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António Costa quer acordo sobre as casas às costas…

O secretário-geral do PS, António Costa, defendeu, este sábado, que é preciso acabar com a situação dos professores com a “casa às costas” e mostrou-se confiante num acordo com os sindicatos do setor.

“É preciso acabar com os professores com a casa às costas”, diz António Costa

“Esperamos chegar a acordo com os sindicatos para que seja possível acabar, de uma vez por todas, com dos professores com a ‘casa às costas’ e que possam, assim que sejam contratados, vincular-se na escola onde estão e só saírem de lá se um dia o desejarem”..

António Costa falava na Covilhã, no XX Congresso Federativo do PS Castelo Branco, numa intervenção que foi acompanhada via ‘online’ nos congressos federativos socialistas de outras regiões, que também estão a decorrer hoje.

Durante a sessão, o líder socialista e primeiro-ministro reiterou o compromisso com a execução de “reformas estruturais” e apontou a questão da escola pública, destacando a situação dos professores e a necessidade de mudar o modelo de vinculação.

Costa lembrou que já foi aberto um processo de negociação sindical para alteração do modelo de vinculação dos professores e assumiu que “não há nenhuma razão” para que esta seja “a única carreira em todo o Estado” que tem de se apresentar a concurso de três em três anos.

António Costa reconheceu o problema que representa para os professores não saberem se vão ficar perto ou longe de casa e se vão ter de andar com a ‘casa às costas’, “sem saber onde é que se podem vincular”.

“Não há nenhuma razão para que isto aconteça”, vincou.Apontando que a estabilidade do corpo docente reforça a qualidade da educação, destacou que este é um ganho fundamental que tem que se conseguir.

 

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O facilitismo em educação prejudica os alunos empenhados. Rui Ferreira

Imaginem uma turma do último ano do ensino obrigatório, num curso de prosseguimento de estudos, onde se constata que de uma turma de cerca de 30 alunos, somente um 1/3 tem aproveitamento, em várias disciplinas.
Um dos professores, que os acompanhou no primeiro ano do ensino secundário, e agora os voltou a acompanhar, constatou que no percurso do secundário, o número de alunos, que deixou de ter motivação para se esforçar e trabalhar, duplicou. Portanto, o sistema falhou redondamente, havendo cada vez mais alunos, nesta turma, que deixaram de se interessar pelas aprendizagens e portanto pela escola.
Como é que isto aconteceu? O professor que os conheceu no início do secundário, informou que logo no início do ano inicial do secundário foi equacionada a hipótese de alguns alunos mudarem de curso, onde não tivessem matemática, proposta que foi rejeitada quer em relação aos cursos profissionais, cada mais recusado devido ao medo das PAPs, quer para cursos de humanidades. Estes alunos rejeitaram qualquer
destas soluções. Continuaram na turma desmotivados.
No final do primeiro ano do secundário, colocou-se a questão de reter ou não os alunos com várias disciplinas sem o aproveitamento mínimo e, por interferência da direção, com a ameaça de repetir o CT, todos os alunos prosseguiram os estudos, pelo que as notas de algumas disciplinas foram votadas de forma a garantir que não haveria retenções, com notas mínimas de 8 valores para não comprometer a
matrícula a essas disciplinas.
No segundo ano, a oportunidade dada foi desaproveitada, acontecendo até um efeito perverso, o número de alunos desinteressados aumentou, o que aparentemente significa que houve arrastamento de mais alunos para a situação de desinteresse e alheamento da escola.
No último ano do ciclo chamado de secundário, há cada vez mais alunos desmotivados, até com as notas obtidas nos exames realizados no ano anterior. Houve constatação de que a classificação dada pela escola era superior aos resultados obtidos nos exames, apesar de os professores terem avisado os alunos de
que a expetativa de notas nos exames deveriam ser medidas pelas notas obtidas nos testes e não com outro tipo de avaliação, que lhes permite melhorar as classificações.
Concluindo, o facilitismo não permitiu uma segunda oportunidade, antes pelo contrário aumentou o desinteresse, que associado, à falta de penalizações, aumentou o número de alunos desligados do conhecimento, que passaram de meia dúzia, para cerca de 2/3 à entrada do último ano. Não há estratégias possíveis de remediação nesta situação. Houve um falhanço total das teorias centradas no aluno
que não pode ter frustrações, prevalecendo um efeito de mancha negra que alastra de ano para ano. Mas, quando enfrentam a realidade nos exames nacionais a frustração prevalece. Portanto, a frustração só foi adiada.

