mas os Sindicatos ainda acalentavam alguma ilusão?

Ou terão esquecido que, entre outros despautérios, em 2019, o 1º Ministro António Costa fez uma inadmissível chantagem, ameaçando com a demissão do Governo, se a Assembleia da República aprovasse a recuperação integral do tempo de serviço dos Professores?

Em 2022, o 1º Ministro é o mesmo, com a agravante de o actual Governo ser suportado por uma maioria absoluta em termos parlamentares, o que lhe dá uma margem de manobra significativamente superior…

O que esperavam os Sindicatos?

Ou terão esquecido que, em 2010, cederam a um ruinoso acordo, alegadamente selado com pizzas, com a então Ministra da Educação Isabel Alçada, desbaratando toda a força e união, alcançadas em 2008, pela maior Manifestação de Professores alguma vez ocorrida em Portugal?

Ou terão esquecido que durante os seis anos de Governo pela “Geringonça”, suportado pelo PS, BE e CDU, a sua própria postura se pautou pela bonomia e pela aceitação, fazendo de conta que reivindicavam e que reclamavam, mas mostrando-se incapazes de encetar acções efectivamente consequentes ou de ruptura, plausivelmente dominados por determinadas agendas partidárias que, na verdade, não pretendiam afrontar a dita governança?

Esperariam, agora, ser levados em muita consideração e muito a sério, quando a sua postura nos últimos anos foi dominada, ou pela cedência, ou pela inércia, expressa por “pactos de não-agressão” face às políticas educativas da Tutela, pelo menos em termos tácitos?

Enfermeiros, Médicos ou Técnicos Superiores, todos parecem conseguir alcançar alguma coisa do Governo… Parece que há Sindicatos que não costumam ir no “engodo de pizzas” e que conseguem fazer-se respeitar…

A Classe Docente, tão numerosa e qualificada em termos académicos, não tem Sindicatos capazes de a conseguir mobilizar e parte do seu conformismo também resulta disso…

O discurso da “cassete” do Velho Sindicalismo está gasto, decrépito, é completamente previsível e já não encoraja, nem convence ninguém…

“Fazer prova de vida”, partindo uns pratos “para a fotografia”, não chega como forma de reivindicação ou de protesto…

No momento actual, parecem existir apenas duas opções:

– Ou os Sindicatos se renovam fortemente, o mais rápido possível (“ontem, já era tarde”);

– Ou os Professores têm que encontrar formas alternativas de mobilização, independentes dos Sindicatos…

Se não o fizerem, correrão o risco de se deixar aniquilar de vez, permitindo que o comando lunático e perverso dos destinos da Educação os atire para o mais profundo dos abismos…

Perante todas as iniquidades que se prenunciam, e que a todos afectarão, ficar a “olhar de fora”, quase numa perspectiva voyeurista, ou permanecer na zona de conforto proporcionada pela atitude “pode arder, desde que não seja comigo” deixarão de ser possíveis…

Assim como todas as justificações, quaisquer que sejam, para a inacção e para o silêncio…

Face It Alone”, é o que me ocorre, para ilustrar o anterior…

(Tributo aos Queen, maior Banda Musical de todos os tempos, liderada por um Génio inigualável, que nunca morrerá: Freddie Mercury. E, já agora, quando se ouve “Bohemian Rhapsody” tudo melhora…).

(Paula Dias)

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Eleições ADSE – Lista D

Nos próximos dias 28, 29 e 30 de novembro realiza-se eletronicamente a eleição para o Conselho Geral e de Supervisão da ADSE.

“O voto eletrónico pode ser exercido a partir das 9h do dia 28 de novembro, ininterruptamente até às 17h do dia 30 de novembro através de qualquer equipamento com acesso à internet, acedendo ao link: https://certvote.com/adse2022 e autenticando-se com o seu número de beneficiário da ADSE (sem os zeros à esquerda e sem as letras à direita do número) e com a senha secreta (PIN), individual.”

De 18 a 21 de novembro, receberá outro email da Certvote com os seus dados de acesso (PIN), para que possa votar confortavelmente onde quiser. Esteja atento!

Faço parte da Lista D, juntamente com outros editores do Blogue, mais algumas pessoas de áreas diferentes que não seja a Educação.

Esta lista tem como mandatário o Professor Santana Castilho.

A média de idades dos efetivos e suplentes deve certamente estar pela metade das listas apresentadas pelas habituais estruturas sindicais que pretendem a monopolização do espaço dos beneficiários no Conselho Geral da ADSE.

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2401 Aposentados em 2022 pela CGA

Este ano aposentaram-se pela Caixa Geral de Aposentações 2401 docentes da rede pública do ME.
As curiosidades deste ano são as seguintes:
Nunca se aposentaram tantos Educadores de Infância como este ano, foram 140. Também nunca se tinham aposentado tantas educadores de infância num único mês. Em dezembro de 2022 são 27 as Educadoras de Infância aposentadas.
No próximo ano temos uma previsão de 3515 aposentados.

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CIM vs QZP

Se a transferência dos 10 QZP forem de facto para as atuais 23 Comunidades Intermunicipais/Áreas Metropolitanas, iremos ter alguns QZP que vão abranger várias CIM. Os QZP 01, 02 e 03 vão passar a ser distribuídos por 5 CIM cada. Os QZP 07 e 10 ficarão apenas na Área Metropolitana de Lisboa e Algarve, respetivamente, pelo que aqui não haverá grandes problemas na transferência dos docentes para as respetivas CIM.

Como será feita esta mudança dos docentes que estão em cada um dos QZP é que ainda não se sabe exatamente como, mas de certeza que será por concurso e graduação, em função das vagas disponíveis em cada CIM.

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Já se Percebeu

… que o Ministério da Educação quer continuar a financiar-se através de fundos europeus para pagar grande parte da educação, daí a criação dos QZP de acordo com os CIM, mas atenção que já o faz com o PREVPAP,  com a recuperação das Aprendizagens,  com as EMAEI, os Portáteis, os Videoprojetores, as formações e tantas outras artes florais que se vão fazendo por aí fora.

Quando se fechar a torneira dos fundos europeus acabam-se os professores.

Mas nessa altura já ninguém deve estar ao serviço para ser responsabilizado por isso.

Se a poupança com este esquema fosse para melhorar a condição de vida dos professores e das escolas ainda se aceitaria, mas tudo se vai gastando em Centros de Exposições fantasmas e outros afins.

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Os novos 23 QZP serão estes…

 

Já tinha posto esta hipótese e o Ministro confirmou hoje. Os novos QZP serão alinhados com as CIM.

 

 

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Nota Informativa – Licenças sem vencimento/Licenças sem remuneração

 

 

Nota Informativa: Licenças sem vencimento/Licenças sem remuneração 2022/23

 

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A Pró-Ordem REUNIU COM MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

 A Pró-Ordem e a Federação Portuguesa de   Professores reuniram hoje com o Ministro da Educação, João Costa e com o Secretário de Estado da Educação, António Leite.

 Após as intervenções iniciais dos dois membros do Governo presentes, como nenhum deles se referiu à greve nacional de docentes do dia 2 do corrente, começámos por colocar duas perguntas ao Sr. Ministro:

1ª Pergunta: Recebeu o nosso Pré-Aviso de Greve?

2.ª Pergunta: – Leu o conjunto de reivindicações nele elencado e que implicações desta greve para a negociação coletiva?

