Numa escola frenética, onde as exigências e as solicitações formuladas aos profissionais de Educação aparecem em catadupa, não há espaço para a reflexão, nem para a discussão, nem para o pensamento crítico, nem para cimentar ou amadurecer qualquer ideia…
Numa escola frenética, onde vigorem a sobrecarga de estímulos ou a “produção em série”, muitas vezes sem nexo e sem “fio condutor”, não será possível que existam a tranquilidade e a serenidade, imprescindíveis à efectiva e intencional orientação do comportamento para um determinado objectivo…
Entropia, frenesim, vertigem, desmotivação, ansiedade e frustração é o que aí costuma exsitir…
E parece ser esse o contexto mais propício à prevalência de uma maioria silenciosa e resignada:
Profissionais de Educação que se demitem de qualquer tipo de contestação, aparentemente, “anestesiados”, alheados e ausentes do que se vai discutindo, nos mais variados locais, acerca da sua própria profissão, em particular os males que a afectam…
Esse desconhecimento e desinteresse são atrozes e confrangedores em muitas escolas, sobretudo naquelas onde o conformismo parece assumir proporções “bíblicas”…
O investimento por excesso no trabalho, poucas vezes sinónimo de eficácia, e o cumprimento de imperiosas tarefas, sempre inadiáveis, urgentes e prioritárias; todas obrigatórias, mas muitas vezes sem justificação efectivamente atendível, aparecem frequentemente como “desculpas” ou justificações para não se pensar noutras coisas, por falta de tempo…
E o paradoxo parece ser este: só “pensando noutras coisas”, se conseguirá eliminar a “falta de tempo”…
O mais importante parece ser cumprir todas as ordens; executar todas as tarefas; mostrar que, pretensamente, se trabalha muito; forjar “sorrisos amarelos” e reprimir reacções…
A submissão inquestionável e acrítica obriga a percorrer, todos os dias, “muitos quilómetros”, mas sem se sair do mesmo sítio e sem se avançar para lado nenhum…
Às vezes, chega mesmo a parecer que muitos profissionais de Educação vivem num “circuito fechado”, “enclausurados” dentro de si próprios e da escola, numa espécie de “gueto”, blindado a tudo o que possa ser considerado como uma “má influência” vinda do exterior…
Age-se, frequentemente, em modo de “piloto automático”, empreendendo a maior parte das acções sem verdadeira intencionalidade e sem plena consciência…
Na condição de “adormecidos e entorpecidos”, tende a aceitar-se todas as decisões tomadas por terceiros e a deixar de procurar soluções para os problemas, como se se tivesse abdicado da capacidade de pensar por si próprio…
Aceita-se tudo e “consome-se” tudo o que vem do interior da escola…
Mesmo que as exigências, seguidas de mais exigências, sejam, muitas vezes, inconsistentes, redundantes e atabalhoadas, sem se saber para que efectivamente servem ou que eficácia e pertinência têm…
E poucos ousam sequer “levantar os olhos” do que estão a fazer, para percepcionar o “mundo lá fora”…
Metaforicamente, esta imagem talvez ilustre bem a postura anteriormente descrita, em particular o círculo vicioso do trabalho insano, que estreita o pensamento e tolhe a acção:

(Crédito da imagem: piadas-e-videos.com)
E não é que alguém tenha “descoberto alguma roda” nos últimos tempos, mas, pelo menos, (ainda) há quem teime em não se resignar, recusando a desistência, acreditando que é possível fazer mais pela melhoria das condições de trabalho dos profissionais de Educação…
O silêncio dos que se abstêm de conhecer a realidade “para lá dos portões da escola” e, ainda menos, de participar, na discussão dos principais aspectos que relevam no exercício da Profissão Docente num momento tão conturbado como o actual, optando por ignorar, ou até mesmo por desvalorizar esses debates, enfraquece qualquer forma de luta, mas também retira toda a legitimidade a reclamações posteriores…
E, no fim, acabará sempre por ser uma forma de não honrar a própria dignidade…
Sem ignorar a importância lúdica e o papel dos “Contos de Fadas” na compreensão de alguns processos mentais, este texto, “ácido” e metafórico, é sobretudo dirigido a tant@s “Bel@s Adormecid@s” que pululam por aí, ainda que o mais provável seja que esses não o leiam…
Às vezes, é preciso “lavar a alma”… Faz bem “lavar a alma”.
(Paula Dias)