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Uma imagem, em vez de mil palavras…

 

Numa escola frenética, onde as exigências e as solicitações formuladas aos profissionais de Educação aparecem em catadupa, não há espaço para a reflexão, nem para a discussão, nem para o pensamento crítico, nem para cimentar ou amadurecer qualquer ideia…

Numa escola frenética, onde vigorem a sobrecarga de estímulos ou a “produção em série”, muitas vezes sem nexo e sem “fio condutor”, não será possível que existam a tranquilidade e a serenidade, imprescindíveis à efectiva e intencional orientação do comportamento para um determinado objectivo…

Entropia, frenesim, vertigem, desmotivação, ansiedade e frustração é o que aí costuma exsitir…

E parece ser esse o contexto mais propício à prevalência de uma maioria silenciosa e resignada:

Profissionais de Educação que se demitem de qualquer tipo de contestação, aparentemente, “anestesiados”, alheados e ausentes do que se vai discutindo, nos mais variados locais, acerca da sua própria profissão, em particular os males que a afectam…

Esse desconhecimento e desinteresse são atrozes e confrangedores em muitas escolas, sobretudo naquelas onde o conformismo parece assumir proporções “bíblicas”…

O investimento por excesso no trabalho, poucas vezes sinónimo de eficácia, e o cumprimento de imperiosas tarefas, sempre inadiáveis, urgentes e prioritárias; todas obrigatórias, mas muitas vezes sem justificação efectivamente atendível, aparecem frequentemente como “desculpas” ou justificações para não se pensar noutras coisas, por falta de tempo…

E o paradoxo parece ser este: só “pensando noutras coisas”, se conseguirá eliminar a “falta de tempo”…

O mais importante parece ser cumprir todas as ordens; executar todas as tarefas; mostrar que, pretensamente, se trabalha muito; forjar “sorrisos amarelos” e reprimir reacções…

A submissão inquestionável e acrítica obriga a percorrer, todos os dias, “muitos quilómetros”, mas sem se sair do mesmo sítio e sem se avançar para lado nenhum…

Às vezes, chega mesmo a parecer que muitos profissionais de Educação vivem num “circuito fechado”, “enclausurados” dentro de si próprios e da escola, numa espécie de “gueto”, blindado a tudo o que possa ser considerado como uma “má influência” vinda do exterior…

Age-se, frequentemente, em modo de “piloto automático”, empreendendo a maior parte das acções sem verdadeira intencionalidade e sem plena consciência…

Na condição de “adormecidos e entorpecidos”, tende a aceitar-se todas as decisões tomadas por terceiros e a deixar de procurar soluções para os problemas, como se se tivesse abdicado da capacidade de pensar por si próprio…

Aceita-se tudo e “consome-se” tudo o que vem do interior da escola…

Mesmo que as exigências, seguidas de mais exigências, sejam, muitas vezes, inconsistentes, redundantes e atabalhoadas, sem se saber para que efectivamente servem ou que eficácia e pertinência têm…

E poucos ousam sequer “levantar os olhos” do que estão a fazer, para percepcionar o “mundo lá fora”…

Metaforicamente, esta imagem talvez ilustre bem a postura anteriormente descrita, em particular o círculo vicioso do trabalho insano, que estreita o pensamento e tolhe a acção:

(Crédito da imagem: piadas-e-videos.com)

E não é que alguém tenha “descoberto alguma roda” nos últimos tempos, mas, pelo menos, (ainda) há quem teime em não se resignar, recusando a desistência, acreditando que é possível fazer mais pela melhoria das condições de trabalho dos profissionais de Educação…

O silêncio dos que se abstêm de conhecer a realidade “para lá dos portões da escola” e, ainda menos, de participar, na discussão dos principais aspectos que relevam no exercício da Profissão Docente num momento tão conturbado como o actual, optando por ignorar, ou até mesmo por desvalorizar esses debates, enfraquece qualquer forma de luta, mas também retira toda a legitimidade a reclamações posteriores…

E, no fim, acabará sempre por ser uma forma de não honrar a própria dignidade…

Sem ignorar a importância lúdica e o papel dos “Contos de Fadas” na compreensão de alguns processos mentais, este texto, “ácido” e metafórico, é sobretudo dirigido a tant@s “Bel@s Adormecid@s” que pululam por aí, ainda que o mais provável seja que esses não o leiam…

Às vezes, é preciso “lavar a alma”… Faz bem “lavar a alma”.