 O Sr. Ministro mudou literalmente de assunto e não respondeu àquilo que interessa aos muitos milhares de docentes que, de Norte a Sul do País, de forma solidária abdicaram do seu magro salário (já que grande parte é retido na fonte para impostos) e fizeram esta justa Greve Nacional.

 De seguida colocámos a questão da ruptura de paridade entre a carreira docente e a carreira técnica superior, ou seja o Governo vai aumentar esta em 102€ e, em sede de Proposta de Orçamento de Estado, propõe apenas um aumento de 52€ para aquela. A resposta que recebemos foi de molde a deixar-nos ainda mais preocupados. Talvez se tivéssemos alguém com mais peso político em sede de Conselho de Ministros esta ruptura de paridade, que vigora há dezenas de anos, não seria deixada cair com tanta facilidade…

Quanto à contagem do tempo de serviço, aposentação, quotas e vagas não vimos abertura negocial, excepto para se equacionar a dispensa de vaga para o 5º e 7º escalão a quem tenha “habilitações mais avançadas” (será mestrado, doutoramento?…)

 Parece haver abertura para a contagem do tempo de serviço em creche e a consideração da questão dos técnicos especializados da António Arroio e da Soares dos Reis.

 Em matéria de concursos acolhe-se a reivindicação do movimento sindical docente de reduzir a dimensão territorial dos QZP, passando dos atuais 10 para 23. Mas o concurso interno passaria a ter uma validade quinquenal, em vez dos atuais quatro anos. Sendo que não parece haver grande pressa no finalizar deste processo negocial, pois o concurso geral não será em 2023, mas apenas em 2024.

  projeto do Ministério, aparentemente, parece ainda estar apenas em embrião; pelo menos à nossa Federação ainda nada foi entregue por escrito. Mas, uma coisa é certa, será instituído um designado Conselho Local de Diretores de Agrupamento de Escola, para escolher “alguns” professores. Se e esses “alguns” serão 1/4, 1/3 ou mais, só o futuro o dirá…

 

Lisboa, 7 de Novembro de 2022

Pela Direção Nacional

O Presidente da Direção

Filipe do Paulo

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2401, este é o número de docentes aposentados durante 2022

 

Mais de 400 aposentações abaixo das previsões feitas por um dos anteriores governos, 2826.

O número final de docentes a conseguirem a aposentação, durante este ano civil, fixou-se nos 2401.

O dia 1 de dezembro será o dia em que passam ao “estado” de jubilados mais 26 Educadoras, 196 Professoras e 72 Professores, num total de 294 docentes. É, também, o mês de2022 em que o maior número de docentes passa à aposentação.

Amanhã apresentaremos as contas com mais pormenor.

 

 

 

 

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Fenprof assegura que é falso que mais de metade dos professores ganhe mais de 2.250 euros

 

“O salário recebido pelos docentes da educação pré-escolar, do ensino básico e do ensino secundário – ou seja, o salário líquido – nunca atinge os dois mil euros”, assegura a Fenprof, contrariando o que foi noticiado com base em dados do Ministério da Educação que não contemplam os professores com contratados a termo.

Fenprof assegura que é falso que mais de metade dos professores ganhe mais de 2.250 euros

 

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Educação inclusiva: O grande desafio e um decreto irreal

De vez em quando, ficamos com a ideia de que quem legisla sobre educação nunca esteve numa sala de aula a ensinar…

Educação inclusiva: O grande desafio e um decreto irreal

Pelo que tem sido possível constatar ao longo destes quatro anos, aumentou de forma significativa o intenso trabalho dos incansáveis professores de educação inclusiva (vulgo educação especial, como antes eram apelidados), enquanto os conselhos de turma, na sua generalidade, se têm limitado a preencher a extensa documentação cuja vantagem consideram, no mínimo, duvidosa. Primeiro, porque os professores sempre diferenciaram as suas práticas pedagógicas de acordo com a singularidade do seu público (dentro dos limites da razoabilidade, como veremos a seguir) e, depois, porque nunca conseguiram encontrar qualquer causa-efeito destes extensos documentos exigidos na melhoria das aprendizagens dos alunos; por último, e não menos importante, porque se o Decreto-Lei Nº 54/2018 pretendesse deveras uma verdadeira educação inclusiva, teria vindo acompanhado de um outro decreto que reduzisse, de uma vez por todas, o número de alunos por turma, o número de horas letivas e não letivas dos docentes e de uma formação específica que fosse uma mais valia prática, dada por formadores no terreno, e não uma sobrecarga teórica transmitida por pedagogos de secretária aos fins de semana. Sem ovos é difícil fazer omeletas. Contudo, as nossas políticas educativas continuam a querer obrigar os docentes a cozinhá-las assim. E as escolas, por sua vez, não conseguem fazer verdadeiro uso da sua autonomia porque, para se ser autónomo e gerir uma escola dessa forma, são necessários recursos financeiros inexistentes que o Ministério da Educação não faculta. Ou seja, estamos perante uma pescadinha de rabo na boca.

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Conselho Local de Diretores de Escolas? (para escolher “alguns” Professores)

 

Nas declarações do Presidente do S.TO.P ouvimo-lo referir que uma das propostas do ME é a da escolha de alguns Professores por um Conselho Local de Diretores.

Até me arrepiei.

O que acontecerá nos muitos Concelhos deste país que só têm um Agrupamento de Escolas? O Diretor reunirá em frente a um espelho e decidirá, com o seu reflexo, que Professores escolher?

Já para não falar do tal perfil…

 

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De Novo os 23 QZP”s

Segundo informação do STOP após a reunião com o ME serão novamente criados 23 QZP”s. E o concurso será de 5 em 5 anos (presumo que o interno).

 

https://fb.watch/gE_Is9-Dxc/

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O que recebo e o que “ganho”. Luís Sottomaior Braga

 

O que significa “ganhar”, num título de 1ª página?

É diferente de “receber”.

Se um restaurante serve refeições estragadas, eu deixo de lá ir e a ASAE fecha a tasca.

A notícia do Correio da Manhã sobre salários docentes de hoje é um peixe podre e mal cheiroso que dá ganas de se ser como o Obélix.

Mas vai passar como grande verdade e animar muitas conversas de tasca e esplanada. Quem terá pachorra para ver as tabelas verdadeiras? (abaixo)

Além disso, a preguiça jornalistica não se compadece de tantos números e conceitos complicados como IRS diferente conforme o número de filhos e se se é solteiro ou casado.

O jornal fala do bruto e o leitor pouco esclarecido compara com o líquido. E com o seu líquido, que entre salários mínimos e salários um pouco mais altos não é proporcional.

O Correio da Manhã fez um excelente serviço à IL ao mostrar, de forma bacoca, um dos efeitos numéricos da progressividade fiscal na comparação de salários.

E a literacia matemática não é um dos fortes do país.

Realmente, se não houvesse progressividade podiam comparar salários brutos de forma linear.
Mas quem ganha 2000 euros brutos, paga maior proporção do seu salário do que quem ganha 1500. Por isso, há escalões de IRS.

Como os impostos são progressivos (e bem) e a ADSE é proporcional ao salário bruto (e bem), quem ganha menos que os professores não percebe, num texto assim, o spin e manipulação pró-governo e anti-professsores. E a ERC não nos valerá.

Mas o autor do título também prestou um belo serviço ao Chega, além do frete imediato ao Governo.

Quer porque notícias assim fazem com que muitos professores sintam a raiva da injustiça e vão ouvir o venturoso de outra forma, quer porque tudo o que seja mentira e falsidade serve o interesse de quem se alimenta da desinformação.

Declaração de interesses: ao fim de 27 anos de serviço, recebo 1350 euros líquidos.
Estou no 4º escalão e preso pelas vagas e antes dos 66, a reforma, não chegarei ao 10º escalão (o tal que, líquido, vale uns 2000 euros).

Como subdiretor, recebo mais 200 euros mensais (12 meses) líquidos. O bruto são 2350 (por ser dirigente) dos quais desconto 800 em média mensal para receber os 1550 euros líquidos.

O que “ganho” não é o que “recebo”. E não me venham dizer que é comparável ou aceitável fazer contas dessas. Mas serve ao governo numa guerra salarial.

E é isto.

 

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Governo rompe acordo e recusa dar mais funcionários às escolas

Contrato assinado em julho previa aumento dos rácios. Autarcas contrataram funcionários para o início do ano letivo a contar com verba. PSD quer adiar meio ano descentralização da Ação Social.

Governo rompe acordo e recusa dar mais funcionários às escolas

A proposta enviada pelo Governo às câmaras municipais sobre a contratação de funcionários para as escolas no âmbito da descentralização contraria o acordo assinado em julho com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), pois rejeita aumentar o número máximo de assistentes operacionais por escola, com que as câmaras estavam a contar. Ontem, os autarcas do PSD acusaram o Governo de “falhar em toda a linha”.

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“Todos sabiam, mas ninguém fez nada”…

 No geral, as Direcções de Agrupamentos parecem considerar a violência em contexto escolar como um tema “maldito” e de difícil admissão, independentemente de quem sejam as vítimas ou os agressores…

A actuação de muitas Direcções face ao fenómeno da violência escolar parece ir, frequentemente, no sentido de tentar preservar, a todo o custo, uma imagem pública da escola que se pretende “imaculada”, minimizando-se, muitas vezes, o número de ocorrências daquela natureza, ao mesmo tempo que se costuma relativizar a gravidade das mesmas…

Aqui, como em tantas outras situações, importa salvar as aparências…

E a principal consequência dessa conduta pode resultar numa certa “normalização” da violência escolar, acabando-se por aceitá-la, implicitamente, como uma inevitabilidade…

Obviamente que a escola, enquanto palco de múltiplas relações interpessoais, nem sempre será um lugar idílico e pacífico…

A escola poderá constituir-se como um contexto propício para se estabelecerem muitos companheirismos, solidariedades, desafios, realizações e vitórias, mas também, e em simultâneo, muitas frustrações, fracassos, tensões, competições e ansiedades, individuais e/ou de grupo…

Em suma, e sem dramas desnecessários, a escola é uma entidade passível de suscitar uma certa ambivalência afectiva e emocional, um lugar onde poderão coexistir sentimentos opostos e contraditórios, um lugar onde facilmente se misturam e alternam o “Amor” e o “Ódio”…

E isso parece válido para todos os que diariamente passam a maior parte do seu dia numa escola, quer seja enquanto Alunos, quer seja enquanto profissionais de Educação…

Mas, e apesar da “natural e expectável turbulência”, presente em cada escola, inerente à convivência entre seres humanos, existem vítimas de violência escolar que, sejam quem forem, não podem ser silenciadas nem ignoradas…

No Plano “Escola sem Bullying. Escola sem Violência – Prevenção e Combate ao Bullying, Ciberbullying e a outras formas de Violência (site da DGE), está disponível um campo denominado “Registo de Casos de Violência” – Plataforma SISE (criado nessa Plataforma em Outubro de 2019), que permite aos Directores de Agrupamentos sinalizarem e comunicarem casos de violência escolar, de forma directa ao Ministério da Educação…

Entre outras, encontra-se aí a seguinte afirmação:

“De referir, que não há qualquer penalização pelo reporte destas situações, muito pelo contrário, demonstra que a escola está atenta às situações de violência e procura identificá-las para poder dar uma resposta assertiva a cada uma, procurando as melhores soluções e parcerias no caminho para uma escola sem bullying e sem violência.

Não pode deixar de se estranhar a afirmação anterior, nem de a considerar, no mínimo, como surpreendente e desconcertante…

Tal afirmação indicia que o próprio Ministério da Educação conhece a relutância das Direcções de Agrupamentos em reportar a ocorrência de casos de violência, assumindo assim que as mesmas possam ter receio de penalizações, pelo reporte de casos dessa índole…

A afirmação anteriormente citada torna-se inconcebível, sobretudo por dois motivos:

– Pelas Direcções de Agrupamentos que parecem recear penalizações por reportarem casos de violência, como se o registo oficial desses casos não fosse o que espera e exige de si ou como se esse procedimento não fosse o mais ético e sensato face ao problema…

– Pelo Ministério da Educação que parece ter sentido a necessidade de, explicitamente, negar a existência de consequentes penalizações, o que, à partida, e na suposição de que pudessem acontecer, seria absolutamente absurdo e inaceitável num país dito desenvolvido e democrático…

De Outubro de 2019 até ao momento presente, quantos casos terão sido reportados pelas Direcções de Agrupamentos na Plataforma SISE? Porque não se divulgam tais resultados?

Enquanto a própria Tutela e as Direcções de Agrupamento continuarem a ver e a tratar a violência escolar como se de um assunto “tabu” se tratasse, permanecerá a desvalorização e a negação do problema, o que, na prática, corresponderá a tolerar comportamentos violentos e abusivos…

violência não pode deixar de ser denunciada, sobretudo por aqueles que, no contexto escolar, têm o dever e a responsabilidade de zelar pela segurança e pelo bem-estar das crianças e dos jovens, mas também pela integridade física e moral de todos os que aí trabalham…

Escusamos de ter ilusões: com maior ou menor frequência, com maior ou menor intensidade, em todas as escolas se verificam episódios de violência. Em algumas, esses episódios assumem um carácter esporádico, noutras tornam-se praticamente endémicos…

Em qualquer dos casos, o pior que pode acontecer numa comunidade educativa é substanciar-se a convicção generalizada de injustiça e de impunidade perante actos de violência, por vezes traduzido por esta afirmação: “Todos sabiam, mas ninguém fez nada”…

E o mais agastante é constatar que, grande parte das vítimas de violência escolar, acaba por ser duplamente penalizada: uma vez, por a sua dignidade ter sido vilipendiada e, outra, por não verem a justiça a ser aplicada, acabando, frequentemente, por se verem obrigadas a pedir transferência de escola, quando são Alunos; e a apresentar a demissão de funções ou a “meter baixa médica”, quando são Professores…

A “cultura do medo e do silêncio das vítimas” parece estar instalada em algumas escolas, muitas vezes justificada pelo receio de “arranjar ainda mais problemas” ou de represálias e retaliações…

Enquanto isso, os agressores continuam a gozar de liberdade de acção, muitos deles sem serem identificados, responsabilizados e sancionados, quase sempre convencidos da sua invencibilidade, ainda que a maior parte deles também não consiga esconder a sua indisfarçável cobardia…

O Estatuto do Aluno e Ética Escolar (Decreto-Lei nº 51/2012, de 5 de Setembro) elenca várias Responsabilidades exigidas aos pais ou encarregados de educação (Artigo 43º), entre elas as seguintes:

“f) Reconhecer e respeitar a autoridade dos professores no exercício da sua profissão e incutir nos seus filhos ou educandos o dever de respeito para com os professores, o pessoal não docente e os colegas da escola, contribuindo para a preservação da disciplina e harmonia da comunidade educativa”;

“h) Contribuir para a preservação da segurança e integridade física e psicológica de todos os que participam na vida da escola”.