 

(Paula Dias)

 

 

 

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Olhai os lírios do Campo…

Olhai os lírios do Campo

Fotog. Luísa Nicolau, ES Camões

 

 

Nas últimas semanas, uma ação inusitada trouxe para as primeiras linhas televisivas a preocupação legítima de jovens que reivindicam o fim dos combustíveis fósseis até 2030. A sua iniciativa não foi vandalizar obras primas ou bens públicos, foi uma ação bem delineada de ocupação: na Faculdade de Ciências, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Faculdade de Letras, ES Camões e ES António Arroio ergueram as suas vozes para além dos muros da academia e da escola. Em grande parte dos casos, a preparação para esta ação foi profundamente estudada e delineada, com elevado sentido ético e consciência dos direitos cívicos.

 

Como cidadã, considerei inspirador ver ressurgir um movimento de contestação nas escolas cujo ADN já albergava históricosmovimentos associativos estudantis. Nas décadas de 60 e 70, foitambém ali que muitos jovens contribuíram para a disrupção do marasmo político e intelectual vigente, em alguns casos, fortemente inspirados por professores para quem ensinar era, acima de tudo, um ato de cidadania (Adamopoulos & Vasconcellos, 2009; Proença, 1999; Silva, 2015).

 

O protesto desta nova geração merece, na verdade, profunda reverência e desponta como os lírios no campo: com a proximidade da água, o bolbo que levou o seu tempo a armazenar nutrientes, sobrevivendo oculto nas condições mais adversas, faz brotar do solo o caule de onde desponta a flor, perene, delicada, mas absolutamente firme. Tão firme e resiliente que persiste anos, entre a floração e o estado de dormência. Este é, talvez, o símbolo mais adequado a estes corajosos e determinados jovens que, à semelhança da açucena, parecem encarnar o seu ideal de respeito, proteção, nobreza e lealdade.

Cansados de serem liderados por adultos que usufruem da Terra sem considerar o futuro, erguem-se para resgatar o seu primordial direito à vida.

 

Como professora, muito me aprouve ouvi-los expressarem-se no mais perfeito português, com uma argumentação clara e bem estruturada. Os meus pares que os ensinaram estão verdadeiramente de parabéns. A gramática rejubila nas suas vozes e o Perfil do Aluno surge explanado nos valores que ostentaram com determinação – responsabilidade, integridade, exigência, curiosidade, cidadania, participação e liberdade foram integralmente revelados. E as competências, podemos avaliá-las nos seus gestos e no seu discurso – uma contestação como esta exigiu pesquisa, interpretação, seleção rigorosa da informação (muitos de nós, ao contrário destes alunos, desconhecíamos queAntónio Costa e Silva tinha petróleo nas veias!), raciocínio e resolução de problemas (como gerir a ação reivindicativa, manter o espaço ocupado, organizar dormidas e alimentação, por exemplo?), pensamento crítico e criativo (como conseguir rapidamente o fim dos combustíveis fósseis até 2030?), relacionamento interpessoal (interagir no contexto social e emocional com consciência e ponderação, assegurar trabalho de equipa), etc.

 

Mas foi quando ouvi uma professora primordialmente preocupada com a preparação destes alunos para os Exames que percebi quão amorfos e fossilizados estamos, todos nós, professores. Incapazes de fazer uma greve concertada, de exigir direitos de que fomos expugnados, de cabeça baixa e silenciosa, quebrados, alheados do sonho. Onde estão as nossas vozes? Onde está o nosso pensamento? Onde está o nosso direito a uma inexorável mudança? Quem somos nós hoje? Professores ou servos?

 

Olhai os Lírios do Campo, foi, também, o título que Érico Veríssimo deu à sua obra comovente, cujo protagonista vive focado no sucesso pessoal e alheado dos seus valores mais profundos.

É, também com essa analogia que Cristo alerta os seus apóstolos para a importância de cuidarmos das coisas primordiais e apela à busca de justiça. “O homem não pode montar em dois cavalos, nem pode retesar dois arcos. O servo não pode servir a dois senhores, pois ele honra um e ofende o outro (Evangelho S. Tomé).

Desta pura consciência, os jovens lírios nos dão a mais bela lição. De cabeça erguida e passo firme, seguram a candeia que a todos deve nortear.

Aqueles que não saem do sofá nas lutas pela sua profissão, ao menos que poisem seus olhos nestes lírios e na sua candeia e caminhem a seu lado, bebendo das suas pétalas a coragem para lutar por um mundo mais digno, mais justo e sustentável para todos.

 

Alexandra Mendes

 

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