E também estabelece a possibilidade de serem instruídas Contra-Ordenações, quando se verifique o incumprimento de Responsabilidades pelos pais ou encarregados de educação, de forma consciente e reiterada (Artigo 44º e Artigo 45º), prevendo-se que essa infracção seja punível pela aplicação de coimas:

 

“7 – Compete ao diretor-geral da administração escolar, por proposta do diretor da escola ou agrupamento, a elaboração dos autos de notícia, a instrução dos respetivos processos de contraordenação, sem prejuízo da colaboração dos serviços inspetivos em matéria de educação, e a aplicação das coimas.” (Artigo 45º).

 

A medida anterior tem vindo a ser acionada pelas escolas e pela DGAE, como instrumento legal dissuasor de incumprimentos por parte de Pais/Encarregados de Educação e de Alunos?

Atitude típica dos Portugueses em geral, as sanções pecuniárias ou coimas (pagas em dinheiro) costumam ter um impacto significativo e eficaz no desencorajamento de determinados comportamentos indesejados…

Apesar do anterior, conhecido de todos, e do quadro legal que prevê a aplicação de coimas se encontrar em vigor desde 2012, porque não se tem concretizado tal medida?

Não pode deixar de haver condenação e punição dos comprovados agressores… E tem que haver algum tipo de ressarcimento das vítimas…

A liberdade individual e a dignidade humana não são compatíveis com o medo imposto pela violência…

(Paula Dias)

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Aluno de 11 anos esfaqueado em escola de Massamá

O aluno ficou ferido numa das pernas e em seguido foi transportado para o hospital Amadora-Sintra.

Aluno de 11 anos esfaqueado em escola de Massamá

Um rapaz de onze anos foi esfaqueado esta sexta-feira na escola básica 2,3 D. Pedro IV, em Massamá, no concelho de Sintra.

O incidente terá ocorrido durante um intervalo, na parte da manhã.

O aluno ficou ferido numa das pernas e em seguido foi transportado para o hospital Amadora-Sintra.

A vítima não conseguiu identificar o agressor, mas sabe-se que se trata de uma aluna da mesma escola.

A PSP está a investigar o caso.

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Outra vez os professores na rua?! Vou contar-vos umas histórias…

Há pelo menos 10 anos que escrevo com alguma regularidade sobre o tema dos professores em Portugal. Do congelamento das progressões ao desmembramento da carreira. Do que antes era uma profissão de referência, respeitada e ambicionada até ao ponto em que estamos hoje, com a escola pública seriamente ameaçada.

Começo por repetir algo que me parece coerente para um país que quer pertencer ao Primeiro Mundo: médicos e professores são os pilares de qualquer sociedade civilizada. Os primeiros, porque nos deixam o coração a bater; os segundos, porque formam as restantes profissões.

Outra vez os professores na rua?! Vou contar-vos umas histórias…

Sempre que se anuncia nova greve da Função Pública, dos professores especialmente, junta-se um coro de críticas de Norte a Sul do país, como se um bando de privilegiados tomasse as ruas em protesto. Emprego para a vida, 25 horas de trabalho, salários garantidos ou progressões automáticas – estes são alguns dos critérios utilizados por quem desdenha esta classe profissional e não lhes reconhece o direito à luta por melhores condições laborais.

Tenho uma opinião absolutamente oposta, e nos dias de hoje pergunto-me: quem é que quer ser professor em Portugal?

Com todo o respeito pelos outros profissionais, mas acho mesmo que ser professor no nosso país é hoje um caso de paixão e gosto pelo ensino. Racionalmente não pode ser outra coisa qualquer. É mau. É muito mau ser hoje professor em Portugal.

Bem sei que a destruição da carreira e, consequentemente, da Escola Pública é responsabilidade dos sucessivos Governos, mas custa-me ver a forma como a comunicação social pouco ou nada faz para levantar a voz em defesa desta classe.

Dizia ontem uma professora em protesto que o principal investimento de um país – de Primeiro Mundo, acrescento eu – tem de ser na Educação, porque isso é que garante o seu desenvolvimento futuro. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) relativos a 2020 revelam que Portugal está no meio da tabela com um pouco menos de 4% do PIB em investimento público na Educação. Sem grande surpresa percebemos que os países nórdicos estão no topo da lista. Mas há ainda casos como os da África do Sul, Costa Rica ou Índia, cujo investimento público na Educação é bastante superior ao português, sendo qualquer um deles referências de desenvolvimento nas suas regiões.

A Índia fornece engenheiros ao Mundo, a África do Sul será provavelmente a maior potência de África e a Costa Rica é um dos países mais desenvolvidos da América Central e com uma das economias mais fortes na região. Isto significa que, independentemente das dificuldades de cada país ou do tamanho da sua Economia, a escolha da Educação como forma de melhoria futura é sempre uma boa opção política.

Pessoalmente, nunca percebi como é que não é a prioridade de cada nação.

Resolvi perguntar a vários professores, do ensino pré-escolar ao secundário, quais eram as suas condições laborais e, honestamente, fiquei deprimido e com pouca vontade de escrever.

A situação é, afinal, muito pior do que eu imaginava ou daquilo que ia lendo, de forma aleatória, nas notícias dos diferentes órgãos de comunicação social. Entre congelamento da carreira ou pessoas presas nos escalões, passam-se décadas com salários absolutamente vergonhosos. A isso juntam-se os milhares de precários, com anos e anos de recibos verdes e outros tantos que mal conseguem ter uma vida familiar equilibrada, tal é a mudança de zona a que estão sujeitos. Há ainda quem pense que é uma profissão de regalias e bons salários, e eu pergunto-me, cada vez mais, de onde se construiu essa ideia? Qual a parte do verdadeiro inferno a que os professores estão sujeitos que não é ainda claro para todos?

Dir-me-ão que não é apenas o salário que faz a carreira, ou o bom professor, algo que eu tenderia a concordar se esse não fosse o primeiro preconceito da discussão.

O professor, como qualquer profissional, vende a sua força de trabalho em troca de uma recompensa, que se espera justa. Quem só tem o seu trabalho como meio de sustento, espera vendê-lo por um valor que lhe permita ter uma vida de qualidade. Reparem: qualidade, escrevi eu. Não escrevi digna, mínima ou satisfatória. Escrevi de qualidade, porque deve ser esse o nosso objectivo enquanto trabalhadores. Vender o nosso conhecimento a troco de uma vida descansada, boa e de qualidade. Não uma vida de aflição e contas.

Se em cima disto colocarem a importância da profissão – espero que, pelo menos nisso, tenhamos um consenso alargado –, então é fácil perceber que os salários são, de facto, muito baixos.

Vejamos os exemplos que recolhi.

T é educadora de infância, tirou uma licenciatura e um mestrado, e espera um dia entrar para os quadros do Estado. Recebe menos de 820 euros líquidos e vive num dos subúrbios no norte de Lisboa. Reparem que o nosso país está envelhecido e as políticas de natalidade são a quase inexistência de creches públicas, fortunas exigidas por cada filho nos privados e salários pouco acima do mínimo legal para educadores com formação superior. É uma absoluta calamidade para o país e um garrote para os profissionais.

L é formada pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Durante 20 anos, foi professora contratada e levava para casa cerca de 1.000 euros, trabalhando, por vezes, em duas ou três escolas ao mesmo tempo. Agora, ao fim de 24 anos de ensino, entrou para o quadro e ficou bloqueada no quarto escalão, pois há quotas para a passagem ao seguinte. Recebe 1.300 euros líquidos, ao fim de quase um quarto de século como professora.

LR é professora no oitavo escalão, tem 35 anos de serviço e vai-se aposentar antes de chegar ao topo da carreira. Recebe 1.700 euros líquidos e desconta cerca de 1.100 euros para o IRS, pensão e ADSE. Se LR quisesse hoje, ao fim de quase quatro décadas a trabalhar, alugar um apartamento no centro de Lisboa, não lhe sobraria dinheiro para comer.

Este é um dos dramas dos baixos salários em Portugal. O custo de vida acompanha o crescimento das capitais dos países mais ricos, mas aquilo que recebemos ao fim de cada mês aproxima-se cada vez mais dos níveis do chamado Terceiro Mundo. Portugal é hoje o terceiro mais pobre da União Europeia e, para isso, como se percebe, contribui o empobrecimento da classe média.

I tem 25 anos de trabalho e subiu recentemente de escalão. Disse-me que, “mais migalha, menos migalha”, receberá 1.400 euros líquidos. A expressão usada é feliz, porque é isso que aqui se discute. Migalhas. Os professores que dão 25 horas de aulas e usam o tempo da família para preparar o dia seguinte, corrigir testes e cumprir a burocracia que o ministério lhes exige, são pagos com migalhas. Felizmente para I, que vive numa ilha dos Açores, a especulação imobiliária ali ainda não atingiu a selva que se verifica em território continental e, como tal, sobra-lhe mais salário para viver. É, aliás, uma das razões porque optou ser professora na Região Autónoma.

Tal como I, também AA vive numa ilha dos Açores e durante quase 20 anostrabalhou no ensino público. Tirou uma licenciatura, um mestrado e uma pós-graduação. Desistiu da carreira quando o salário líquido mal chegava aos mesmos 1.400 euros, porque, a dada altura do processo, compreendeu que não era paga dignamente para o trabalho que fazia e não existiam grandes perspectivas de evolução ou mudança. Fez como vários professores, que acabam por emigrar, mudar de área ou procurar outras fontes de rendimento.

A falta de professores não se prende apenas com os que vão envelhecendo e que vão para a reforma. Muitos, ainda com alguns anos de ensino pela frente, optam por sair das escolas na procura de melhores condições e remunerações mais justas. E não: mesmo que a realidade do país seja, hoje em dia, miserável, convenhamos que pagar 1.400 euros a um professor ao fim de 20 anos de trabalho não é bom. É uma vergonha. São pessoas absolutamente essenciais na sociedade, com uma profissão de desgaste, responsáveis pelo sucesso ou insucesso futuro das mentes que trabalharão no país, e que, não nos esqueçamos, passaram entre 17 a 20 anos da sua vida em formação, para cumprirem o seu papel no mundo do trabalho.

J tem 12 anos de trabalho. Em linguagem do Ministério da Educação, “começou ontem”. É contratada para dar aulas ao segundo e terceiros ciclos. Recebe, ao fim de mais de uma década, 817 euros mensais. Não lhe perguntei como se vive com a actual inflação com 817 euros, porque tive vergonha.

Aliás, não perguntei a muitos destes professores coisas que queria saber por achar que seriam um atentado à dignidade. Eu sinto pena de quem investe na própria educação e, ao fim de anos e mais anos no mercado de trabalho, é compensado com pouco mais do que o salário mínimo. É uma absoluta desgraça para os trabalhadores, mas é um prejuízo ainda maior para o país.

O que impede um professor de emigrar? A idade? A família? As saudades? Receio? Fico admirado, seja lá qual for a razão, pelos que ficam e vão lutando pela Escola Pública. A eles devo também o meu percurso profissional.

Mas sobram-me interrogações a partir das histórias que me vão contando. Como é que um professor pode ser um bom profissional sendo pago com migalhas? Como é que alguém pode estar do outro lado da barricada e não os apoiar nesta luta mais do que justa?

Se o Governo conseguiu fechar escolas por causa da covid-19, quando tal não era necessário, como nos explicou a Suécia, espero que ninguém use hoje, contra os professores, o argumento de que as crianças estão a perder matéria.

Agora, meus amigos, é que era altura de irem bater palmas à janela – depois, claro, de engrossarem as demonstrações na rua.

Entretanto, B anda nisto há 16 anos e passou agora ao quadro. Leva 1.275 euros para casa.

R tem uma situação ainda mais problemática, pois nem horário fixo tem. Estudou e aperfeiçoou um instrumento musical durante 39 anos e, agora, fica sujeito todos os anos a que uma escola o contrate e pague à hora, por uma tabela que ignora o nível de experiência do educador. As próprias regras fazem com que o tempo de serviço nem sempre seja contado. Anda a “virar frangos” há 24 anos, mas para o Ministério apenas contam 13.

C tem 32 anos de serviço e, pelo meio, obteve um doutoramento. Como prémio pelo investimento extra na sua educação, o governo português recompensa-a com uns extraordinários 1.570 euros líquidos, resultado da colocação no sétimo escalão. O congelamento da carreira retirou-lhe a hipótese de chegar ao topo dos escalões.

S dá aulas desde 1995 e entrou no quadro em 2004. Está agora no quarto escalão e recebe menos de 1.400 euros, ao fim de 27 anos a trabalhar. Seria uma piada se não fosse trágico. Diz agora que tem de ir para a lista de espera até que surjam vagas no escalão seguinte. Portanto, digo eu, qual é a motivação para se ser extraordinário se a progressão é uma miragem?

Como é que, ao fim de quase 30 anos a trabalhar, uma pessoa se pode realizar com dois salários mínimos? Não percebemos todos que é esta a base do problema? Que salários dignos e justos para os professores deveriam ser uma prioridade do país? Onde está o Éden apregoado aos quatro ventos pela oposição?

Afinal, o que queremos nós? Um sítio cheio de miúdos que abandonam a escola e vão servir à mesa nas tascas gourmet de Lisboa ou nos hotéis do Algarve, ou um país onde ir para a universidade seja algo banal, normal e acessível a todos?

Eu sei que as histórias do Bill Gates, Steve Jobs e demais génios milionários inspiram as narrativas de que “a Escola não é tudo”. Mas não, meus amigos, a escola é mesmo tudo. Para a esmagadora maioria das pessoas, que criam mais valias, trazem desenvolvimento, geram empregos ou produzem novos conceitos, a escola é mesmo a base de tudo. Não há desenvolvimento sem escola, por mais tik-tokers ou youtubers que digam o contrário.

Continuemos.

AL começou a dar aulas quando Vata jogava no Benfica, ali pelos idos de 90, com o Sven-Goran Eriksson. Tirou uma licenciatura, um mestrado e um doutoramento. Antes de Bolonha, quando estas coisas demoravam três vidas. Está no penúltimo escalão da carreira e vê o Estado “rapar-lhe” cerca de 40% do vencimento, resultando em 1.930 euros no bolso. O filho, como muitos da sua geração, tem empregos precários e AL ainda hoje tem de o ajudar, pelo que ter dois empregos é algo normal na sua vida. Trabalha muito mais do que as horas que são idealizadas para a classe, pelo menos na opinião pública, e diz que está cansada de ouvir “dizer mal dos professores e a PQOP”. Achei por bem citá-lo, porque algum vernáculo ajuda a entender os estados de espírito.

SJ é professora de Física e Químicahá 25 anos e, como ter de perceber de Física não é castigo suficiente, está no quarto escalão. Recebe 1.417 euros líquidos. É mais um daqueles casos onde metade da carreira contributiva já passou, continuando presa a um salário baixo e com um longuíssimo caminho para o topo bloqueado, como resultado do congelamento da última década.

CONTINUA AQUI

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Lista Colorida – RR10

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR10. Neste momento 257 professores estão no seu 2º contrato.

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338 Contratados colocados na RR10

Foram colocados 338 contratados na Reserva de Recrutamento 10, distribuídos de acordo com a tabela seguinte:

Estas colocações são quase todas a Norte. Para perceber onde andam os horários de Lisboa e Algarve devem procurar na plataforma de contratações de escola.

Este facto prova que as coisas em Lisboa e Algarve não serão resolvidas se as condições oferecidas aos professores não melhorarem. Basta fazer umas contas de somar (ou subtrair) para se perceber o porquê dos professores disponíveis não concorrerem para esses locais.

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Professores: Licenciados de segunda

A profissão docente deve ser considerada única e valorizada. Um professor primário é tão importante como um professor do secundário ou professor universitário. Infelizmente não o é.

Professores: Licenciados de segunda

Os professores sempre foram uma classe de segunda. Recordo-me na década oitenta, em que qualquer licenciado ou bacharel ou que tivesse umas cadeiras feitas na Faculdade conseguia dar aulas. Nesse tempo os professores estavam divididos em efectivos, provisórios e com habilitação.

No início do ano os mini-concursos colocavam imensas pessoas para darem aulas. O ano lectivo começava no início de Outubro e permitiam aos Conselhos Directivos colmatar a falta de professores.

Essa fase, em que qualquer um, com uma licenciatura dava aulas foi ultrapassada e os professores passaram a ter uma carreira única, independente do grau de ensino que leccionavam.

A profissão docente deve ser considerada única e valorizada. Um professor primário é tão importante como um professor do secundário ou professor universitário. Infelizmente não o é.

O anátema nessa diferenciação é terceiro-mundista. Um médico por ser pediatra não deixa de ser considerado como um médico especialista ou médico de família. Nos professores quem ensina crianças é um professor menor.

Os  licenciados de primeira neste país sempre foram  os médicos, advogados, juízes ou professores na Universidade (nem que sejam convidados).

Os professores sempre foram os licenciados de segunda. A sociedade, neste caso os pais, só se lembram dos professores quando precisam deles e apercebem-se  da sua importância. Foi na altura da pandemia ou quando há uma greve não têm onde deixar os seus filhos.

Um do busílis da profissão docente é que em vez de ensinarem, a maioria das vezes, aturam “os filhos dos outros”. E, cada vez se tem agravado essa premissa e a falta de educação da sociedade portuguesa, a começar pelos pais que não educam os filhos, a terem maneiras e a saberem estar na escola, numa sala de aula e na relação com os professores e pessoal não docente.

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Reserva de Recrutamento n.º 10

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 10.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 07 de novembro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 08 de novembro de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 10 

Listas – Reserva de recrutamento n.º 10

 

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9 – Revisão dos Acordos com Inclusão de Novas Coberturas

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Escola básica em Loures encerrada pela PJ após ameaça de ataque

Um grupo de alunos terá recebido uma mensagem a alertar para um possível massacre.

Escola básica em Loures encerrada pela PJ após ameaça de ataque

A escola básica Sttau Monteiro, em Loures, foi encerrada, esta quinta-feira, pela Polícia Judiciária devido a uma ameaça de ataque.

Um grupo de alunos terá recebido uma mensagem a alertar para um possível massacre, segundo o Correio da Manhã.

As autoridades foram alertadas e a Polícia Judiciária levou a sério a situação e decidiu encerrar a escola por precaução.

As autoridades têm estado a investigar a ameaça, mas até agora não foram encontradas armas ou outros quaisquer indícios de risco.

A PJ está também a investigar a origem da ameaça.

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Aulas no meio do caos. Ponte de Sor, um caso paradigmático

“Os professores têm muito medo, tanto que estes alunos entram nas salas, gritam e só um ou outro os manda embora”. O testemunho de um aluno ao i.

Aulas no meio do caos. Ponte de Sor, um caso paradigmático

Um dos maiores flagelos que têm afetado as escolas é a violência levada a cabo contra os professores. Exemplo disso é o caso da tensão vivida entre a direção, os professores, os auxiliares, os encarregados de educação e os educandos da Escola Secundária de Ponte de Sor, em Portalegre, que escalou no ano passado e parece ter acalmado desde as denúncias do i e, posteriormente, dos restantes órgãos de informação.

Nuno (nome fictício), revelava que “há alunos com uma navalha no bolso e mostram-na a quem quiser ver”, realçando que “quem controla o acesso às escolas tem medo” e “quem poderia fazer algo seria a GNR com uma rusga, mas não o faz”.

Para o docente, que, tal como a maioria das fontes entrevistadas para a realização do artigo, à época, não quis revelar a sua identidade por medo de represálias, “os pais não têm o mínimo interesse nestas situações”, pois “são chamados às escolas e não fazem nada” e “uma das mães faz tráfico de droga, bebe, tudo aquilo que a CCPJ devia colmatar”.

“Já verifiquei que existem três ou quatro alunos com navalhas. Já tive alguns que me diziam quem assaltava casas e carros e como o faziam. Um deles foi apanhado em flagrante porque ia roubar a pistola de um GNR que estava dentro de um carro”, contava Pedro (nome fictício), outro docente. “Os professores têm muito medo, tanto que estes alunos entram nas salas, gritam, e só um ou outro os manda embora. E há um professor que foi chamado de anormal. Se alguém reage, não há ninguém que defenda essa pessoa”, descrevia um aluno que ia à escola, diariamente, temendo aquilo que lhe poderia acontecer a cada dia.
“Quando eles não estão na escola, nota-se uma diferença absolutamente extraordinária. Há certos colegas que perdem a vontade de dar aulas, assumem o seu desagrado e perdem a motivação. Não há volta a dar porque não há qualquer tipo de proteção. Nem que o professor faça o pino consegue que estes alunos se dediquem”, reconhecia um docente, revelando que “os rufias são quase todos da mesma família – primos, irmãos, tios, tias, sobrinhos, sobrinhas – e estão todos à espera de fazer 18 anos para conseguirem sair da escola”.

Após o i e o programa “Linha Aberta”, da SIC, terem noticiado este caso, sabe-se que a escola terá tomado medidas para tentar que a violência fosse erradicada ou, pelo menos, diminuída, mas a verdade é que o i tem conhecimento de que muitos dos comportamentos e acontecimentos de outrora já se terão repetido.

Em outubro de 2019, depois de terem sido divulgados testemunhos de professores que tinham sido vítimas de violência no local de trabalho, a Fenprof apelou ao Ministério da Educação e ao governo que tomassem medidas que combatessem “o problema e tornem a escola um espaço de sã convivência entre todos os que integram a comunidade educativa”, como “a colocação de pessoal auxiliar nas escolas, de forma a criar as condições de segurança que, manifestamente, se têm vindo a perder”, “uma redução significativa do número de alunos por turma, permitindo ao docente um melhor acompanhamento e controlo do grupo”.

De seguida, reforçou “a colocação dos docentes e, também, de trabalhadores não docentes que apoiem alunos com necessidades educativas especiais, bem como os professores das suas turmas, “o reforço da autoridade do docente dentro da escola, através de medidas que valorizem o seu papel”, “a disponibilização de apoio jurídico, entre outros apoios, para que os docentes agredidos ou ameaçados por motivos que decorrem do seu exercício profissional possam recorrer aos tribunais sem que daí resultem custos para o próprio”, “o agravamento ainda maior do quadro penal aplicável em situações deste tipo, pois daí decorrendo efeitos punitivos, também decorrem efeitos preventivos” e “a criação de um Observatório para a violência na Escola, que integre representantes do Ministério da Educação, de docentes, não docentes e estudantes, de pais e encarregados de educação, das direções das escolas, da Escola Segura e de académicos”.

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Existem 22,5 milhões para pagar estágios de professores

Vinculação de 5.000 professores em 2023 tem custo estimado de 4,7 milhões de euros e permite ir além da norma-travão. O processo é para continuar, garante o ministro da Educação, que mostra abertura a alterações ao modelo de recrutamento.

Existem 22,5 milhões para pagar estágios de professores

No próximo ano, os estágios profissionais de final de curso voltam a ser remunerados e haverá 5.000 vinculações de professores. O objetivo é tornar a carreira docente “atrativa” e com maior “estabilidade”, revela o ministro da Educação ao Negócios.

No próximo ano, espera a vinculação de 5.000 professores. Qual é o custo?

Negócios Premium

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Mãe condenada a trabalho comunitário por agredir professora do filho

 

Mãe condenada a trabalho comunitário por agredir professora do filho

O Tribunal de Setúbal condenou uma mulher, esta quarta-feira, por a mesma ter agredido com uma chapada e um pontapé a professora do seu filho. Soraia Fernandes foi punida, pelo crime de ofensas à integridade física, com 120 horas de trabalho comunitário.

A arguida estava acusada de ofensas à integridade física qualificada, pela especial censurabilidade e perversidade da agressão, mas o tribunal entendeu que não houve perversidade na agressão, pelo que desqualificou o crime.

A cunhada da agressora também foi a julgamento, por instigar a agressão, mas foi absolvida, porque não foi possível provar em tribunal o momento em que disse à agressora “dá-lhe agora” – se antes ou durante as agressões.

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Ministro avança que 86% dos professores estão já vinculados

 

Ministro avança que 86% dos professores estão já vinculados

Em dia de greve de professores, o ministro da Educação está no Parlamento a explicar o orçamento para o próximo ano. João Costa anunciou que uma das propostas em cima da mesa é redimensionar os quadros de zona pedagógica.

O ministro da Educação, João Costa, garantiu esta quarta-feira aos deputados que 86% dos professores estão já vinculados.

Questionado pelo PS, no Parlamento, no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado, João Costa atualizou o número: mais de 18 mil docentes com vínculo ao Estado desde 2015.

“Neste momento, já vemos mais de 18.100 professores vinculados desde 2015. A última atualização era de 14 mil professores. Isto leva-nos hoje a termos um quadro de uma profissão em que, ainda que queiramos continuar a combater a precariedade, temos cerca de 86% de vínculos permanentes e definitivos nesta área da educação na categoria dos professores”, afirmou João Costa, em dia de greve de professores.

Quadros de zona pedagógica mais pequenos

O ministro da Educação, que para a semana vai reunir-se com os sindicatos de professores, anunciou que uma das propostas em cima da mesa é redimensionar os quadros de zona pedagógica.

Por um lado, repensar a distribuição geográfica dos quadros de zona pedagógica. Neste momento, temos quadros com distâncias internas superiores a 200 quilómetros, isto não é aceitável porque não dá estabilidade aos professores. Queremos reduzir substancialmente estas distâncias.”

Estudo para avaliar necessidades

Outra proposta para a negociação é vincular os professores nas regiões onde há mais falta de docentes, salientou João Costa.

“Um estudo de aferição das necessidades até 2030, com distribuição geográfica, por grupos de recrutamento e este é um estudo que nos permite vincular e abrir lugares de quadro onde as necessidades efetivamente existem e vão existir”, afirma o ministro da Educação.

O governante disse ainda que a ideia é garantir aos professores que conseguem um lugar numa escola perto de casa.

“O nosso objetivo é abrir mais lugares em quadro de escola nestas regiões, e com carácter permanente, para que as pessoas possam reorganizar a sua vida e não ter que suportar duas casas: uma na zona onde trabalham e outra na zona de onde vem. Paralelamente, estamos a trabalhar para ir disponibilizando residências para professores. É um trabalho em curso, temos já algumas camas garantidas e é um trabalho que, em devido tempo, daremos notícia.”

João Costa disse aos deputados que, desde 2015, o orçamento para a Educação já cresceu 44%, verificando-se um aumento de 36% face à despesa executada em 2015.

O ministro disse ainda que mais de 100 agrupamentos de escolas já definiram planos de inovação, com autonomia reforçada, mas também com o acelerar da transição digital. O ministério já distribuiu mais de um milhão de computadores.

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Intervenção Inicial do Ministro da Educação

Clicar na imagem para ler a intervenção inicial do Ministro da Educação.
 

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Cerca de 26 mil contratados para substituir professores desde o início do ano letivo

Confirmo um número semelhante.

E como o ministro disse, não são 26 mil horários, mas 26 mil colocações.

 

Cerca de 26 mil contratados para substituir professores desde o início do ano letivo

 

 

O ministro da Educação afirmou esta quarta-feira que foram contratados cerca de 26 mil professores para substituições, desde o início do ano letivo, sendo que, semanalmente, há cerca de 600 novos horários por preencher.

 

 

 

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Audição do Ministro da Educação

Pode ser vista aqui.

 

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Há cada vez mais professores a abandonar o ensino

 

Desencantados com a profissão, muitos docentes abandonam o sistema de ensino. Em 16 anos o número de professores caiu para 35 mil.

Há cada vez mais professores a abandonar o ensino

A entrada de novos elementos, em contraste com as reformas e saídas antecipadas, não está a responder às necessidades.

O especialista em Educação Santana Castilho apresenta à Antena 1 uma análise ao estado do ensino, sobretudo da profissão, e caracteriza a classe como envelhecida e cada vez mais escassa.

Entre velhas políticas e as atuais, há professores a abandonar o ensino, mas há também quem chegue à idade normal para a reforma e agrave a falta de professores

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Por que voltam os professores à greve?

Por que voltam os professores à greve?

 

Os dirigentes sindicais sabem que a recuperação do tempo de serviço não é tarefa fácil, por isso sempre estivemos disponíveis para negociar a sua recuperação de forma faseada.

 

O setor sócio-profissional da educação e do ensino, no qual se integra o movimento sindical docente (muito expressivo e variado), na medida em que envolve, direta ou indiretamente, centenas de milhares de alunos com as respetivas famílias e cerca de 150 mil professores é um dos setores que se reveste da maior relevância cultural, organizacional e sócio-política.

Não por acaso, o partido parlamentar insurgente veio anunciar “urbi et orbi” o seu interesse no lançamento de uma espécie de nova central sindical, na qual, a par de agentes das forças e serviços de segurança, médicos e enfermeiros se mostra deveras interessado no corpo docente.

Isto no momento em que cinco membros da tendência sindical afeta ao Bloco de Esquerda abandonaram a reunião do Conselho Nacional da CGTP, acusando a maioria comunista de “impor a lei da rolha” e de uma “inaceitável asfixia democrática”. Aliás, já há cerca de um ano também a tendência sindical socialista deliberou abandonar as reuniões deste órgão, acusando esta central de falta de democracia interna.

Nós, Pró-Ordem e Federação Portuguesa de Professores, ao contrário de outras federações de professores que se encontram filiadas na UGT ou na CGTP, não estamos filiados em nenhuma das centrais sindicais. Neste sentido afirmamos que somos a única federação de professores independente. No entanto, sempre que os interesses dos nossos representados o exigem, conjugamos esforços com outras associações sindicais e convergimos na ação, como é o caso desta greve de dia 2 de Novembro, a qual foi convocada por praticamente todos os sindicatos de docentes.

Naturalmente que, assumindo nós uma mundividência de sindicalismo de propositura e reformista, só propomos aos nossos associados e aos professores em geral o recurso ao instituto da greve quando a via negocial não alcança resultados e se mostra esgotada, como é ora o caso.

Mas – pergunta agora o leitor – o Acordo de Rendimentos e Competitividade assinado em sede de concertação social, “rectius”, Conselho Económico e Social não vos satisfaz? E o Acordo assinado, no seguimento daquele, com duas frentes sindicais da Administração Pública (AP), também não vos satisfaz ?

Não nos satisfaz por várias ordens de razões e “ab initio” porque estabelece uma discriminação negativa para com os professores, que são uma carreira do regime especial (como, por exemplo, o são médicos e enfermeiros), face aos técnicos superiores que estão integrados numa carreira do regime geral. Para estes o Governo estabelece um aumento de 104 euros, enquanto que para os professores, estranhamente, apenas propõe 52 euros. Estranhamente em virtude de os índices salariais de ambas as carreiras sempre terem sido os mesmos desde 1986.

Esta atitude discriminatória do Governo configura (mais) um desrespeito objetivo pelo Corpo Docente, mas há mais: o supra-citado acordo recupera, e bem, os pontos para progressão em diversas carreiras da AP ou reposiciona os trabalhadores nas respetivas escalas indiciárias, mas tarda em adoptar idêntico procedimento na carreira docente, na qual falta recuperar 6 anos, 6 meses e 23 dias do tempo de serviço prestado.

Os dirigentes sindicais sabem que a recuperação do tempo de serviço não é tarefa fácil, por isso sempre estivemos disponíveis para negociar a sua recuperação de forma faseada (seja para a subida de escalão e em alguma bonificação em sede de aposentação).

Também relativamente a outras reivindicações do Corpo Docente temos mostrado total abertura para que se adopte idêntico procedimento, plasmado num Protocolo negocial, mas da parte do Sr. Ministro da Educação – relativamente a essa metodologia – se não veio um Não, também ainda não nos chegou um Sim.

Não é deste modo que se obvia à crescente falta de professores e muito menos ainda quando já há uma cadeia de supermercados de origem espanhola, em vias de instalação no nosso país, a oferecer nos primeiros anos mais salário e melhores condições de ingresso e de vinculação do que as que são oferecidas pelo Ministério da Educação, para uma profissão cada vez mais desgastante e mais exigente. Para cujo ingresso na carreira se exige, e bem, o grau de mestre.

Tudo razões mais do que suficientes para que esta greve nacional de professores tenha sido marcada nesta data, precisamente para coincidir com o dia em que o Ministro vai estar na Assembleia da República a defender a sua proposta de orçamento. Um Orçamento de Estado que não resolve nenhum problema da educação e do ensino, apenas os adia e eterniza.

 

Filipe do Paulo

Presidente da Federação Portuguesa de Professores

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Alunos melhoram nas provas de aferição, mas oralidade no 2.º ano cai a pique

Alunos melhoram nas provas de aferição, mas oralidade no 2.º ano cai a pique

 

“Resultados são moderadamente animadores”, diz ministro. Oralidade no 2.º ano e Álgebra no 5.º são dos poucos domínios que fogem à tendência. No 8.º todos as áreas testados melhoraram face a 2019.

 

Foram globalmente melhores os resultados dos alunos do ensino básico nas provas de aferição deste ano — as primeiras a serem realizadas num formato “normal”, sem ser por amostragem, desde a chegada da pandemia. Em relação a 2019, há claras subidas de desempenho, nomeadamente no 8.º ano de escolaridade onde, em todos os domínios testados que podem ser comparados, houve subidas. No 2.º ano o cenário é pior:

….

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Professores hoje em greve contra OE2023

 

Os professores realizam hoje uma greve nacional contra o Orçamento do Estado para 2023 e o que consideram ser a falta de investimento na Educação, no dia em que o ministro é ouvido no parlamento sobre a proposta.
A greve foi convocada por sete organizações sindicais, incluindo a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e a Federação Nacional da Educação (FNE), que exigem a valorização da carreira docente, o combate à precariedade e a necessidade de promover o rejuvenescimento do setor.
A greve coincide com a ida do ministro da Educação, João Costa, ao parlamento para ser ouvido no âmbito da discussão na especialidade do OE2023, que prevê 6,9 mil milhões de euros para o ensino básico e secundário e administração escolar.
Para as estruturas sindicais que representam os professores, este valor é, no entanto, insuficiente e representa o que consideram o subfinanciamento do setor. Por outro lado, consideram também que o OE2023 deixa por responder vários problemas.
As reivindicações são comuns e incluem medidas que tornem a profissão mais atrativa, o fim das vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões, o combate à precariedade, a criação de estímulos para atrair professores para zonas com falta de profissionais e a recuperação do tempo de serviço congelado.

Diário de Coimbra

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Das Evidências

Covid-19: confinamento comprometeu escrita e matemática nos mais novos. E acentuou diferenças entre crianças com mais e menos meios em casa

 

Estudo inédito sobre o impacto do fecho de escolas nos alunos do pré-escolar mostra agravamento das desigualdades, sobretudo durante a primeira vaga da pandemia

 

Há cada vez mais dados e certezas sobre o impacto que o fecho de escolas durante meses, em 2020 e em 2021, teve na perda de aprendizagens, sobretudo entre os alunos de famílias com menos recursos. O que um estudo agora concluído mostra é que os confinamentos também tiveram consequências junto das crianças que fizeram o último ano do pré-escolar em pandemia. E que chegaram entretanto ao 1º ano do ensino básico com menos capacidades em áreas consideradas fundamentais para a transição de ciclo do que as demonstradas pelos colegas em anos anteriores.

O estudo, realizado pelas Universidades de Aveiro e de Coimbra e pela associação Empresários pela Inclusão Social (EPIS), sobre os efeitos do confinamento na aprendizagem pré-escolar em Portugal, que será apresentado publicamente na próxima semana, abrangeu mais de 11 mil alunos, de 318 escolas, nos anos letivos de 2018/2019 a 2021/2022. Ou seja, permitiu perceber o estádio de desenvolvimento em que um grupo alargado de crianças iniciou a escolaridade obrigatória nos dois anos antes da pandemia e nos dois afetados pelo fecho de escolas.

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